Revista on line da Escola Dominical | IBSN 14-19-05-2010
Friday September 3rd 2010

A sedução das drogas – Ev. Isaías de Jesus


NÃO HÁ NADA DE NOVO SOBRE O PROBLEMA DOS VICIADOS. DESDE O INICIO, da história registrada, uma certa porcentagem de pessoas tem tido problemas sérios com as drogas sempre ou- onde quer que tenham sido usadas. Em algumas culturas, o ópio e a maconha são as drogas-problema. Nas sociedades ocidentais as dificuldades estão associadas a drogas como a heroína ou cocaína, mas a droga mais comum que leva ao vício tem sido o álcool.

O Dr. George A. Mann, Diretor-Médico do Instituto Johnson em Minneapolis um centro para estudo e tratamento dos dependentes químicos escreveu que todos os produtos químicos que viciam têm uma coisa em comum: mudam a disposição. Algumas mudanças de disposição são muito potentes e provocam hábito, enquanto outras são bem menos poderosas. Segundo Mann, as drogas podem ser colocadas numa escala, a partir das que apresentam maior possibilidade de provocar hábito até as de menor potencial:1

Qualquer pessoa pode tornar-se psicológica e/ou fisicamente dependente dessas drogas caso fique exposta a uma alta dosagem das mesmas durante um período suficientemente longo de tempo. Com uma droga como a heroína o tempo não precisa ser longo e os efeitos são tanto rápidos como muito perigosos; com a cafeína o tempo é mais longo e os efeitos praticamente desprezíveis.

Ë possível dividir nossa vida em quatro categorias gerais: vida familiar, vida social, vida profissional e vida espiritual. Quando um produto químico interfere com a produtividade, tranqüilidade, eficiência ou bem-estar em qualquer dessas áreas; e quando percebemos que isto está acontecendo mas persistimos no uso da droga, estamos então viciados, pelo menos psicologicamente. Se ficarmos doentes fisicamente ao ser retirada a droga, estaremos viciados também fisicamente.

Ê quase impossível apresentar estatísticas corretas sobre a predominância dos vícios. Os números mudam com tanta rapidez que provavelmente já serão obsoletos ao serem publicados. Somente nos Estados Unidos quase dez milhões de pessoas (inclusive 1.3 milhões de adolescentes com menos de 18 anos) têm sérios problemas de alcoolismo. Isto significa que das pessoas que bebem, uma em cada dez irá tornar-se alcoólatra e milhares de membros de suas famílias sofrerão por causa disso. O alcoolismo é um dos quatro maiores problemas da saúde pública na América juntamente com as doenças cardíacas, o câncer e as enfermidades mentais, e custa cerca de 25 bilhões de dólares por ano.
Se acrescentarmos a isto os milhares de pessoas viciadas em outras drogas, é fácil ver porque este assunto tornou-se um problema crítico. Trata-se de algo que todo conselheiro cristão irá encontrar pelo menos periodicamente e talvez com freqüência durante sua carreira.

INTRODUÇÃO

A Bíblia e o Vício

A Bíblia não menciona especificamente as drogas em geral, mas ele diz algumas coisas
sobre o excesso de bebida e estabelece certos princípios que poderiam aplicar-se à questão do vício. Estes poderiam ser talvez melhor descritos como uma série de “pode” e “não pode”.

• 1 – Os “NÃO PODE”

(a) Não Transgrida a Lei. A Bíblia nos dá instruções para sermos cidadãos cumpridores da
lei. E errado, portanto, comprar, vender, aprovar, possuir, ou usar qualquer droga ilegalmente.

(b) Não Espere Chegar a Deus Através das Drogas. Há vários anos atrás, um livro controvertido afirmava que as drogas psicodélicas ofereciam um caminho superior para descobrir a verdade e entrar num campo de experiências religiosas significativas. Tal ponto de vista nega o fato de que nos aproximamos de Deus apenas pelo caminho de Jesus Cristo, e que devemos fazê-lo com a mente limpa,” e não com o cérebro entorpecido por substâncias químicas.

(c) Não Se Deixe Dominar por Coisa Alguma. Isto certamente inclui uma proibição contra sermos controlados pelas drogas ou viciados nelas, inclusive o álcool.

(d) Não Suponha que as Drogas Resolvem Problemas ou Reduzem a Tensão. Como veremos, a tensão é uma das maiores causas do vício. O álcool ou outra droga qualquer dá um sentimento de euforia e de que tudo vai bem. Mas isto serve apenas para evitar os atos responsáveis e no final pode causar problemas adicionais. A pessoa que foge através das drogas deixa de reconhecer o ensino bíblico de levar nossos fardos a Cristo onde podemos enfrentá-los francamente e tratar deles diretamente.

• II – Os “PODE”

(a) Lembre-se de Nossa Responsabilidade de Controlar a Criação. Deus disse a Adão que subjugasse e dominasse a terra,14 mas no decorrer dos séculos abusamos e usamos mal a criação de Deus. Como novas criaturas em Cristo, os crentes têm a responsabilidade de cuidar daquilo que Deus criou, inclusive seus próprios corpos. Assim sendo, “o uso de qualquer droga com o propósito de diversão e fuga, controle da mente, adoração religiosa, experiências ocultistas, magia, ou assassinato é um pecado contra Deus, a Criação, a Sociedade e o Indivíduo.

(b) Evite a Embriaguez. Esta é clara e explicitamente condenada na Bíblia e chamada de pecado. Estender esta proibição clara para além do álcool está com certeza de acordo com o ensino bíblico: não devemos embriagar-nos com qualquer substância química.

(c) Encha-se do Espírito. “E não vos embriagueis com vinho” (ou com drogas?), lemos em Efésios 5.18, “mas enchei-vos do Espírito”. A vida controlada pelo Espírito Santo é apresentada na Bíblia como uma alternativa superior àquela preenchida com produtos químicos que levam à dependência.

(d) Mantenha o Corpo Humano Puro, O Espírito Santo habita no corpo de cada cristão
e por este motivo devemos fazer o possível para manter nossos corpos livres de poluentes
inclusive drogas e quantidades excessivas de alimentos. Todo corpo humano foi feito por
Deus e o corpo do cristão pertence a ele tanto devido à criação divina como à redenção divina. As Escrituras e o bom senso nos dizem, portanto, que devemos cuidar de nós mesmos de modo a poder “glorificar a Deus” com nossos corpos.

(e) Use de Moderação, Caso não Faça Abstinência. A Bíblia não ensina a abstinência,
embora enfatize a temperança. No Salmo 104 o vinho é incluído entre as bênçãos de Deus
e descrito como algo que “alegra o coração do homem”. Em seu primeiro milagre, Jesus
transformou a água em vinho, vinho foi aparentemente tomado na última ceia, e parece que
o próprio Jesus bebeu vinho.

Segundo um escritor, o vinho era misturado com água na Palestina do primeiro século, provavelmente numa proporção de três partes de água para uma de vinho. Traduzido em termos modernos, duas doses de “Martini” nos dias de hoje equivaleriam a vinte e dois copos de vinho palestino. Não obstante, o vinho verde podia embebedar e o anfitrião nas bodas de Caná deixou transparecer que os convidados beberam fartamente e no final da celebração tinham mais dificuldade em distinguir o vinho bom do inferior. Quer o vinho fosse forte ou diluído, quem bebia, porém, tinha a responsabilidade de controlar a quantidade ingerida.

