Archive for April, 2008

A sublimidade do culto cristão – Pb. José Roberto

Texto Áureo: I Co. 14.26 – Leitura Bíblica em Classe: Cl. 3.12-17
Pb. José Roberto A. Barbosa jotaroberto@uol.com.br

Objetivo: Mostrar que o culto cristão é sublime, e como tal, precisa traduzir-se em comprometimento espiritual.

INTRODUÇÃO
O culto cristão é sublime, isto é, tem um caráter elevado. A sua nobreza se justifica porque tem como meta central a adoração a Deus. Na lição de hoje, meditaremos a respeito do significado do culto na Bíblia, seus objetivos e encaminharemos algumas disciplinas necessárias para que possamos adorar a Deus em espírito e em verdade.

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A sublimidade do culto cristão – Dr. Caramuru Afonso

Dr. Caramuru Afonso / Sérgio Paulo Gomes de Abreu

 

A adoração a Deus é o gesto concreto de nosso reconhecimento de que Deus é o Senhor de todas as coisas, inclusive de nosso ser.

 

INTRODUÇÃO

- Prosseguindo o estudo das disciplinas da vida cristão, analisaremos o culto cristão, ou seja, a “reverência respeitosa a Deus”, conforme nos indica o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa.

- Com efeito, estabelecida a comunicação entre Deus e o homem, motivada pelo amor, através da oração (muitas vezes reforçada pelo jejum) e da leitura devocional da Palavra, vemos que se deve criar uma relação entre Deus e o homem que é pautada pelo reconhecimento de que Deus é o Senhor e nós, pela Sua misericórdia, criaturas que devem servi-lO.

- O culto é um ato de adoração, ou seja, ato pelo qual o homem reconhece que Deus é o Senhor de todas as coisas, inclusive do adorador.

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A sublimidade do culto cristão – Pr. Altair Germano

Pr. Altair Germano

http://altairgermano.blogspot.com/

 

1.INTRODUÇÃO

O culto é uma das mais belas e antigas formas do homem expressar sua devoção, gratidão e adoração a Deus.

A Bíblia é o maior manual litúrgico em circulação, sendo ela inspirada por aquele a quem devemos toda honra, glória e louvor. É nela que encontramos o princípio regulador do culto cristão do culto cristão.

A falta de conhecimento destas fundamentações, aliada ao descaso ou desinteresse quanto ao desenvolvimento histórico e litúrgico do culto, tem conduzido cristãos e igrejas, a se privarem de todas as bençãos e privilégios deste tão solene ato, como também, ao desvio da simplicidade, verdade e espiritualidade, que sempre marcaram esta prática cristã. Em muitos lugares, a formalidade, desordem e irreverência, tem transformado o culto num mero encontro de pessoas, quando deveria antes, ser um encontro de pessoas com Deus.

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A Leitura Devocional da Bíblia – Pr. Osiel Varela

Ler a Bíblia é fator essencial na vida do crente!
Quando o salmista declara : “Escondi a tua palavra no meu coração para não pecar contra ti”, está demonstrando, todo o seu conhecimento de Deus, através do entendimento revelador das Escrituras.
Esta enfática declaração nos traz, à mente, as dificuldades teológicas que estamos vivendo nestes últimos dias da Igreja.
Infelizmente muitos teem se levantado com “novos” entendimentos sobre a palavra de Deus.
A ala liberal tem se pronunciado de maneira feroz contra a ortodoxia da Palavra, arrostando após si uma leva de neoliberais, atiçados pelo “new” por uma nova “visão”.
Muito embora não seja tão nova assim esta ala de teólogos, mas, temos visto recrudescer a sua sanha demolidora de “desconstruir”, ou para usar uma palavra muito em voga, realizar uma “re-engenharia” das Escrituras.
Por isso, é que citei o salmista, com suas sábias palavras.
Introdução:
A leitura bíblica é um dos ensinos, que deveria ser ministrado, desde quando nós nos convertemos a Jesus.
Mesmo aqueles, que desde sempre estiveram na Igreja, por ter pais crentes, muitas das vezes, desconhecem o prazer de ler a Bíblia.
Tenho tido várias experiências com crentes que vem estudar teologia, mas na realidade eles se matriculam para aprender ler a Bíblia, como assim?Explico:
Já tive em minha classe, alunos que sequer sabiam manusear a Bíblia, para achar um livro do Antigo ou do Novo Testamento.
Eu dizia: leia em Hebreus, capítulo 11, e só de olhar eu sabia que o aluno estava procurando o livro lá no Antigo Testamento.
Ou então, lá estava ele folheando a Bíblia freneticamente desde Gênesis.
Graças à Deus que com a ajuda do Espírito Santo, Deus me deu uma didática própria, na qual, eu vou contando as histórias bíblicas e situando o aluno por fatos marcantes da Bíblia, estes alunos em pouco tempo, aprenderam a situar um livro dentro de cada um dos volumes bíblicos – AT ou NT, e hoje, até, já ajudam aos que começam a estudar a Bíblia.
Mas afinal, qual a necessidade que temos em ler a Bíblia, ou mais qual a necessidade em conhecermos a história da Bíblia, e mergulhando mais fundo, como conhecer as qualidades e o poder das Escrituras Sagradas.
Gosto da terminologia:
Se a palavra transforma, modifica a vida do homem, de acordo com os ditames de Deus, então ela é poderosa para agir e é Palavra de Deus.
1- A Bíblia Sagrada é formada por dois volumes:
O Antigo Testamento e o Novo Testamento.
Conhecendo a Estrutura da Bíblia:
Para ler a Bíblia é necessário conhecermos sua estrutura como Palavra de Deus e a composição de seus dois volumes, que interagem através das profecias, do primeiro volume, o Antigo Testamento e seu cumprimento, no segundo volume o Novo Testamento.
O Antigo Testamento foi dado ao povo hebreu como diz Paulo em ROMANOS 3.1 Que vantagem, pois, tem o judeu?…Muita, em todo sentido; primeiramente, porque lhe foram confiados os oráculos de Deus….
A terminologia Antigo Testamento expressa mais a Antiga Aliança Mosaica ou Pacto de Deus com seu Povo, através de Moisés, mas o uso acabou colocando esta terminologia como fator comum do volume que contém, além do:
Lei (Pentateuco) – aqui sim o Pacto ou Aliança
Profetas
Escritos
Você também encontrará o próprio Jesus citando “Salmos” em lugar dos Escritos, bem como, outros personagens citando apenas as Escrituras, para descrever toda a Tanach, tais como, Pedro, Paulo e demais apóstolos e personagens do primeiro século da Igreja.
Tanach – volume ou conjunto das escrituras judaicas, que vão de Gênesis a Malaquias, assim dito, até por Flávio Josefo, o maior historiador hebreu.
Lc.24. 44: Depois lhe disse: São estas as palavras que vos falei, estando ainda convosco, que importava que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos.
Pode-se afirmar ainda que o Antigo Testamento foi o livro texto por alguns séculos depois de Cristo, até que o Novo Testamento viesse a circular como um cânon.
Sob a ótica que os hebreus liam as suas escrituras e pela qual nós as lemos, o Antigo Testamento era a “Bíblia” (aspas uso do termo bíblia só foi dado posteriormente -não se preocupe com as letras minúsculas neste trecho) utilizada por Jesus e por seus apóstolos, pode-se afirmar com tranqüilidade que o nome Escritura dava ao ouvinte do primeiro século da nossa era a convicção de que se estava falando daquela Escritura mais antiga (At 8.32; Gl 3.8; 2 Tm 3.16; Tg 2.8, 23; 1 Pe 2.6; 2 Pe 1.20 — observe a exceção em II Pe 3.15,16 quando Pedro já inclui os escritos de Paulo e outros no mesmo nível de Escritura). A importância da Palavra de Pedro na constituição canônica da s Palavras do Novo Testamento:
II Pe.3.15.ss: …e tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada; como faz também em todas as suas epístolas, nelas falando acerca destas coisas, mas quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, como o fazem também com as outras Escrituras, para sua própria perdição.
O Apóstolo Pedro, lança luz e alça os escritos Paulinos, com esta frase: “como o fazem também com as outras Escrituras”, da recente e noviça Igreja, a paridade de qualidade (poder, transformação, contar a história divina, e a história dos patriarcas, transformação de vidas, milagres), ao mesmo patamar espiritual, que os antigos escritos das ESCRITURAS.
Naquele momento a Palavra de Deus existente e reconhecida era um volume apenas, neste instante é revelado a Pedro, que a Palavra que Paulo escrevera era canônica e santa, claro que não usou estes termos, que somente existiriam séculos depois, no entanto Pedro conhecia que o seu povo os judeus, só consideravam santa as palavras que tivessem estas qualidades, incluindo a questão patriarcal e histórica dos judeus, desde Abraão, até os Patriarcas como Jacó e seus filhos, ou seja considera os Escritos de Paulo, com a qualidade nata de Palavra de Deus.
Também é significativo o discurso de Jesus diante dos judeus, quando ele os adverte de que eles examinem e leiam, as Escrituras “porque julgais ter nelas Escrituras a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim. Contudo, não quereis vir a mim para terdes vida” (Jo 5.39,40).
Pode-se afirmar ainda que o Antigo Testamento foi o livro texto por alguns séculos depois de Cristo, até que o Novo Testamento viesse a circular como um cânon.
A nomenclatura “Antigo Testamento” tem sido utilizada para designar toda a Escritura mais antiga dos hebreus. Para não, provocar problemas de nomenclatura utilizaremos a terminologia “Antigo Testamento,” por ser consagradamente utilizada, mas sabendo que os nossos leitores tomaram conhecimento, conforme dados acima.
2- O valor das Escrituras:
Quando os escritores bíblicos (profetas, na concepção de que expressavam a voz e a vontade de Deus) ou os judeus falavam Escrituras eles estavam se referindo a Torah ou a Tanach, como Jesus usou na Parábola do rico e Lázaro: Lc.16.27.ss: Disse ele então: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai, porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham eles também para este lugar de tormento.
29 Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. Respondeu ele: Não! pai Abraão; mas, se alguém dentre os mortos for ter com eles, hão de se arrepender.Abraão, porém, lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.
Se você quiser conhecer o Caminho da Salvação basta Ler as Escrituras, pois são elas que nos indicam Jesus como O Caminho e a Verdade e a Vida!
Jo.5.39: Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim;
Mas, o verdadeiro valor das Escrituras, para quem ouve ou ler nós encontramos aqui:
Logo depois do encontro de Cristo ressurreto com os discípulos no caminho para Emaús, Jesus apareceu aos discípulos reunidos, assustados, e estes ouviram do mestre: Lc 24.44-47:“São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras; e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém.”Veja que tesouro as Escrituras Guardaram por séculos, a Promessa cumprida pela morte e ressurreição de Jesus Cristo.
Ler a Bíblia é conhecer a profundidade da revelação de Deus e ter compreensão de sua vontade. Quando lemos a Palavra de Deus sentimos, o mesmo que os Discípulos no Caminho de Emaús.
Lucas registra o que os discípulos que caminhavam para Emaús sentiram e expressaram: Lc 24.32: “um ao outro: Porventura, não nos ardia o coração, quando ele, pelo caminho, nos falava, quando nos expunha as Escrituras?”
I- Conheça a Estrutura organizada da Bíblia, com o Cânon Hebraico e o Cânon Protestante.
Muitos até pensam que o Antigo Testamento é coisa passada e desnecessária para a Igreja, mas como demonstrado acima e neste quadro, fica bem clara, a posição do Antigo testamento e conexão entre O AT e NT, e comece a ler estas partes da Bíblia Sagrada, se ainda não o faz, com os olhos abertos pela Revelação do Espírito Santo, em sua Plenitude.
O quadro a seguir é apenas para dar uma visão de como os testamentos se conectam tematicamente:
Antigo Testamento
Lei (Pentateuco): A administração perfeita, pura, santa e boa; o próprio Cristo.
História: O senhorio de Deus através dos tempos.
Poesia: Aprendendo a conversar com o Pai e a expressar o desejo da alma
Profecia: A palavra admoestadora e restauradora A criação rumo à Consumação No Antigo Testamento vemos as bases do Reino de Deus ao observarmos o prenúncio de Cristo através de tipos como profetas, sacerdotes e reis.
Novo Testamento
Evangelhos: O Deus-homem se fez carne e proclamou o Reino Registram tudo o que Jesus começou a fazer e a ensinar, o que havia sido anunciado há muito tempo na Escritura mais antiga, o Antigo Testamento.
Atos: A expansão das boas-novas de salvação Registram o que Jesus continuou a fazer e a ensinar através de suas testemunhas (os discípulos) revestidas de poder, do Espírito Santo, o outro Consolador.
Epístolas: O dia-a-dia das igrejas, a aplicação das verdades ensinadas Tratam da fé desenvolvida no cotidiano. Trazem o significado de como a pessoa e obra de Cristo devem impactar o caminhar dos cristãos como embaixadores de Cristo no mundo.
Apocalipse: A consumação e vitória do Cordeiro e da Igreja de Cristo Antecipa o fim dos tempos anunciando que o Cordeiro e sua igreja reinarão para sempre em novos céus e em nova terra.
Essa divisão é puramente didática. No Antigo Testamento, por exemplo, diversos livros proféticos estão parcial ou totalmente escritos em forma poética. A poesia pode ser encontrada ainda em meio às narrativas.
Isso significa que quando alguém estiver vendo a classificação acima, deve considerar apenas que o lugar clássico da poesia é, sim, o Livro de Salmos e os escritos de sabedoria, mas isso não impede que haja poesia em outros lugares.
Dessa forma o livro de Atos ou o livro de Salmos — livros histórico e poético — também são livros teológicos.
Abaixo, temos uma tabela com os livros da Bíblia segundo o arranjo hebraico e o arranjo como o temos em português (agrupamento por assuntos), a abreviatura utilizada e as datas aproximadas.
O que precisamos para entender a Palavra de Deus:
Para que possamos entender a Bíblia é preciso Crer em suas características ou qualidades principais e saber interpretar o que lemos:
Atos 8. 29.ss: Disse o Espírito a Filipe: Chega-te e ajunta-te a esse carro. E correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e disse: Entendes, porventura, o que estás lendo? Ele respondeu: Pois como poderei entender, se alguém não me ensinar? e rogou a Filipe que subisse e com ele se sentasse. Ora, a passagem da Escritura que estava lendo era esta: Foi levado como a ovelha ao matadouro, e, como está mudo o cordeiro diante do que o tosquia, assim ele não abre a sua boca. Na sua humilhação foi tirado o seu julgamento; quem contará a sua geração? porque a sua vida é tirada da terra. Respondendo o eunuco a Filipe, disse: Rogo-te, de quem diz isto o profeta? de si mesmo, ou de algum outro? Então Filipe tomou a palavra e, começando por esta escritura, anunciou-lhe a Jesus.
Durante o estudo da Hermenêutica, a arte de interpretar a Bíblia, aprendemos que sempre houve divergências na forma de interpretar a Bíblia.
É difícil para o leitor entender certas passagens.
II- De que forma a Bíblia deve ser lida ou interpretada?
Algumas Regras:
1- A Bíblia deve ser lida e interpretada, de três formas:
a- Literalmente, ou seja, interpretando suas palavras, conforme o que está escrito;
b- Alegoricamente, ou seja, entendendo as suas palavras de maneira figurativa
c- E ainda, de maneira simbólica, entendendo as suas palavras desta maneira com simbolismos, Jesus usou muitas figuras (falarei a este povo por parábolas) e símbolos são encontrados por toda a Bíblia.
Nunca podemos deixar de ler a Bíblia entendendo as suas passagens sob esta forma tríplice:
Literal, figurativa e simbólica, quando a lemos sob um único destes pontos de vista podemos correr o risco de desvirtuar o que estamos lendo.
2- A regra do contexto do tempo e da época:
Ao ler a Bíblia considere:
O que o autor do trecho lido, quis dizer ao escrever aos seus leitores, na ótica de sua época e o que estas palavras representam para nós. Há um conceito do ensino teológico, da validade eterna da palavra, que faz com que a Palavra tenha sempre efeito para todos que a lêem, crendo que é a Palavra de Deus.
Uma observação: muito embora, haja em nossos dias, boas edições de Bíblias, tenham cuidado com algumas versões modificadas e que retiram ou modificam a Palavra de Deus. Levando sempre em conta, que a Bíblia foi escrita em hebraico e grego (os autógrafos – os escritos originais), segundo a seqüência dos Testamentos, por sua ordem e possui em ambos volumes expressões aramaicas.
Levando ainda, em conta, que foi traduzida para o grego e para o latim, até chegar a nossa língua portuguesa.
3- Outra regra importante:
A Bíblia interpreta a própria Bíblia, nenhum livro poderá dirimir a sua dúvida se ele não estiver embasado na própria Escritura. Quando você lê a Bíblia Sagrada, deve ler o texto e procurar o contexto dentro do capítulo ou do livro que estiver lendo (contexto próximo), não achando, em caso de dúvida, procure um texto que sirva de contexto ao assunto dentro de todo conjunto da Bíblia (contexto amplo ou distante), que possa lhe respaldar. Servirá também, à você, nesta situação o conhecimento do Ensino Geral da Bíblia ( ensinos que por inferência estão descritos nas suas palavras), tais como: Amor de Deus, Misericórdia, Salvação Por Cristo, Soberania de Deus, Trindade, Espírito Santo é Deus, e outros …
III- Duas visões e entendimento da Bíblia Sagrada:
A- Visão Ortodoxa:
Um livro humano-divino;
É a Palavra de Deus – LOGOS THEOU (gr.): “Palavra de Deus”;
É inerrante – isto é tudo o que nela está escrito não possui erros;
É infalível, suas profecias sempre se cumprirão;
É Inspirada, embora homens de Deus (profetas) a tenham escrito ela passou pelo hálito de Deus (inspiração-sopro), isto quer dizer: ela foi dada a nós segundo a Inspiração do Espírito Santo que inspirou a homens santos (THEOS PNEUMATION TON PROPHAYTON (gr.): “Deus dos espíritos dos Profetas” ou “Deus das expressões inspiradas dos Profetas”.)
B- A ação liberal e seus “dogmas”:
Os teólogos liberais não crêem em milagres, na infalibilidade da Bíblia, na inspiração da Bíblia, ou dizem que há certas partes inspiradas e outras não inspiradas, não acreditam em suas profecias.
Alegam que vários fatos bíblicos, como dilúvio, Jonas no ventre da baleia, e a própria queda do homem, outros devem ser entendidos como metáforas, símbolos e alegorias e não como acontecimentos históricos reais.
O próprio conceito da escatologia ou eventos finais, defendido por Bultman, um dos pais do liberalismo “bíblico” diz que a demitização da Bíblia foi iniciada pelos próprios autores bíblicos. Diz ele Paulo não entendia a salvação como lemos na Bíblia, mas que Paulo entendia, segundo os liberais e Bultman, que os poderes do mau que agem no mundo também já estão sendo julgados no presente, nesse caso, o julgamento não é um ato futuro, mas aqui e agora, dispensando boa parte da escatologia e ensino geral apregoado pela Bíblia sobre os Julgamentos do homem, como ser único e sociedade.
O Liberalismo exegético em seu início aparentava um bom intuito de aplicar uma nova e boa fé, mas perdeu-se nos descaminhos de si mesmo, veja alguns pontos desta re-leitura bíblica pelos liberais:
A Bíblia contém a Palavra de Deus;
Uns consideram que há Inspiração, sem que haja a Inerrância, outros consideram que pode haver erros e Inspiração e vão por estes estranhos e absurdos caminhos.
A Bíblia contém mitologias em algumas de suas narrativas, tais como, Dilúvio, Cosmogonia (criação do Mundo), que seriam encontradas em escritos ou relatos de outras culturas que não a hebréia, supostamente idêntica, como a dos povos mesopotâmicos, ou do oriente mais extremo.
O que para mim só serve de ratificação (desnecessária sob o ponto de vista da fé), é motivo de descrédito para os liberais.
Os livros ou conjunto Pentateuco teria sido escrito ou completado na época dos reis, pelos sacerdotes, com único intuito de obtenção do controle do povo pelas leis e através disto de benefícios de uma pretensa casta sacerdotal.
A Bíblia pode ser lida como um simples livro humano, pois o que achar nela algo de sacro ou de convencimento, por meio de um processo específico, em algumas de suas páginas o homem poderá achar Deus, sem necessariamente “ver” a Inspiração e outras qualidades inerentes à Própria Palavra de Deus.
Tal visão atinge o âmago da Palavra em sua Inspiração divina, fundamental para que acreditemos nela.
IV- A LEITURA DEVOCIONAL:
a- Espiritualiza as nossas vidas:a leitura devocional, faz com que todos os dias nos lembremos da Soberania de Deus, que somos seus filhos, que dependemos absolutamente D’Ele, da ação do Espírito Santo.Todas estas coisas nos elevam a alma à Deus e podemos ascender as regiões celestiais onde estamos assentados com cristo.
b- Alegra e Consola: Quantos de nós, muitas vezes, aflitos afligidos, ao lermos uma passagem bíblica, como a que li esta semana, junto com meus alunos de Teologia, Sl. 46.10: “Aquietai-vos e sabei que Eu sou Deus…”; somos confortados e consolados pela leitura destas palavras.
c- O Poder da Palavra: Jesus ao citar as Escritura, no momento da sua tentação no deserto, após longo Jejum, demonstra-nos o Poder das Escrituras, o Poder da Palavra de Deus – Está Escrito!
Da mesma maneira, na ação verbal criadora, podemos ver ação e o Poder da Palavra de Deus, no “HAJA” criador.
CONCLUSÃO:
A Leitura Devocional deve ser não apenas um hábito, ainda que salutar, mas deve ser muito mais: Um verdadeiro encontro do Homem com Deus, pela Sua Palavra, A Bíblia Sagrada.
Ensinemos e leiamos a Bíblia!
Fonte:
Andrew jumper;
Apostilas SETAD-SP/Oráculo;
Bíblia cortesia Tio Sam;
Apontamento do autor do texto;
Dicionário Aurélio.

