Definição da Doutrina
A doutrina da Comunicação de Deus aos homens é amplamente confirmada nas páginas das Sagradas Escrituras. Este ensino subordina-se a um outro: o da Revelação de Deus aos homens. A Doutrina da Revelação de Deus trata da manifestação que Deus faz de si mesmo e de sua vontade aos homens (Am 3.7).
Necessidade da doutrina
A doutrina da Revelação de Deus aos homens não é apenas necessária como também plausível. Dois fatores tornam essa doutrina indispensável: o implícito e explícito.
a) Implícito: O fator implícito diz respeito ao que Deus é em sua natureza incomunicável, transcendente, infinita, incapaz de ser conhecido pela razão, cognoscibilidade ou aferimentos humanos (Jo 1.18; 1 Tm 6.16). Em diversas perícopes as Sagradas Escrituras afirmam a incapacidade humana em conhecer a Deus em sua plenitude e glória: Ele habita em “luz inacessível” (1 Tm 6.16) e “nunca foi visto por alguém” (Êx 33.20; Jo 1.18).
b) Explícito: O fator explícito refere-se à natureza finita, temporal e vulnerável do homem. O cognoscível não é capaz de apreender o Incognoscível; o finito não compreende o Infinito; o mortal está aquém do Eterno: “Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o SENHOR, o Criador dos fins da terra, nem se cansa, nem se fatiga? Não se pode esquadrinhar o seu entendimento” (Is 40.28).
Definição de Revelação
a) Antigo Testamento. O hebraico bíblico possui diversas palavras que correspondem ao termo “revelação” na língua portuguesa. Contudo, o vocábulog?lâ, isto é, “descobri”, “revelar”, “tirar” é usado em sentido reflexivo com o significado de “desnudar-se” ou “revelar-se”, como por exemplo, na revelação de Deus a Jacó (Gn 35.7). A Septuaginta (LXX) traduz o vocábulo na passagem citada por “epephán?“, “manifestação”, “aparição”, ou “revelação” (epifania).
b) Novo Testamento. O grego neotestamentário emprega a palavra “apokalypsis” com o sentido de “revelar” ou “desvendar”. Lucas (2.32), por exemplo, a emprega com a conotação de “tirar o véu”, “revelar” – “phos eis apokalypsin“. Em seu aspecto geral ou particular, revelação sempre estará atrelada aos conceitos de “manifestar”, “tornar claro”, “tirar o véu”, “dar a conhecer” (Rm 16.25).
Por conseguinte, a doutrina da revelação de Deus nas Escrituras descreve a comunicação, revelação e manifestação sobrenaturais de Deus ao homem, revelando sua mensagem, propósitos e decretos.
Revelação e Teofanias
Teofania é um termo grego composto pelo substantivo “theós” e pelo verbo “phaneró?” que significa “revelar”, “mostrar” ou “fazer conhecido”. Teofania é o modo múltiplo, variegado, misterioso com que Deus se revela ou se manifesta ao homem. As teofanias são desdobramentos da revelação de Deus, de sua natureza, caráter e atributos de modo compreensível ao homem. As teofanias são:
a) visíveis (Gn 16.11,13; Êx 3.2-6; 19.18-20; Dn 7.9-14, etc), ou
b) audíveis (Gn 3.8; 1 Rs 19.12,13; Mt 3.17, etc).
Através dessas passagens percebemos que as teofanias, como veículos da revelação de Deus, podem ser:
a) humana (Gn 18.1,2,13,14),
b) angélica (Jz 2.1; 6.11,14), e
c) não humana (Gn 15.17; Êx 19.18-20).
Algumas dessas manifestações são, de acordo com muitos biblicistas, “cristofanias” (Jo 12.40,41).
Nas teofanias sempre é Deus quem toma a iniciativa de se auto-revelar. Essas manifestações são parciais, temporárias e não descrevem a completude da natureza divina. A única revelação permanente e completa do Pai foi realizada na Encarnação do Filho que, embora distinto do Pai, participa da mesma divindade (Jo 1.1,14-18).