Embora a Bíblia ensine moderação no beber, a abstinência também era considerada favoravelmente. João Batista foi um mensageiro especial de Deus que “não bebia vinho”, e quando alguém fazia voto de nazireu para “consagrar-se ao Senhor”, este era acompanhado de abstinência de vinho e de bebida forte. Muitos cristãos concluiriam hoje que a moderação é boa e que a abstinência é melhor especialmente em vista dos claros perigos ligados à bebida e abuso de produtos químicos (entorpecentes).

(f) Permita a Liberdade Cristã. Embora todas as coisas sejam lícitas, inclusive drogas como o álcool, nem todas as coisas convêm ou são proveitosas? Se beber substâncias alcoólicas, por exemplo, prejudica o corpo, leva à imoralidade ou faz outro cristão tropeçar, essas práticas devem ser então abandonadas e evitadas? Este é um princípio onde o crente tem liberdade para usar restrição desde que isto seja benéfico e promova o crescimento do corpo de Cristo a igreja.

(g) Permita o Uso de Drogas como Remédio. Quando Jesus se achava na cruz ele recusou-se a tomar o vinho que teria aliviado seu sofrimento. Em outro ponto, entretanto, ele falou com aprovação do Bom Samaritano cuja compaixão fez com que derramasse vinho sobre os ferimentos. Todos sabem também que Timóteo foi encorajado a tomar um pouco de vinho para ajudar seu estômago doente.
Os parágrafos acima mostram que o vinho é mencionado várias vezes na Bíblia. Esses ensinamentos escriturísticos têm uma relevância definida em nossos dias, especialmente as advertências repetidas contra o vício. Mas, que dizer da pessoa que já é viciada? Não basta simplesmente deixar de beber ou de tomar drogas; não é também fácil para quem está no processo de tornar-se viciado inverter o mesmo. E justamente nesse ponto que o conselheiro cristão pode ser útil.

III – As CAUSAS DO VÍCIO

Alguém sugeriu que estamos numa era de “tomar pílulas”. Bem cedo na vida as crianças entram em contato com remédios que tiram a dor e fazem a pessoa sentir-se melhor. Os adolescentes observam os pais tomarem aspirina, comprimidos para curar resfriados, remédios para dormir e diversas outras drogas. Milhares de pessoas tomam café para descontrair- se, ou fumam ou tomam um drinque antes do jantar, e quando surgem problemas, os tranqüilizantes ajudam a acalmar nossos nervos perturbados. Não é de se admirar que os jovens sigam este exemplo adulto e, por sua vez, perpetuem a idéia de que as drogas são a primeira linha de defesa contra o sofrimento físico ou psicológico.

Como é natural, poucas pessoas afirnariam que as drogas sejam más em si mesmas. Seu valor medicinal é bem conhecido e talvez não haja perigo no uso ocasional de estimulantes brandos ou drogas que provoquem o relaxamento. Mas são muitos os que passam a depender tanto de drogas leves como a cafeína ou nicotina e (o que é pior) de produtos químicos mais prejudiciais que promovem a dependência, inclusive do álcool.

No correr do tempo, inúmeras pesquisas tentaram descobrir a razão pela qual algumas pessoas tomam-se viciadas e outras não. Algumas dessas conclusões das pesquisas poderiam ser incluídas nas seguintes categorias. Mas, provavelmente, nenhuma delas por si provoca o abuso de drogas (Os problemas complexos raramente têm uma só causa.). Se, porém combinadas, elas tomam alguns especialmente inclinados ao vício.

1. Personalidade, Hereditariedade e Fisiologia. Os que abusam de drogas são peculiares em termos de personalidade ou características fisiológicas? Existem alguns sintomas que surgem com freqüência acima da normal nos que tomam drogas em excesso. Isto inclui um elevado nível de ansiedade, imaturidade emocional, problemas na aceitação de autoridade, baixa capacidade para aceitar a frustração, baixa auto-estima que às vezes é oculta por atitudes de grandiosidade, sentimentos de isolacionismo, perfeicionismo, culpa e compulsão? Poderia ser argumentado que essas características são resultado do abuso de drogas e não uma causa, mas os relatórios de Clinebell afirmam que, pelo menos com o alcoolismo, esses atributos estão presentes antes do excesso de bebida começar e persistem de forma reduzida muito depois da sobriedade ter sido alcançada. As “personalidades prejudicadas” são ainda mais aparentes nos que abusam de drogas mas não são alcoólatras do que nos alcoólatras propriamente ditos?

Apesar dessas conclusões, nem todos os especialistas concordariam sobre as características de personalidade dos viciados. Não existe urna personalidade alcoólatra ou viciada típica e a ciência ainda não descobriu qualquer influência hereditária ou diferença físicas marcante entre os que se tornam viciadas e os que não se viciam? A personalidade, a Hereditariedade e a fisiologia podem tornar alguns mais inclinados ao vício, mas em si mesmos esses três fatores não provocam dependência.

2. Ambiente Anterior e Cultura, O ambiente familiar e a sociedade em que o indivíduo é criado também aumentam ou diminuem a possibilidade dele tornar-se um viciado.

(a) Exemplos dos Pais, O comportamento dos pais geralmente influencia o comportamento subseqüente dos filhos. Quando os pais bebem em excesso ou abusam de drogas, os filhos algumas vezes decidem tomar-se completamente abstêmios. Mais freqüentemente, porém, eles seguem o exemplo paterno. Foi calculado que “sem interferência, de 40 a 60% dos filhos de pais alcoólatras também se tornam alcoólatras”.
(b) Atitudes dos Pais. A permissividade e rejeição por parte dos pais estimulam o uso e abuso de tóxicos. Quando os pais não se importam se os filhos bebem ou não, não existe preocupação quanto aos perigos das drogas ou álcool e o abuso logo se segue. Se os pais negligenciam os filhos ou os castigam demasiadamente, estes se rebelam. A delinqüência, uso excessivo de tóxicos e alcoolismo são comuns nesses casos.

Segundo Clinebell, nos lares dos alcoólatras tende a existir autoritarismo, idolatria do sucesso, rejeição aberta e/ou um moralismo que desperta o sentimento de culpa e a hostilidade. Embora ocorram freqüentemente exceções, as maiorias dos que têm problemas com o abuso de drogas são produto de lares instáveis e inadequados.

(c) Expectativas Culturais. Se um grupo cultural ou sub-cultural possui diretrizes claras a respeito do uso do álcool ou tóxicos, é mais difícil haver abuso, Entre os italianos e judeus, por exemplo, é geralmente permitido que os jovens tomem bebida alcoólica, mas a embriaguez é condenada e a taxa de alcoolismo é baixa. Em contraste, culturas como a nossa toleram mais a embriaguez. O fato de adolescentes e universitários beberem é aceito como um sinal de maturidade e a intoxicação tomam-se tema de anedotas na televisão e nos coquetéis. Desde que “ficar alto” estimula as ações, estabelecem-se condições que levam ao abuso de drogas.