A leitura devocional da Bíblia – Pr. Adilson Guilhermel

A LEITURA DEVOCIONAL DA BÍBLIA – 2 Pe 1.16-21

Lição 4 – 27/04/2008

Texto Bíblico: 2 Tm 3.16,17 Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra.

OS BENEFÍCIOS DA PALAVRA INSPIRADA

1. RESTITUI A REALIDADE ESPIRITUAL

* Ela é a expressão da verdade – Jo 8.32 E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.
* Ela é a revelação da verdade – Mt 22.29 Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus.
* Ela é a iluminação da verdade – Sl 119.105 Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho

2. REAVIVA A CONSCIÊNCIA ESPIRITUAL

* Despertando-nos da dormência – Ef 5.14 Por isso diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá.
* Despertando-nos da descrença – Jo 3.15 Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
* Despertando-nos da ignorância – Ef 5.8 Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz

3. REALIZA O CRESCIMENTO ESPIRITUAL

* Transforma a nossa conduta – Pv 13.16 Todo prudente procede com conhecimento, mas o insensato espraia a sua loucura.
* Transforma o nosso caráter – Pv 11.3 A sinceridade dos íntegros os guiará, mas a perversidade dos aleivosos os destruirá
* Transforma o nosso proceder – . Mt 5.37 Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna.

Elaborado pelo Pr Adilson Guilhermel

www.pastorguilhermel.com.br

A leitura devocional da Bíblia, Pb. José Roberto

A LEITURA DEVOCIONAL DA BÍBLIA

Texto Áureo: II Tm. 3.16,17 – Leitura Bíblica em Classe: II Pe. 1.16-21
Pb. José Roberto A. Barbosa
jotaroberto@uol.com.br

http://subsidioebd.blogspot.com/

Objetivo: Despertar os crentes para a importância da disciplina na meditação da Bíblia, extraindo dela o alimento necessário para o crescimento na vida cristã.

INTRODUÇÃO
Na lição de hoje estudaremos a respeito da leitura devocional da Bíblia enquanto uma das disciplinas da vida cristã. Esperamos que seja de grande valia para os crentes aprenderem a relevância da meditação nas Sagradas Letras. A palavra “devoção”, no sentido usado nessa aula tem a ver com intimidade, dedicação e afeto, mas, sobretudo, com obediência a Deus. Veremos que, por se tratar de uma palavra inspirada pelo Espírito Santo, precisamos nos submeter à voz dAquele que fala na Escritura. Refletiremos um pouco a respeito da composição da Bíblia, em seguida, trataremos da sua inspiração, e por fim, da leitura devocional propriamente dita.

1. A BÍBLIA: PALAVRA DE DEUS
A palavra Bíblia é derivada do grego “biblion”, que significa rolo ou livro (Lc. 4.17) ou “bíblia”, conjunto de livros. Atribui-se, também, a esse livro, o nome de Escritura, especialmente quanto o Novo Testamento se refere ao Antigo Testamento (II Tm. 3.16; Rm. 3.2), expressão utilizada, também, para fazer alusão a outras porções do próprio Novo Testamento (II Pe. 3.16). A declaração mais amplamente usada em relação à Bíblia, e aceita pela igreja, é a de que ela é a Palavra de Deus (Mt. 15.6; Jo. 10.35; Hb. 4.12). As perspectivas humanas abordam a Bíblia de modo diferente: 1) Liberalismo – nega a possibilidade de qualquer revelação sobrenatural, estando essa sujeita à razão humana; 2) Romanismo – assume que essa é produto da igreja, portanto, não é autoridade final, e sim a tradição eclesiástica; 3) Neo-ortodoxia – a Bíblia seria o testemunho da Palavra de Deus, a saber, Jesus Cristo, ela, por assim dizer, torna-se a Palavra de Deus; 4) Misticismo – põe a experiência pessoal acima ou em igual posição à revelação bíblica; 5) Ortodoxia – A Bíblia é a Palavra de Deus, única base de autoridade, carecendo, porém, de interpretação apropriada (At. 8.30-34; II Pe. 1.20). É maravilhoso saber que a Bíblia, escrita ao longo de aproximadamente 1500 anos, por cerca de 40 autores, continua atuando na vida de pessoas em todas as épocas e em todos os lugares, revelando a salvação em Jesus Cristo (II Tm. 3.16,17).

2. A INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA
Esse tema tem sido alvo de controvérsias e críticas, principalmente, pelos adeptos da Teologia Liberal, uma vez que, para esses, a Bíblia não passa de meros relatos humanos. Em resposta a essa declaração, lemos em II Tm. 3.16, o ensino de Paulo dizendo que “Toda Escritura é inspirada por Deus” . Merece destaque, nessa passagem, o termo Escritura, graphê, em grego, que fala do material como um todo (pasa), dizendo ser toda a Bíblia Hebraica, isto é, o Antigo Testamento, produto do theopneustos, ou seja, do sopro de Deus, que seria a tradução mais apropriada para o termo inspirada. Em consonância a essa idéia, em II Pe. 1.21, Pedro afirma que “homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo”. Entendemos, então, que “homens falaram”, assim, Deus não desconsiderou suas personalidades (Rm. 10.20; I Co. 2.13; 14.37). Eles foram impelidos, que em grego é pheromene, uma metáfora marítima usada para se referir a um navio levado pelo vento, pelo Espírito Santo. Em relação ao Novo Testamento, Paulo tinha consciência de que as cartas que escrevia deveriam ser lidas e obedecidas (Cl. 4.16; II Ts. 3.14). Não podemos, portanto, esquecer da promessa do Espírito Santo que lembraria, ensinaria e guiaria os apóstolos a toda a verdade (Jo. 14.26; 15.26; 16.13). João, no Apocalipse, declara que aquilo que escreve é a Palavra de Deus, a qual não se pode acrescentar ou subtrair (Ap. 1.1,2,11; 22.18,19). Com base nesses textos, concluímos que a Bíblia não é resultante da mera inspiração humana, mas é, de fato, a verdade de Deus (Jo. 17.17), cabe a nós, portanto, ler o livro e obedecê-lo. No mais, conforme nos adverte Pedro, em II Pe. 3.14-18, o problema não se encontra nas Escrituras, mas nos falsos mestres e em suas compreensões equivocadas das Sagradas Escrituras.

3. DEVOÇÃO NA LEITURA BÍBLICA
Quando os discípulos encontraram Jesus no caminho de Emaús, é dito que o Senhor lhes explicou as Escrituras. Na medida em que o fazia, o coração deles ardia ao ouvir o ensino do Mestre (Lc. 24.32). Esse episódio aponta para o que acontece quando lemos a Bíblia devocionalmente, ouvindo a voz dAquele que fala. Muitos lêem a Bíblia apenas para extrair doutrinas, e, preferencialmente, para aplicar somente à vida dos outros. Mas se quisermos crescer espiritualmente como filhos de Deus, devemos meditar nas Escrituras, aplicando-a, inicialmente, às nossas vidas, na busca por alimento (I Pe. 2.2). Para isso, a Bíblia deva ser o espelho diante do qual podemos avaliar nossa condição e a necessidade de transformação a fim de nos aproximarmos mais de Deus (Tg. 1.21-25). Quando lemos a Bíblia com o intuito de ouvir a Palavra de Deus e a ela nos submetermos, somos comparados, por Jesus, a um homem que edificou a sua casa sobre a rocha (Mt. 7.21,24). A análise lingüística e contextual de um determinado texto bíblico pode fazer parte da leitura, mas não deva ser o fim último. Toda leitura bíblica deve ser devocional na medida em que tem como objetivo central nos aproximar da revelação de Deus (Rm. 4.23,24; 15.4), a fim de que Cristo seja manifestado em nós (Ef. 3.16-19).

CONCLUSÃO
Após o pecado de adultério e homicídio de Davi o profeta Natan lhe trouxe a Palavra de Deus. O rei ouviu a parábola contada pelo profeta (II Sm. 12.1-7), mas não a identificou como se fosse para ele. Essa é uma demonstração do que acontece com aqueles que lêem a Bíblia, mas se esquivam de aplicarem-na às suas próprias vidas. Uma leitura devocional da Bíblia deve ter como alvo primordial ouvir ao Deus que fala (Hb. 1.1,2). É bem possível que, como Samuel, queiramos associa-la a palavra a homens. Se estivermos atentos, e deixar que o testemunho interno do Espírito atue em nossas vidas, veremos que é o Senhor que quer falar conosco. Para tanto, estejamos de mente e coração abertas e submissas para dizer: “fala conosco, Senhor, que o teu servo ouve” (I Sm. 3.9,10).

BIBLIOGRAFIA
OLIVEIRA, R. de. Como ler e interpretar a Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2006
DYCK, E. (ed.) Ouvindo a Deus. São Paulo: Shedd Publicações, 2001.

A leitura devocional da Bíblia – Dr. Caramuru Afonso

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INTRODUÇÃO

- Na seqüência do estudo das disciplinas da vida cristã, estudaremos a leitura devocional da Bíblia Sagrada, o outro aspecto indispensável na vida de comunhão com Deus. Se, com a oração, como vimos na lição anterior, manifestamos nossa vontade a Deus; na leitura da Palavra, ficamos a saber a vontade de Deus. Assim, lendo a Bíblia e orando, possamos conformar nossa vontade à vontade de Deus, tornando-nos, pois, cada vez mais semelhantes a Ele, que é o objetivo de nossa vida espiritual (Ef. 4:12,13; I Jo.3:2).

- Na atualidade, vivemos um paradoxo: nunca se disponibilizaram tantos meios para se ter acesso à Bíblia Sagrada, mas, também, nunca houve tanta ignorância e tanto menosprezo à Palavra de Deus entre os que cristãos se dizem ser. Como está a sua leitura bíblica?

I – A IMPORTÂNCIA DA LEITURA DEVOCIONAL DA BÍBLIA

Colaboração/Gráfico: Enomir Santos

- Além da oração, outro aspecto que deve ser uma constante na vida espiritual diária do cristão é a leitura da Bíblia Sagrada, que é a Palavra de Deus. A Bíblia Sagrada é a Palavra de Deus e a principal fonte de revelação da vontade de Deus para com o homem. Se queremos ter uma vida de comunhão com Deus, faz-se mister que saibamos qual é a vontade de Deus para com o homem e esta vontade está estampada na Palavra de Deus. Com efeito, Deus é a verdade (Jr.10:10) e a Sua Palavra é a verdade (Jo.17:17), prova de que a Palavra é a principal e completa revelação do Senhor à humanidade (Hb.1:1; Ap.19:13).

- Ponto fundamental para conhecermos o caráter e a vontade de Deus, portanto, é conhecer a Sua Palavra e, por este motivo, Jesus sempre demonstrou que Seu ministério nada mais era senão o cumprimento das Escrituras (Mt.5:17,18; Jo.5:39; Lc.24:44-47), bem como que ensinar a Palavra era, ao lado da pregação do Evangelho, o principal e exclusivo trabalho dos apóstolos na igreja primitiva (At.6:2,4).

- O salmista alerta que a felicidade do homem está em ter prazer na lei do Senhor de dia e de noite (Sl.1:1,2) e, desde o tempo de Moisés, é dito que o segredo da própria vida espiritual é o fato de termos conhecimento e praticarmos, dia-a-dia, a Palavra do Senhor (Dt.6:1-9).

- Lamentavelmente, ao contrário de todas estas passagens das Escrituras que determinam a meditação contínua e incessante na Palavra do Senhor, poucos são aqueles que, dizendo-se crentes em Cristo, dedicam-se ao estudo e à leitura da Bíblia Sagrada. Certo pastor afirmou que, para não causar mais vergonha e decepção entre alunos de cursos teológicos, deixou de fazer uma pergunta com a qual iniciava seu curso no início do ano em todas as escolas de teologia em que já lecionou. Perguntava o pastor se alguém ali, que por se interessar em estudar a Palavra de Deus mais profundamente, havia se matriculado num curso de teologia, havia lido a Bíblia inteiramente ao menos uma vez e, para sua decepção, ano após ano, este número nunca superava parcelas ínfimas da classe. Assim, se entre pessoas que, teoricamente, dão valor ao estudo da Palavra de Deus, eram tão poucos os que leram a Bíblia toda pelo menos uma vez na vida, que dirá no restante do meio do povo de Deus ?

- Aliás, para nossa tristeza, soubemos que está em vias de finalização uma pesquisa na Universidade de São Paulo em que se está observando que o Brasil é o único país onde o analfabetismo funcional está aumentando entre os evangélicos. Analfabetismo funcional é aquele estado em que as pessoas, embora saibam ler e escrever, são incapazes de entender e compreender o que lêem. Tradicionalmente, os evangélicos, em todo o mundo, são as pessoas que menor índice de analfabetismo funcional têm, porque, desde cedo, são convidados a ler e meditar na Bíblia Sagrada e, portanto, desafiados a entender e compreender o que está escrito. No entanto, de dez anos para cá, este índice tem aumentado no Brasil e a referida pesquisa está chegando à conclusão que isto se deve ao pouco uso que os evangélicos brasileiros estão fazendo da Bíblia Sagrada, que não está mais sendo lida pelos crentes. Que triste realidade a ser denunciada por pessoas que nem mesmo crentes são! Despertemos, pois a falta da leitura bíblica é a principal arma que o inimigo usa para a destruição do povo de Deus (Os.4:6).

- Aliás, não se sabe de onde (cremos nós que do meio das hostes espirituais da maldade…), surgiu a crença de que o estudo da Palavra de Deus é um obstáculo à atuação do Espírito Santo ou de demonstração do poder de Deus, motivo pelo qual, principalmente no meio dos crentes pentecostais, desenvolveu-se a idéia de que “a letra mata” e de que o crente não deve estudar a Palavra de Deus, porque “o Espírito Santo dará a palavra necessária no momento certo”, ensinamentos que não têm qualquer respaldo bíblico e que devem ser afastados. A Bíblia afirma-nos que o Espírito Santo nos fará lembrar da Palavra do Senhor (Jo.14:26). Como se poderá lembrar o que não se aprendeu, o que não se leu ? Outrossim, mesmo uma pessoa indouta como era Pedro, em sua última mensagem à igreja, como uma recomendação que nunca deveria ser esquecida pelos crentes de todos os tempos, é bem claro ao afirmar que devemos crescer “na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (I Pe.3:18), mostrando, assim, a necessidade de meditarmos e refletirmos na Palavra do Senhor, como, aliás, fazia o próprio Pedro em relação às cartas de Paulo (I Pe.3:15).

- Se não meditarmos na Palavra do Senhor, se não buscarmos conhecer a Deus em Sua Palavra, corremos o sério risco de virmos a ser destruídos espiritualmente, assim como ocorreu com o povo do reino do norte (Os.4:6). Aliás, o próprio Jesus nos ensinou, na prática, que a principal e única arma com que podemos vencer as tentações é a Palavra de Deus (Mt.4:1-11). Inobstante, muitos são os que, descuidadamente, têm usado suas bíblias apenas como adereço quando vão aos cultos (pois nem mesmo as lêem durante os mesmos), desperdiçando uma oportunidade rica e preciosa que o Senhor lhes tem dado para melhor conhecerem a Deus e desfrutarem de uma intimidade, de uma verdadeira comunhão com o Mestre. O resultado é que, cedo, são sufocados pelo adversário de nossas almas, quando não levados por ventos de doutrinas, exatamente porque não se encontram alicerçados na rocha, que é Cristo, a Palavra de Deus (Jo.1:1; Ap.19:13).

II – O QUE É LEITURA DEVOCIONAL DA BÍBLIA

- O título de nossa lição é “a leitura devocional da Bíblia”. De pronto, verificamos que não se trata de uma leitura qualquer da Palavra de Deus que caracteriza uma vida espiritual disciplinada. Fosse qualquer tipo de leitura, teríamos a lição com o título “a leitura da Bíblia”, o que não é o caso.

- A leitura devocional é a leitura com devoção e “devoção”, diz-nos o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, é “apego sincero e fervoroso a Deus, sob uma forma litúrgica ou por práticas regulares privadas; sentimento religioso, piedade”. Vemos, portanto, que a leitura dita “devocional” é uma leitura que se faz com apego, com sinceridade, com fervor a Deus, de modo regular e que está sempre caracterizado e confirmado com a prática.

- A leitura devocional é, portanto, em primeiro lugar, uma leitura “com apego”, ou seja, uma leitura em que o leitor está envolvido, interessado em aprender com o que está lendo. A leitura devocional, portanto, é uma leitura em que todo o ser do leitor está orientado e dirigido para o texto que se vai ler. Não se trata, portanto, de uma simples “passada de olhos” no texto, de uma leitura em que os olhos lêem algo, mas a mente está em outro lugar, com sua atenção em outras coisas. Quantas vezes não vemos, em meio a leitura de um texto bíblico nas igrejas locais, pessoas com as Bíblias abertas mas que estão com sua atenção voltada para o movimento à sua volta? Efetivamente, esta leitura não é uma leitura devocional, pois não há apego, não há envolvimento da mente e do sentimento do indivíduo com o que se está a ler.

- Não é por outro motivo que, no texto sagrado, a palavra utilizada para a leitura devocional da Bíblia é “meditar”, como se vê, por exemplo, em Js.1:8, onde o próprio Senhor, ao orientar Josué, após a morte de Moisés, manda que o novo líder de Israel meditasse no livro da lei de dia e de noite. Ora, o livro da lei, àquela altura, era tudo quanto havia das Escrituras Sagradas e, ao determinar que Josué, para que tivesse êxito em sua missão, não apartasse da sua boca a lei e nela meditasse de dia e de noite, o Senhor estava determinando que Josué não cessasse de refletir, pensar longamente, ocupar-se daquilo que estava escrito no livro.

- “Meditar” é, precisamente, dizem-nos os lexicógrafos (aqueles que escrevem dicionários), o ato de “refletir, pensar longamente, ocupar-se, estudar, praticar e fazer”. A leitura devocional, portanto, é muito mais do que um simples passar de olhos, mas é uma leitura que é acompanhada de um pensamento longo, de uma reflexão, de um envolvimento mental contínuo com aquilo que está escrito, pensamento longo e reflexão que levam a uma tomada de atitudes, a modos de viver.

OBS: A palavra hebraica empregada para “meditar” é “hagah” (???), cujo significado é “refletir, gemer, resmungar, ponderar, planejar, maquinar”. “…Hagah representa algo tranqüilo, diferente do sentido de ‘meditação’ enquanto exercício mental. No pensamento hebraico, meditar nas Escrituras é repeti-las calmamente em som suave e baixo, abandonando interiormente as distrações exteriores.…” (BÍBLIA DE ESTUDO PLENITUDE. Palavra-chave: medita. Sl.1:2, p.537).

- Esta meditação, conforme determinada por Deus a Josué, era uma meditação contínua. A expressão bíblica é “de dia e de noite”, ou seja, a qualquer hora do dia, a qualquer momento, em outras palavras, sempre. Assim como há um mandamento bíblico para orarmos ininterruptamente, também existe uma determinação do Senhor para que jamais deixemos de pensar e de refletir sobre as Escrituras Sagradas. O salmista diz que meditava todo o dia (Sl.119:97). Mas por que deveria Josué meditar de dia e de noite no livro da lei? O próprio Deus responde: “para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito, porque então farás prosperar o teu caminho e então prudentemente te conduzirás” (Js.1:8). Estas palavras, a propósito, são repetidas pelo salmista (Sl.1).

- A leitura devocional da Bíblia, por ser feita com apego, isto é, com meditação, com envolvimento mental e longa reflexão a respeito do que é lido, produz em cada leitor o cuidado necessário para que pratiquemos as ações corretas, para que ajamos segundo a vontade de Deus, que está expressa no texto sagrado, a fim de que tenhamos uma vida espiritual bem sucedida e que adquiramos a prudência, que é nada mais, nada menos que a ciência do Santo (Pv.9:10). Para que sejamos vitoriosos nas lutas diárias que temos na vida com Cristo nesta Terra, para que saibamos o que o Senhor Jesus, que é o Santo, quer de cada um de nós, é indispensável, são palavras do próprio Deus, que estejamos a meditar de dia e de noite na Palavra do Senhor.

- Por isso, temos visto, notadamente nestes últimos dias, tantos crentes que têm fracassado na fé, que têm se desviado dos caminhos do Senhor, que têm agido fora dos ditames estabelecidos por Deus em Sua Palavra, bem como agido imprudentemente e tido grandes derrotas espirituais em suas vidas. Tudo isto tem acontecido porque tais pessoas não têm meditado de dia e de noite na Palavra do Senhor. Não lêem a Bíblia e se a lêem, não meditam naquilo que está escrito, fazem tão somente uma “passada de olhos”, que não é o que determina o Senhor para que alcancemos o sucesso e a vitória espirituais.

