Introdução
Entender o que é certo e o que é errado, num mundo em que estão invertidos os valores morais gravados por Deus na consciência do ser humano e ao mesmo tempo exarados no Livro do Senhor, não é tarefa fácil. Graças a Deus, temos o maior e melhor referencial ético que o mundo já conheceu: a Palavra de Deus. Ela é lâmpada e luz divinas, tanto para nosso ser interior como para nosso viver exterior. Neste trimestre, esta sendo apresentado uma visão panorâmica do valor da Sagrada Escrituras e partindo do ponto de vista bíblico sobre o qual o cristianismo fundamenta seus valores. Esperamos contribuir para o entendimento do assunto, tecendo considerações sobre alguns casos éticos típicos, considerando o limitado espaço dos comentários que não permite uma abordagem mais ampla.
I – A Ética Cristã Face a Ética Dos Homens
CONCEITUAÇÕES E DEFINIÇÕES
1. Ética como ciência secular. A Ética é um aspecto da filosofia. A Filosofia está segmentada em seis sistemas tradicionais: Política, Lógica, Gnosiologia, Estética, Metafísica e Ética que é o objeto de estudo de Lições Bíblicas neste trimestre.
Para compreendermos melhor o sentido de Ética, vejamos, de forma sintética, em que se constituem os outros aspectos aos quais ela está agregada no contexto filosófico.
Dentre suas muitas acepções, filosofia é o saber a respeito das coisas, a direção ou orientação para o mundo e para a vida e, finalmente, consiste em especulações acerca da forma ideal de vida. Em suma, é a história das idéias. Tudo isto sob a ética humana. Precisamos aferir o pensamento humano com os ditames da Palavra de Deus que são terminantes, peremptórias, finais, O homem, seja ele quem for, é criatura, mas Deus é o Criador = (Os 11.9; = Nm 23.19; = Rm 1.25; = Jó 38.4).
Todos os campos de pensamento e de atividades têm suas respectivas filosofias. Há uma filosofia da biologia, da educação, da religião, da sociologia, da medicina, da história, da ciência etc. Consideremos entretanto, OS seis sistemas acima mencionados que foram sistematizados por três antigos pensadores: Sócrates, Platão e Aristóteles.
a) Política — Este vocábulo vem do grego polis e significa “cidade”. A política procura determinar a conduta ideal do Estado, pelo que seria uma ética social. Ela procura definir quais são o caráter, a natureza e os alvos do governo. Trata-se do estudo do governo ideal.
b) Lógica - É um sistema que aborda os princípios do raciocínio, suas capacidades, seus erros e suas maneiras exatas de expressão. Trata-se de uma ciência normativa, que investiga os princípios do raciocínio válido e das inferências corretas quer seja partindo da lógica dedutiva quer seja da indutiva.
c) Gnosiologia — É a disciplina que estuda o conhecimento em sua natureza, origem, limites, possibilidades, métodos, objetos e objetivos.
d) Estética — É empregada para designar a filosofia das belas-artes:
a música, a escultura e a pintura. Esse sistema procura definir qual seja o propósito ou ideal orientador das artes, apresentando descrições da atividade que apontam para certos alvos.
e) Metafísica — Refere-se a considerações e especulações concernentes a entidades, agências e causas não materiais. Aborda assuntos como Deus, a alma, o livre arbítrio, o destino, a liberdade, a imortalidade, o problema do mal etc.
f) Ética — É a investigação no campo da conduta ideal, bem como sobre as regras e teorias que a governam. A ética, o homem distanciado de Deus por sua incredulidade e seus pecados, a estuda, entende e até se propõe a observá-la, mas não consegue, por estar subjugado pelo seu eu, pelos vícios, pelo mundo, pelo pecado (Rm 2.15-19). Já os servos de Deus, pelo Espírito Santo que neles habita, triunfam sobre o pecado (Rm 8.2). Existem inúmeros argumentos e considerações acerca deste tema, que será tratado aqui do ponto de vista da ética bíblica a qual expõe Deus como fundamento e alvo da conduta ideal.
2. Origem da palavra. Ética vem do grego, ethos, que significa “costume”, “disposição”, “hábito”. No latim, vem de mos (mores), com o sentido de vontade, costume, uso, regra.