Essas observações deixam passar o fato das diferenças individuais na cultura. Muitos que procedem de um ambiente com tendência ao alcoolismo jamais ficam viciados; outros tomam-se viciados embora isto não pudesse ser previsto pelo seu passado. A razão para essas diferenças pode estar em grande parte ligada à questão da tensão.

3. A Pressão Atual. As raízes do vício são geralmente encontradas nos anos da adolescência. Como exemplo, vamos seguir o processo de dependência quando ele se inicia num jovem hipotético, normal, do sexo masculino. Com “normal” queremos dizer que ele gosta de algumas coisas em sua pessoa e não gosta de outras. Em algumas coisas sente-se competente e em outras áreas sente-se inadequado. Como outros de sua idade, experimenta ansiedade, temores, culpa, decepção e insegurança em certas situações. Embora possa vir de uma família boa, haverá momentos de tensão em seu lar.

Tendo sido criado numa sociedade e época de fartura na história, pode estar acostumado ao conforto e satisfação imediata de suas necessidades e desejos. Em vista desta infância confortável, as pressões da adolescência podem atingi-lo com especial intensidade.
Suponhamos ainda que este jovem tenha oportunidade de tomar uma droga. Esta pode ser-lhe ministrada como parte de um tratamento médico, mas é mais provável que a tome deliberadamente.

Podem haver inúmeras razões para isto: pressão dos amigos, desejo de “ver como é”, busca de significado pessoal, identificação com um grupo ou herói que use drogas, crença de que ela (inclusive o álcool) “prove” a maturidade da pessoa, ou uso das drogas e álcool como um meio de “revide” contra os pais. Alguns esperam que o tóxico os ajude a fugir do tédio ou solidão e proporcione aceitação por parte de amigos envolvidos com drogas. Outros bebem ou tomam tóxicos por ser uma forma socialmente aceita dos amigos relaxarem juntos.

Quando nosso jovem hipotético toma álcool ou outra droga ele tem uma sensação de euforia. Sente-se tranqüilo, menos nervoso, mais adequado e à vontade na companhia de outros. Seus problemas parecem menos graves e o mundo lhe sorri.
Podem haver ressacas ou remorso periódicos em fases de sobriedade, mas o uso da droga continua porque a mudança de disposição é tão agradável e o perigo parece tão pequeno…
Quando o jovem chega à casa dos vinte, ele já repetiu a experiência com os tóxicos muitas vezes. Aos trinta, o uso do álcool ou outras drogas tomou-se parte integrante de sua vida. Encontra-se agora psicologicamente viciado e a adição física virá logo a seguir. Com o correr dos anos o uso de tóxicos aumentou porque são necessárias quantidades cada vez maiores para criar nova euforia e aliviar a ansiedade. Se a droga é retirada, o resultado é a doença. Assim sendo, no início da meia-idade, a aquisição e ingestão de drogas tornou-se de tal forma importante que sua vida familiar, pessoal, social e profissional fica prejudicada. A pessoa que começou a beber ou a tomar tóxicos para descontrair-se, tornou-se agora um viciado.

Exemplos desse tipo levaram muitos escritores a concluir que a pressão é uma das principais influências no vício. A fim de escapar temporariamente às pressões e gozar de um sentimento de tranqüilidade ou euforia, a pessoa começa com quantidade limitadas de drogas e as toma apenas ocasionalmente. Desde que a nicotina e cafeína não produzem grandes sensações, ela se volta para coisas mais fortes. Em nossa sociedade, a droga preferida é o álcool em vista da facilidade de acesso e aceitação social.

Mais tarde, esta ou outra droga torna-se um apoio indispensável pelo qual os indivíduos negam a tensão e aliviam os sofrimentos da vida. O que teve início num cenário social para relaxamento e confraternização, transforma-se num meio de fugir à pressão, ansiedade e sentimentos de desajuste. A medida que o vício cresce, a necessidade da droga aumenta, diminui o autocontrole, o trabalho sofre, assim como a saúde e relacionamento familiares e sociais.

4. Perpetuação das Influências. Para compreender o vício é importante considerar o que toma algumas pessoas vulneráveis (inclusive a personalidade, cultura e ambiente), o que motiva o indivíduo a começar a tomai a droga (principalmente pressões e tensões grupais), e o que mantém o vício.
Em algum ponto do processo ocorrem mudanças endócrinas e bioquímicas que tornam difícil a interrupção do mesmo. Mais poderosas ainda são as modificações psicológicas formadas através dos anos. A droga tornou-se o núcleo ao redor do qual a vida se organiza. Pode ser a causa dos problemas, mas passou também a ser vista como a solução uma resposta mágica, mas trágica, às tensões da vida.

Os membros da Associação dos Alcoólatras Anônimos acreditam que não pode haver cura para o vício até que a pessoa “chegue ao fundo”, admitindo que ele ou ela “não tem poder sobre o álcool” e sinta-se incapaz de dirigir sua vida sem a ajuda de “um Poder maior do que nós mesmos”.

Lamentavelmente, esta determinação de mudar é com freqüência adiada pelas pessoas que mais querem que a mudança ocorra a família do viciado. O alcoolismo e, num nível inferior, as drogas, foram descritos como doenças familiares. A maioria dos alcoólatras neste país está vivendo em casa com suas famílias. Quando o alcoolismo ou outro tipo de vício piora, cada membro da família é afetado. Com freqüência, cada um procura negar a realidade da situação, tanto para proteger e criticar o viciado como para manter unida a família com a mínima tensão possível.

A princípio, é feita a tentativa de controlar ou interromper o uso da droga. A seguir vem a tentativa de compreender o fato e eliminar as causas. No geral é feito um esforço para ocultá-lo da comunidade enquanto em casa o viciado é incentivado a abandonar o vício.
Algumas vezes os membros da família adotam “papéis de sobrevivência” que são esforços sinceros e por vezes inconscientes de manter a família unida e impedir que ela desmorone debaixo da pressão. O “substituto”, por exemplo, é o papel desempenhado pela pessoa, geralmente o cônjuge, que procura aceitar a responsabilidade de satisfazer as necessidades da família. O “herói” tenta facilitar as coisas para a família e fomentar a auto-estima nos membros, O “bode expiatório” cria problemas ou se afasta de modo a prover distração para a família. Em contraste, o “mascote” tenta injetar humor na situação penosa, enquanto o “filho perdido” encobre os seus sentimentos e tenta ser a única pessoa com quem a família não precisa preocupar-se. Tudo isto reflete a dor e a tragédia que se infiltra e caracteriza a família do viciado.
Papéis como esses ajudam a família a continuar vivendo, mas, por sua vez, podem apoiar o viciado em sua dependência. Enquanto a família vai bem, existe menos motivação para mudar. A família, portanto, fica presa numa armadilha em que vencer é impossível. Ajustar-se ao viciado pode perpetuar o seu problema e o sofrimento continua. Se não se ajustarem, os membros da família também ficam feridos e o sofrimento também prossegue.