- É interessante notar que certos costumes de outrora, que, infelizmente, têm sido abandonados na atualidade, são práticas que representaram uma forma de se atender ao mandamento bíblico. Assim, por exemplo, há algumas décadas atrás, era rotineiro, absolutamente comum que todos os alunos da Escola Bíblica Dominical recitassem o texto áureo de cor. Durante toda a semana, desde as crianças até os idosos, todos se empenhavam a guardar na memória o texto áureo, normalmente um versículo bíblico que sintetizava todo o assunto da lição. Neste ato de memorização, notadamente para as crianças e jovens, estava uma forma simples e de grande utilidade para a meditação exigida pela Bíblia. Estes versículos, uma vez decorados, ficam indelevelmente registrados na mente das pessoas, de modo a que o Espírito Santo possa lembrar tais palavras quando isto se fizer necessário na vida diária de cada um deles. Além do mais, ao se buscar decorar o versículo, durante toda a semana a pessoa ficava envolvida com a Palavra de Deus, podendo, assim, atender à meditação determinada pelo Senhor para os Seus servos.

- Na atualidade, em vez de ocupar a mente em versículos bíblicos ou no texto sagrado que é lido, as pessoas têm suas mentes ocupadas com um sem-número de coisas, muitas delas que desagradam profundamente o Senhor. Quantos não são as pessoas que estão envolvidas com os jogos eletrônicos, com as vidas virtuais em mundos virtuais, com programas de televisão, enfim, com entretenimentos mil que, muitas vezes, estão a propagandear e a disseminar o pecado e a incentivar e estimular tudo aquilo que não agrada a Deus? Será que podemos repetir as palavras do salmista no Sl.119:78?

- As pessoas, na vida agitada que levam, dizem não ter como “meditar” na Bíblia Sagrada, não terem tempo para refletir sobre o texto sagrado, mas têm tempo para ficar horas a fio diante de um computador ou de uma televisão vendo e participando de coisas que não agradam a Deus ou que são, simplesmente, inúteis para o seu crescimento espiritual. O problema é o tempo ou a falta de apego às coisas de Deus? O problema é o tempo ou a falta de amor a Deus (Sl.119:97)?

- A leitura devocional, porém, não é apenas uma leitura com apego, mas, também, uma leitura sincera, ou seja, uma leitura em que se procura, de coração, sem preconceitos, saber qual a vontade de Deus para as nossas vidas (Sl.119:15).

- Muitos até se dedicam a uma leitura cuidadosa do texto sagrado, passam o tempo pensando no texto bíblico, refletindo sobre ele, procurando entender o seu significado. No entanto, não fazem uma leitura sincera, mas, bem ao contrário, estão a buscar textos que justifiquem o seu modo de viver, a sua forma própria de querer se relacionar com Deus. Assim, enquanto deveriam ler a Bíblia para saber o que Deus está a querer de cada um de nós, buscam o texto sagrado única e exclusivamente para justificar o seu procedimento, a sua vida independente de Deus, a sua própria iniqüidade.

- Nos dias em que vivemos, muitos são os que, tendo comichão nos ouvidos, buscam doutores que estão de acordo com os seus pecados e não com o texto sagrado (II Tm.4:3,4). São pessoas que distorcem a verdade das Escrituras a fim de agradar os pecadores, de dar-lhes a impressão de que a forma pecaminosa que estão a viver não irá lhes privar da graça de Deus. São pessoas imbuídas de espíritos enganadores e de doutrinas de demônios (I Tm.4:1), que levarão após si muitos que, tanto quanto eles, estão a preferir o pecado à verdade (II Pe.2:1,2).

- A leitura devocional da Bíblia é uma leitura sincera, ou seja, uma leitura em que se busca compreender o que está escrito e se adotar aquilo que está escrito, sabendo que a Palavra de Deus é a verdade (Jo.17:17) e que, portanto, é a própria expressão do Senhor, de forma que não temos de adaptar a Bíblia à nossa maneira de viver, mas, bem ao contrário, adaptar o nosso modo de viver à Bíblia. Uma leitura sincera do texto sagrado é sempre uma leitura que incomoda o leitor, que faz com que ele veja as suas imperfeições, as suas mazelas e que, portanto, gera uma vontade de mudança, de maior santificação, de maior aproximação com Deus.

- Não é por outro motivo que a Palavra de Deus tem, entre seus símbolos mais proeminentes, o da água. A água tem a purificação, a limpeza como uma de suas principais finalidades e Jesus nos ensinou que somos limpos pela Sua Palavra (Jo.15:3). O crescimento espiritual está vinculado a esta limpeza da Palavra. Em Sua oração sacerdotal, o Senhor fez questão de frisar que a santificação vem pela Palavra (Jo.17:17), bem como, no encontro com Nicodemos, disse que a entrada no reino de Deus depende de nascermos da água e do Espírito (Jo.3:5).

- Tais expressões do Senhor Jesus mostram-nos, com grande clareza, que a salvação depende de nossa conformidade com a Palavra de Deus. Sem que leiamos a Bíblia e conformemos nossa vida ao que ali consta como sendo a vontade do Senhor, jamais alcançaremos a salvação de nossas vidas, visto que é indispensável que sigamos a santificação, sem o que jamais veremos o Senhor (Hb.12:14).

- Isto significa que, se negligenciarmos na leitura sincera da Bíblia
Sagrada, aquela leitura em que temos por objetivo saber como Deus quer que vivamos e não uma justificativa para o modo como estamos vivendo, estaremos trilhando o caminho da perdição, o caminho espaçoso da porta larga, onde tudo é permitido, mas cujo fim é a eterna separação de Deus (Mt.7:13).

- Temos de ler a Bíblia com humildade, crendo que ela é a Palavra de Deus e que temos de lê-la para aprender a viver conforme a vontade de Deus e não para justificarmos os nossos pensamentos, os nossos conceitos. Temos de ler as Escrituras sem “pré-conceitos”, ou seja, sem achar isto ou aquilo, mas com o propósito de descobrirmos o que Deus quer de nós, que o que está escrito é a verdade e não temos de questioná-la, mas vivê-la, aplicá-la a nossos passos, a nossas ações, a nossos pensamentos, a nossa vida, enfim.

- Da mesma maneira, ao ouvirmos ou lermos algum ensino das Escrituras, alguma pregação, alguma profecia ou revelação é imperioso que tudo julguemos à luz da Bíblia, como fizeram os judeus convertidos de Beréia, que, por tal atitude, fomos chamados de mais nobres (At.17:11). O texto sagrado deve ter proeminência sobre tudo o mais. Por isso, um dos principais motes da Reforma Protestante, um dos mais importantes movimentos de avivamento espiritual da Cristandade, era “Sola Scriptura”, ou seja, “Só a Escritura”. Nada, nenhuma tradição milenar ou pensamento genial pode se sobrepor ao que está contido na Bíblia.

- A leitura devocional não é apenas uma leitura com apego e sincera, mas uma leitura fervorosa. Isto nos fala de que a leitura da Palavra de Deus, embora tenha de se utilizar do intelecto, tem de ser uma leitura espiritual, pois todo crente tem de ter a mente de Cristo (I Co.2:16).

- A Bíblia é a Palavra de Deus. Embora tenha sido escrita por seres humanos, estes homens de Deus escreveram o que escreveram porque foram inspirados pelo Espírito Santo (II Pe.1:21). Assim, temos que as Escrituras são a própria expressão do Espírito Santo aos homens. Ora, por mais que Deus tenha procurado Se fazer conhecido dos homens, descendo até o nível insignificante da humanidade, para Se fazer compreendido, não podemos deixar de considerar que o texto bíblico é um texto divino e que não há como se discernir as coisas de Deus senão pelo Espírito de Deus (I Co.2:11). Desta maneira, não há como se compreender a Bíblia senão pelo Espírito Santo.

- A leitura devocional da Bíblia, portanto, tem de ser uma leitura espiritual, ou seja, uma leitura que seja dirigida e guiada pelo Espírito de Deus. Muitos lêem a Bíblia com total envolvimento mental, intelectual, buscam sinceramente saber o significado próprio do texto, mas, lamentavelmente, não passam da superficialidade, se é que realmente a atingem, porque não fazem uma leitura fervorosa, uma leitura espiritual.

- Assim como os céus estão elevados em relação à Terra, assim também os pensamentos de Deus são mais altos que os pensamentos humanos (Is.55:8,9). Não há, portanto, como entender e compreender a Bíblia Sagrada a não ser pelo Espírito Santo, porque a mente humana, por si só, é incapaz de atingir a sublimidade a profundidade das realidades divinas. O apóstolo Paulo bem o diz ao adorar ao Senhor com um hino no término do capítulo 11 da epístola aos romanos (Rm.11:33-36). Ali o apóstolo mostra que as riquezas, a sabedoria e a ciência de Deus são muito profundas e não há como sondar os Seus juízos e de investigar os Seus caminhos. Ninguém poderá compreender os desígnios divinos, a menos que o próprio Espírito Santo, que penetra todas as coisas referentes a Deus, no-lo faça compreender (I Co.2:10).

- Por isso, a tentativa que se fez, com a chamada “crítica bíblica” ou “criticismo bíblico”, de se tentar compreender a Bíblia Sagrada exclusivamente à luz da razão humana, de se “enquadrar” o texto bíblico nos critérios racionais do homem, acabou gerando a chamada “teologia liberal”, que nada mais é que uma demonstração de incredulidade e de arrogância do homem em relação a Deus, que faz com que tais “teólogos” e “críticos” sejam postos na mesma condenação dos ateus, constante tanto do Sl.13:1 quanto do Sl. 53:1. Para Deus, por terem se esquecido da insignificância da razão humana e da absoluta necessidade de se ler a Bíblia com fervor, espiritualmente, com o Espírito Santo, tais pessoas não passam de ignorantes, de néscias, visto que nada sabem a respeito das realidades eternas. Quando assim lemos a Bíblia, temos a mesma sensação do salmista, que, ao meditar na Palavra, sentiu acender-se um fogo em si, o fogo do Espírito Santo (Sl.39:3)!

- A leitura espiritual ou fervorosa da Bíblia, é bom deixarmos claro, nada tem que ver com as “leituras espiritualizadas” que muitos estão a fazer na atualidade, em evidente deturpação do sentido bíblico. O texto bíblico deve ser entendido espiritualmente, pois se trata de um texto inspirado pelo Espírito Santo, mas o que está escrito deve ser entendido, num primeiro momento, no seu sentido literal. Não podemos deixar de crer no que diz o texto sagrado e cometer o equívoco de que tudo o que está na Bíblia é simbólico, alegórico. Agir desta maneira não é fazer uma “leitura espiritual”, mas, sim, reduzir o texto bíblico a um conto de fadas, a uma mitologia qualquer, o que é inadmissível. Muito pelo contrário, a Bíblia faz questão de se distinguir destas histórias surgidas da imaginação humana (II Tm.4:4; II Pe.1:16).

- A leitura espiritual da Bíblia faz com que sejamos dominados pelo Espírito Santo e, como resultado disto, passamos a fazer a obra de Deus, a pregar com ousadia a Palavra do Senhor, cumprindo, assim, um dos principais objetivos do derramamento do Espírito sobre a Igreja. A meditação fervorosa da Palavra gera palavras em nossa boca que são agradáveis ao Senhor e que divulgam os Seus feitos – Sl.19:14; 49:3; 77:12.

- A leitura devocional deve ser feita, também, de modo regular. Disse o dicionarista que “devoção” é “dedicação sob uma forma litúrgica”. Sabemos que “liturgia” é o conjunto de práticas de um determinado rito, as formalidades que se fazem numa determinada cerimônia religiosa.

- A leitura devocional exige uma certa solenidade, não é algo que seja feito de qualquer maneira, de qualquer jeito. Não somos adeptos do formalismo que, quase sempre, como temos visto ao longo deste trimestre, esconde um vazio espiritual, como os fariseus dos dias de Jesus. Não somos daqueles que, como os mais escrupulosos religiosos, estabelecem um sem-número de regras e de mandamentos para que se tenha a leitura do texto sagrado. Os livros de orações, os missais, os breviários, enfim, todos os livros que, ao longo da história da Igreja, têm surgido buscando disciplinar a leitura das Escrituras nada mais são que expressão deste vazio espiritual, que não leva a lugar algum.

- No entanto, se somos contrários ao formalismo, à religiosidade externa e vazia de Deus, também não podemos concordar com uma leitura devocional das Escrituras que seja displicente. Aliás, a leitura devocional, como se observa, é uma leitura que tem uma determinada “liturgia”, ou seja, que tem uma certa formalidade, uma solenidade. Em última instância, é uma leitura que deve ser feita com “reverência”. “Reverência” é a “veneração pelo que se considera sagrado ou se apresenta como tal”, “respeito profundo por alguém ou algo, em função das virtudes, qualidades que possui ou parece possuir; consideração, deferência”.

- Ora, como temos visto, a Bíblia Sagrada é a Palavra de Deus, ou seja, é o próprio Deus que Se comunica conosco, é a expressão da vontade do Senhor para o homem, a Sua revelação à humanidade. Jesus, mesmo, foi identificado com a Palavra, visto que é o Verbo (Jo.1:1; Ap.19:13). Se Jesus é a própria Palavra, a ponto de a Bíblia ter como assunto o Senhor (Jo.5:39), vemos que, no céu, o Senhor é digno de toda honra, de todo louvor (Ap.5:12). Também lemos que o Senhor foi exaltado acima de todo o nome (Fp.2:9-11), o que explica porque a Palavra foi posta acima do próprio nome de Deus (Sl.138:2). Se, pois, Deus tem em alta conta a Sua Palavra, como podemos ter um comportamento que não seja de reverência em relação a ela?

- Ao lermos o texto bíblico, devemos considerá-lo como um texto sagrado, ou seja, como a própria expressão de Deus, que é santo (Lv.11:44; 19:2; 20:7; I Pe.1:16). Desta maneira, é indispensável que nossa leitura seja uma leitura com reverência, já que reverência é o respeito devido àquilo que é santo. A própria Bíblia diz que Deus deve ser grandemente reverenciado na assembléia dos santos (Sl.89:7) e que devemos servir a Deus com reverência e piedade (Hb.12:28), bem como determinou que Seu santuário fosse reverenciado (Lv.19:30). Não há, pois, como deixar de ser reverente em nosso relacionamento com Deus.

- Sendo assim, como admitir, por exemplo, que a leitura da Palavra nas reuniões das igrejas locais seja feita em meio a conversas paralelas, a um total descaso por parte dos presentes? Como admitir que a leitura devocional seja feita em meio a conversas com terceiros, pessoalmente ou por meio de telefone ou webcams, como temos presenciado? Como permitir que pessoas leiam suas Bíblias prestando atenção a tudo que está a sua volta? É isto reverência?

- Ao contrário, quando lemos a respeito da leitura da lei por parte de Esdras para o povo (Ed.8:1-12), vemos que a leitura reverente tem algumas características vem diversas do que hoje contemplamos em muitos lugares. Senão vejamos.

- Em primeiro lugar, o povo todo se ajuntou como se fosse um só homem na praça diante da porta das águas (olha, uma vez mais, a água representando a Palavra de Deus). Todos saíram de suas cidades, de seus lares e se dirigiram até Jerusalém com o propósito de ouvirem a Palavra de Deus, que seria lida pelo homem de Deus. Existe esta disposição nos que se dirigem aos templos na atualidade? Há este propósito de ouvir Deus falar através da Sua Palavra que, por ser a verdade, por ser provada ao longo dos séculos (Sl.18:30), não gera qualquer dúvida? Entretanto, muitos, em vez de ficarem com os mananciais de águas vivas providenciados pelo Senhor, a exemplo do povo de Judá, abandonam-nos e cavam cisternas rotas para si, como revelações, profetadas etc. etc.(Jr.2:13).

- Uma vez juntos, o povo pediu a Esdras que trouxesse o livro da lei do Senhor para que ele fosse lido ao povo. Havia um desejo do povo para ouvir a Palavra, para que houvesse a leitura da Palavra. Naquele tempo, a grande e esmagadora maioria do povo não tinha livros, nem mesmo sabia ler o hebraico, língua que nem sequer era mais falada pelo povo, mas havia sede para que ela fosse lida em voz alta, para que pudessem participar desta leitura. Hoje em dia, com todo mundo quase sendo alfabetizado e, não raro, com mais de uma Bíblia em casa, há este interesse em se ler a Palavra? Há reuniões para leitura conjunta da Palavra, notadamente nos lares? É que não há tempo, porque o dia só tem 24 horas e horas a fio são gastas na internet, na televisão etc. etc.

- É interessante observar que a leitura feita por Esdras foi feita a homens, mulheres e entendidos (Ne.8:2). Ninguém estava excluído da leitura da Palavra. Ela era destinada tanto a homens quanto a mulheres e até mesmo os entendidos, ou seja, os que tinham conhecimento e estudo da Palavra, escribas tão hábeis como Esdras, também queriam ouvir a Palavra. Que lição para os dias de hoje, onde os “sabichões” acham que não precisam mais aprender a Palavra de Deus (tem se tornado costume obreiros não virem à EBD, como se a EBD fosse apenas discipulado para novos convertidos…). Quando fazemos uma leitura devocional da Bíblia, ela é revestida da humildade, pois temos de saber quem ninguém poderá jamais compreender o Senhor em toda a sua plenitude, e, por isso, temos de estudar as Escrituras sempre ou, como ensinam os rabinos judeus, até o momento da morte, pois, ainda que alguém aprendesse tudo a respeito da Bíblia, deveria continuar estudando para não esquecer o que tivesse aprendido. Os mestres surgem da meditação na Palavra de Deus (Sl.119:99).

OBS: É oportuno verificar que nem mesmo as crianças estavam dispensadas da leitura da Palavra, que a lei de Moisés havia determinado que ocorresse de sete em sete anos – Dt.31:9-13. Parece mesmo, pelo contexto, que um dos públicos-alvo desta leitura eram precisamente as crianças que não estivessem tendo uma regular educação doutrinária nos lares por parte de seus pais.

- Este interesse em ler a Palavra de Deus era um interesse que não se constituía num desejo momentâneo ou passageiro, num “fogo de palha”, para se utilizar uma linguagem popular. O texto diz que o povo estava atento ao livro da lei e que ficaram ali durante toda a manhã, desde a alva, isto é, por volta das seis horas da manhã até o meio-dia ouvindo a leitura da Palavra. O povo todo prestava atenção, não havia o “mercado de peixe” que se encontra em algumas congregações na atualidade quando se lê a Bíblia, nem tampouco se olhava para o relógio com impaciência e pressa, como também se vê atualmente. Pelo contrário, o povo tinha prazer em ler a Palavra (leitura que era feita mediante participação na leitura em voz alta de Esdras). A atenção demonstrava a reverência que havia no povo, reverência que também se manifestou por dois outros fatos mencionados no texto, a saber(Ne.8:4,5):

a) foi construído um púlpito de madeira para Esdras com o fim específico de ele ler o livro da lei – criou-se um local destacado para a leitura da Palavra, denotando a importância que o povo dava a esta leitura.

b) todo o povo ficou de pé quando Esdras abriu o livro para o ler – este gesto de o povo se levantar representava, na cultura judaica, o reconhecimento de que a lei era a mestra do povo, era a fonte de sua instrução (levantava-se diante de um mestre). O povo, assim, reconhecia a necessidade de aprender de Deus na Sua Palavra.

- A leitura devocional da Bíblia é uma forma de adoração a Deus. Neste mesmo texto que nos serve de base para a análise da reverência que se deve ter na leitura das Escrituras, vemos que Esdras louvou ao Senhor, sendo seguido pelo povo que, então, puseram seu rosto no pó e adoraram a Deus. Quando lemos a Bíblia com reverência, fazemo-lo com o espírito contrito, com profundo reconhecimento do senhorio de Deus sobre nossas vidas e de Sua majestade e glória. Não é, portanto, estranho que, em meio à leitura, ou ao seu término, estejamos a chorar, a louvar e a bendizer o Senhor.

- A leitura devocional da Bíblia, também, gera a sensação de nossa insignificância e da nossa imperfeição. Com efeito, como nos ensina o apóstolo Tiago, quando lemos a Bíblia, estamos diante de um espelho que nos revela como somos, sem quaisquer subterfúgios humanos, sem quaisquer considerações ilusórias do nosso ego (Tg.1:22-25).

- A Bíblia, como é a verdade, mostra precisamente como somos, o que temos feito que tem agradado a Deus e o que temos feito que tem desagradado ao Senhor. Por isso, muitos, que endurecem seu coração para Deus, fogem do texto sagrado, não querem dele saber, porque ele os está condenando em sua vã maneira de viver. Preferem os “louvorzões”, as “danças proféticas”, o “agito”, enfim, tudo aquilo que não permita que haja a leitura e exposição da Bíblia Sagrada, a fim de não sentirem que estão em pecado. Entretanto, mal sabem eles que de nada adiantará tais evasivas, pois, no último dia, a Palavra dita pelo Senhor os há de julgar (Jo.12:47,48)

III – A LEITURA DEVOCIONAL DIÁRIA DA BÍBLIA

- Cada crente deve procurar ler a Bíblia inteira regularmente, numa freqüência que corresponda a suas possibilidades, sendo um bom costume o de procurar ler a Bíblia inteira durante um ano, conquanto não seja esta uma regra ou um mandamento. Ler a Bíblia, também, não é uma leitura comum ou superficial, mas deve ser, como manda a Bíblia, uma meditação, ou seja, uma leitura feita não apenas com a mente, mas também com o coração. Ao lermos a Bíblia, devemos estar concentrados em sua mensagem, com nossa atenção voltada para o texto e para mais coisa alguma.