3. Definição. Ética é, na prática, a conduta ideal e reta esperada de cada indivíduo. Na teoria, é o estudo dos deveres do indivíduo, isolado ou em grupo, visando a exata conceituação do que é certo e do que é errado. Reiterando, Ética Cristã é o conjunto de regras de conduta, para o cristão, tendo por fundamento a Palavra de Deus. Para nós, crentes em Jesus, o certo e o errado devem ter como base a Bíblia Sagrada, a nossa “regra de fé e prática”.
O termo ética, ethos, aparece várias vezes no Novo Testamento, significando conduta, comportamento, porte e compostura (habituais).
A ética cristã deve ser fundamentada no conhecimento de Deus como revelado na Bíblia, principalmente nos ensinos de Cristo, de modo que “…ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2 Co 5.15; = Ef 2.10).
II – BASES DA ÉTICA CRISTÃ = Mt 5.13-22
Este segundo trimestre de 1988 tem como tema central ÉTICA CRISTÃ. Trata-se de um assunto de suma importância, uma vez que a vida do crente é toda ela moldada em princípios e padrões de natureza ética. O cristão, portanto, deve primar por um viver pleno de virtudes e valores morais. Ele deve deixar-se envolver por completo de predicados que venham sempre glorificar o Evangelho.
BASES DA ÉTICA CRISTÃ, como vemos, é o título da primeira lição da presente série, e tratará da conduta do cristão face às suas responsabilidades e deveres.
III – A ÉTICA SEGUNDO O EVANGELHO
Em sentido geral podemos definir a ética como o estudo da moralidade, e consiste numa análise profunda do viver humano, com base nos conceitos de certo e errado. É a partir destes conceitos que a conduta da criatura humana passa a ser avaliada pelos analistas.
A ética cristã subentende uma acumulação mais qualitativa de valores porque além das grandezas morais aí defendidas, encontramos também virtudes espirituais para aprimorar a nossa conduta. E é no Evangelho que reside a mais cristalina fonte de valores éticos.
1. A conduta do crente. Ninguém mais que o crente deve zelar por um viver pleno de altruísmo, desprendimento e respeito no que tange às suas responsabilidades e deveres. É imperioso ao crente manter uma viva preocupação e com o seu modo de viver, esforçando-se por desenvolver, uma conduta irrepreensível e burilada nos princípios éticos da Palavra de Deus, que é, sem dúvida alguma, o maior tratado de ética já conhecido no mundo =(Sl 15.4,5,8-10; =
Ef 4.17-24).
2. O cultivo de bons costumes. Os hábitos contraídos por alguém trazem como Conseqüências marcas no seu caráter. Evidentemente que a prática de hábitos saudáveis vão formar naquele que os pratica um caráter equilibrado e um modelo de personalidade. “…quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda” (Ap 22.11).
A seqüência ininterrupta de boas maneiras tende a aprimorar a vida moral do praticante. Quando a Bíblia diz que “as más conversações corrompem os bons costumes” (1 Co 15.33), ela deseja, ao mesmo tempo, assegurar-nos de que o contrário disso, ou seja a prática de boas conversaçoes apêrteiçoa os costumes.
3. O cristão e o próximo (Rm 15.2-5). O cristão é um ser social como qualquer outra criatura humana. Logo, ele tem uma vida ligada a seu semelhante sob muitos aspectos, e isto deve impeli-lo a agir com sabedoria buscando compreensão, bom relacionamento e cooperativismo, sempre objetivando servir aos invés de ser servido, como ensinou-nos o Senhor Jesus.
IV. A RESPONSABILIDADE DO CRISTÃO NO MUNDO
A vida do cristão tem muito a ver com as suas relações com o mundo. Deve haver no que se crê e no que se pratica uma relação bem harmônica. O Evangelho se torna, então, a base legítima de toda a ética, seja no sentido geral, seja no puramente bíblico porque sua autoridade se impõe a cada dia no mundo, pelos benefícios que a humanidade recebe em função de sua influência transformadora. O cristão é assim, o instrumento de Deus para comunicar à sociedade os mais puros valores morais e espirituais (1 Pe 2.9).