Num livro de impacto intitulado The Booze Battle: A Common Sense Approach That Works (A Batalha dos Tóxicos: Uma Abordagem de Bom Senso que Funciona) certo conselheiro argumenta persuasivamente que os viciados devem enfrentar a realidade da situação antes que possa haver melhora. O tratamento será adiado se as famílias ou empregadores perpetuarem o problema negando a sua realidade, escondendo-o de outros e protegendo o viciado, impedindo-o de enfrentar as conseqüências de seu comportamento irresponsável e egoísta.

Pode-se acrescentar a isto o fato da sociedade perpetuar o problema do vício quando despreza a sua seriedade, ri da intoxicação, tolera o indivíduo que dirige embriagado, perdoa os crimes cometidos sob a influência de drogas e descreve os produtos químicos como a solução final, mais rápida e mais agradável de nossos problemas, pressões e temores de isolamento social.

5. Influências Espirituais. Um escritor cristão enfatizou o seguinte: A causa mais importante para o abuso de drogas… é a existência de um vazio espiritual religioso e existencial. Parece que os jovens de hoje, por lhes faltarem sistemas de valores básicos conferidos por unidades familiares estáveis, acham-se constantemente à procura de modelos significativos de identificação em outros lugares da sociedade. Quando não os encontram, são dominados por uma sensação crescente de frustração, falta de propósito e significado.

À medida que o materialismo tornou-se um deus, houve uma humanização simultânea de Deus… Essa produção humana de Deus, porém, jamais conseguirá encher a sensação de vazio e infundir qualquer idéia de valor, esperança ou significado à existência do jovem. Desse modo, os adolescentes tornam-se mais uma vez os prováveis candidatos às experiências psicodélicas, fascinação pelo ocultismo, possuindo todos os pré-requisitos para o desenvolvimento de atividades delinqüentes contra as leis estabelecidas.

Em termos concisos, os seres humanos têm uma necessidade interior de um relacionamento real e crescente com Deus. Quando este anseio é negado, não-reconhecido e não-satisfeito, existe uma busca de outra coisa que possa encher o vácuo. Em lugar algum isto é mais claramente declarado do que na Bíblia: “Não bebam muito vinho, porque muitos males se encontram nesse caminho; em vez disso sejam cheios do Espírito Santo e governados por Ele”. Numa única sentença temos uma advertência, uma causa implícita e uma resposta para o problema do vício.

IV – OS EFEITOS DA DEPENDÊNCIA

A dependência pode imobilizar o viciado, arruinar a sua família e criar imensos problemas sociais. Embora os efeitos do vício no possam ser descritos adequadamente em alguns parágrafos, é possível resumi-los sob quatro títulos.

1. Efeitos Físicos. Sempre que uma substância química entra no corpo há uma reação fisiológica. A natureza desta reação depende das condições físicas da pessoa, do tipo de droga tomada, da quantidade e da freqüência com que é usada.
No álcool, por exemplo, é uma toxina (veneno) que afeta a maioria das células do corpo. Se for tomado rapidamente, o conteúdo alcoólico do corpo aumenta, o funcionamento do cérebro fica temporariamente prejudicado e o equilíbrio do indivíduo, as habilidades motoras, os pensamentos e as reações emocionais são influenciadas.

Se o álcool for tomado constantemente e em grandes quantidades, podem resultar várias modificações físicas. Estas incluem a destruição das células cerebrais com mudança subseqüente do funcionamento mental, disfunções do fígado e/ou pâncreas, amortecimento dos membros e diversas moléstias gastrintestinais.
O abuso de produtos químicos pode causar finalmente a morte e nas mulheres grávidas pode afetar a saúde dos bebês em gestação. Devido a esses aspectos físicos da dependência, a intervenção médica é parte essencial do tratamento.

2. Efeitos Psico-Sociais. Desde que o abuso de drogas, especialmente o alcoolismo, é tão comum, muitos já estão familiarizados com os efeitos mais óbvios: mente embotada, comportamento inconveniente e reações emocionais injustificadas, negligência nos cuidados pessoais, afastamento, e perda das inibições sociais.

A medida que a condição se agrava, as defesas psicológicas começam a aumentar no geral racionalizações (justificativas para o ato de beber e o comportamento resultante), repressão (esquecimento espontâneo das lembranças vergonhosas ou penosas) e projeção (culpar outros pelos próprios problemas e pensamentos, sentimentos ou atos inaceitáveis). Mais tarde, a vida se concentra em obter a droga em quantidade suficiente; tudo o mais passa a ter caráter secundário.

Embora isto afete o viciado, influencia também a sociedade. Sabe-se perfeitamente que muitos crimes são cometidos por toxicômanos e por pessoas sob a influencia do álcool. A cada semana, os que dirigem bêbados provocam mortes, ferimentos e a destruição de milhões de cruzeiros em propriedades. A seguir vêm os grandes problemas familiares, a perda da produção ou eficiência de empregados e o declínio na atenção por parte dos militares que abusam de tóxicos. Tudo isto representa o abuso de drogas ao máximo, mas é surpreendentes que produtos químicos com tal potencial destrutivo sejam abertamente tolerados, usados livremente e anunciados entusiasticamente em nossos meios de comunicação em massa.

3. Efeitos na Família. Os efeitos do abuso de drogas sobre a família já foram mencionados. As famílias, em primeiro lugar, tentam proteger, controlar e culpar o viciado, seja em álcool ou drogas. A seguir, os membros tomam para si as responsabilidades dele, vivendo todo o tempo debaixo de tensão, medo e insegurança. Quase sempre existe embaraço, que faz com que os membros da família se retraiam e, como resultado, experimente solidão e isolamento social.

4. Efeitos Espirituais. É impossível crescer espiritualmente quando a pessoa depende ou
é dominada por uma droga. Muitos viciados sabem disto, mas parecem impotentes para mudar; acabando por afastar-se ainda mais de Deus. A droga torna-se um ídolo a ser adorado a coisa que mais importa. Isto pode ter influências espirituais adversas tanto sobre a família como sobre o viciado.

V – O ACONSELHAMENTO E O VÍCIO

1. Levar o Viciado a Uma Fonte de Ajuda. Isto é difícil porque muitos viciados, especialmente os alcoólatras, negam que existe um problema. Seus processos de raciocínio acham-se embotados e a realidade de sua condição fica muitas vezes oculta através dos atos de membros da família bem-intencionados que “arranjam as coisas” quando o viciado age irresponsavelmente.

Como ele pode então “receber a mensagem” de que está precisando de ajuda? De maneira firme, fatual e não-acusadora, ressalte a natureza de seus atos. Apresente exemplos específicos (e.g., “Na noite passada, às 23 horas você derrubou e quebrou a lâmpada do abajur”).

Certo escritor sugeriu que a mensagem é melhor transmitida não – verbalmente. Se o viciado perde os sentidos no chão da sala, por exemplo, deixe-o ali em lugar de ajudá-lo a chegar até a cama, ocultando assim o fato do desmaio ter ocorrido.
Lembre-se de que a maioria dos viciados sofre de grande ansiedade e tem baixa auto- estima. Portanto, é preciso ter cuidado para não criticar ou condenar de modo a despertar a ansiedade.