- Em segundo lugar, devemos ter pleno conhecimento do significado de todas as palavras do texto, recorrendo, se necessário, a dicionários (e aqui falamos, em primeiro lugar, dos dicionários da língua, mesmo, não tanto dos dicionários bíblicos, que devem ser pesquisados num segundo momento, para aprofundamento do significado). Em seguida, é importante que possamos verificar, no texto, relações com outras passagens bíblicas (e para isto, é inestimável o valor das referências bíblicas). Por fim, numa contextualização, devemos observar no que o texto está falando conosco e com os nossos dias, agindo, neste instante, como pessoas que estão diante do espelho, que é a Palavra de Deus. Como estamos vivendo? Como tem sido a nossa vida diante do que expõe a Palavra do Senhor? Num exercício desta natureza, por exemplo, temos notado que, muitas vezes, ao lermos alguns episódios do ministério de Jesus Cristo, fomos levados a, sinceramente, admitir, que ainda agíamos mais como os fariseus e religiosos do que como nosso Mestre.

- Não nos esqueçamos de que o próprio Jesus constituiu pastores e doutores na igreja, cujas principais tarefas são o ensino da Palavra, exatamente para fornecer o aperfeiçoamento dos santos (Ef.4:11,12), prova de que o estudo e a meditação da Palavra do Senhor são indispensáveis para que possamos nos aperfeiçoar, crescer espiritualmente. A falta de conhecimento da Palavra tem como principal conseqüência a inanição espiritual, que gera crentes carnais, o que traz enormes prejuízos para a obra de Deus (cfr. I Co.3 e Hb.5:12-6:3).

- Daí porque, na passagem acima aludida da leitura da lei por Esdras ao povo, após a leitura que se estendeu da alva até o meio-dia, ter o povo passado a ser ensinado pelos levitas, quando o povo estava no seu posto, ou seja, nos locais onde haviam acampado a fim de celebrar a festa dos tabernáculos. Depois de terem ficado seis horas em pé ouvindo a Palavra, o povo ainda teve disposição de estudar a lei de forma mais aprofundada, de esclarecer as suas dúvidas junto àqueles que haviam sido escolhidos para serem ensinadores das Escrituras.

- Temos hoje muita falta de ensinamento da Palavra de Deus. É indispensável que haja oportunidade para que aqueles que o Senhor tem instituído na Sua Igreja para serem mestres possam se aproximar dos irmãos em Cristo e instruí-los nas Escrituras. Muitos, que pelo tempo deviam já ser mestres, ainda estão engatinhando na Bíblia Sagrada, não têm qualquer maturidade espiritual (Hb.5:12-14).

- A Escola Bíblica Dominical é a reunião adequada para este tipo de ensinamento, porque nela os crentes têm a oportunidade de fazer perguntas, de questionar os pontos que não estão a entender, pois ler não é entender, que o diga o eunuco da rainha Candace (At.8:30,31). Jesus continua tendo o mesmo interesse em que Seus servos sejam esclarecidos daquilo que leram mas não compreenderam. Para tanto, é necessário que haja a mesma disposição que houve em Filipe e que estes Filipes possam entrar em contacto com os que estão sedentos de esclarecimento.

- Muitos estão a propagar, por aí, que a Escola Bíblica Dominical já não tem mais lugar nos dias de hoje, que é uma estratégia ultrapassada ante as mudanças sociais operadas no mundo, muito diferente daquele em que se iniciava a industrialização na Inglaterra, quando Robert Raikes criou a Escola Bíblica Dominical tal como a conhecemos hoje. No entanto, a EBD somente deixaria de ser necessária se houvesse um outro espaço em que se pudessem elucidar dúvidas a respeito das Escrituras nas igrejas locais com liberdade, intimidade e presença de Deus ou se não houvesse um estado em que tais dúvidas não mais existissem. O que se percebe, pelo contrário, é que o atual nível de informações acessíveis e as características da vida moderna tornam ainda mais necessária a existência deste espaço de dúvidas, até porque maior a iniqüidade e a falsificação da Palavra nos dias atuais. Como dizer, então, que a EBD está ultrapassada?

- Não é à toa que, como vimos supra, está aumentando e não diminuindo o número daqueles que nada sabem a respeito das Escrituras dentro das próprias igrejas locais, sem se falar no aumento da apostasia e da frieza espiritual entre os que cristãos se dizem ser, a nos mostrar que, mais do que nunca, é necessário que não só se retome a leitura devocional da Palavra por parte dos crentes, como também que haja espaços nas igrejas locais para que haja o devido ensinamento da Palavra, como ocorreu nos dias de Esdras.

- Não fosse o ensinamento e esclarecimento da Palavra, todo aquele avivamento teria naufragado, visto que o povo, ao perceber a sua pecaminosidade, passou a chorar e a se lamentar, a querer desanimar. Foi, então, que o Senhor usou os levitas para que o povo compreendesse que o fato de as Escrituras revelarem nossa miserável situação diante de Deus não é motivo para tristeza, mas para gozo, pois a alegria do Senhor é a nossa força (Ne.8:10). Levar o povo a ler as Escrituras mas não haver como esclarecê-los é dar lugar ao diabo para que distorça tudo e transforme os bons intentos que têm todas as condições para nos levar a uma vitória espiritual a uma derrocada muitas vezes irreversível. Como diz o apóstolo, jamais devemos dar lugar ao diabo (Ef.4:27).

- Além de termos uma leitura devocional diária da Bíblia Sagrada, para que venhamos a crescer espiritualmente, é indispensável que participemos de cultos de ensino da Palavra, cultos cujo principal interesse seja o da exposição da Palavra do Senhor, de forma a que venhamos a ter maior conhecimento da Bíblia Sagrada, bem como que sejamos assíduos participantes da Escola Bíblica Dominical, que é a atividade da igreja mais propícia para que, por meio do debate e da interação, possamos elucidar todas as dúvidas que nos surgirem e cheguemos à compreensão do exato significado da vontade de Deus para nossas vidas. Infelizmente, não é difícil encontrarmos igrejas locais em que os cultos de ensino e a EBD sejam as menos freqüentadas, assim como também não é difícil encontrarmos igrejas onde os cultos de ensino passam a ser mais um interminável desenrolar de usos e costumes, ao invés de um acurado estudo sobre as verdades bíblicas. Não é outro o motivo de não termos mais, hoje em dia, o mesmo nível de espiritualidade que caracterizaram as Assembléias de Deus nos primeiros anos de sua história quase centenária em nosso país? Não estamos sendo saudosistas nem desprezando os inegáveis progressos que o Senhor tem realizado no meio do Seu povo, mas se mantivermos esta transigência com a falta de estudo da Palavra de Deus, não poderemos pensar senão na continuidade deste retrocesso espiritual. É tempo de encontrarmos, como no tempo do rei Josias, a Palavra do Senhor em nossas casas de oração(II Cr.34:14-19)!

- Por fim, observamos que o crente sincero e verdadeiro, que quer crescer espiritualmente deve ser, sobretudo, ser alguém que tenha uma vida equilibrada, o que não é difícil para quem é convertido e, como tal, ostenta o fruto do Espírito Santo (Gl.5:22), que tem, como uma de suas qualidades, a temperança, ou seja, o domínio próprio, o equilíbrio. Dentro desta realidade, vemos que o crente que se conforma ao modelo bíblico, não despreza a oração, pois ora em todo o tempo, mas também não deixa em segundo plano a leitura e meditação na Palavra do Senhor. Disse Pedro que devemos crescer na graça e no conhecimento de Jesus (I Pe.3:18).

- Numa feliz observação, o pastor e escritor Severino Pedro da Silva afirma que a graça e o conhecimento são as duas pernas do cristão na sua caminhada para o céu. Se somente buscar a graça, numa vida incessante de oração, mas sem a meditação na Palavra, numa atitude anti-intelectualista (i.e., contrária ao estudo da Bíblia), não se terá um “crente fervoroso ou espiritual”, como dizem alguns, mas um crente manco, que será um fanático, que, facilmente, será enganado pelo inimigo, “…com pretexto de humildade e culto dos anjos, metendo-se em coisas que não viu…”(Cl.2:18), “…meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.”(Ef.4:14). De igual modo, o crente que somente se dedica ao estudo da Palavra de Deus, sem se dedicar à oração, numa atitude contrária à graça e ao fervor, será, também, um crente manco, um crente teórico, sem discernimento espiritual, pois, sem a ação e a comunhão do Espírito Santo, em meio a suas elucubrações, não será diferente dos filósofos da Grécia Antiga que, em todo o seu conhecimento, tentavam buscar ao Senhor, mas apenas o tateavam, sem conseguir encontrá-lo (At.17:27), torna-se uma pessoa que, apesar de examinar as Escrituras, não consegue ver a vida em Cristo que elas testificam (Jo.5:39,40), esquecendo-se de que …”ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus…” (I Co.2:11) e que “…o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura e não pode entendê-las, porque elas discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual, discerne bem tudo e ele de ninguém é discernido.”(I Co.2:14,15).

- Como também costuma ensinar o irmão Sérgio Paulo Gomes de Abreu, coordenador do Portal Escola Dominical, o crente, ao orar, tem vontade de ler a Bíblia e, ao ler a Bíblia, tem vontade de orar. Assim, uma atividade reclama a outra e, desta maneira, o crente pode dar seus passos vigorosos e seguros em direção à Jerusalém celestial, passos dirigidos (Pv.16:9;20:24; Jr.10:23) e confirmados pelo Senhor (Sl.37:23), passos que não resvalarão porque provenientes de quem têm a lei de Deus em seu coração (Sl.37:31), porque ordenados na Palavra (Sl.119:133).

- Vemos, pois, que, para andar, é preciso dar passos e que cada passo (pois passo é o “ato de deslocar o apoio do corpo de um pé a outro enquanto se anda em qualquer direção”), na vida espiritual, exige tanto a oração quanto a leitura devocional da Palavra, já que o passo é dirigido por Deus e é por meio destas duas ações que nos comunicamos, entramos em comunhão com o Senhor. Como, pois, pretendemos ir para o céu sem que tenhamos estas duas ações devidamente disciplinadas e feitas conforme a ordem divina nas Escrituras?

- Mancando, o crente não conseguirá, sozinho, chegar ao lar celestial (Hb.12:13). Que Deus possa nos abençoar e que, na nossa vida diária, no nosso dia-a-dia, possamos ler a Bíblia e fazer oração, para podermos crescer e ver o Senhor Jesus naquele dias nas nuvens. Amém !

Colaboração para o Portal EscolaDominical – Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco

A leitura devocional da Bíblia – Pr. Altair Germano

Pr. Altair Germano

http://www.altairgermano.blogspot.com/

“A Bíblia não é um livro qualquer, mas sim uma Criatura Viva, com um poder que conquista tudo o que se opõe a ela.” (Napoleão Bonaparte)

“Eu acredito que a Bíblia é a melhor dádiva que Deus deu à humanidade. Todas as coisas boas do Salvador do Mundo nos são ditas através deste Livro.” (Abraham H. Maslow)

“Eu amo a Bíblia, leio-a todos os dias e, quanto mais a leio tanto mais a amo. Há alguns que não gostam da Bíblia. Eu não os entendo, não compreendo tais pessoas, mas, eu a amo, amo a sua simplicidade e amo as suas repetições e reiterações da verdade. Como disse, eu leio-a quotidianamente e gosto dela cada vez mais.” (D. Pedro II)

“Há mais indícios seguros de autenticidade na Bíblia do que em qualquer história profana.” (Isaac Newton)

“Um bom conhecimento da Bíblia vale mais do que uma educação superior. Quase todas as pessoas que com o trabalho de suas vidas acrescentaram algo para o conjunto das realizações humanas… basearam o seu trabalho grandemente nos ensinamentos da Bíblia.” (Theodore Roosevelt)

“A Bíblia vale a soma de todos os outros livros que já se imprimiram.”( Patrick Henry )

“É impossível governar perfeitamente o mundo, sem Deus e sem a Bíblia.”( George Washington )

“Se eu a coloco (a Bíblia) abaixo de todos os livros, ela é a que mantêm todos eles, se eu a coloco no meio dos outros livros, ela é a coração desses livros, e se eu a coloco em cima dos outros livros, ela é a cabeça e autoridade de todos os livros em minha biblioteca.” (Rui Barbosa)

“Enquanto outros livros informam e poucos reformam, só este livro transforma.”(A. T. Pierson)

1.O que é a Bíblia?

As respostas para essa questão tem sido ao longo dos séculos, dependendo do paradigma teológico, as mais diversas. Três, contudo, se destacam:

a) A visão Modernista ou Liberal. A Bíblia contém a Palavra de Deus. Paralela ao surgimento do movimento da crítica da Bíblia (1648), esta visão afirma que algumas partes da Bíblia são divinas, enquanto outras são humanas. Dessa forma, encontramos na Bíblia verdades eternas e equívocos humanos. Segundo Geisler e Nix (1997, p. 17) dois conceitos foram elaborados nesta concepção;

- O conceito de iluminação. Alguns estudiosos defendem que as “partes inspiradas” da Bíblia resultam de um tipo de iluminação divina, através do qual Deus teria concedido uma profunda percepção religiosa a alguns homens piedosos.

- O conceito de intuição. Aqui, os estudiosos chegam ao extremo de negar totalmente a presença de algum elemento divino da composição da Bíblia.

b) A visão Neo-Ortodoxa. O início do século XX foi marcado por uma nova reforma no na teologia européia. Alguns teólogos começam a valorizar a Bíblia, sem, contudo, abrir mão de suas visões críticas. Um novo tipo de ortodoxia é criado. A Bíblia torna-se a Palavra de Deus num encontro pessoal entre Deus e o homem. Duas correntes surgem:

- Visão demitizante. Tendo como defensores Rudolf Bultman e Shubert, afirma que a Bíblia foi escrita em linguagem mitológica, a da época de seus atores, tempo já passado e obsoleto. O amor sacrificial de Cristo, só pode ser realmente encontrado a medida que o crente despe a Bíblia de seus eventos e narrativas mitológicos.

- Encontro pessoal. Representada por Karl Barth e Emil Brunner, reconhece que apesar de algumas imperfeições no registro escrito, a Bíblia é a fonte de revelação de Deus para a humanidade. Deus nos fala mediante a Bíblia, que é um registro da revelação pessoal de Deus e não uma revelação em si mesma. Dessa maneira, ela torna-se a Palavra de Deus a medida que o homem se encontra com o criador lendo-a ou ouvindo-a.

c) A visão ortodoxa. A Bíblia é a Palavra de Deus. Esta é a opinião que prevaleceu por cerca de 18 séculos, e que, mesmo diante do surgimento da visão liberal e neo-ortodoxa, permanece viva em pleno século XXI. Na tentativa de conciliar a inspiração divina e o elemento humano presente através da escrita, duas teorias se destacam:

- Ditado Verbal. Defendida por John R. Rice, sustenta que Deus ditou sua Palavra respeitando a personalidade do autor humano. Para Rice, o ditado verbal não se trata de um ato meramente mecanicista.

- Conceitos inspirados. A. H. Strong apresenta uma idéia de que Deus teria inspirado os conceitos, não os termos literários utilizados por cada autor humano na escrita da Bíblia. O estilo particular de cada escritor é assim respeitado.

2. A Leitura Devocional da Bíblia

A leitura devocional da Bíblia precisa ser compreendida no contexto das várias leituras da Palavra de Deus:

a) A leitura litúrgica. É aquela realizada nos cultos e cerimônias religiosas, com o propósito de pregação, ensino ou reflexão.

b) A leitura formadora. Trata-se da leitura onde se busca aumentar o conhecimento pessoal dos princípios espirituais e morais, necessários para o crescimento e amadurecimento do cristão.

c) A leitura teológica. Este nível de leitura nos remete para uma reflexão mais sistemática das grandes doutrinas bíblicas, associada também aos textos filosóficos, históricos etc.

d) A leitura exegética. É a forma mais aprofundada de leitura. A compreensão do texto bíblico em si mesmo, juntamente com suas idéias, autoria, destinatários, forma literária, os termos originais, o contexto cultural, social, político, econômico, espiritual etc., estão presentes neste nível.

e) A leitura devocional. Através da leitura devocional, busca-se de forma espontânea alimento diário para a vida espiritual, respostas para nossos anseios, conforto e lenitivo para a nossa alma. Um diálogo com Deus é aqui, profundamente evidenciado.

A leitura devocional da Bíblia exige disciplina na vida cristã. Vivenciamos um momento histórico onde a inversão das prioridades pessoais, associada ao ativismo e a má administração do tempo, tem nos afastado cada vez mais, deste exercício tão essencial e salutar.

3. Curiosidades
- A Bíblia toda pode ser lida em 72 h de forma ininterrupta.
- Reservando 1/2 h por dia, a Bíblia será lida em 144 dias.
- Reservando 15 minutos por dia, a Bíblia será lida em 288 dias, ou seja, menos de um ano.
- A SBB disponibiliza gratuitamente planos de leitura anual da Bíblia, e confere certificados àqueles que completarem a leitura da Palavra de Deus.
Leia ainda o artigo A Leitura Devocional

Referências

GEISLER, Norman; NIX, William. Introdução Bíblica: como a Bíblia chegou até nós. São Paulo: Vida, 1997.

SILVA, Cássio Murilo Dias da. Metodologia de exegese bíblica. São Paulo: Paulinas, 2000.

Lições Bíblicas: 2. trimestre de 2008. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

Oração, o diálogo da alma com Deus – Pr. Altair Germano

Pr. Altair Germano

http://www.altairgermano.blogspot.com/

Iniciarei esse breve esboço, com algumas frases que julgo interessantes, sobre o valor da oração:

“A oração é o ato onipotente que coloca as forças do céu à disposição dos homens.” (Henri Lacordaire)

“Eu creio que sou incapaz de odiar. Através de uma disciplina baseada na oração, faz pelo menos quarenta anos que procuro amar todos.”(Mahatma Gandhi)

“A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.” (São Tiago)

“Não há homem que, orando de todo coração, não aprenda alguma coisa.”(Ralph Waldo Emerson)

“A oração é a irmã trêmula do amor.” (Vítor Hugo)

“Na oração, é melhor ter um coração sem palavras do que palavras sem um coração.) (John Bunyan)

Segundo Thiessen, Ninguém poder ler a Bíblia sem ficar impressionado com a importância do lugar dado à oração em suas páginas. Começando com a conversas entre Deus e Adão, por todo o Antigo e o Novo Testamento, temos exemplos de homens que oravam. A oração, segundo nos apresentada nas escrituras, vai além de um privilégio, ela é uma ordem (Gn 18.22-23; II Rs 19.15; Sl 5.2; 32.6; I Sm 12.23; Jr 29.7; Mt 5.44; 26.41; Lc 18.1; 21.36; Ef 6.18; I Ts 5.17, 25; I Tm 2.8; Tg 5.13-16).

- Esdras entendia que a oração era mais importante que um exército (Ed 8.21-23).
- Jesus a julgava mais necessária que o alimento e o sono (Mt 4.2; Mc 1.35; Lc 6.12).
- Os apóstolos a colocavam antes da pregação (At 6.4).

A NATUREZA DA ORAÇÃO

A oração tem sido definida como a “conversa da alma com Deus”. Orar é falar com Deus. A oração bíblica possui algumas características que passaremos a aborda-las;

· Confissão. Chegar-se diante de Deus com consciência de nossas falhas e fraqueza humana, expressando um profundo desejo de melhor servi-lo e agradar-lhe, é fator fundamental na oração, como pode ser visto nos textos que se seguem (I Rs 8.47; Ed 9.5-10; Ne 1.6,7; 9.33-35; Dn 9.3-15; Lc 18.9.14).

· Adoração. Adorar é reverenciar, louvar, reconhecer a majestade e a soberania de Deus. É amá-lo por aquilo que Ele é. (Sl 45.1-8; Is 6.1-4; Hc 3.17-19; Mt 14.33; 15.25; 28.9; Ap 4.11).

· Comunhão. Do grego koinonia, fala do relacionamento que o crente passa a manter com Deus, mediante o sacrifício de Cristo Jesus no calvário. Nesta condição, pode dirigir-se a Deus, chamando-o de Pai (Mt 6.9; Rm 8.15).

· Ação de graças. Temos vários exemplos desta prática na oração;

- A canção de Miriã (Êx 15)
- A canção de Débora (Jz 5)
- A canção de Davi (II Sm 23)

As Escrituras são repletas de exortações para que sejam dadas ações de graças (Fl 4.6; Cl 4.2; Ef 5.20; Sl 95.2; 100.4).

· Petição. É somente depois de termos glorificado a Deus em nossa oração que estamos prontos a pensar em nós mesmos. A petição é o ato de tornar conhecidos os nossos pedidos. É verdade que antes mesmo de expressar nossas necessidades e desejos, Deus já as conhece. Contudo Ele tem prazer de conosco se comunicar através da oração (Dn 2.17, 18; 9.16-19;Mt 7.7-12; Jo 11.22; Atos 4.29, 30; Fl 4.6).