1. O cristão deve estar preparado (Ef 3.14-19). O caminho da preparação do cristão para exercer o seu papel de instrumento divino para atuar no mundo, começa na obediência à vontade de Deus, reconhecendo os Seus mais elevados propósitos com relação ao homem.
A vontade de Deus deve ser compreendida, e de tal modo que as ações do crente possam representar verdadeiras atividades divinas. Deus criou este mundo mantendo-o sob o Seu poder e provendo a Sua Criação de tudo o que ela necessita, inclusive a Redenção dos homens. Tudo isto vem atestar os cuidados o amor que o Senhor nosso Deus tem dispensado ao mundo
(Cf. Jo 3.16,17; = 15.9-17). O crente é o continuador desse mesmo sentimento de carinho e cuidados provenientes do Deus de amor.
2. O cristão deve obedecer ao ide de Jesus. Como servo de Deus que é, o cristão tem de cumprir a missão para a qual foi chamado, qual seja a de ir ao encontro do ser humano carente de paz, conhecimento e salvação. Sem a presença do cristão, este mundo seria um verdadeiro caos.
Mas graças a Deus pela luz que representa o cristão no meio de tão densas trevas! (Veja
Pv 4.18; 1 Ts 5.5; Fp 2.15). A responsabilidade de pregar o Evangelho constitui um dos maiores desafios de todos os tempos. É uma incumbência ue requer amor, fidelidade e prontidão. O Senhor determina que o Evangelho seja pregado em todo o mundo (Mc 16.15,20; =
Mt 24.14; = Lc 24.46,47). A visão da salvação humana deve ser vista em termos mundiais.
V – O CRENTE — SAL E LUZ DO MUNDO
Os fiéis seguidores do Evangelho são chamados por Jesus de sal da terra e luz do mundo. O sal, como todos sabem, é um poderoso preservativo de alimentos, dai prestar-se para simbolizar, com muito realismo, as ações de ordem e equilíbrio que os cristãos exercem na sociedade.
1. O crente deve ter uma vida íntegra (v. 13). A idéia de pureza do sal vai também somar-se à atribuição de conservação, uma vez que o mesmo, estando misturado com outros elementos, perde o seu aspecto distintivo, não mais servindo para evitar a deterioração dos alimentos. “… e se o sal for insípido, com que se há de salgar?” (v. 13).
Além da propriedade que tem o sal de conservar alimentos, encontramos igualmente a de condimentar. Isto vem mostrar que o sincero servo de Jesus deve conservar uma vida pura, sem qualquer mistura, e comunicar ao seu redor toda a felicidade e alegria que o Evangelho proporciona aos homens.
Vemos aí patenteado, de igual modo o simbolismo da perseverança, da firmeza, da convicção e da temperança que deve ter o crente = (Veja Lc 21.19; = Gl 5.22; = Cl 4.5,6; = Tg 5.11).
2. O crente deve ser um exemplo (vv. 14-16). “Vós sois a luz do mundo…” (v. 14). No Velho Testamento, os rabinos ao referir-se à luz, atribuíam-na sempre a Deus, à lei (Torah), a Israel, etc. Assim é que Davi, em 2 Sm 21.17, aparece como a lâmpada de Israel; os descendentes de Davi também são tidos como lâmpadas (1 Rs 11.36; = 15.4; = Sl 132.17; = Lc 2.32).
Em todo o tempo Deus tem procurado conferir ao homem atributos que são próprios de Sua pessoa. De fato, quem é luz senão Deus? Entretanto Jesus afirma que Seus servos são “a luz do mundo”.
É grande o privilégio de que desfruta o servo de Deus no plano da Redenção universal da humanidade. O apóstolo Paulo nos aconselha a que sejamos irrepreensíveis e sinceros no meio de uma geração corrompida e perversa” porque resplandecemos “como astros no mundo”
(Fp 2.15). Sem essa iluminação que irradia do cristão, o mundo seria um abismo de densas trevas.
Mundo aparece na Bíblia sempre ligado ao pecado, à ignorância à sociedade corrompida, à escuridão da desobediência a Deus, etc. Jesus compara os discípulos a “uma cidade edificada sobre um monte”. Mesmo que seja noite, uma pequena cidade situada em lugar alto pode facilmente ser observada porque as fracas luzes que saem de suas modestas lamparinas tornam-se visíveis à grande distância. O crente igualmente deve brilhar na escuridão deste mundo através de suas obras, sua retidão, sua justiça, seu trabalho, sua espontânea subordinação ao Senhor e de tudo quanto mais possa glorificar ao “Pai, que está nos céus’.