Transmita aceitação da pessoa, mas não do seu comportamento. Ouça o viciado, mas não o reassegure. Reconheça que os viciados são dependentes, no geral infantis, gostam de manipular e sua especialidade é despertar simpatia. O conselheiro deve resistir à tendência de dar conselhos, pregar ou agir como um pai. Em lugar disso, tenha uma atitude sem condescendência, firme e sensível que deixe implícito que a responsabilidade pela recuperação pertence ao paciente. Em tudo isto, lembre-se de que os melhores conselheiros são amáveis, porém firmes em sua abordagem.

2. Afastar o Viciado da Droga. Este é um problema que deve ser acompanhado por um médico, embora estes profissionais, algumas vezes, trabalhem em conjunto com os psicólogos que empregam uma técnica avançada de “reaprendizado”, conhecida como terapia behaviorista.

Apesar da “desintoxicação” ser no geral realizada com segurança e rapidamente, este é apenas o início do tratamento. Um problema maior é manter o viciado longe das drogas.

Isto envolve aconselhamento, o qual tem pelo menos quatro alvos:
(1) reparar o dano físico resultante do vício,
(2) ajudar o aconselhado a aprender como enfrentar a tensão,
(3) ajudá-lo a encontrar um substituto eficaz para a droga, que não seja químico,
(4) construir ou restaurar a auto-estima e tratar do sentimento de culpa.

O primeiro desses alvos envolve tratamento médico. Os demais podem ser alcançados através de conselheiros leigos, preferivelmente trabalhando com a família, grupos de apoio e outros especialistas.

3. Forneça Apoio. Os que abusam de drogas são pessoas solitárias, imaturas, a quem é pedido que desistam de uma substância que consideram valiosas e a mudar um estilo de vida que já se tornou bem estabelecidas. Isto não poderá ser realizado em uma ou duas horas de aconselhamento individual por semana.

Muitos viciados são melhor ajudados em hospitais ou centros de reabilitação onde existe ajuda disponível 24 horas por dia. Outros podem ser assistidos através do aconselhamento em grupo, onde viciados que já se recuperaram podem ajudar os outros a enfrentarem as tensões da vida, a interagirem com as pessoas e a viverem sem depender dos produtos químicos.

O apoio mais eficaz é obtido, sem dúvida, através dos Alcoólatras Anônimos (AA) e outros grupos da mesma linha de atuação. Essas organizações reúnem-se em cidades em todas as partes do mundo, são gratuitas, constam da lista telefônica e considerada como sendo talvez a abordagem mais eficaz para ajudar os alcoólatras e suas famílias. Elas se fundamentam em princípios consistentes com o ensino bíblico; aceitação da realidade; fé em Deus; entrega da vida ao cuidado divino; sinceridade para com Deus, para consigo mesmo e outros; desejo e disposição de mudar o estilo de vida; oração; correção de erros e compartilhar com outros.

O grupo “Narcóticos Anônimos” teve menos sucesso, mas fornece de qualquer modo um grupo de apoio onde existe compreensão e cuidado. Com toda a certeza, qualquer “tratamento que promova a filiação num grupo de apoio em um ambiente livre de drogas é um método bem mais eficaz de tratar o viciado do que os esforços para fornecer uma percepção psicológica ou drogas melhores.”

Ao ler o parágrafo acima ocorreu a você que a igreja também poderia fornecer apoio? Isto acontecerá se os membros forem compreensivos, estiverem familiarizados com os fatos relativos ao vício, estiverem prontos para ajudar e se sua atitude não for condenatória. Desde que inúmeros não-viciados têm dificuldade para compreender as lutas do viciado, os aconselhados podem ser encorajados e envolver-se com os AA, além da confraternização mais ampla e diversificada de uma igreja local.

4. Ajuda com o Controle da Tensão. No passado, os viciados enfrentavam a tensão fugindo através do uso de drogas. O aconselhamento deve mostrar que existem melhores meios de vencer as pressões da vida. A fim de demonstrar isto, o aconselhado deve aprender que pode confiar no conselheiro que, por sua vez, deve ser paciente e confiável. A tensão em geral pode ser discutida, mas uma abordagem melhor é estudar cada problema que surge e ajudar o aconselhado a decidir como resolvê-lo. Isto incluirá considerações de relações interpessoais e como conviver com outros em separado do uso de drogas ou álcool.

5. Encoraje a Auto-compreensão e Mudança de Estilo de Vida. Depois de estabelecer uma relação de confiança, pode ser útil considerar algumas das razões para o abuso de drogas. Essas discussões às vezes levam à percepção, mas esta é praticamente inútil se não for seguida de planos específicos para o comportamento mudado, os quais possam ser levados a efeito.

Esses planos envolvem algumas vezes o aconselhamento vocacional (veja o capítulo 17, do livro Aconselhamento Cristão de Gary R, Collins), a consideração e estabelecimento de alvos de vida, avaliação da auto-estima (veja capítulo 24, do livro aconselhamento Cristão de Gary R. Collins), e uma discussão dos relacionamentos no casamento (veja capítulo 13).

6. A seguir vem a questão do estilo de vida. Agora que ele ou ela não está tomando a droga, de que forma sua vicia vai mudar? O estilo de vida da pessoa depende das decisões sobre o que irá ou não ser feito. Essas decisões envolvem tanto o aconselhado como sua família.

7. Aconselhamento Familiar, O abuso de drogas é um problema familiar e a família inteira precisa receber apoio, compreensão e ajuda. Esta é às vezes aconselhada a não se afastar, mas viver o melhor que puder apesar das circunstâncias. Os membros da família devem ser ajudados a ver como talvez estejam contribuindo para o problema do vício ou corno sua proteção do viciado pode prolongar a situação. É interessante algumas vezes fornecer-lhes fatos para que possam compreender o problema da dependência e, antes do viciado pedir ajuda, os membros da família podem ser encorajados a enfrentá-lo com evidências específicas do seu comportamento induzido por drogas.

Os membros da família algumas vezes, especialmente os cônjuges, querem salvar o viciado e tomam a responsabilidade de dirigir a família. Quando ele volta à sobriedade, a família deve reajustar-se à mudança e aprender a aceitar o viciado como um membro responsável do lar. Isto talvez seja difícil por causa do medo, baseado nas experiências anteriores, de que a sobriedade não dure ou porque a família aprendeu a viver bem sem o viciado. A mudança para a família toma-se um risco, mas é importante para o aconselhado e melhor efetuado quando o conselheiro ou o grupo externo de apoio oferece encorajamento.

8. Esteja Preparado para uma Recaída. Estas são comuns entre os viciados, inclusive alcoólatras. Os AA há muito afirmam que um só gole pode mandar o alcoólatra rapidamente de volta ao vício. O mesmo se aplica às drogas não-alcoólicas. Se a recaída for acompanhada de sentimento de culpa e condenação, o viciado inclina-se a desistir e adotar uma atitude que diz: “Jamais vencerei, por que então me importar?”
Não é fácil trabalhar com pessoas viciadas, O conselheiro pode esperar fracassos e
depois de uma recaída precisa ajudar o aconselhado a “levantar-se” e continuar lutando com o problema.

9. Reconheça que a Evangelização e o Discipulado São Básicos. Se o aconselhado quiser encontrar novo significado e propósito na vida, ele ou ela precisa sentir que a satisfação verdadeira e duradoura só é possível em Jesus Cristo. O conselheiro deve depender da orientação do Espírito Santo para determinar quando e como apresentar o evangelho.