Revelação Passiva e Ativa
A revelação de Deus deve ser entendida como o instrumento de imediata comunicação de Deus ao homem. Na revelação, Deus auxilia os homens a compreenderem Sua natureza e propósitos (Dt 4.29; Jr 33.3). As Escrituras demonstram vários níveis dessa comunicação, seja particular seja coletiva (Gn 2.16; 3.8,9; Gn 12.1; 15.1; 18.16; Êx 3.4; 19.3,9; 1 Sm 3.1; Is 6.1). Isto posto, a revelação proveniente e determinada por Deus é uma comunicação pessoal. O alvo final da revelação divina é que o homem venha conhecer a Deus de modo real e pessoal. Essa revelação manifesta-se bilateralmente:
Revelação ativa: É a revelação direta de Deus, enquanto Se dá a conhecer aos homens (Êx 3.1-6).
Revelação passiva: É o conhecimento de Deus que é passado de geração a geração (Dt 4.10).
A revelação passiva é o conhecimento de Deus que é comunicado aos homens através de um interlocutor, enquanto a ativa é a revelação direta de Deus ao homem, sem qualquer intermediário. Na passiva, Deus não se revela diretamente ao homem como o fez com Moisés, mas usa um intermediário (profeta, sacerdote, anjos, etc) para comunicar à sua mensagem aos seus servos.
No âmbito da revelação passiva é que encontramos a Revelação Geral de Deus (Gn 1; Sl 119; 148; Rm 1.20-23). Revelação Geral é o termo teológico que descreve uma forma de “teologia natural” (Sl 8; 19.1). Essa revelação acha-se impressa na criação. Apesar de não ser uma revelação pontifícia, como a Revelação Especial – o Logos Encarnado (Logos Theou) – e a Epistemológica (Rhema Theou), contudo, possui predicativos suficientes para que o homem conheça a Deus e o adore, bem como servirá de base para o julgamento dos ímpios (Rm 1.21-32; 2.1-8).
A Revelação Geral ocorre de duas formas distintas: uma revelação externa na criação, a qual proclama o poder, a sabedoria e a bondade de Deus e; a revelação interna da razão e da consciência em cada indivíduo (Rm 12.16; Jo 1.9).
A teologia cristã reconhece tanto a Revelação Geral quanto a Especial, como dois modos progressivos da auto-revelação de Deus. Porém, o ápice da revelação divina ocorre através do Verbo Vivo e da Palavra Escrita (Jo 1.1,14-18; 14.8,9; Hb 1.1-3). Estas revelações são os desvendamentos que Deus faz de si mesmo aos homens de modo imediato e sobrenatural. O Logos Encarnado revelou o Pai. A Palavra escrita registrou essa revelação e o seu progresso (Hb 1.1-3; 2 Pe 1.10,21; Gl 1.12). O propósito da revelação de Deus é que o ser humano o conheça, ame-o e o adore (Is 43.7; Sl 22.22; 149.6).
Proposições dogmáticas
a) As Escrituras pressupõem não apenas que Deus pode ser conhecido, mas que realmente é conhecido, porque Ele Se revela a Si mesmo;
b) O conhecimento de Deus revelado ao homem é justamente aquele que satisfaz a fome de natureza espiritual;
c) O conhecimento de Deus revelado resulta em adoração e obediência inteligente à Sua vontade;
d) Deus pode ser conhecido à medida que Se revela a Si mesmo ao se comunicar com os homens;
e) Através do conhecimento de Deus o homem fica habilitado a reconhecer as verdadeiras manifestações ou revelações da natureza e da vontade do Senhor.
f) As Escrituras ensinam a impossibilidade de se conhecer a Deus em Sua natureza transcendental (Jó 11.7; 1 Tm 3.16);
g) A finalidade das Escrituras é a de fazer Deus conhecido por Suas atividades na história e nas experiências que homens fiéis tenham com Ele (Rm 1.19).