VI – O VERDADEIRO ESPIRITO DA LEI
Não era propósito de Jesus causar uma espécie de rompimento entre a antiga lei e Seu novo sistema (nova lei). Ele acatou, a lei, modificando-a em alguma coisa e dando- lhe nova interpretação no tocante a alguns aspectos.
O cristão considera Jesus não apenas como reformador, mas como um novo Moisés (novo legislador), e com maior autoridade, posto que Jesus é maior do que Moisés (Hb 3.1-4).
1. “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas…” (v. 17). Na qualidade de Messias, Jesus procura explicar o relacionamento existente entre o Seu ensino e a lei, estabelecendo comparação com o pensamento judaico, tão ligado ao formalismo. Ele veio à terra em missão altamente importante, e na condição de Messias, veio cumprir tudo o que na lei estava escrito a Seu respeito.
2. “…nem um jota ou um til se omitirá da lei…” (v. 18). O jota é o i (iota, do grego) ou yod (do hebraico), que é a menor letra do alfabeto. O til serve para fazer distinção entre algumas letras habraicas de outras. Os escribas tinham o máximo de cuidado ao escrever as letras, a fim de prevenir contra erros que pudessem deturpar o sentido das Escrituras.
Jesus não se referia aqui às leis cerimoniais, que podem ser modificadas, mas sim às leis morais, que não devem sofrer alteração. Na Sua sabedoria divina, Cristo de forma alguma poderia referir-se a um i ou til das leis cerimoniais para afirmar que nenhum ensino ou pensamento sobre tais ritos poderia ser modificado. Ele queria enfatizar todo o conteúdo moral das Escrituras. A parte moral, esta sim, não deve ser alterada.
Jesus chamava a atenção dos rabinos, escribas, fariseus e demais mestres judeus no sentido de cumprir e ensinar corretamente aos homens, com base na justiça, no amor a Deus e ao próximo. Tais mestres eram muito cuidadosos em observar as formalidades, os rituais e as aparências, mas pouco se importavam com os aspectos morais da lei. Jesus não somente os censurava por ensinarem erradamente aos homens como os condenava a uma posição de inferioridade e reprovação no tocante ao reino dos céus. (Cf. Mt 23.13-33).
3. A superioridade do ensino de Jesus (vv. 21,22). O que os mestres judeus pregavam nas sinagogas não podia comparar-se ao que Jesus ensinava nessa sua nova mensagem ao povo. A conduta dos sinceros seguidores do reino de Deus seria elevada agora a um ideal muito acima do pensamento e do ensino daqueles líderes. É o que podemos observar nos contrastes existentes em vários assuntos, tais como: divórcio, vingança, homicídio, ira, ódio adultério, juramentos, etc. Sobre tudo isto, e mais outros assuntos, Jesus aplicou uma conceituação mais pura e racional. Na qualidade de Mestre dos mestres Ele procurou mostrar a interpretação correta das leis, chamando a atenção para o aspecto espiritual, em lugar do caráter puramente legalista ao qual tanto se apegavam os escribas e fariseus. (Veja Mt 5.23-48).
O fato é que as multidões se admiravam da autoridade de Jesus (Mt 7.28,29).
VII – A BÍBLIA O CÓDIGO E GUIA INFALÍVEL DA FAMILIA = Deut. 6: 1 – 9 = 11: 18 - 21
7.1 – A BÍBLIA É PARA SER LIDA, DIVULGADA E CONSERVADA
A Bíblia para toda a família (Dt 6.1-9). É missão de todos nós, pais de família, ensinar nossos filhos a obedecer à Palavra de Deus, como mandamento (Sl 148.12,13; Pv 3.13; = 6.20-25). Sem a Bíblia, não há conhecimento de Cristo(Jo 1.1,2). Sem Cristo, não há conhecimento de Deus (Jo 10.30; = 14.9; = 17.11,22). Eia, a revelação escrita de Deus, apresenta Jesus como Criador de todas as coisas (Cl 1.17,18). Devemos lê-la, estudá-la e conhecê-la melhor. Ela é para todos, especialmente para a juventude (1 Jo 2.14). A Bíblia registra os nomes de homens importantes, entre eles, Daniel, Josias, José, Moisés, e tantos outros que ocuparam cargos e posições de destaque, na política e na sociedade, porque amaram a Palavra de Deus (Ec 12.1; = 1 Tm4.l2).