Pregações altamente emocionais produzem às vezes decisões falsas que são mais tarde rejeitadas embora haja muitos exemplos de pessoas convertidas a Cristo, libertadas do vício e permanentemente mudadas através da pregação de mensagens evangelísticas.
Os aconselhados reagem melhor ao evangelho quando reconhecem a sua necessidade e que Cristo pode satisfazer a mesma.

Uma vez que os viciados são mestres em manipular as outras pessoas, tenha cuidado para não cair no mesmo padrão e tentar manipulá-los para entrarem no reino. Os aconselhados devem aprender os fatos do evangelho a serem instados, mas não coagidos, a tomarem a decisão de entregar sua vida a Cristo.

Em tudo isto, a oração é de importância central. Mediante a intercessão dos crentes e a disponibilidade de ajudadores humanos interessados, Deus opera a fim de restaurar os que se deixaram dominar pelas substâncias químicas. Ele também ajuda a impedir o abuso de produtos químicos em outros.

VI – IMPEDINDO O VÍCIO

A prevenção do abuso de drogas inicia-se no lar. Quando os filhos são respeitados, amados, disciplinados e criados para serem pais sensíveis, preocupados, estáveis, existe maior oportunidade para um amadurecimento mais sadio e menor probabilidade da dependência de drogas. Quando as necessidades emocionais dos filhos são satisfeitas no lar, quando eles são ajudados a enfrentar a tensão, quando aprendem um sistema claro de valores, existe maior senso de segurança e auto-estima, acompanhado de maior capacidade de tratar com os problemas da vida sem a ajuda de drogas.
Para muitas pessoas, porém, o lar não corresponde a esta descrição. Mesmo que isto ocorra, podem haver influências exteriores que levem ao abuso de drogas. A fim de evitar isto, várias considerações adicionais são importantes.

1. Instile uma Fé Religiosa Sadia. Uma pesquisa entre 5.648 alunos universitários revelou que os habituais freqüentadores de igreja e os que possuem uma fé religiosa sólida “têm muito menos probabilidade de viciar-se em drogas do que os colegas que mudam de igreja em sua busca da divindade. E… o uso de drogas era mais alto entre os que não se interessavam absolutamente por qualquer busca espiritual.” Não se segue, entretanto, que a fé em Deus previna sempre o abuso de tóxicos, mas os conselheiros cristãos podem ter certeza de que quando a “pessoa está cheia do Espírito” de Deus, há muito menos necessidade de depender de substâncias químicas.

2. Forneça Informação sobre o Abuso de Drogas. Verdade que os que nunca bebem ou tomam drogas jamais se tomarão viciados. Mas pedidos emocionais para que se abstenham raramente convencem ou influenciam os indivíduos curiosos quanto aos efeitos provocados pelas drogas ou influenciados pelos companheiros. Não adianta também ignorar o assunto do abuso de tóxico na suposição de que discuti-lo iria despertar a curiosidade. Quando tema é discutido numa conversa aberta e franca, isto enfraquece a tentação de envolver- se pelo que é secreto e proibido.

VII – O ENSINAMENTO DEVE

(a) começar cedo, desde que a maior parte dos viciados dá os primeiros passos na estrada em declive durante a adolescência;
(b) apresentar fatos corretos relativos à natureza e efeitos das drogas, inclusive o álcool;
(c) evitar os apelos emocionais que envolvem “táticas amedrontadoras”, mas com pouco conteúdo real;
(d) discutir claramente os ensinos bíblicos sobre o vinho e a embriaguez;
(e) esclarecer o jovem sobre os motivos pelos quais as pessoas bebem ou tomam drogas, salientando que “o alcoólatra na estrada da recuperação aos 45 anos de idade, sem o álcool, terá de enfrentar os mesmos problemas e sentimentos dos quais procurou escapar na adolescência através da bebida”
(f) discutir sobre como é possível dizer “não” num ambiente onde os companheiros estejam bebendo ou tomando drogas;
(g) encorajar o indivíduo a tomar uma decisão beber ou não beber; tomar outras drogas ou abster-se em lugar de incidir no hábito;
(h) encorajar a abstinência como o melhor e mais eficaz meio de prevenção;
(i) descrever os sinais de advertência que indicam o desenvolvimento do vício; e
(j) alertar as pessoas quanto à disponibilidade, local e natureza da ajuda para os que estejam apresentando problemas relacionados com drogas.
Um escritor resumiu a natureza de um programa de prevenção realmente eficaz:
Temos a tarefa de ajudar o jovem abstinente a compreender o seu comportamento num ambiente em que a maioria bebe. Devemos fazer o jovem que bebe tomar consciência de que o álcool não é apenas uma outra bebida social, mas um tóxico que em quantidades específicas tem efeitos específicos para um determinado indivíduo.

Temos igualmente a tarefa de ajudar os jovens a compreenderem o alcoólatra como uma pessoa com um desvio de comportamento que pode e deve ser ajudada… Não precisamos de menos educação sobre o álcool, mas uma educação realisticamente complementada por um amplo interesse em identificar e ajudar o jovem com problemas de desenvolvimento social e pessoal, quer seus problemas sejam ou não o álcool.
Esta última sentença leva ao aspecto seguinte da prevenção.

3. Ensinar as Pessoas a Enfrentarem a Vida. Se pudermos supor que o abuso de drogas no geral reflete um fracasso no sentido de enfrentar as dificuldades, a abordagem para a prevenção será então ensinar os indivíduos a encarar abertamente, discutir e tratar com os problemas da vida que provocam tensão. “A chave para a prevenção” conclui um relatório, “é reduzir a exposição à tensão onde possível e ensinar meios sadios de vencer a tensão que não pode ser eliminada.”

4. Fornecer Exemplos Adultos Realistas. Em seu livro sobre o alcoolismo, Clinebell relata que o exemplo dos pais é o fator mais influente na determinação da probabilidade dos filhos virem ou não a desenvolver dependência de produtos químicos. Quando os pais dependem regularmente de drogas e álcool, os filhos aprendem a fazer o mesmo. Quando os pais proíbem rigidamente e condenam o uso de substâncias químicas, os filhos no geral reagem tomando do “fruto proibido”.

Mais eficaz é a atitude aberta sobre as drogas e o álcool, o reconhecimento dos seus perigos, encorajamento da moderação ou mesmo abstinência, e um exemplo por parte de pais que gozam a vida sem precisar depender de drogas para enfrentar os problemas ou manter relacionamentos positivos com outros.

Conclusões sobre a Dependência de Drogas

O abuso de drogas é uma doença ou um pecado?
Muitos cristãos concluem que se trata de um pecado que deve ser confrontado, confessado e interrompido. Em contraste, os conselheiros e ex-viciados (inclusive membros dos AA) afirmam que o vício é uma doença que o viciado não tem forças para interromper e deve ser tratada como tal.