Ao casal precursor da raça humana, Deus tinha particular atenção. Eis que toda tarde, Deus descia da sua morada e vinha conversar com eles. Ali Deus os colocava a par de suas intenções, dos seus projetos para com a terra. Mas Deus recomendava que não O desobedecessem. E determinou que de um fruto que havia numa determinada árvore, eles não poderiam provar.
Ah!….. A tal da curiosidade humana…..provo…., não provo…, eis a questão…. penso, desejo, cobiço, concretizo. Peco. E condeno toda a terra. Mesmo sem saber todos os que nem haviam ainda nascidos.
Ao adentrar o pecado, pela desobediência, despertou o constrangimento da criatura diante do seu Criador. Desejando escapar aos olhos de Deus, a criatura se escondeu entre as árvores.
Percebendo a situação vexatória em que se encontravam, Deus sabedor de todas as coisas, instiga o homem a dizer onde estava e como estava. Razão da primeira DESCULPA diante de Deus: – “Senhor esta mulher que TÚ me destes me fez pecar”.
O efeito da desobediência distanciou a presença manifesta de Deus diante da sua criação. Levando Deus a providenciar o primeiro sacrifício pelos humanos aqui na terra, ao matar um animal para que pudesse revestir o homem, diante da sua vergonha.
Deus na sua Santidade, fatalmente faria o homem sucumbir ante a Magnitude Manifesta de Deus. Deus é Santo e sendo Santo, continua ainda a não dividir sua Glória com nenhum homem, tornado pecador pelos primeiros homens.
O homem tornado desafeto de Deus, naquele momento, quis transferir culpabilidade dos seus atos à mulher e esta, à serpente e esta por imposição, Deus determinou que seria rastejante até aos dias de hoje, sobre a terra.
Números 7.89: Quando entrava Moisés na tenda da congregação para falar com o SENHOR, então, ouvia a voz que lhe falava de cima do propiciatório, que está sobre a arca do Testemunho entre os dois querubins; assim lhe falava.
Deus se comunicava com os homens antigos: na fumaça, no fogo, na labareda, no trovão e sua voz era cheia de majestade, nos últimos dias, Deus enviou o Seu filho para que pudéssemos ouvi-Lo Hebreus 1:1 Havendo Deus, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho, e Seu Filho tem-nos enviado o Espírito Santo para que o homem O ouvindo venha a se arrepender para que possa ser salvo.
Deuteronômio 4.12 Então, o SENHOR vos falou do meio do fogo; a voz das palavras ouvistes; porém, além da voz, não vistes aparência nenhuma.
Deus se comunicava por vários meios com os antigos. Sua presença era manifestada tal qual uma nuvem de poeira de dia e um fogo a noite, e isto, por quarenta anos. Deus também se apresentava em um monte, no meio de trovões e raios, e naquilo os homens temiam, dizendo ao patriarca Moisés que fosse ele, falar com Deus. O homem natural sempre procurou desculpas para sua descrença, razão de ter construído lá no sopé do Horebe, mais uma vez, seus deuses em ouro. Até o sacerdote Arão deixou-se levar pela multidão e disse depois, ser tão pequeno diante do que a multidão o levará a fazer. Mas Deus foi novamente justo diante da sua ira. Permitindo através da ação dos Levitas que umas três mil pessoas fossem mortas naquela noite, por terem desagradado às ordens e pactuado com a multidão em descrer da vontade de Deus quando os tirou da terra da servidão, o Egito de todos nós.
No livro de Deuteronômio 13.18 Se ouvires a voz do SENHOR, teu Deus, e guardares todos os seus mandamentos que hoje te ordeno, para fazeres o que é reto aos olhos do SENHOR, teu Deus.
Deus tem procurado se revelar aos homens desde remotos tempos, os homens é que não conseguindo ver a Deus, criam para si, deuses estranhos. Desagradando ao Único Deus, invisível, mas real. Como andaremos sem que Deus se torne longe de nossos passos? Não há como. Para onde formos Deus estará presente. Por que então teimamos em não obedecer a Ele? Justos e injustos tem desagradado a Deus. Uns criando em seus conceitos pessoais um Deus que somente concede sem que tenha que dar satisfações de atos e de pensamentos. Outros desejam o Deus que é investimento, aquele Deus que ao cita-Lo, dá-se conveniência para atingir seus objetivos, mas no fundo o deus destes é o dinheiro.