A Bíblia, o manual da família. Ela ensina como o marido deve proceder com sua esposa e seus filhos (Ec 9.9; = 1 Tm 5.8; = Cl 3.19; = 1 Pe 3.7); como as mulheres mais velhas devem orientar as mais novas (Tt 2.4,5); como as “verdadeiras viúvas” devem se comportar (1 Tm 5.5,6); como o patrão deve tratar seu empregado e como o empregado deve proceder com seu patrão.
A Bíblia, o manual do obreiro cristão. O cristão deve ler a Bíblia diariamente, e fazer dela o “Pão nosso de cada dia” (Js 1.7,8). O Marechal Ferdinando Foch escreveu: “A Bíblia, com certeza, é o melhor preparo que se pode dar a um soldado que vai combater”. Não se admite que um obreiro, um fiel servo de Deus, ignore esta ferramenta divina (2 Tm 4.2; Tt 2.1).
7.2 – A BÍBLIA É A RAZÃO DO NOSSO DESENVOLVIMENTO ESPIRITUAL, MORAL E SOCIAL
A Bíblia e o nosso desenvolvimento espiritual. O que seria de nós, senão tivéssemos a Bíblia como manual de doutrina, regra de fé e prática, neste mundo em que vivemos? Ela nos dá conhecimento e ilumina os nossos caminhos(Sl 119.105); é a base de nossa moral e conduta
(1 Pe 2.2; = 2 Tm 3.16). A santificação bíblica, se fosse praticada, obedecida, não teríamos tantos problemas, como inovações, mundanismo na igreja, etc.(Sl 119.9; = Hb 12.14).
A Bíblia não envelhece e nem precisa de um prefaciador, para ter seu valor comercial ou doutrinário. Não necessita de um “imprimatur”, para ser considerada verdadeira e manter sua autoridade canônica e o seu poder divino. “A Bíblia é o livro de todos os povos e de todas as idades” (Cesar Cantú).
A Bíblia está no Céu e na Terra. Permanece no Céu, através de Jesus Cristo(Sl 119.89; = Fp 2.16; = Ap 19.13). Encontra-se na Terra como a palavra viva descida do Céu (2pe 1.21; = 1 Jo5.7) e como semente (1 Pe 1.23). Está na igreja, e quem a usa, alimenta-se (Ef 5. 29). Os primeiros cristãos sobreviveram por meio da Palavra de Deus (At 2.42). O púlpito é outro lugar onde as Escrituras devem ser ensinadas. Nele, o homem de Deus recebe a mensagem no sentido vertical, e a transmite no sentido horizontal.
Nestes últimos dias, o inimigo tem lutado para substituir e subtrair a Palavra de Deus do púlpito e dos corações dos crentes, por meio de inovações, falsificações e até por cânticos extravagantes, acoplados em músicas profanas, e pelo “bater palmas”, sem controle, apenas para manter emoções. Meditemos no que Cristo diz a sua lgreja:
“Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra” (Ap 3.10).
VIII – A FAMILIA OBRA PRIMA DE DEUS = Gênesis 1: 27-28, 2: 7,18,22
Quantas famílias que deixaram a Bíblia o código divino para seguirem outra maneira de viver mais, uma vida qualquer ou uma família precisa ter Jesus e também o livro Sagrada como Ética, no mundo em que vivemos. Em muitos lares cristãos já não se usa mais a Palavra de Deus como um Livro Sagrado. Mas a família que estiver usando como Código de ética para os seus será abençoada por Nosso Senhor Jesus Cristo.
Com este estudo, damos início a uma série de ensinamentos bíblicos acerca das ameaças à integridade e ao bem-estar da família. Trataremos também de conceitos e padrões bíblicos estabelecidos por Deus para a bênção e felicidade de tal instituição. A família, em síntese, como estrutura social, deve identificar-se e relacionar-se intimamente com a igreja. Na tão conhecida e instrutiva passagem sobre a família (Ef 5.28-33; 6.1-4), a Palavra de Deus cita a igreja seis vezes.