Talvez seja mais correto concluir que o vício é tanto um pecado quanto uma doença.
O viciado decidiu originalmente submeter seu corpo a um veneno, mas o veneno tomou o controle e a pessoa tornou-se incapaz de interromper a deterioração sem a ajuda de outros.
Os viciados e suas famílias não são ajudados moralizando os pecados do abuso de drogas; não é também justo considerar este abuso como uma doença, despida de erro e tirando a responsabilidade da pessoa. O viciado deve ser ajudado profissionalmente a vencer a doença e ensinado espiritualmente a viver o resto de sua vida em obediência e submissão a Jesus Cristo. Só então o difícil problema será verdadeira e eficazmente resolvido. Amém

Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS

Evangelista Isaias Silva de Jesus (auxiliar)
3° Trimestre 2008 – Tema: 9º Lição A Sedução Das Drogas
Bibliografia:- Aconselhamento Cristão editado por Gary R. Collins
Fonte: http://rxisaias.blogspot.com/


Educação a Distância
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2 Responses to “A sedução das drogas – Ev. Isaías de Jesus”

  1. rafaela says:
    A sedução das drogas – Ev. Isaías de Jesusposted by Editor in August 27th, 2008 in Subsídios Lições Tags: DrogasNÃO HÁ NADA DE NOVO SOBRE O PROBLEMA DOS VICIADOS. DESDE O INICIO, da história registrada, uma certa porcentagem de pessoas tem tido problemas sérios com as drogas sempre ou- onde quer que tenham sido usadas. Em algumas culturas, o ópio e a maconha são as drogas-problema. Nas sociedades ocidentais as dificuldades estão associadas a drogas como a heroína ou cocaína, mas a droga mais comum que leva ao vício tem sido o álcool.

    O Dr. George A. Mann, Diretor-Médico do Instituto Johnson em Minneapolis um centro para estudo e tratamento dos dependentes químicos escreveu que todos os produtos químicos que viciam têm uma coisa em comum: mudam a disposição. Algumas mudanças de disposição são muito potentes e provocam hábito, enquanto outras são bem menos poderosas. Segundo Mann, as drogas podem ser colocadas numa escala, a partir das que apresentam maior possibilidade de provocar hábito até as de menor potencial:1

    Qualquer pessoa pode tornar-se psicológica e/ou fisicamente dependente dessas drogas caso fique exposta a uma alta dosagem das mesmas durante um período suficientemente longo de tempo. Com uma droga como a heroína o tempo não precisa ser longo e os efeitos são tanto rápidos como muito perigosos; com a cafeína o tempo é mais longo e os efeitos praticamente desprezíveis.

    Ë possível dividir nossa vida em quatro categorias gerais: vida familiar, vida social, vida profissional e vida espiritual. Quando um produto químico interfere com a produtividade, tranqüilidade, eficiência ou bem-estar em qualquer dessas áreas; e quando percebemos que isto está acontecendo mas persistimos no uso da droga, estamos então viciados, pelo menos psicologicamente. Se ficarmos doentes fisicamente ao ser retirada a droga, estaremos viciados também fisicamente.

    Ê quase impossível apresentar estatísticas corretas sobre a predominância dos vícios. Os números mudam com tanta rapidez que provavelmente já serão obsoletos ao serem publicados. Somente nos Estados Unidos quase dez milhões de pessoas (inclusive 1.3 milhões de adolescentes com menos de 18 anos) têm sérios problemas de alcoolismo. Isto significa que das pessoas que bebem, uma em cada dez irá tornar-se alcoólatra e milhares de membros de suas famílias sofrerão por causa disso. O alcoolismo é um dos quatro maiores problemas da saúde pública na América juntamente com as doenças cardíacas, o câncer e as enfermidades mentais, e custa cerca de 25 bilhões de dólares por ano.
    Se acrescentarmos a isto os milhares de pessoas viciadas em outras drogas, é fácil ver porque este assunto tornou-se um problema crítico. Trata-se de algo que todo conselheiro cristão irá encontrar pelo menos periodicamente e talvez com freqüência durante sua carreira.

    INTRODUÇÃO

    A Bíblia e o Vício

    A Bíblia não menciona especificamente as drogas em geral, mas ele diz algumas coisas
    sobre o excesso de bebida e estabelece certos princípios que poderiam aplicar-se à questão do vício. Estes poderiam ser talvez melhor descritos como uma série de “pode” e “não pode”.

    • 1 – Os “NÃO PODE”

    (a) Não Transgrida a Lei. A Bíblia nos dá instruções para sermos cidadãos cumpridores da
    lei. E errado, portanto, comprar, vender, aprovar, possuir, ou usar qualquer droga ilegalmente.

    (b) Não Espere Chegar a Deus Através das Drogas. Há vários anos atrás, um livro controvertido afirmava que as drogas psicodélicas ofereciam um caminho superior para descobrir a verdade e entrar num campo de experiências religiosas significativas. Tal ponto de vista nega o fato de que nos aproximamos de Deus apenas pelo caminho de Jesus Cristo, e que devemos fazê-lo com a mente limpa,” e não com o cérebro entorpecido por substâncias químicas.

    (c) Não Se Deixe Dominar por Coisa Alguma. Isto certamente inclui uma proibição contra sermos controlados pelas drogas ou viciados nelas, inclusive o álcool.

    (d) Não Suponha que as Drogas Resolvem Problemas ou Reduzem a Tensão. Como veremos, a tensão é uma das maiores causas do vício. O álcool ou outra droga qualquer dá um sentimento de euforia e de que tudo vai bem. Mas isto serve apenas para evitar os atos responsáveis e no final pode causar problemas adicionais. A pessoa que foge através das drogas deixa de reconhecer o ensino bíblico de levar nossos fardos a Cristo onde podemos enfrentá-los francamente e tratar deles diretamente.

    • II – Os “PODE”

    (a) Lembre-se de Nossa Responsabilidade de Controlar a Criação. Deus disse a Adão que subjugasse e dominasse a terra,14 mas no decorrer dos séculos abusamos e usamos mal a criação de Deus. Como novas criaturas em Cristo, os crentes têm a responsabilidade de cuidar daquilo que Deus criou, inclusive seus próprios corpos. Assim sendo, “o uso de qualquer droga com o propósito de diversão e fuga, controle da mente, adoração religiosa, experiências ocultistas, magia, ou assassinato é um pecado contra Deus, a Criação, a Sociedade e o Indivíduo.

    (b) Evite a Embriaguez. Esta é clara e explicitamente condenada na Bíblia e chamada de pecado. Estender esta proibição clara para além do álcool está com certeza de acordo com o ensino bíblico: não devemos embriagar-nos com qualquer substância química.

    (c) Encha-se do Espírito. “E não vos embriagueis com vinho” (ou com drogas?), lemos em Efésios 5.18, “mas enchei-vos do Espírito”. A vida controlada pelo Espírito Santo é apresentada na Bíblia como uma alternativa superior àquela preenchida com produtos químicos que levam à dependência.

    (d) Mantenha o Corpo Humano Puro, O Espírito Santo habita no corpo de cada cristão
    e por este motivo devemos fazer o possível para manter nossos corpos livres de poluentes
    inclusive drogas e quantidades excessivas de alimentos. Todo corpo humano foi feito por
    Deus e o corpo do cristão pertence a ele tanto devido à criação divina como à redenção divina. As Escrituras e o bom senso nos dizem, portanto, que devemos cuidar de nós mesmos de modo a poder “glorificar a Deus” com nossos corpos.