· Súplica. Suplicar é simplesmente insistir em nosso pedido;

- Daniel fez petição e súplicas a Deus (Dn 6.11).
- O espírito de súplicas será derramado sobre Israel (Zc 12.10).
- A mulher siro-fenícia suplicou e seu pedido foi ouvido (Mt 15.22-28).
- Os eleitos que clamam a Deus dia e noite serão ouvidos com presteza (Lc 18.1-8).
- Paulo nos exorta a suplicar (Ef 6.18; I Tm 2.10)

· Intercessão. Do latim intercessionem, é súplica em favor de outrem. A intercessão pressupõe sofrer com os que sofrem; chorar com os que choram; e, tomar, como se fossem nossas, as dores alheias. É dizer a Deus que nos importamos com o sofrimento e as necessidades do próximo.

- Deus procura intercessores (Is 59.16).
- Devemos interceder em favor de todos os homens (I Tm 2.1).
- Por todos quanto ocupam posição de autoridade (I Tm 2.2).
- Pelos ministros (II Co 1.11; Fl 1.29).
- Por todos os santos (Ef 6.18).
- Pelos patrões (Gn 24.12-14).
- Pelos servos (Lc 7.2, 3).
- Pelas crianças (Mt 15.22).
- Pelos enfermos (Tg 5.14).
- Pelos que nos perseguem (Mt 5.44).
- Por nossos inimigos (Jr 29.7).
- Pelos que nos invejam (Nm 12.13).
- É um pecado neglicenciarmos a oração intercessória ( I Sm 12.23).
- A oração intercessória beneficia o próprio intercessor (Jó 42.10).

O MÉTODO E A MANEIRA DE ORAR

Apesar de ser uma tendência natural e universal, o homem precisa aprender a orar (Lc 11.1; Rm 8.26). com base nos princípios e natureza da oração aqui já aprendidos, Jesus deixou um modelo para nossas orações, designada “O Pai nosso” (Mt 6.9-13). Consideremos, então, o método e modo bíblico de orar.

A posição de orar. As Escrituras não prescrevem nenhuma posição em particular, mas ilustram e ensinam todas elas.

- Em pé (Mc 11.25; Lc 18.13; Jo 17.1).
- Ajoelhado (Lc 22.41; I Rs 8.54; Ef 3.14; At 20.36).
- Prostrado no chão (Mt 26.39).
- Deitado na cama (Sl 63.6).
- Assentado (I Rs 18.42).
- Pendurado na cruz (Lc 23.42).

Tudo isto indica que não é a postura do corpo que importa, mas sim a atitude do coração ( Jo 15.17a). Há, contudo, mais indicações de que as pessoas ou se postaram de pé ou se ajoelharam para orar quando se aproximaram de Deus, do que qualquer outra posição.

A hora de orar. As escrituras ensinam que devemos orar sempre (Lc 18.1; Ef 6.18); mas ensinam também que devemos ter horários estabelecidos para a oração (Sl 55.17; Dn 6.10; At 3.1). É verdade que todos esses são exemplos do que os outros fizeram, e não preceitos acerca da oração, mas pelo menos indicam que a regularidade em orar é desejável. Não há, portanto, uma hora especial para podermos Ter uma audiência com Deus, mas todo momento é igualmente aceitável para Ele.

O lugar de orar. Percebemos que a Bíblia encoraja a oração secreta, no quarto, longe de todos os elementos a nosso derredor que nos podem perturbar (M t 6.6; Dn 6.10; Mc 1.35; Mt 14.23). Há também exemplos de oração na prisão (At 16.25), como em vários outros lugares públicos. Paulo nos admoesta a orar “em todo o lugar” (I Tm 2.8).

CONCLUSÃO

A disciplina da oração é profundamente necessária na vida devocional do cristão, juntamente com a leitura da Palavra de Deus. Devemos sempre lembrar que a nossa oração precisa estar totalmente em linha e alicerçada por esta Palavra (Jo 15.7).

Por fim, fica para reflexão o texto abaixo, de nossa autoria, que reflete um pouco da realidade vivenciada em muitas igrejas, como resultado de um certo descaso com a disciplina da oração:

“Era uma vez uma igreja que gostava de orar.

Os cultos de oração eram bem freqüentados. Havia um mover do Espírito maravilhoso, que levava os irmãos no final de cada reunião, a desejarem que a próxima logo chegasse.

Os jovens participavam do círculo de oração desta igreja, pedindo ao Senhor um namoro e casamento dentro da Sua vontade. Pediam também para que uma porta de emprego fosse aberta. Muitos destes jovens chegavam em grupos e por vezes vinham a pé de lugares distantes.

Os cantores chegavam pela manhã e saíam no final do culto. Não agiam como celebridades nem cantavam apenas para vender CD.O maior tempo era gasto com oração e não com “tristemunhos”, “cantorias”, “visagens” ou “profetadas”.

O círculo de oração começava pela manhã e as dirigentes eram as primeiras a chegar.Para entrar na comissão havia um sério critério. Não bastava querer, precisa ter uma vida santa, testemunhada pela igreja e pela comunidade não crente. Precisava ser boa esposa, boa mãe, boa filha. Precisava ser verdadeiramente “crente”! Quando a dirigente do círculo de oração convidava os que não eram batizados com o Espírito Santo para virem à frente e receber uma oração, eles vinham alegres, com fé, e o melhor, Jesus batizava.

Os auxiliares, diáconos, presbíteros, evangelistas e pastores o freqüentavam, trazendo sempre uma boa palavra. Nos cultos da noite, os obreiros e irmão chegavam e se ajoelhavam para orar até que se iniciasse o momento do canto congregacional. Não ficavam sentados e conversando, nem fazendo outra coisa qualquer. Havia um profundo desejo de se buscar a Deus!

Os pais e os adultos nesta igreja levavam seus filhos, netos, sobrinhos e vizinhos para o círculo de oração infantil. As crianças desde cedo desfrutavam do poder da oração e aprendiam o seu valor.

Será que a esta altura você ficou curioso em saber onde fica esta igreja? Pergunte aos crentes mais antigos que certamente eles lhe darão a resposta.”

BIBLIOGRAFIA

Andrade, Claudionor Corrêa de. Dicionário Teológico. Rio de Jaqneiro: CPAD, 1998.

Thiesen, Henry Clarence. Palestras em Teologia Sistemática. São Paulo: IBR, 1987.

Oração, o diálogo da alma com Deus – Pb. José Roberto Barbosa

Pb. José Roberto A. Barbosa
jotaroberto@uol.com.br

Objetivo: Despertar os alunos para a prática contínua da oração, não com meras repetições de palavras, mas na forma de diálogo com Deus, falando e ouvindo, seguindo, sobretudo, o padrão que Jesus nos ensinou.

INTRODUÇÃO
É possível saber muito sobre oração, e mesmo assim, não orar. O principal desafio para o cristão não é começar a orar, mas continuar orando. Ademais, o aparato moderno que temos hoje à disposição contribui para que nos distanciemos da oração. Na lição de hoje, veremos que orar é mais do que uma necessidade é um ato de obediência. A principio, definiremos o que seja oração, mostraremos sua importância, e ao final, meditaremos a respeito do ensino de Jesus sobre a oração.

1. ORAÇÃO: DEFINIR É FÁCIL
No Antigo Testamento, a palavra bíblica para “oração” é “tepila”. Esse termo é bastante recorrente no livro dos Salmos (Sl. 17; 86; 90; 102; 142), na verdade, a maioria desses é composta por orações. No Sl. 4, o autor ora pedindo a Deus que o livre dos seus inimigos (v. 1). No 102, roga a Deus que o livre do sofrimento que o atormenta (v. 1). A oração bíblica é sempre dirigida a Deus, nunca a qualquer outra pessoa (II Cr. 6.39; 30.27). O salmista está convicto de que Deus responde a oração (Sl. 102.17), principalmente, conforme aponta o autor dos Provérbios, a dos justos (Pv. 15.29). A solução para os problemas da existência humana, nos Salmos, vem do Senhor por meio da oração (Sl. 88.22,13). No Novo Testamento, a palavra oração é “proseuchê” que é sempre dirigida à divindade, a Jesus (Ef. 1.6-17; Ap. 5.8; 8.3,4) e a Deus (Rm. 15.30). Jesus nos dá o exemplo do valor da oração porque Ele mesmo passou horas, às vezes, noites inteiras em oração (Lc. 6.12). Paulo também demonstrou ser um homem de oração (Rm. 1.10; Ef. 1.16; I Ts. 1.2; Fm. 4). Orar não é fácil por uma série de razões, a principal delas é a propensão humana para a auto-suficiência. O desafio, seguindo o exemplo de Jesus, Paulo e tantos outros, é o de transformar a oração numa prática contínua em nossas vidas, que aprendamos a desfrutar da comunhão que oração possibilita, através do diálogo com Deus.

2. EMPECILHOS E INCENTIVOS À PRÁTICA DA ORAÇÃO
Existem alguns impedimentos humanos à oração, dentre eles, destacamos: 1) o egoísmo humano faz com que nos distanciemos da oração, e às vezes, se revela na própria oração (Tg. 4.3); 2) uma vida voltada para o pecado também impossibilita a prática da oração, pois quanto mais o homem peca mais distante quer estar de Deus (Is. 59.1,2); 3) a entronização de ídolos no coração humano retira-lhe o elo de relacionamento com Aquele que não dá a Sua glória a outro deus (Ez. 14.3); 4) o descaso em relação aos pobres nos é apresentado pelo autor de provérbios como uma das causas de não sermos ouvidos na oração (Pv. 21.13); 5) a indisposição para perdoar afasta as pessoas de uma vida de oração (Mc. 11.25); 6) um relacionamento conjugal desajustado reflete-se improdutivamente na oração (I Pe. 3.7); e 7) a falta de fé, retratada no materialismo, distancia as pessoas da oração (Tg. 1.5-7). Esses são alguns dos empecilhos à oração, nós, no entanto, temos muitos motivos para depender da oração, o principal deles, é o exemplo que Cristo nos deu. Jesus sabia que dependemos de Deus para viver. Por isso, não dispensava seus momentos de oração, fosse de madrugada (Mc. 1.35), às vezes, Ele passava a noite orando (Lc. 6.12). Antes de tomar decisões importantes, e nos momentos de crises, Jesus orou (Mc. 1.35-38; Lc. 3.21,22; 6.12,13; 9.18,21,21,22; 22.39-46). Quando as ocupações do dia-a-dia queriam fazer com que Jesus perdesse o foco, Ele se distanciava e procurava um lugar isolado onde pudesse ficar à sos com o Pai (Lc. 5.15,16; Mc. 3.20; 6.31,33,46). Antes das tentações da vida, Jesus colocou-se debaixo da dependência do Pai por meio da oração (Mt. 26.36). Se Cristo sendo quem foi orou não deveríamos nós fazer o mesmo? Lembremos, no entanto que a vida do cristão não deva se satisfazer apenas com momentos de oração, deva ser, acima de tudo, uma vida de oração (I Ts. 5.17; Ef. 6.18).

3. ORANDO COMO JESUS ENSINOU
Há muitas orações na Bíblia, inclusive a de Jabez, bastante citada e imitada, especialmente, por aqueles que postulam a teologia da prosperidade e da confissão positiva. Mas todas as orações, seja do Antigo e/ou do Novo Testamento, precisam passar pelo crivo de Jesus. Quando os seus discípulos pediram-No que os ensinassem a orar, Ele lhes apresentou uma oração modelo, dizendo que deveríamos orar “assim” (Mt. 6.9). A oração do Senhor não deva ser estímulo para a mera repetição (Mt. 6.7), ela deve nos servir de padrão para que façamos as nossas próprias orações. Destacamos, a seguir, alguns princípios para a oração cristocêntrica: a princípio, a intimidade, pois somente em Cristo podemos chamar a Deus de “Pai”, expressão aramaica “Abba”, cujo significado aproximado é o de “papaizinho”. Segundo Paulo, recebemos o Espírito de adoção, pelo qual, clamamos “Abba”, Pai (Rm. 8.15; Gl. 4.6). Ele não é apenas o MEU Pai, mas o NOSSO Pai, ressaltando, assim, a união de todos aqueles que foram chamados, a Igreja (Mt. 16.18), a fim de reconhecer que o Senhor é Santo e que todos são pecadores, necessitados de Sua graça (Rm. 3.23; 6.23), mas não apenas isso, que também o Seu reino é chegado entre nós (Lc. 10.9; 17.21), ainda que ansiamos pelo dia em que se concretizará em Sua plenitude (Ap. 20.2-6). Que a vontade de Deus, e não a nossa, prevaleça, que ela seja feita na terra como já é no céu. Somente a vontade de Deus é boa, perfeita e agradável (Rm. 12.2). Para que o pão diário nos seja dado e não todas as riquezas do mundo, a fim de que tenhamos o suficiente para vivermos contentes (I Tm. 6.6; Hb. 13.5) e não nos inquietarmos com o dia de amanhã (Mt. 6.34). E não esqueçamos que a maior riqueza que o ser humano pode ter é o perdão divino, ainda que esse precise ser repartido com aqueles que nos ofendem (Mt. 5.7; 6.14,15; 18.21-23). Que Deus não nos deixe cair em tentação, cientes de que também devemos vigiar para não sermos tragados pelo Mal (Mt. 26.41; I Co. 10.13; I Pe. 5.8), e por fim, saibamos que somente a Deus, e não a quem quer que seja, pertence o reino, o poder e a glória para sempre (I Cr. 29.11; I Tm. 1.17; Ap. 19.1).

CONCLUSÃO
Ainda que não estejamos dispostos, precisamos orar. Deixar de orar é um ato de desobediência a Cristo. Afinal, sabendo Ele da importância da oração, nos instrui: “orai e vigiai” (Mt. 26.41), Samuel reconheceu, ainda na Antiga Aliança, que deixar de orar se tornaria um pecado: “E quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o Senhor, deixando de orar por vós; antes vos ensinarei o caminho bom e direito” (I Sm. 12.23). Consoante a mensagem do evangelho, fica claro, nessa passagem, que não apenas devemos orar, precisamos também agir. Lutero, o sábio reformador, já dizia: “oremos como se todo o trabalho dependesse de Deus, e trabalhemos como se tudo dependesse de nós”.

BIBLIOGRAFIA
BRANDT, R. L., BICKET, Z. J. O Espírito nos ajuda a orar. Rio de Janeiro: CPAD, 1997.HANEGRAAFF, H. A oração de Jesus. Rio de Janeiro: CPAD, 2002.

Oração, o diálogo da alma com Deus – Dr. Caramuru Afonso

INTRODUÇÃO

- Na seqüência do estudo das disciplinas da vida cristã, estudaremos a oração. Se o amor é o pressuposto e o elemento fundamental para que se tenha uma vida espiritual disciplinada, não é possível se ter comunhão com Deus se não houver comunicação e a principal forma de comunicação do homem para com Deus é a oração.

- Deus, ao estabelecer Seu plano de criação e redenção do homem, tem como propósito o estabelecimento de uma comunhão eterna entre Ele e o homem(Gn..3:8; Jo.17:21; Ap.21:3) Assim, o cristão, como realização deste propósito, não pode ficar um segundo sequer sem tributar ao seu Senhor a devida adoração e a adoração pressupõe comunicação, que se faz pela oração.

I – A COMUNHÃO COM DEUS EXIGE UMA VIDA DE ORAÇÃO

- Na vida agitada dos nossos dias, no corre-corre do nosso cotidiano, é quase certo que se não administrarmos o nosso tempo, estaremos correndo sério risco de não fazermos tudo o que necessitamos no dia. Faz-se preciso, entretanto, que não só administremos bem o tempo, mas que impeçamos que esta má administração seja uma arma utilizada em detrimento de nosso relacionamento com Deus. Não podemos permitir, de forma alguma, que os dias maus em que vivemos sejam uma grande arma do adversário para nos impedir de ter uma vida espiritual saudável conforme os ditames bíblicos. Que possamos seguir o conselho do apóstolo e remir o tempo, porquanto os dias em que vivemos são maus (Ef.5:16).

- A vida espiritual, como qualquer vida, não é algo que se manifeste de vez em quando, mas é algo que tem uma determinada permanência, é algo que necessita de uma continuidade, de um desenvolvimento que não permite qualquer paralisação. Todos nós sabemos que não podemos, no sentido físico, viver um dia por semana, ou alguns dias no mês. Se isto é uma realidade no ponto-de-vista físico, onde o homem é comparado a uma flor da erva, que, pela manhã, está viçosa e ao entardecer já está seca e sem qualquer esplendor (I Pe.1:24), que dirá a vida espiritual, que é a melhor parte, aquela que está relacionada com a eternidade e que se constitui na própria razão das coisas? Portanto, o nosso cuidado diário no nosso relacionamento com Deus deve ser prioridade e devemos lutar incansavelmente para que esta porção não nos seja roubada, pois, via de regra, o ladrão age sutilmente, na nossa falta de vigilância e este tem sido um dos aspectos que mais tem colaborado para o fracasso espiritual de muito.

- A vida espiritual é uma vida de comunhão com Deus. Ora, a comunhão é, como nos diz o Dicionário Koogan-Larousse, entre outras coisas, “união no mesmo estado de espírito”. Com efeito, quem está em comunhão com Deus discerne a vontade de Deus, segue a direção de Deus, sabe perfeitamente como agradar a Deus, tem condições de apresentar o seu corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, ou seja, de lhe prestar o culto racional (Rm.12:1).

- Entretanto, para que possamos estar em comunhão com Deus, faz-se mister que saibamos exatamente o que Deus quer que façamos, bem assim que tenhamos com ele um diálogo, uma intimidade, da mesma maneira que um casal que, ao passar dos anos, somente pelo olhar tem condições de se comunicar e de estabelecer uma conversa sem que uma palavra seja dita. A comunhão com Deus exige, pois, que tenhamos duas atitudes incessantes, duas ações que são indispensáveis para que estabeleçamos uma “união no mesmo estado de espírito” com Deus: a oração e a leitura da Palavra de Deus. Lembramo-nos aqui, aliás, de um antigo corinho que até hoje é ensinado nas classes infantis da EBD e que sintetiza esta realidade espiritual que, por muitos, lamentavelmente, tem sido esquecida nos nossos dias: ” Leia a Bíblia e faça oração se quiser crescer”.

- Orar é o ato pelo qual o homem se dirige a Deus para com Ele dialogar. É uma atitude que expressa em si, de uma só vez, uma série de verdades que, por si só, já demonstram a excelência de uma conduta desta natureza, a saber:

a) quando oramos, reconhecemos a soberania de Deus, pois estamos dizendo que Deus é o único que pode atender aos nossos pedidos, bem como é o único que merece nosso louvor e adoração, que nada mais é que o cumprimento do grande mandamento (Mt.22:36,37).

b) quando oramos, reconhecemos a nossa insuficiência, pois demonstramos a consciência de que tudo está no controle de Deus e que, sem Ele, nada podemos fazer, o que, nada mais é, que a primeira bem-aventurança proclamada por Jesus no sermão do monte (Mt.5:3).

c) quando oramos, revelamos a nossa fé, pois demonstramos que nossa confiança está em Deus e não em qualquer outro ser, o que significa uma ação que agrada a Deus, pois sem fé é impossível agradar-Lhe (Hb.11:6).

d) quando oramos, revelamos a nossa obediência, pois cumprimos a vontade de Deus expressa em Sua Palavra, que quer que oremos sem cessar (I Ts.5:17), bem como que imitemos Jesus (I Co.11:1, I Pe.2:21), cujo ministério terreno foi, sobretudo, um ministério de oração.

e) quando oramos, demonstramos o nosso amor para com o próximo, pois intercedemos por eles e, como somos justos, permitimos que tal oração tenha uma eficácia benévola em suas vidas, o que é o complemento do grande mandamento (Mt.22:39,40), bem como a comprovação de que somos filhos de Deus (I Jo.2:5).

OBS: Por isso, não tem cabimento se falar, como se tem falado ultimamente, em “oração contrária”, algo que uma amada irmã, certa feita, bem definiu como sendo “macumba evangélica”. A oração jamais pode revelar algo que não o amor ao próximo, o amor que temos de ter uns com os outros, assim como Jesus nos amou, o que, aliás, é o novo mandamento que deve ser observado por todo cristão (Jo.15:12). Neste passo, aliás, uma vez mais reproduzimos o que escreveu, recentemente, o atual chefe da Igreja Romana, na sua encíclica Spe Salvi: “…Apesar de Agostinho falar diretamente só da receptividade para Deus, resulta claro, no entanto, que o homem neste esforço, com que se livra do vinagre e do seu sabor amargo, não se torna livre só para Deus, mas abre-se também para os outros. De fato, só tornando-nos filhos de Deus é que podemos estar com o nosso Pai comum. Orar não significa sair da história e retirar-se para o canto privado da própria felicidade. O modo correto de rezar é um processo de purificação interior que nos torna aptos para Deus e, precisamente desta forma, aptos também para os homens. Na oração, o homem deve aprender o que verdadeiramente pode pedir a Deus, o que é digno de Deus. Deve aprender que não pode rezar contra o outro. Deve aprender que não pode pedir as coisas superficiais e cômodas que de momento deseja – a pequena esperança equivocada que o leva para longe de Deus. Deve purificar os seus desejos e as suas esperanças. Deve livrar-se das mentiras secretas com que se engana a si próprio: Deus perscruta-as, e o contato com Deus obriga o homem a reconhecê-las também. « Quem poderá discernir todos os erros? Purificai-me das faltas escondidas », reza o Salmista (19/18,13). O não reconhecimento da culpa, a ilusão de inocência não me justifica nem me salva, porque o entorpecimento da consciência, a incapacidade de reconhecer em mim o mal enquanto tal é culpa minha. Se Deus não existe, talvez me deva refugiar em tais mentiras, porque não há ninguém que me possa perdoar, ninguém que seja a medida verdadeira. Pelo contrário, o encontro com Deus desperta a minha consciência, para que deixe de fornecer-me uma autojustificação, cesse de ser um reflexo de mim mesmo e dos contemporâneos que me condicionam, mas se torne capacidade de escuta do mesmo Bem.…” (BENTO XVI. Spe Salvi, n.33. Disponível em: www.vatican.va Acesso em 18 fev. 2008).

f) quando oramos, demonstramos a nossa esperança, pois, ao orarmos, apresentamos nossos desejos diante de Deus, reconhecendo que devemos sempre esperar nEle, que é a âncora da nossa vida (Hb.6:19). Afinal de contas, sabemos que Deus trabalha por aqueles que nEle esperam (Is.64:4).