8.1 CONCEITO E ATRIBUIÇÕES DA FAMILIA
Conceito. Família é o sistema social básico, instituído no Éden por Deus, para a constituição da sociedade e eco da raça humana. Os primeiros capítulos de Gênesis revelam que a família foi a primeira das instituições divinas na terra.
Jesus utilizou-se da família para ilustrar certos atributos, atos, qualidades e dádivas de Deus, como o amor, o perdão, a longanimidade, a paternidade. Vários dos milagres de Jesus estão relacionados à família, suas necessidades, provações, encargos e responsabilidades =
(Mt 8.5-15; = 9.18-26; – Jo 2.1-11; – 4.46-54; = 11:1-45). Isto nos leva a imaginar o grande valor que Deus confere a esta sua primeira e vital instituição humana.
Atribuições da família. Dentre as muitas atribuições da família, enumeramos algumas consideradas relevantes:
a) Vida íntima conjugal. Só o casamento justifica e legitima a união sexual marido-mulher. Logo no primeiro capítulo da Bíblia está escrito a respeito do primeiro casal, “Deus lhes disse: Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra” (v.28). E como se dá tal multip1ição? Pela união física do casal, que deve decorrer do amor e do consenso mútuo. No capítulo seguinte está também registrado que, após o casamento, homem e mulher “serão ambos uma carne”.
b) Propagação do gênero humano. Este foi um dos propósitos de Deus quando da instituição da família: a geração de filhos, para o povoamento da terra e a prossecução do gênero humano. Deus conferiu esta faculdade ao casal, o que constitui uma elevada responsabilidade
(Gn 1.28).
c) Subsistência. Basicamente, a motivação que está subentendida no desempenho diuturno e penoso do trabalho e igualmente do exercício das profissões é o sustento, o conforto, o bem-estar; enfim, o atendimento suficiente e sensato das necessidades dos membros da família.
d) Educação. Os filhos são herança do Senhor (SI 127.3) e não meros acidentes biológicos na vida do casal. Cada filho que nasce ou que é admitido na família importa em cinco principais responsabilidades para os pais: um corpinho para cuidar (vestuário, saúde, etc); um estômago para alimentar; uma personalidade para formar; uma mente para educar e uma pessoa completa para ser conduzida a Cristo, seu Salvador e Senhor.
e) Proteção. É responsabilidade dos pais prover no lar paz, harmonia, sossego, união, proteção e amparo. Ver as lições espirituais de Deuteronômio 22.8.
f)Afeto. As relações afetuosas, fraternas e cordiais iniciam-se na família. nesse ambiente, propício e acolhedor, que a criança recebe afeto, cuidado amoroso dos pais e irmãos mais velhos, e aprende a praticá-lo.
IX – A FAMÍLIA DE DEUS
Deus valoriza tanto a família que a tomou como exemplo para ilustrar o seu relacionamento com a igreja, como já mostramos na introdução desta lição.
Deus, nosso Pai. Deus o nosso supremo exemplo quanto ao papel da paternidade. Vejamos algumas de suas características como nosso Pai celestial.
a) Pai cuidadoso e provedor que jamais falha. Ele cuida de cada um de seus filhos
(Mt 10.31) e de suas necessidades (Mt 6.8). Ele, que já nos deu a suprema dádiva do céu.
— Jesus, não nos daria também com Ele todas as coisas? (Rm 8.32).
b) Pai amorável. Não há maior amor que o de Deus por nós = (Jo 3.16; – 15.13; =
1 Jo 4.10,19; = Rm 5.8). Ele é de igual modo compassivo e amoroso para com o filho que erra (Lc 15.20)
c) Pai que disciplina. O filho sempre está sujeito à disciplina amorosa de seu pai. A disciplina é um sinal do amor de Deus parar com seus filhos, visando seu benefício (Hb 12.5ss).
Mediante a disciplina, Deus visa nos tornar melhores discípulos dEle. Os termos disciplina e discípulo têm sua origem no mesmo radical latino que significa aprender.
d) Pai Perdoador. Não há passagem que ilustre também esta característica quanto a parábola do Filho Pródigo (Lc 15.11-32).
e) Pai conciliador. Na mesma parábola do Filho Pródigo, Jesus nos mostra que, muitas vezes, os pais são os apropriados e idôneos mediadores de conflitos na família. ( Lc 15: 31,32).