Aquele que cega o entendimento e diz que tudo vai bem e que quanto mais o buscar ou conceder, assim se obterá.
Não cremos assim. Cremos num Deus Justo, Misericordioso, que contempla a todos os seus filhos e dá a cada um conforme as suas necessidades.
Miquéias 6.8 e 9 nos diz: Ele te declarou, ó homem, o que é bom e que é o que o SENHOR pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus. A voz do SENHOR clama à cidade (e é verdadeira sabedoria temer-lhe o nome): Ouvi, ó tribos, aquele que a cita.
Temos desenvolvido nosso próprio senso de justiça e no nosso orgulho de sermos diferentes uns dos outros, fazemos da nossa maneira de vermos as coisas, (concebidas em nosso coração) os nossos ídolos: o nosso “eu”. Deus não tem privilegiados, nem concede privilégios àqueles que pensam ser alguém na sua lida. Não poupou Moisés o grande libertador do seu povo. Não poupou Sansão o nazireu, nem outros tantos homens citados nas Escrituras. Por isso nos recomenda que devemos vigiar para que não caiamos em tentação quanto as nossa vaidades e nas nossas idolatrias.
Deuteronômio 28.2 à 4: Se ouvires a voz do SENHOR, teu Deus, virão sobre ti e te alcançarão todas estas bênçãos: Bendito serás tu na cidade e bendito serás no campo. Bendito o fruto do teu ventre, e o fruto da tua terra, e o fruto dos teus animais, e as crias das tuas vacas e das tuas ovelhas.
Deus tem se revelado pela sua Palavra que está acima de toda Palavra. Ele tem se revelado no meio da sua congregação, dizendo a todos que O desejam escutar: – FILHO MEU, DA-ME O TEU CORAÇÃO !
Mas Ele mesmo diz: Que os homens preferem o mundo e o que no mundo há.
Pela intransigência do homem precisou enviar o seu Filho, para que todo aquele que nEle crer não pereça, mas que obtenha a vida eterna.
Agora , Jesus comunica-nos uma grande palavra:POR ELE TER VINDO e ANUNCIADO DA VONTADE DE DEUS, NÃO HÁ DESCULPA PARA A NOSSA DESOBEDIÊNCIA.
Salmos 29.3 e 4 Ouve-se a voz do SENHOR sobre as águas; troveja o Deus da glória; o SENHOR está sobre as muitas águas. A voz do SENHOR é poderosa; a voz do SENHOR é cheia de majestade.
Para os que já O receberam e ainda O tem por somente Deus: Ele dá um recado assim: Salmos 81.10 à 15 Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito. Abre bem a boca, e ta encherei. Mas o meu povo não me quis escutar a voz, e Israel não me atendeu. Assim, deixei-o andar na teimosia do seu coração; siga os seus próprios conselhos. Ah! Se o meu povo me escutasse, se Israel andasse nos meus caminhos! Eu, de pronto, lhe abateria o inimigo e deitaria mão contra os seus adversários. Os que aborrecem ao SENHOR se lhe submeteriam, e isto duraria para sempre.
Portanto, Deus ainda quer que O CONHEÇAMOS, O TESTIFIQUEMOS, O ANUNCIEMOS, e QUE PROSSIGAMOS EM CONHECÊ-LO.
Há outra forma de saber dos mandamentos e dos preceitos, sem que tenhamos a vontade de buscar conhecimento sobre tudo quanto foi escrito? Não!
Mas tudo quanto foi escrito, está escrito para o nosso próprio bem.
Quão maravilhoso é buscar conhecer a DEUS, sabendo que quando Ele se comunica na sua Igreja, Ele tem cuidado de nós. Aleluia !
Valdir Carvalho – 10.10.2008 – Cascavel – PR