OBS: Por sua biblicidade, reproduzimos aqui trecho da segunda encíclica do atual chefe da Igreja Romana, que trata da relação entre oração e esperança: “…Primeiro e essencial lugar de aprendizagem da esperança é a oração. Quando já ninguém me escuta, Deus ainda me ouve. Quando já não posso falar com ninguém, nem invocar mais ninguém, a Deus sempre posso falar. Se não há mais ninguém que me possa ajudar – por tratar-se de uma necessidade ou de uma expectativa que supera a capacidade humana de esperar – Ele pode ajudar-me.(…) De forma muito bela Agostinho ilustrou a relação íntima entre oração e esperança, numa homilia sobre a Primeira Carta de João. Ele define a oração como um exercício do desejo. O homem foi criado para uma realidade grande ou seja, para o próprio Deus, para ser preenchido por Ele. Mas, o seu coração é demasiado estreito para a grande realidade que lhe está destinada. Tem de ser dilatado. « Assim procede Deus: diferindo a sua promessa, faz aumentar o desejo; e com o desejo, dilata a alma, tornando-a mais apta a receber os seus dons ». Aqui Agostinho pensa em S. Paulo que, de si mesmo, afirma viver inclinado para as coisas que hão-de vir (Fil 3,13). Depois usa uma imagem muito bela para descrever este processo de dilatação e preparação do coração humano. « Supõe que Deus queira encher-te de mel (símbolo da ternura de Deus e da sua bondade). Se tu, porém, estás cheio de vinagre, onde vais pôr o mel? » O vaso, ou seja o coração, deve primeiro ser dilatado e depois limpo: livre do vinagre e do seu sabor. Isto requer trabalho, faz sofrer, mas só assim se realiza o ajustamento àquilo para que somos destinados…” (BENTO XVI. Encíclica Spe Salvi, nn. 32,33. Disponível em: www.vatican.va Acesso em 18 fev. 2008).

- Não pode existir uma vida real de comunhão com Deus sem que haja oração. A oração é o canal pelo qual o homem exercita a sua submissão a Deus, é a forma pela qual se põe como um verdadeiro servo do Senhor. A oração é, assim, a própria exteriorização de nossa qualidade de servo de Deus. Nas páginas das Escrituras Sagradas, veremos, sempre, que os grandes homens de Deus eram homens de oração, bem como que os grandes fracassos espirituais ali descritos têm, como ponto em comum, a falta de oração, a falta de diálogo com Deus. Quando o homem se distancia de Deus, podemos verificar que o distanciamento se deu, num primeiro instante, pela perda de contato entre o homem e Deus através da oração. Eis porque todas as forças do mal buscam retirar o nosso tempo de oração, buscam eliminar a oração do nosso dia-a-dia. A oração, como bem afirmou Paulo, é indispensável para que vençamos as hostes espirituais da maldade, pois é a ferramenta que nos coloca em forma para podermos utilizar adequadamente a armadura de Deus (Ef.6:13-18).

- Diante de tamanha importância para a oração, é preciso que ela seja uma constante tanto na nossa vida pessoal, como também na vida de nossa família e de nossa igreja local, que são os grupos sociais principais aos quais nós participamos. Individualmente, é importantíssimo que reservemos um período para que oremos ao Senhor, um período onde não sejamos importunados por pessoa ou coisa alguma, um período em que fiquemos a sós com o Senhor, adorando-O e fazendo-Lhe as necessárias petições. Este período, nos dias agitados em que vivemos, será, quase sempre, a madrugada, oração esta que tem o agrado do Senhor, como vemos em Pv.8:17. É interessante observar que o grande jurisconsulto e político brasileiro, Ruy Barbosa, demonstrava as grandes vantagens para o estudo durante a madrugada, ao qual se dedicava intensamente e que é apontado como um dos fatores que fez deste grande brasileiro uma das maiores inteligências de todo o mundo. Ora, se a busca por um saber intelectual, passageiro e falho, mostrou-se ser tão exitosa por ter se feito durante a madrugada, por que não tentar algo similar do ponto-de-vista espiritual, algo muito mais excelente, mormente quando a própria Bíblia Sagrada nos apresenta ser esta uma atitude que agrada a Deus ? Querido irmão, comece a buscar ao Senhor de madrugada e, certamente, ali, naqueles momentos, o irmão encontrar-se-á com o Senhor dos Senhores, com o Rei dos Reis !

- Em nossa família, também, devemos edificar um altar constante de oração. No mundo antigo, o que caracterizava a existência de uma família perante a sociedade era a existência de um “lar”, entendido este como sendo um compartimento da casa onde tinham acesso apenas os membros da família (ou seja, ali não ingressavam hóspedes, visitantes ou escravos) e onde havia um altar para o culto dos antepassados, os chamados “deuses lares”, costume que vemos mencionado na Bíblia, por exemplo, em Gn.31:30,34. Entre os pagãos, portanto, uma família era reconhecida por ter um “lar”, ou seja, um altar para cultuar o seu deus. Será que temos edificado um lar em nosso ambiente familiar ? Será que temos reunido os membros de nossa família para que haja uma oração familiar ? Ou será que fazemos (quando o fazemos…) como Jó(Jó 1:4,5), que, sozinho, ia interceder por seus filhos, enquanto eles se regalavam com banquetes e festas, despreocupados com uma eternidade, de forma que fora colhidos de surpresa e tiveram ceifadas as suas vidas ? É assaz importante que a família tenha um freqüente encontro de oração, onde possa dialogar conjuntamente entre si e com o Senhor, que tem o máximo interesse em preservar e guardar a família que, afinal de contas, é instituição por Ele próprio criada.

- Causa-nos perplexidade vermos que muitos servos do Senhor, dedicados e fiéis, tiveram uma vida de oração intensa para a constituição de suas famílias e, depois, quando recebem a bênção do Senhor, passam a agir desleixada e descuidadamente, não mais buscando a direção de Deus para a administração das famílias pelas quais tanto oraram. Acordemos, pois na falta de oração familiar está uma das principais explicações pela paralisia espiritual de muitas famílias e pela sua total falta de resistência aos infames e cada vez mais cruéis ataques do adversário contra as famílias cristãs na atualidade. A presença de Jesus no lar leva-nos a uma vida de maior reverência e santidade diante do Senhor em todos os demais aspectos da família. Basta olharmos para José e Maria e verificarmos como cumpriram rigorosamente a lei do Senhor durante a infância e adolescência de nosso Salvador. Entretanto, bastou o Senhor estar o ausente do convívio familiar, para que nem mesmo Seus irmãos cressem nEle. Vigiemos e nunca permitamos que o Senhor Jesus esteja ausente em nosso lar. A descendência de Sete foi conhecida como sendo os “filhos de Deus”(Gn.6:2), porque Sete, ainda quando tinha apenas um filho, começou a invocar o nome do Senhor em seu lar (Gn.4:26). Que possamos, do mesmo modo, sermos identificados como filhos de Deus.

II – A ORAÇÃO É UM DEVER DO CRISTÃO

- Quando falamos em oração, salientemos que a oração não é uma mera faculdade que esteja à disposição do cristão nas horas de angústia ou de necessidade. Muito pelo contrário, a oração é um dever, ou seja, é algo que é obrigatório e que o cristão não tem o direito de deixar de fazer. Quem diz que a oração é um dever é o próprio Jesus. Certa feita, o Senhor contou aos discípulos uma parábola, a parábola do juiz iníquo, para ilustrar o “dever de orar sempre e nunca desfalecer” (Lc.18:1). Assim, o crente que não ora é, antes de tudo, alguém que está em falta diante de Deus.

- É importante observar que esta idéia da oração como um dever cristão não é enfatizada devidamente no meio evangélico, ao contrário do que ocorre seja entre os católico-romanos, seja entre os ortodoxos ou, mesmo, em outras religiões, como os judeus, os muçulmanos, os budistas e os hinduístas. Esta omissão, aliás, tem sido um grande e poderoso instrumento para a disseminação de práticas esotéricas e similares, levada a efeito sobretudo pelo movimento Nova Era, exatamente porque os cristãos têm se deixado levar por uma vida secular e formalista, que tem deixado de lado o dever de orar sempre e nunca desfalecer.

- Diz Jesus que o dever de orar se caracteriza por duas propriedades: deve-se orar sempre e nunca se deve desfalecer. Orar sempre significa nunca deixar de orar. Orar sempre significa que não há tempo nem lugar certo para orar. A oração deve ser uma constante em nossas vidas, daí porque Paulo ter dito que devemos “orar sem cessar” (I Ts.5:17). Mas, então, devemos nos tornar como os monges que se enclausuram em conventos e passam a se dedicar a intermináveis orações ? Não, não é disto que o Senhor Jesus ou o apóstolo Paulo estão nos dizendo. Muito pelo contrário, se é verdade que devemos ter um instante de oração a sós com Deus, a nossa missão como Igreja obriga-nos a que estejamos no mundo, a que sejamos sal da terra e luz do mundo, o que é, exatamente, o contrário desta vida contemplativa característica do monasticismo e cuja validade evangélica e bíblica é, no mínimo, questionável.

- Orar sempre significa estarmos dispostos e prontos a orar ao Senhor a cada instante, em cada situação, estarmos, para usarmos de uma linguagem moderna, sintonizados com o Senhor, na Sua mesma freqüência. Devemos ter a nossa mente dirigida para o Senhor diuturnamente e, enquanto fazemos os nossos afazeres, desempenhamos nossas tarefas do dia-a-dia, estarmos em condição de, em alguns instantes, dirigirmo-nos ao Senhor de coração e com reverência, mesmo que de forma silenciosa e sem qualquer alvoroço. Nossas orações devem ser discretas e provir de nossas almas, exatamente o contrário do que ocorre com os gentios, que transformam as orações em práticas rituais, cerimoniais, automáticas e mecânicas, cujo intento e objetivo é dar uma demonstração exterior e formal de santidade e de comunhão com Deus, mas que se revelam como simples exaltações do ego e de um sentimento de auto-suficiência que, em si, é a verdadeira negação da submissão perante o Senhor. É neste sentido que a oração cristã se distingue das demais, pois não é ostensiva nem busca o reconhecimento dos semelhantes, o que, entretanto, não pode servir de justificativa para uma vida sem oração, como já falamos supra.

- Vivemos em um mundo onde as principais religiões contêm em suas regras fundamentais a oração. Seja entre os judeus, seja entre os muçulmanos, seja entre os budistas, seja entre os hinduístas, a oração e a meditação têm lugar de destaque em suas práticas religiosas e em sua devoção. Quando observamos, por exemplo, o fervor dos islâmicos que, cinco vezes ao dia, dirigem suas faces em direção a Meca e fazem suas orações onde quer que estejam, ou dos judeus, que tem suas três orações cerimoniais diárias, vemos como as palavras de Jesus são atuais(Mt.6:5) e como devemos fugir da ostentação e do formalismo em nosso relacionamento com Deus.

- Muitos crentes procuram, ante os exemplos retirados das Escrituras, em especial o de Daniel, criar algumas regras relativas à oração, estipulando o número de vezes que devemos orar, em que ocasiões devemos orar e assim por diante. Não entendemos seja incorreto que alguém procure seguir o exemplo de homens fiéis a Deus e que, podendo, tenha o hábito de orar três vezes ao dia ou que ore ao acordar, ao se deitar, antes das refeições, hábitos que são salutares. O que devemos, porém, evitar é que estas práticas sejam estabelecidas como regras válidas a todos, o que seria indevida imposição de uma prática devocional pessoal a todos os demais ou, então, que tais práticas passam a ser tidas como demonstração de santidade e de comunhão com Deus por si sós, o que nos levará para o formalismo e ritualismo que tanto foram condenados por Jesus. Diz a Bíblia que devemos orar sempre e, em sendo assim, que cumpramos a Palavra de Deus, cada um ao seu modo, cada um à sua maneira, mas dentro do modelo bíblico.

- No entanto, ao observarmos muitas orações que têm sido ouvidas e pronunciadas em nosso meio, vemos, com tristeza, que este formalismo, esta ostentação não é exclusividade dos seguidores de Maomé ou dos descendentes dos que rejeitaram em Messias na Palestina. Há muitos crentes que se comprazem, em suas congregações, em intermináveis, longas e altas orações, para demonstrar uma santidade perante os seus conservos. Estes, assim como aqueles, têm o mesmo triste destino do fariseu da parábola (Lc.18:14).

- Há muitos crentes, ainda, que, de forma automática, repetitiva e num estado em que os lábios estão completamente desligados do coração, fazem verdadeiras rezas, o que é igualmente condenado pelo Senhor (Mt.6:7). De nada adianta ficarmos repetindo palavras a esmo, sem que nelas esteja nosso coração, nossas mentes, como se as palavras tivessem poder em si (algo, aliás, que tem sido, indevidamente, pregado por aí, como se estivéssemos acolhendo a idéia das “palavras mágicas” dos contos de fadas, ou, o que é ainda pior, acolhendo a idéia hinduísta dos “mantras”, que ficaram famosos no Ocidente através da seita “Hare Krishna”). Deus ouve ao contrito de coração, àquele que, efetivamente, estiver entregando a sua alma no seu diálogo com Deus, num diálogo que vem do interior do homem ao interior de Deus.

- Se devemos orar sempre, Jesus também salientou que o dever de orar impõe uma outra conduta: o de nunca desfalecer. Nunca desfalecer, como bem traduziu a Nova Versão Internacional, significa nunca desanimar. O dever de orar impõe o dever da perseverança, da insistência, de confiança diante de Deus. Quem ora deve ter a convicção de que Deus está ouvindo a sua oração e de que irá responder ao clamor, bem como que irá providenciar o melhor para aquele que O busca. A oração daquele que desiste, daquele que esmorece, daquele que não insiste é algo igualmente vazio e sem qualquer validade diante de Deus. Quem ora numa perspectiva de que deve ser atendido de imediato, de que o nome de Deus é “Já” e que não tem que esperar, não ora, segundo nos ensina Jesus, mas, simplesmente, perde seu tempo, pois esta oração não corresponde ao dever que tem o servo de Deus, pois é uma oração que trará, em breve, o desânimo, que não representa qualquer submissão a Deus e que, portanto, não alcançará qualquer resultado prático.

III – A ORAÇÃO QUE O SENHOR NOS ENSINOU

- Neste ponto, aliás, cabe-nos falar algo sobre a oração que o Senhor nos ensinou, a chamada “oração do Senhor”, “oração dominical” ou, como é conhecido, o “Pai nosso”. Esta oração não é senão um modelo, ou seja, não foi ensinada pelo Senhor para ser repetida automaticamente, como uma reza, como muitos a têm tornado, mas, muito pelo contrário, nela temos uma verdadeira aula de como devemos orar a Deus. Quem quer aprender a orar, deve ler esta lição de Jesus e, com certeza, ao aplicá-la, estará orando corretamente e de forma agradável ao Senhor.

- O fato de Jesus nos ensinar a orar mostra claramente que a oração embora não seja uma “reza”, ou seja, algo repetitivo, de aparência exterior, não é uma atitude que não tenha regras, que não tenha um modo correto de se expressar. O símbolo bíblico da oração é o incenso (Sl.144:2; Ap.5:8) e este incenso estava submetido a uma série de exigências e de requisitos, precisamente a nos indicar que a oração, embora tenha de ser espontânea, não é algo que seja isento de um modo de realização, algo que esteja ao arbítrio do orante.

- Esta é uma das razões pelas quais não se pode admitir o ensino da “oração forte”, expressão que foi herdada do espiritismo e que não tem o menor respaldo bíblico. Nenhuma oração pode ser “forte” ou “fraca” por causa do orante. Não é o arbítrio do orante que determina a força desta ou daquela oração, mas a oração é, antes de tudo, o reconhecimento da soberania divina e de nossa necessidade. A composição do incenso era determinada por Deus e, do mesmo modo, a oração tem de ter o conteúdo prescrito pelo Senhor, que, pela Sua graça, nos permite, apesar de nossas fraquezas, termos a ousadia de chegarmos à Sua presença pelo Seu Filho. “Oração forte” é invencionice, é resquício de espiritismo e bruxaria, onde surgiu a própria expressão. Com efeito, dizem os estudiosos do folclore que “oração forte” é “amuleto ou talismã, guardada num saquinho, lida ou rezada todas as noites antes de dormir, tem o poder de proteger a pessoa que a conduz contra as doenças, os maus negócios, tudo de ruim que possa acontecer na vida de uma pessoa.” (Oração. In: Dicionário do folclore para estudantes. Disponível em: http://www.soutomaior.eti.br/mario/paginas/dic_o.htm Acesso em 20 fev. 2008) ou, ainda, no Dicionário do Folclore Brasileiro, de Câmara Cascudo, “Oração-forte – São as súplicas dirigidas a Deus ou aos santos, segundo fórmulas que não devem ser usadas comumente. As orações-fortes são trazidas ao pescoço, num saquinho cosido, ou dentro da carteira, do bolso, em lugar oculto. As orações-fortes são rezadas em momento de aflição extrema, como remédio salutar e supremo para a sua resolução.…” (Amuletos. Disponível em: http://www.terrabrasileira.net/folclore/manifesto/amuleto.html Acesso em 20 fev. 2008). Como admitir que isto faça parte de uma vida de quem tem comunhão com Deus e que, portanto, já abandonou as crendices e superstições (At.17:22,23)?

OBS: “…A ORAÇÃO FORTE EXISTE? – Temos ouvido alguns pregadores falar em “oração forte”. Mas, que oração forte é essa que não faz parte do Evangelho de Cristo? E o que não consta no Evangelho não é bíblico, e não sendo bíblico não poderá ser praticado porque é doutrina de homem, e está fora dos propósitos de Deus. Oração forte é uma linguagem herdada do espiritismo.No Evangelho de Mateus 21.22, disse Jesus: “E tudo o que pedirdes na oração, crendo, o recebereis”. A Bíblia não menciona oração forte ou oração fraca, mas diz: Tudo o que pedirdes “crendo o recebereis”. Esta é a condição, ter fé suficiente para a sua oração chegar aos ouvidos de Deus. Crer incondicionalmente de todo coração, que as mãos do Senhor estão voltadas para te abençoar, quando pedimos alguma coisa que seja da sua vontade.Na carta Universal do Apóstolo Tiago 5.15, 16 diz: A oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará, e se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos. Podemos observar no início deste texto que Deus não ouve a pecadores, portanto, não basta ter compromisso o dízimo, com campanhas, ou com o pastor da sua igreja, se não tiver despojado do velho homem pecador e revestido do novo nascimento de Cristo em seu coração, tudo será em vão.…” (CRISTO É A VERDADE. Porque às vezes nossa oração não é ouvida. Disponível em: http://cristoeaverdade.net/ESTUDOS/PORQUE_AS_VEZES_NOSSA_ORACAO.html Acesso em 20 fev. 2008)

- O altar do incenso, no tabernáculo, ficava em frente ao véu que separava o lugar santo do lugar santíssimo (Ex.30:1-6), a mostrar que a oração é o meio pelo qual se dá o contato entre o homem e Deus. A queima do incenso deveria ser contínua (Ex.30:7), como contínua deve ser a oração (I Ts.5:17).

- Mas, além de a queima do incenso ser contínua, também se exigia que o incenso a ser utilizado deveria ter uma composição especial (Ex.30:34-38), não se admitindo incenso estranho (Ex.30:9). Isto nos fala que a oração não pode ser feita de qualquer modo, mas deve ter um conteúdo especialmente determinado por Deus, daí porque Jesus ter nos ensinado como devemos orar, a fim de que o nosso incenso suba até a presença do Senhor, onde Ele está a interceder por nós (Is.53:12).

- O incenso santo deveria ser temperado, puro e santo (Ex.30:35). Isto nos mostra que a oração que agrada a Deus, a oração por Ele exigida deve ser temperada, ou seja, ser feita com domínio próprio, sem fanatismo, feita conscientemente, com propósito e discernimento. Além de temperada, deve ser pura, ou seja, a oração deve ser tal que o orante deve estar devidamente purificado de seus pecados. O altar do incenso ficava no lugar santo e, para lá se entrar, o sacerdote deveria lavar-se com água (Ex.30:20,21).