O relacionamento entre os irmãos. Segundo a Bíblia, os filhos de Deus devem sempre se relacionar bem uns com os outros baseados no amor. O apóstolo João, em outras palavras, nos diz que Deus não habita naquele que não ama a seu irmão (1 Jo 4.11,20,2 1; = 2.9-11; =
Jo 13.34), o que evidentemente não é filho de Deus! “Se amamos uns aos outros, Deus continua a habitar em nós, e o seu amor é em nós aperfeiçoado” (Bíblia de Estudo Pentecostal).
Os crentes devem ser conhecidos pelo amor que demonstram uns aos outros, pois quando assim fazem, eles imitam a seu Senhor e Mestre (Jo 13.35).O amor de Deus manifesto em nós é um distintivo do cristão que o leva a considerar seus semelhantes com estima, respeito, justiça e compaixão. O amor cristão é uma virtude inspirada e exemplificada por Cristo. Este amor permeia todo o evangelho (Jo 3.16; = Mt 22.34-40; = 1 Tm 1.5; = Jo 15.12) e é, em resumo, a essência do cristianismo. Ele deve ser real no viver dos crentes para que sua vida espiritual na família de Deus a igreja (Ef 2.19) seja abundante, abençoada e harmônica.
X – BONS EXEMPLOS DE FAMILIA
Da Bíblia podemos extrair bons exemplos de famílias, que devem ser imitados:
1. Noé. Mesmo idoso, com filhos adultos, Noé ainda liderava sua família e tinha dela o respeito e a submissão sem qualquer dificuldade. Seus filhos deixaram suas atividades e atenderam o chamado do pai (Gn 7.1-7; = Hb 11.7). Como se vê, eles eram casados, cada um com sua vida doméstica independente, ainda assim, não se recusaram a aceitar os conselhos do pai. O resultado é que esta obediência redundou na benção pessoal da preservação da vida de cada um deles e, mais do que isso, foram instrumentos exclusivos de Deus na preservação da espécie humana. Outrossim, Deus os abençoou na companhia de seu pai (Gn 9.1).
2. Josué. Em seu último ato público, Josué, como chefe de família temente a Deus, lançou ao povo um desafio: “Escolhei hoje a quem sirvais” (Js 24.15). Ele já havia feito sua escolha, por si e por sua família. Certamente assim procedeu Josué pela fé no Senhor, pois era homem de fé como se vê em Hebreus 11.30. A afirmação pública de Josué autentica sua convicção de que, deixando este mundo, sua família sobreviveria estruturada nos princípios decorrentes dos valores que ele lhes havia passado durante toda a sua vida.
3. Filipe. Nas suas incessantes lides em prol da causa do Mestre, Paulo não iria se hospedar com pessoas cujas vidas não demonstrassem um elevado quilate e maturidade espiritual condizente (At 2 1.8,9). O relato de Atos espelha a boa estrutura espiritual existente na família de Filipe, resultante de um investimento espiritual demorado e Contínuo.
A princípio, como diácono da igreja em Jerusalém (At 6.5), e mais tarde, como evangelista
(At 8.4-40). Filipe, apesar de sua intensa atividade ministerial, não se descuidou do exercício sacerdotal no lar. Por isso, teve a grande satisfação de contemplar suas quatro filhas servindo a Deus, sendo portadoras de dons espirituais.
XI – O MUNDO JAZ NO MALIGNO
1) maligno – 1Jo 5.19 ”Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno.”
2) tentador – 1Ts 3.5 ” Foi por isso que, já não me sendo possível continuar esperando, mandei indagar o estado da vossa fé, temendo que o Tentador vos provasse, e se tornasse inútil o nosso labor.”
3) príncipe deste mundo – Jo 12.31 ”Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso.”
4) deus deste século – 2Co 4.4 ”…nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus.”
5) príncipe da potestade do ar – Ef 2.2 ”…nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência.”