- Assim, para orar ao Senhor, é preciso que, antes, tenhamos sido purificados no sangue de Jesus, tenhamos sido perdoados dos nossos pecados. A oração precisa ser de um justo para que produza efeito (Tg.5:16) e a justiça depende de sermos justificados pela fé em Cristo (Rm.5:1). Para se chegar a Deus, é preciso, antes, que os pecadores alimpem as mãos (Tg.4:8). Não é ã toa que, no dia da expiação, o sumo sacerdote aspergia sangue sobre o altar do incenso (Ex.30:10), a demonstrar que não há como pensarmos em uma vida de oração sem a consciência de que tudo se deve ao sacrifício de Cristo por nós na cruz do Calvário.

- Mas além de temperada e pura, a oração, assim como incenso, tem de ser santa. O incenso que chega à presença de Deus é a oração dos santos (Ap.5:8). A santificação é uma condição para que se veja a Deus (Hb.12:14). O altar do incenso ficava no lugar santo, a mostrar que, sem santidade, não há como se orar. A oração é um privilégio dos sacerdotes, ou seja, daqueles que alcançaram a salvação na pessoa de Jesus Cristo e que, por isso, têm as vestes brancas. Somente aqueles que estão santificados em Cristo Jesus são chamados santos (I Co.1:2) e somente estes, que têm as vestes brancas (como os sacerdotes na antiga aliança – Ex,28:40-43), podem orar e, por orarem, comunicando-se com o Senhor aqui, estarão para sempre com Ele na eternidade (Ap.3:4,5).

- Vemos, pois, que a oração, já na sua simbologia, está sujeita a algumas regras e quando Jesus nos ensinou a orar, revelou-nos tudo quanto o Senhor quer que saibamos a respeito desta importante matéria (Jo.15:15).

- A oração dominical começa com a expressão “Pai nosso”, cujo significado é sobremodo excelente e mostra toda a diferença entre o cristão e os gentios. Ao reconhecermos em Deus o nosso Pai, demonstramos que a relação que existe entre Deus e o homem não é uma relação de senhorio, de propriedade, de domínio ou de cruel submissão, como se vislumbra, por exemplo, entre os islâmicos, mas é, sobretudo, uma relação de amor, de filiação, de intimidade e comunhão. Ao chamarmos a Deus de nosso Pai, ao reconhecermos isto, estamos dizendo que confiamos em Deus e em Seu amor e que nada, absolutamente coisa alguma de ruim para nós pode ocorrer, pois Ele nos ama. É por isso que Jesus insiste em que tenhamos a imagem de Deus, na oração, como a imagem do Pai, daquele que é infinitamente muito mais bondoso do que nosso pai terreno e que, portanto, nunca pode querer nos prejudicar ou nos causar dano. Aliás, o próprio Jesus nos disse que”se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhos pedirem?” (Mt.7:11).

- Mas a oração-modelo continua e nos lembra que este Pai bondoso, amoroso e misericordioso está nos céus, ou seja, é o Senhor do universo, o Soberano, Aquele que tem todo o poder. Lembrar que Deus é Pai mas está nos céus, é lembrar que Ele não é nosso empregado, nem está à nossa disposição ou à disposição de nossos caprichos, o que, efetivamente, para certos crentes de nossos dias é uma incômoda lembrança…

- A oração leva-nos, pois, a reconhecer que somos pobres e necessitados que dependem do cuidado do Senhor (Sl.40:17). A oração faz-nos assumir o lugar que nos é devido, que é o lugar de servos que, pela imensa misericórdia do Senhor, pela Sua morte no Calvário, permitiu-nos livre acesso ao trono da graça (Hb.10:19-22). A oração, também, faz-nos entender que estamos “embaixo” e o Senhor, “em cima”. Não é à toa que o símbolo da oração na antiga aliança fosse o incenso, que sobe, a nos indicar que o Senhor está em Seu trono, no céu, acima de tudo e de todos.

- Em seguida, a oração-modelo lembra-nos que o nome do Senhor é santificado, ou seja, que para termos uma verdadeira comunhão com Deus é necessário que estejamos em santidade diante de Deus. Os nossos pecados fazem separação entre nós e Deus (Is.59:2). Não é possível que queiramos orar a Deus sem que estejamos em paz com Ele, o que somente se dá mediante a justificação pela fé em Jesus (Rm.5:1). Para termos uma vida de oração correta e aceitável diante de Deus, é imperioso que estejamos vivendo de acordo com a Sua Palavra, pois é ela quem nos santifica (Jo.17:17).

- Aqui, quando se fala em “santificação do nome do Senhor”, não devemos nos esquecer do conceito judaico que aqui se expressa. Muitos ficam estupefatos ao se falar em “santificação do nome de Deus”, visto que Deus é santo e, portanto, não precisa Se santificar. No entanto, a expressão tem um sentido bem preciso entre os judeus.

- Para os mestres judaicos que elaboraram o Talmude (o segundo livro sagrado do judaísmo), o “Kidush Hashem”, ou seja, a “santificação do nome de Deus” estava relacionada com o mandamento de amor a Deus (Dt.6:5) no sentido de que cada um dos israelitas deveria fazer com que Deus fosse amado, ou seja, que o nome de Deus seria amado por causa de cada israelita, o que nos remete, imediatamente, às palavras de Jesus no sermão do monte, segundo as quais as nossas boas obras fariam com que o nome do Senhor fosse glorificado pelos homens (Mt.5:16).

OBS: “…’ E amarás ao Eterno, teu Deus’ — isto significa que o Nome dos Céus será amado por sua causa. Se alguém estuda as Escrituras e a Mishná [conjunto da tradição oral judaica, reunida após a destruição do Templo, observação nossa] e está entre os discípulos dos Sábios, se é honesto nos negócios e fala afavelmente com as pessoas, o que as pessoas dizem sobre ele? Feliz o pai que o ensinou Torá [a lei, observação nossa], feliz o mestre que o ensinou Torá, infortúnio aos que não estudaram Torá, pois este homem estudou Torá — e veja quão primorosas são suas maneiras e quão honrados seus feitos. Sobre ele, as Escrituras dizem: ‘ e me disse: Tu és Meu servo, Israel, em quem Me glorificarei’ (Isaías 49:3). Mas se alguém estuda as Escrituras e a Mishná e está entre os discípulos dos Sábios, mas é desonesto nos negócios e descortês com as pessoas, o que as pessoas dizem sobre ele? Infortúnio a ele que estudou Torá, infortúnio ao pai que o ensinou Torá, infortúnio ao mestre que o ensinou Torá, pois este homem estudou Tora — e veja quão corruptos são seus feitos e quão feias suas maneiras. Sobre ele, as Escrituras dizem: ‘fazendo com que deles se dissessem: ‘Estes são o povo do Eterno, que foram por Ele expulsos de Sua terra.’ (Ezequiel 36:20)…” (Talmude de Babilônia, tratado Ioma, 86-a apud SACKS, Jonathan. Para curar um mundo fraturado: a ética da responsabilidade. Trad. de Betty Rojter e Uri Lam, pp.80-1).

- Portanto, quando, na oração, devemos pedir ao Senhor que o Seu Nome seja santificado, estamos, na verdade, pedindo a Deus que sejamos instrumentos para a glorificação do Senhor enquanto aqui vivermos. Assumimos, assim, um compromisso de sermos meios pelos quais os homens glorificarão ao Senhor, comprometemo-nos em servir a Deus fielmente, a fim de que os homens reconheçam a Deus como o Soberano do universo. A oração é, portanto, um pedido para que possamos cumprir as tarefas a nós cometidas pelo Senhor, é a forma pela qual pedimos a Deus que sejamos uma bênção e não um escândalo. Como é, pois, importante e imprescindível a oração a todos nós!

- “Venha o Teu reino, seja feita a Tua vontade, assim na terra como no céu” , ou seja, quando oramos a Deus devemos ter a consciência de que devemos viver em submissão a Deus, ou seja, de que a vontade de Deus é o objetivo que devemos buscar para nossas vidas. Quando dizemos “venha o teu reino” estamos dizendo para Deus que queremos que Sua vontade se realize em nossas vidas, que Ele seja o nosso Senhor, Aquele que comanda as nossas vidas. Como afirma R.N.Champlin, “…só é possível é recebê-la (a ajuda do Senhor, observação nossa) quando a alma crente se encontra em estado de submissão a Cristo…” (Oração. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, v.4, p.604). Quão diferente é a oração daqueles “super-crentes”, daqueles que, baseados nas falsas doutrinas da confissão positiva e da teologia da prosperidade, acham que a vontade deles é que tem de ser feita…

- “O pão nosso de cada dia nos dá hoje”, isto é, a oração também envolve o aspecto material de nossas vidas, mas dentro de uma perspectiva de cumprimento da vontade de Deus e de Sua soberania. Deus não Se esquece das necessidades materiais do ser humano e sabe que, enquanto aqui estamos, precisamos de comida, de vestido e de bebida, razão pela qual está disposto a nos conceder o necessário para a nossa sobrevivência (Mt.6:31-34), mas devemos priorizar o reino de Deus e a sua justiça. Como se não bastasse isso, Deus Se compromete com o necessário, não com a opulência ou a riqueza desmedida, como têm defendido os teólogos da prosperidade, numa perspectiva que mais os faz avarentos e, por conseguinte, idólatras (Cl.3:5), do que servos de Deus.

- “E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”. Neste ponto, Jesus quis nos deixar claro que a vida de comunhão com Deus deve refletir-se, necessariamente, em uma vida excelente no convívio social. O homem não foi feito para habitar sozinho, mas, sim, em sociedade (Gn.2:18). Destarte, quando é transformado pelo Senhor, realizará boas obras e, com isto, fará os homens glorificarem a Deus que está nos céus (Mt.5:16), produzindo um fruto permanente na vida cristã (Jo.15:16). Na oração, portanto, devemos ter consciência de que nossa vida com Deus depende de nosso comportamento com o próximo, razão pela qual não podemos jamais querer ter comunhão com Deus se não a tivermos com os demais homens (Mt.5:23-25). Jamais nos esqueçamos de que nada podemos dever aos homens senão o amor (Rm.13:8).

- “E não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal” – Nesta parte da oração, Jesus lembra-nos do compromisso divino de nos livrar do mal enquanto vivermos neste mundo de aflições e que está imerso no maligno (I Jo.5:19), compromisso este que foi ratificado e reiterado pelo próprio Senhor em Sua oração sacerdotal (Jo.17:15). Este compromisso é a certeza que o cristão tem de que o mal não lhe tocará ( I Jo.5:18), nem que o inferno prevalecerá contra a igreja (Mt.16:18). Isto não quer, em absoluto, dizer que o crente sincero nunca terá dificuldades ou lutas, nem que não poderá sofrer. Deus prometeu a vitória e somente há vitória após uma luta, de forma que a promessa de vitória é uma indireta declaração de que haverá lutas na vida do cristão, o que, aliás, foi explicitado pelo próprio Senhor (Jo.15:33).

- “porque Teu é o reino, e o poder, e a glória para sempre. Amém.” – A oração-modelo termina com uma expressão de adoração, parte indispensável em qualquer oração. É através da oração que expressamos nosso amor ao Senhor, que Lhe rendemos a glória que só a Ele é devida. Lamentavelmente, nos nossos dias, oração tem significado apenas um petitório. Somente pedimos, pedimos, pedimos e, para finalizar, pedimos. Nem sempre nos lembramos de agradecer ao que Deus nos fez, que dirá adorá-lO, render-Lhe glória e louvor. É fundamental que a nossa oração, pelo menos, tenha uma parte de adoração. É preciso que louvemos e glorifiquemos a Deus em nossas orações.

IV – IMPEDIMENTOS ÀS ORAÇÕES

- Tendo visto que a oração depende de uma determinada disciplina, pois, embora tenhamos liberdade para pedir a Deus o que quisermos, embora a oração tenha de ser espontânea, ela deve atender a alguns requisitos, tanto subjetivos (relativos a quem ora), quanto objetivos (relativos ao que ó orado), resta-nos apenas verificarmos, para encerrarmos este estudo, o que as Escrituras mostram ser impedimentos para que as orações alcancem seus objetivos ou, pelo menos, cheguem até a presença de Deus. Tais advertências da Bíblia Sagrada demonstram, claramente, que a oração deve ser um exercício dirigido conforme a Palavra do Senhor, uma aspecto relevantíssimo para quem quer viver disciplinadamente diante de Deus.

- O salmista afirmou que as iniqüidades impedem as nossas orações (Sl.66:18). Como vimos, somente os sacerdotes poderiam oferecer incenso. Assim também, somente os santificados em Cristo Jesus podem orar. A única oração ouvida por Deus de quem não é santificado é a oração de arrependimento e confissão de pecados (Rm.10:9-11).

- O segundo fator que impede as orações de serem ouvidas pelo Senhor é a insinceridade. Quando oramos “da boca para fora”, quando usamos da oração única e exclusivamente para nos exaltar, para nossa glorificação própria, esta oração não é ouvida por Deus (Mt.6:5). São orações que buscam o reconhecimento dos homens, de forma que, ao receberem tal reconhecimento, já tiveram o que buscavam. Deus está muito, mas muito distante de tais orações.

- Terceiro fator a impedir as orações, segundo as Escrituras, são os motivos carnais (Tg.4:3). A oração deve ser feita “em nome de Jesus” (Jo.14:14; 16:23,24), ou seja, de acordo com as Escrituras, de acordo com a vontade do Senhor. A oração reflete a nossa comunhão com o Senhor, mostra que temos o mesmo querer de Deus, que somos um com Ele(Jo.15:7; 17:21,22). Quando pedimos algo que sirva apenas para os nossos deleites, que tenha em vista apenas o prazer carnal, estamos dando lugar à carne e, portanto, não estaremos em comunhão com o Senhor (Rm.8:6-8). Por isso, trata-se de um mau pedido, ao qual o Senhor não atende.

- Quarto fator a impedir as orações é a descrença. Tiago afirma que “a oração da fé salvará o doente”(Tg.5:15 “in initio”) e Jesus, em várias oportunidades, afirmou que a fé do beneficiário havia sido responsável pelo milagre realizado. A falta de fé impede que alguém receba algo da parte de Deus (Tg.1:6,7), porque sem fé é impossível agradar ao Senhor (Hb.11:6). Não nos esqueçamos do que disse o poeta sacro, em letra adaptada por Paulo Leivas Macalão: “Aqui só há descrença, as lutas não têm fim, mas de Jesus a presença, glória será para mim” (final da primeira estrofe do hino 204 da Harpa Cristã).

- Quinto fator a impedir as orações é a atividade satânica e/ou demoníaca. Deus, por vezes, pode permitir que haja interrupção na comunicação entre Deus e os homens por atuação de forças malignas, a serem devidamente expulsas pelo poder do Senhor mediante o discernimento espiritual dos crentes. Daniel teve suas orações impedidas pelas hostes espirituais da maldade (Dn.10:12,13) e isto pode acontecer em nossos dias, notadamente quando nos encaminhamos para o final desta dispensação, em que a atuação maligna aumenta grandemente diante da multiplicação da iniqüidade (Mt.24:12,24; II Co.2:1; 11:3) e pelo aumento da intensidade do espírito do anticristo (II Ts.2:1-12). Em casos de atividade satânica e/ou demoníaca, devemos orar ainda mais, a fim de que o Senhor remova os obstáculos que permitiu houvesse para o aumento da nossa fé e da nossa perseverança.

- Sexto fator a impedir as nossas orações de alcançarem a presença de Deus são os desentendimentos com a família. Quando há falta de comunhão no lar, quando o altar do lar está quebrado, Deus não responde, Deus não ouve o que é pedido ( I Pe.3:7).

- Sétimo fator a impedir as orações de produzirem resultado é o orgulho (Lc.18:10-14). Ao nos relatar a parábola do publicano e do fariseu, Jesus dá-nos uma lição a respeito da oração, mostrando-nos que a oração deve ser feita sempre com humildade, com reconhecimento da soberania divina e da indignidade do homem como tal. Não podemos jamais orar com arrogância, como que a mostrar méritos ou “direitos” diante do Senhor. Oramos porque precisamos de Deus e da Sua misericórdia, porque nos reconhecemos pecadores e carentes da graça de Deus, algo bem diverso das orações dos modernos fariseus, que são uma seqüência de “exigências”, “determinações”, “decretos” e tantas outras invencionices, cujo único resultado é fazer com que as pessoas orgulhosas e soberbas saiam sem justificação do templo onde vociferaram suas tolices.

- Oitavo fator que impede as orações é o desprezo pelas coisas de Deus, a idolatria, visto que algo é posto no lugar primeiro, que é exclusivo do Senhor. Diz a Bíblia que o povo de Israel não era abençoado materialmente e que suas orações por prosperidade material não eram ouvidas porque deixaram de dar prioridade às coisas de Deus, seja deixando de edificar o templo nos dias de Ageu (Ag.1:1-11), seja nos dias de Malaquias, quando cessaram de contribuir com seus dízimos para a casa do tesouro (Ml.3:7-10). Sempre quando passamos a pôr as coisas de Deus em segundo lugar, amando o dinheiro ou qualquer outra coisa desta vida, as orações nossas não são ouvidas, porquanto estamos a constituir ídolos em nossas vidas.

- Isto não quer dizer, como dizem os mercenários dos nossos dias, de que devamos, então, barganhar com Deus, dando-lhe bens materiais a fim de que venhamos a obter prosperidade material. Não, não e não! Quem assim faz, comete os mesmos erros dos judeus dos dias de Ageu e de Malaquias, pois continua amando o dinheiro, que é a raiz de toda espécie de males (I Tm.6:10) e quem serve às riquezas, não serve a Deus (Mt.6:24).

- Para não termos impedidas as nossas orações por causa deste fator, basta que amemos a Deus sobre todas as coisas, que busquemos o reino de Deus e a sua justiça e, dando a prioridade a Deus e às coisas de cima (Cl.3:1,2), tudo o mais que for necessário e suficiente a uma vida digna nos será concedido pelo Senhor (Mt.6:33).

- Fator muito semelhante a este e que também causa o impedimento das orações é a recusa a ajudar os necessitados. Como vimos supra, a oração demonstra sempre amor ao próximo e não há como se admitir uma oração de quem não ama o próximo. O proverbista é claro ao afirmar que o que tapa o seu ouvido ao clamor do pobre, também não será ouvido (Pv.21:13), texto que não fala apenas de uma aplicação da lei da ceifa, mas, também, da circunstância de que Deus é o primeiro a não ouvir quem assim proceder, pois Deus é o grande defensor dos pobres e necessitados, daqueles que nada têm ou podem ter, como se vê claramente nos dispositivos da lei que tratam dos órfãos e das viúvas (Sl.10:14; 146:9; Os.14:3)

- Também impede as nossas orações a recusa a submissão à Palavra de Deus. Diz o proverbista que Deus não ouve aos que O buscam mas que rejeitam a repreensão do Senhor, aos que não atendem ao conselho do Senhor, aos que não temem a Deus (Pv.1:23-32). A todos quantos endurecerem a sua cerviz, que não atentarem aos chamados do Senhor para arrependimento e melhora dos caminhos, o Senhor não mais ouvirá suas orações e permitirá que sofram as conseqüências de seus desatinos, de sua teimosia, de sua dura cerviz. Como é triste contemplarmos, hoje em dia, pessoas que endurecem seus corações para o Senhor e cujas orações não mais ultrapassam sequer o teto de seus aposentos, isto porque seus corações também não deixaram penetrar a luz da Palavra do Senhor. Tomemos cuidado para que não nos tornemos insensíveis ao Espírito de Deus e, como reação, Deus Se torne insensível ao nosso clamor.

- Por fim, também impedem as nossas orações, como já visto no estudo da oração dominical, a recusa em perdoar ou ser perdoado. A falta de perdão denuncia uma soberba, uma arrogância, um amor de si mesmo que revela o domínio da carne sobre a vida da pessoa e, por isso, não há como Deus ouvir a oração de quem se recusa a ter o amor de Deus em seu coração. Por duas oportunidades, no sermão do monte, Jesus sinaliza que a falta de perdão impede a comunhão com Deus – Mt.5:23,24; 6:12,14.

Colaboração para o Portal EscolaDominical – Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco

A minha alma te ama, ó Senhor – Pb. José Roberto

Pb. José Roberto A. Barbosa
jotaroberto@uol.com.br

Objetivo: Aprender a desfrutar de comunhão plena com Aquele que nos ama e que nos satisfaz por meio da graça que nos concede em Seu Filho Jesus Cristo.

INTRODUÇÃO
Na lição de hoje, veremos que há, no ser humano, um vazio que somente pode ser preenchido por meio da comunhão com Deus. O amor a Ele é a razão para a verdadeira satisfação, uma vez que fomos, por Ele, também amados. Dividiremos o estudo em três partes: 1) a sede da alma humana por Deus; 2) a certeza de que Ele nos tem amado; e 3) por essa razão, podemos ter comunhão com Ele.

1. A SEDE DA ALMA HUMANA
Agostinho, o célebre bispo de Hipona, disse em suas Confissões: “Fizeste-nos, Senhor, para ti, e o nosso coração anda inquieto enquanto não descansar em ti.”. Essa é uma primorosa verdade bíblica para a qual os seres humanos precisam atentar (Sl. 63.1,2; 84.2; 143.6,7; Is 26.8,9). O homem moderno, distanciado de Deus, tenta encontrar satisfação nos prazeres carnais. Há os que querem se satisfazer através das riquezas, do sexo e do poder, mas tudo isso é vaidade, como diz o autor do Eclesiastes, “correr atrás do vento”, “aflição de espírito” (Ec. 2.17). A sede da alma humana por satisfação plena somente pode ser concretizada quando encontramos a Cristo, a Água da Vida (Sl. 36.8,9; 63.1; Jo 7.37; Ap 22.1). Mesmo distante de Deus, a alma humana clama por Ele, na ânsia por encontrá-lO, pois, no seu íntimo, sabe que Ele é a verdadeira fonte da vida espiritual (Jó 23.3; Jr 2.13; 10.10; Jo 5.26; I Ts 1.9).

2. PORQUE DEUS NOS AMOU PRIMEIRO
Deus nos amou primeiro (I Jo. 4.19) e enviou o Seu Filho Unigênito para que fôssemos salvos da condenação eterna (Jo. 3.16). Paulo diz que Ele demonstra o Seu amor para conosco não por merecimento, mas por um ato livre de graça, demonstrado por meio da morte sacrificial de Cristo por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm. 5.8), nisto conhecemos o amor gracioso de Deus (I Jo 3.16; 4.9,10). O pecado aliena o homem de Deus, faz com que ele se distancie de si mesmo, que perca a sua verdadeira identidade, a razão para a qual fora criado, que é viver para a glória de Deus (Jo. 13.23; 20.2; 21.7,20). No encontro da vontade humana com a vontade de Deus (Rm. 12.1,2) repousa o genuíno sentido da vida, o segredo para não sermos condenados com o mundo (I Co. 11.32). A angústia e o desespero solapam a alma do homem, na medida que em que somos rotulados como meros animais racionais. O amor está reduzido a uma série de reações químicas, um simples sentimento biológico. Em oposição a essa tendência, podemos, como João, o evangelista, reclinar a cabeça no peito de Jesus. Nada melhor do que reconhecer, como fez esse apóstolo, que somos amados do Pai e a aprender a ter prazer em seus mandamentos (Jo. 14.21,23).

3. TEMOS COMUNHÃO COM ELE
Porque Deus nos ama, e nos proveu um caminho por meio de Cristo, nosso mediador, podemos ter plena comunhão com Ele (I Jo. 1.3; 2.23,24; 3.24). O véu do templo fora rasgado (Mc. 15.38), de modo que, como nos revela o autor da Epístola aos Hebreus, podemos nos achegar “com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno” (Hb. 4.16) . A palavra comunhão, no grego, é “koinonia” e tem a ver com “relação e intimidade”. Assim, devido ao vivo caminho que Jesus nos possibilitou, podemos, hoje, desfrutar de um íntimo relacionamento com Deus. A base desse relacionamento, entretanto, não é material, haja vista Deus ser Espírito (Jo. 4.24). Por isso, aqueles que se aproximam do Senhor precisam fazê-lo pela fé (Hb. 11.6), não por vista (II co. 5.7), adorando a Deus em espírito e em verdade (Jo. 4.23). A motivação para esse relacionamento será sempre o amor, não aquele da barganha, mas o agape, produzido no fruto do Espírito (Gl. 5.22), que é o cumprimento de toda a lei (Rm. 13.8), manifestado, também, no amor ao próximo (I Jo. 4.21).

CONCLUSÃO
Quando indagado a respeito do grande mandamento, Jesus citou a Escritura (Mt. 22.36-38; Dt. 6.5), respondendo “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento”. E acrescentou: “E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Vemos, aqui, o tripé do amor cristão, sob qualquer hipótese, podemos amar apenas a nós mesmos, o que revela egoísmo, ao próximo, mero filantropismo, ou a Deus, puro fanatismo. Amemos, portanto, tanto a Deus quanto ao próximo, mas não apenas em palavras, antes de fato e de verdade (I Jo. 3.11)

BIBLIOGRAFIA
CARSON, D. A. A difícil doutrina do amor de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2007.MANNING, B. O obstinado amor de Deus. São Paulo: Mundo Cristão, 2007.

A minha alma te ama, ó Senhor – Pr. Adilson Guilhermel

Pr. Adilson Guilhermel

Lição 2 – 13/04/2008

Texto Bíblico: Sl 42.2 A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?

VIVER SEM DEUS É UM GRANDE VAZIO

1. OS EFEITOS DA AUSÊNCIA DE DEUS

São as causas das ansiedades – Pv 12.25 A ansiedade no coração deixa o homem abatido, mas uma boa palavra o alegra.
São as causas das inseguranças – Pv 1.33 Mas o que me der ouvidos habitará em segurança, e estará livre do temor do mal.
São as causas das inquietações – Sl 31.9 Tem misericórdia de mim, ó Senhor, porque estou angustiado. Consumidos estão de tristeza os meus olhos, a minha alma e o meu ventre.
2. OS EFEITOS DA CARÊNCIA DE DEUS

Ocasionam sintomas de isolamento – Pv 18.1 BUSCA satisfazer seu próprio desejo aquele que se isola; ele se insurge contra toda sabedoria
Ocasionam sintomas de depressão – I Rs 19.4 Ele, porém, foi ao deserto, caminho de um dia, e foi sentar-se debaixo de um zimbro; e pediu para si a morte, e disse: Já basta, ó Senhor; toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais.
Ocasionam sintomas de debilidade – Sl 145.14 O Senhor sustenta a todos os que caem, e levanta a todos os abatidos.
3. OS EFEITOS DA PRESENÇA DE DEUS

Nos levam a uma vida de confiança – Sl 115.11 Vós, os que temeis ao Senhor, confiai no Senhor; ele é o seu auxílio e o seu escudo.
Nos levam a uma vida de animação – Sl 27.14 Espera no Senhor, anima-te, e ele fortalecerá o teu coração; espera, pois, no Senhor.
Nos levam a uma vida de felicidade – Pv 19.23 O temor do Senhor encaminha para a vida; aquele que o tem ficará satisfeito, e não o visitará mal nenhum.
Elaborado pelo pastor Adilson Guilhermel
www.pastorguilhermel.com.br

A minha alma te ama, ó Senhor – Pr. Osiel Varela

A MINHA, ALMA TE AMA, Ó SENHOR!

Lição 02 – CPAD – 2º Trim. 2008 Autor: Osvarela

EXÓRDIO:

Ao ser introduzido o Tema deste trimestre “As Disciplinas da Vida Cristã”, talvez alguns de nós não tenhamos absorvido e envolvido em nosso pensamento o sub-tema ou bandeira deste trimestre: “Trabalhando em busca da perfeição.”

Creio que nos comentários anteriores, muitos de nós esquecemos deste detalhe e buscamos ensinar ao aluno Disciplina, apenas como algo estanque, como uma lição avulsa do trimestre, quando o Comentarista Pr. Claudionor de Andrade, busca nos ensina uma série de Disciplinas no sentido de Regras, Ensinos da Vida Cristã em busca da Perfeição.

Dito isto, voltemos aos nossos comentários desta Lição de número 2 (dois).

INTRODUÇÃO:

Iniciamos estes nossos comentários citando as declarações peremptórias de Jesus, à respeito do essencial no exercício da Disciplina do que quer ser exercitado pela Disciplina divina.

Quando Jesus é questionado qual o maior mandamento, cita, desta maneira, o essencial e necessário para ser disciplinado em toda Disciplina judaica, a Lei Mosaica.

Como escrevemos no texto da primeira aula, ele afirma, e vamos usar, apenas, o trecho bíblico que consideramos ligado à lição deste domingo:

“Amar a Deus sobre todas as coisas….”

Ora, para que isto ocorra na vida do cristão, há que se ter meios para que esta relação de Amor, não seja, algo apenas de falar, ou desejar, mas principalmente algo a ser vivenciado numa estreita relação Deus – homem.

Portanto, requer-se que haja um estreitamento de relação, para que este relacionamento se desenvolva, de forma contínua, entre o ser humano e o Senhor Nosso Deus. Devemos Trabalhar em busca da perfeição, na nossa estreita relação de Comunhão com Deus.

É necessário ressaltar que Deus preservou o relacionamento com o homem, mesmo após a queda adâmica.

Como todos nós sabemos, por exemplos e palavras bíblicas, Deus nos amou primeiro, então importa ao cristão procurar, ou melhor, anelar, numa busca contínua, por uma comunhão íntima com o Senhor.

Portanto, uma das disciplinas fundamentais, a ser observada na vida diária do cristão é a Comunhão com Deus, disciplinar-nos nela, buscarmos conhecê-la, entendê-la, e exercê-la.

Iremos procurar demonstrar alguns exemplos bíblicos e formas de como esta disciplina: A Comunhão com Deus deve ser entendida e aplicada em nossas vidas.

I – Como alcançar Comunhão com Deus.

Haveria alguma regra que o crente deve seguir para alcançar o anelo da alma humana pela presença de Deus em sua vida?

Sem dúvida alguma, existe uma forma de alcançarmos a Comunhão Plena com Deus, a possível, nesta vida, pois a Comunhão perfeita somente será alcançada nos Céus.

Disciplinar-se pela regra divina dada por Jesus é a principal a ser seguida:

“Amar a Deus sobre todas as coisas….”

Porém, existem fatos e acontecimentos, em determinados momentos em nossas vidas, que fazem a nossa vida íntima com Deus desmoronar-se ou que vêem cauterizar ou embaçar, por momentos, este sentimento notório, que faz falta à todo o homem, é o vazio de Deus em nossas almas, a Comunhão Homem com Deus.

Leia o exemplo de um dos Heróis da galeria da Fé de Hebreus 11.32, Davi, um homem segundo o coração de Deus, que se viu em situação similar à esta.

Vejamos como ele foi levado a entender a necessidade de retomar a Comunhão com Deus, com lágrimas e com arrependimento.

I – a: Motivos que nos afastam da presença de Deus:

O salmista Davi teve, durante a sua vida, enormes falhas de caráter e personalidade, falhas que nós como nossos olhos humanos abominaríamos e o teríamos alijado de nossas relações pessoais, sociais, ou de qualquer atividade eclesial:

Adúltero;

Homicida;

Ardiloso; (malicioso)

Dado aos prazeres carnais.

II – a: Cometendo os erros:

A concupiscência dos olhos, a Bíblia diz que se teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz, mas se, porém os teus olhos forem maus, quão densas são as tuas trevas.

Mt.6.22: A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz;23 Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!

A concupiscência dos olhos em ação, na vida de Davi:

Ele envolvido pelos prezares de sua vida de rei, conquistando quase tudo que queria, envolvido nos afazeres diplomáticos, pois foi no reinado do rei Davi, que Israel ascendeu à posição e status de ESTADO reconhecido pelos ouros reinos; Tinha perdido a consciência da importância de sua relação com Deus.

2 Samuel 11.1.ss: E ACONTECEU que…numa tarde Davi se levantou do seu leito, e andava passeando no terraço da casa real, e viu do terraço a uma mulher que se estava lavando; e era esta mulher mui formosa à vista.3 E mandou Davi indagar quem era aquela mulher; e disseram: Porventura não é esta Bate-Seba, filha de Eliã, mulher de Urias, o heteu?…e mandou trazê-la; e ela veio, e ele se deitou com ela…;então voltou ela para sua casa…E a mulher concebeu; e mandou dizer a Davi: Estou grávida…..pela manhã Davi escreveu uma carta a Joabe; e mandou-lha por mão de Urias….: Ponde a Urias na frente da maior força da peleja; e retirai-vos de detrás dele, para que seja ferido e morra. 16 Aconteceu, pois, que, tendo Joabe observado bem a cidade, pôs a Urias no lugar onde sabia que havia homens valentes. 17 E, saindo os homens da cidade, e pelejando com Joabe, caíram alguns do povo, dos servos de Davi; e morreu também Urias, o heteu.

II –b: Reconhecendo os nossos erros:

Mas chegou um momento em sua vida, em que ele é notificado por Deus sobre o seu andar, e vê a precariedade de sua relação com Deus naquele momento de sua vida.

Então, é neste momento que ele sente a falta da relação ou Comunhão estreita que sempre teve com Deus desde os tempos em que pastoreava suas ovelhas nas montanhas de Belém.

Através da voz de Deus pelo profeta Natã, ele cai em si, e se derrama diante do Senhor, confessando e reconhecendo as suas iniqüidades no Salmo 51:

Salmos 51.1:Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias.2 Lava-me completamente da minha iniqüidade, e purifica-me do meu pecado.3 Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim.4 Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista, para que sejas justificado quando falares, e puro quando julgares.5 Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe.

Reconhece a sua iniqüidade;

Reconhece suas transgressões;

Seus pecados contra Deus;

Reconhece o estado de pecado natural do homem;

III – a: Reconhecendo a necessidade de Ter Comunhão contínua com Deus:

Então, o Rei Davi sente que a sua Comunhão com Deus se esvai, como água pelos vãos de sua mão, ele já não consegue sentir a presença de Deus quando vai oferecer seus sacrifícios, o seu coração está aflito.

Salmos 51.6: Eis que amas a verdade no íntimo, e no oculto me fazes conhecer a sabedoria. 7 Purifica-me com hissope, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais branco do que a neve.8 Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que gozem os ossos que tu quebraste.9 Esconde a tua face dos meus pecados, e apaga todas as minhas iniqüidades.10 Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto.11 Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo.12 Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário.13 Então ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os pecadores a ti se converterão.14 Livra-me dos crimes de sangue, ó Deus, Deus da minha salvação, e a minha língua louvará altamente a tua justiça.15 Abre, Senhor, os meus lábios, e a minha boca entoará o teu louvor.16 Pois não desejas sacrifícios, senão eu os daria; tu não te deleitas em holocaustos.17 Os sacrifícios para Deus são o espírito quebrantado; a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.18 Faze o bem a Sião, segundo a tua boa vontade; edifica os muros de Jerusalém.19 Então te agradarás dos sacrifícios de justiça, dos holocaustos e das ofertas queimadas; então se oferecerão novilhos sobre o teu altar.

Ele sente isto, de forma tão intensa, que brota de sua própria alma, sente em seu espírito, e ele nota a falta de duas coisas, necessárias à sua vida, de Comunhão com Deus:

A Alegria da Salvação;

A Presença de Deus.

Então ele se volta ser um homem na busca da Comunhão com Deus, sabendo que a falta desta Comunhão é algo que causa sérios prejuízos na vida do crente em Deus, e que dependemos dela como mantenedora de Vida e Alegria Espiritual.

Aprendendo com erros de Davi:

a – Disciplina dos olhar:

Olhos disciplinados serão sempre uma candeia para o caminho reto do cristão, olhos indisciplinados, serão como guia cegos para outros cegos.

2 Samuel 12. 8: E te dei a casa de teu senhor, e as mulheres de teu senhor em teu seio, e também te dei a casa de Israel e de Judá, e, se isto é pouco, mais te acrescentaria tais e tais coisas.9 Porque, pois, desprezaste a palavra do Senhor, fazendo o mal diante de seus olhos?

b – Davi deixa-nos com este mau exemplo uma lição, sobre a importância do olhar, na conduta, o que afasta o crente da Comunhão, e sem que ele se aperceba do que esta ocorrendo, é engodado pelo seu olhar, e como no caso de Davi a aflição representa a falta de Comunhão com Deus.

2 Samuel 12.14: Todavia, porquanto com este feito deste lugar sobremaneira a que os inimigos do Senhor blasfemem, também o filho que te nasceu certamente morrerá.15 Então Natã foi para sua casa; e o Senhor feriu a criança que a mulher de Urias dera a Davi, e adoeceu gravemente.16 E buscou Davi a Deus pela criança; e jejuou Davi, e entrou, e passou a noite prostrado sobre a terra.17 Então os anciãos da sua casa se levantaram e foram a ele, para o levantar da terra; porém ele não quis, e não comeu pão com eles.18 E sucedeu que ao sétimo dia morreu a criança; e temiam os servos de Davi dizer-lhe que a criança estava morta, porque diziam: Eis que, sendo a criança ainda viva, lhe falávamos, porém não dava ouvidos à nossa voz; como, pois, lhe diremos que a criança está morta? Porque mais lhe afligiria.

c – Outra lição, que retiramos deste fato é que, a falta da comunhão, ou resultado dos nossos atos, que nos afastam de Deus, podem levar o ímpio fazer aquela célebre pergunta: “Onde está o teu Deus?”, blasfemando contra Deus e apontando os nossos erros, advindos do nosso afastamento de Deus:

2 Samuel 12. 14.Todavia, porquanto com este feito deste lugar sobremaneira a que os inimigos do Senhor blasfemem.

c-1 – Podem causar a morte de outros, o sofrimento de inocentes, inclusive e até no sentido espiritual.

2 Samuel 12. 17: Então os anciãos da sua casa se levantaram e foram a ele, para o levantar da terra; porém ele não quis, e não comeu pão com eles.18 E sucedeu que ao sétimo dia morreu a criança.

c- -A aflição faz externar a busca da Comunhão

Salmos 42.1:ASSIM como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus!2 A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?3 As minhas lágrimas servem-me de mantimento de dia e de noite, enquanto me dizem constantemente: Onde está o teu Deus?4 Quando me lembro disto, dentro de mim derramo a minha alma; pois eu havia ido com a multidão. Fui com eles à casa de Deus, com voz de alegria e louvor, com a multidão que festejava…7 Um abismo chama outro abismo, ao ruído das tuas catadupas; todas as tuas ondas e as tuas vagas têm passado sobre mim…9 Direi a Deus, minha rocha: Por que te esqueceste de mim? Por que ando lamentando por causa da opressão do inimigo?10 Com ferida mortal em meus ossos me afrontam os meus adversários, quando todo dia me dizem: Onde está o teu Deus?

d- O Homem que se afasta de Deus, fica sozinho:

O Caminho para se conseguir retornar a Plena Comunhão com Deus, é um caminho solitário:

2 Samuel 12. 16: E buscou Davi a Deus pela criança; e jejuou Davi, e entrou, e passou a noite prostrado sobre a terra.17 Então os anciãos da sua casa se levantaram e foram a ele, para o levantar da terra; porém ele não quis, e não comeu pão com eles.18

CONCLUSÃO:

A Doutrina da Comunhão com Deus é uma Doutrina eficaz para o crente, pois o leva a servir a Deus com alegria, com sabedoria e a desviar-se do mal.

É ela que nos conduz no caminho da perfeição:

Anda na minha presença e ser perfeito!

Que nós possamos exclamar como o Salmista:

Sl.42.2: A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?

Fonte:

Apontamentos do autor;

Bíblia Almeida, Corrigida, Revisada, Fiel.

Lição 02 – CPAD – 2º Trim.

http://estudandopalavra.blogspot.com

A minha alma te ama, ó Senhor – Pr. Altair Germano

Pr. Altair Germano
O tema da lição bíblica desta semana fala-nos de comunhão com Deus.

1 – Análise Etmológica e Definição

O vocábulo comunhão, do grego ???????? (koinonia), significa ter em comum, participação, sociedade, parceria, convívio, companheirismo, compartilhamento, intimidade (At 2.42; Gl 2.9; 1 Co 1.9; 1 Co 10.16; 2 Co 13.13; Fp 3.10; 1 Jo 1.3, 6, 7).

No mundo grego, koinonia era um termo que significava a “comunhão evidente e ininterrupta entre os deuses e os homens. Relacionava-se também a estreita união e laços fraternais entre os homens.

Comunhão com Deus, pode ser definido como: o nosso relacionamento íntimo e constante com Ele, mediatizado pela obra rendentora e reconciliadora de Jesus, evidenciado por uma vida de adoração, santidade, devoção e serviço.

2 – Exemplos Bíblicos de Pessoas que Desfrutaram de Intimidade com Deus

- Enoque e Nóe (Gn 3.8-9; Gn 6.9): Diz o texto que “andaram” com Deus
- Abraão (2 Cr 20.7; Is 41.8): O amigo de Deus
- Moisés (Nm 12.8): O Senhor com ele falou boca a boca
- Davi (1 Rs 11.4; 15.3): Um coração perfeito diante de Deus

3 – Personalidades Citadas na Lição Bíblica

- William Bates D.D. (1625-169)

- Willard Cantelon (1916-1999)

- Billy Grahan (1918- )

- John Bunyan (1628-1688)

4 – Algumas Características do Deus de Nossa Comunhão

- Um Deus de amor e paz : “Quanto ao mais, irmãos, adeus! Aperfeiçoai-vos, consolai-vos, sede do mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz estará convosco.” (2 Co 13.11)

- Um Deus bom e misericordioso: “Rendei graças ao SENHOR, porque ele é bom; porque a sua misericórdia dura para sempre.” (1 Cr 16.34)

- Um Deus fiel: “Cantarei para sempre as tuas misericórdias, ó SENHOR; os meus lábios proclamarão a todas as gerações a tua fidelidade.” (Sl 89.1)

- Um Deus companheiro: “Mas agora, assim diz o SENHOR, que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu. Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando, pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti. Porque eu sou o SENHOR, teu Deus, o Santo de Israel, o teu Salvador; dei o Egito por teu resgate e a Etiópia e Sebá, por ti. Visto que foste precioso aos meus olhos, digno de honra, e eu te amei, darei homens por ti e os povos, pela tua vida. Não temas, pois, porque sou contigo; trarei a tua descendência desde o Oriente e a ajuntarei desde o Ocidente.” (Is 43.1-5)

5 – Conclusão

Deus tem todas as qualidades e virtudes em perfeição, que nos faz desejá-lo intensamente, nos levando a ansiarmos continuamente por sua presença (Sl 42.2).

A comunhão com Deus não é apenas possível, é acima de tudo, indispensável para um viver pleno e abundante, marcado por uma relação íntima, franca e confiável com Ele.

Não apenas buscar, mas manter esse nível de comunhão, é uma tarefa que exige disciplina.

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