6) acusador de nossos irmãos – Ap 12.10 ”Então, ouvi grande voz do céu, proclamando: Agora, veio a salvação, o poder, o reino do nosso Deus e a autoridade do seu Cristo, pois foi expulso o acusador de nossos irmãos, o mesmo que os acusa de dia e de noite, diante do nosso Deus.”
Depois de classificar de doentes perversos todos os que se opõem, pelos mais diferentes motivos, ao homossexualismo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou clara não só a posição favorável do seu governo ao PLC 122/06, mas também declarou que fará tudo o que for possível para que a chamada “homofobia” seja criminalizada
“Os maus não governarão para sempre a terra do povo de Deus; se os maus governassem, até os bons começariam a fazer o mal.” (Salmos 125:3 NTLH)
“Vemos o nosso Brasil nos ultimos dias tem sofridos com os maus governantes, aprovação ao aborto, casamento gay. A palavra de Deus ela nos diz que quando um justo governa o povo se alegra, porém quando é o impio o povo geme.
“Ai dos que chamam de mau aquilo que é bom e que chamam de bom aquilo que é mau; que fazem a luz virar escuridão e a escuridão virar luz; que fazem o amargo ficar doce e o que é doce ficar amargo! Ai dos que acham que são sábios, dos que pensam que sabem tudo!”
(Isaías 5:20-21 BLH)
XII – LIVRO DE PROVÉRBIOS, o CÓDIGO DE ÉTICA
Salomão na sua sabedoria inspirado pelo Espírito Santo dá os maiores conselhos para a vida terrena e espiritual.No Capítulo 8 mostra a trajetória da Sabedoria sendo o próprio Cristo, por isso denominei: o Código de Ética Bíblico.Em outras partes deste Livro vemos conselhos para vários tipos de pessoas e ocasiões:
Vizinho - Não deixes o teu amigo, nem o amigo de teu pai; nem entres na casa de teu irmão no dia da tua adversidade; melhor é o vizinho perto do que o irmão longe.(27:10)
Irmão - O irmão ofendido é mais difícil de conquistar do que uma cidade forte; e as contendas são como os ferrolhos de um palácio.(18:19)FilhoFilho meu, ouve a instrução de teu pai, e não deixes o ensinamento de tua mãe,(1:8 e mais 6:20; 10:1; 23:22)
Insensato - O que confia no seu próprio coração é insensato, mas o que anda em sabedoria, será salvo.(28:26)
Sábio - Ouve o conselho, e recebe a correção, para que no fim sejas sábio.(19:20)
Autoridades - Na multidão do povo está a glória do rei, mas na falta de povo a ruína do príncipe (14:28)
Subalternos - O servo prudente dominará sobre o filho que faz envergonhar; e repartirá a herança entre os irmãos (17:2)
Mulher adúltera - Porque por causa duma prostituta se chega a pedir um bocado de pão; e a adúltera anda à caça da alma preciosa.(6:26)
Guerra - Cada pensamento se confirma com conselho e com bons conselhos se faz a guerra.(20:18)
Escassez - Não havendo bois o estábulo fica limpo, mas pela força do boi há abundância de colheita (14:4)
Existem muitos outros versículos sobre os assuntos mencionados e também outros assuntos que não foram mencionados aí tudo no que diz respeito aos bons costumes e como agir em cada situação e perante pessoas diferenciadas.
CONCLUSÃO
As abordagens éticas humanas são todas contraditórias. Como seus autores, humanos e falhos. Uma, como vimos, procura suprir as deficiências das outras. As abordagens éticas conflitam entre si, deixando um rastro de dúvida e confusão em sua aplicação. Por isso, devemos ficar com a Palavra de Deus, que não confunde o crente, nem pode ser deixada de lado ao sabor dos meios, dos fins ou das situações. A Palavra de Deus satisfaz plenamente. AMÉM
Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus (auxiliar)
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS
4° Trimestre 2008 – Tema: 10º Lição – O CÓDIGO DE ÉTICA DIVINA Teologia Sistemática Stanley M. Horton
Bíblia de Estudo Pentecostal ano 1995
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Dc. José Rinaldo de Santana
Bíblia de Estudo Genebra 1988 Lição Biblica CPAD ano 1993
Lição Biblica CPAD ano 1999
Lição Biblica CPAD ano 2002
Lição Biblica CPAD ano 2004