    (e) Use de Moderação, Caso não Faça Abstinência. A Bíblia não ensina a abstinência,
    embora enfatize a temperança. No Salmo 104 o vinho é incluído entre as bênçãos de Deus
    e descrito como algo que “alegra o coração do homem”. Em seu primeiro milagre, Jesus
    transformou a água em vinho, vinho foi aparentemente tomado na última ceia, e parece que
    o próprio Jesus bebeu vinho.

    Segundo um escritor, o vinho era misturado com água na Palestina do primeiro século, provavelmente numa proporção de três partes de água para uma de vinho. Traduzido em termos modernos, duas doses de “Martini” nos dias de hoje equivaleriam a vinte e dois copos de vinho palestino. Não obstante, o vinho verde podia embebedar e o anfitrião nas bodas de Caná deixou transparecer que os convidados beberam fartamente e no final da celebração tinham mais dificuldade em distinguir o vinho bom do inferior. Quer o vinho fosse forte ou diluído, quem bebia, porém, tinha a responsabilidade de controlar a quantidade ingerida.

    Embora a Bíblia ensine moderação no beber, a abstinência também era considerada favoravelmente. João Batista foi um mensageiro especial de Deus que “não bebia vinho”, e quando alguém fazia voto de nazireu para “consagrar-se ao Senhor”, este era acompanhado de abstinência de vinho e de bebida forte. Muitos cristãos concluiriam hoje que a moderação é boa e que a abstinência é melhor especialmente em vista dos claros perigos ligados à bebida e abuso de produtos químicos (entorpecentes).

    (f) Permita a Liberdade Cristã. Embora todas as coisas sejam lícitas, inclusive drogas como o álcool, nem todas as coisas convêm ou são proveitosas? Se beber substâncias alcoólicas, por exemplo, prejudica o corpo, leva à imoralidade ou faz outro cristão tropeçar, essas práticas devem ser então abandonadas e evitadas? Este é um princípio onde o crente tem liberdade para usar restrição desde que isto seja benéfico e promova o crescimento do corpo de Cristo a igreja.

    (g) Permita o Uso de Drogas como Remédio. Quando Jesus se achava na cruz ele recusou-se a tomar o vinho que teria aliviado seu sofrimento. Em outro ponto, entretanto, ele falou com aprovação do Bom Samaritano cuja compaixão fez com que derramasse vinho sobre os ferimentos. Todos sabem também que Timóteo foi encorajado a tomar um pouco de vinho para ajudar seu estômago doente.
    Os parágrafos acima mostram que o vinho é mencionado várias vezes na Bíblia. Esses ensinamentos escriturísticos têm uma relevância definida em nossos dias, especialmente as advertências repetidas contra o vício. Mas, que dizer da pessoa que já é viciada? Não basta simplesmente deixar de beber ou de tomar drogas; não é também fácil para quem está no processo de tornar-se viciado inverter o mesmo. E justamente nesse ponto que o conselheiro cristão pode ser útil.

    III – As CAUSAS DO VÍCIO

    Alguém sugeriu que estamos numa era de “tomar pílulas”. Bem cedo na vida as crianças entram em contato com remédios que tiram a dor e fazem a pessoa sentir-se melhor. Os adolescentes observam os pais tomarem aspirina, comprimidos para curar resfriados, remédios para dormir e diversas outras drogas. Milhares de pessoas tomam café para descontrair- se, ou fumam ou tomam um drinque antes do jantar, e quando surgem problemas, os tranqüilizantes ajudam a acalmar nossos nervos perturbados. Não é de se admirar que os jovens sigam este exemplo adulto e, por sua vez, perpetuem a idéia de que as drogas são a primeira linha de defesa contra o sofrimento físico ou psicológico.

    Como é natural, poucas pessoas afirnariam que as drogas sejam más em si mesmas. Seu valor medicinal é bem conhecido e talvez não haja perigo no uso ocasional de estimulantes brandos ou drogas que provoquem o relaxamento. Mas são muitos os que passam a depender tanto de drogas leves como a cafeína ou nicotina e (o que é pior) de produtos químicos mais prejudiciais que promovem a dependência, inclusive do álcool.

    No correr do tempo, inúmeras pesquisas tentaram descobrir a razão pela qual algumas pessoas tomam-se viciadas e outras não. Algumas dessas conclusões das pesquisas poderiam ser incluídas nas seguintes categorias. Mas, provavelmente, nenhuma delas por si provoca o abuso de drogas (Os problemas complexos raramente têm uma só causa.). Se, porém combinadas, elas tomam alguns especialmente inclinados ao vício.

    1. Personalidade, Hereditariedade e Fisiologia. Os que abusam de drogas são peculiares em termos de personalidade ou características fisiológicas? Existem alguns sintomas que surgem com freqüência acima da normal nos que tomam drogas em excesso. Isto inclui um elevado nível de ansiedade, imaturidade emocional, problemas na aceitação de autoridade, baixa capacidade para aceitar a frustração, baixa auto-estima que às vezes é oculta por atitudes de grandiosidade, sentimentos de isolacionismo, perfeicionismo, culpa e compulsão? Poderia ser argumentado que essas características são resultado do abuso de drogas e não uma causa, mas os relatórios de Clinebell afirmam que, pelo menos com o alcoolismo, esses atributos estão presentes antes do excesso de bebida começar e persistem de forma reduzida muito depois da sobriedade ter sido alcançada. As “personalidades prejudicadas” são ainda mais aparentes nos que abusam de drogas mas não são alcoólatras do que nos alcoólatras propriamente ditos?

    Apesar dessas conclusões, nem todos os especialistas concordariam sobre as características de personalidade dos viciados. Não existe urna personalidade alcoólatra ou viciada típica e a ciência ainda não descobriu qualquer influência hereditária ou diferença físicas marcante entre os que se tornam viciadas e os que não se viciam? A personalidade, a Hereditariedade e a fisiologia podem tornar alguns mais inclinados ao vício, mas em si mesmos esses três fatores não provocam dependência.

    2. Ambiente Anterior e Cultura, O ambiente familiar e a sociedade em que o indivíduo é criado também aumentam ou diminuem a possibilidade dele tornar-se um viciado.

    (a) Exemplos dos Pais, O comportamento dos pais geralmente influencia o comportamento subseqüente dos filhos. Quando os pais bebem em excesso ou abusam de drogas, os filhos algumas vezes decidem tomar-se completamente abstêmios. Mais freqüentemente, porém, eles seguem o exemplo paterno. Foi calculado que “sem interferência, de 40 a 60% dos filhos de pais alcoólatras também se tornam alcoólatras”.
    (b) Atitudes dos Pais. A permissividade e rejeição por parte dos pais estimulam o uso e abuso de tóxicos. Quando os pais não se importam se os filhos bebem ou não, não existe preocupação quanto aos perigos das drogas ou álcool e o abuso logo se segue. Se os pais negligenciam os filhos ou os castigam demasiadamente, estes se rebelam. A delinqüência, uso excessivo de tóxicos e alcoolismo são comuns nesses casos.

    Segundo Clinebell, nos lares dos alcoólatras tende a existir autoritarismo, idolatria do sucesso, rejeição aberta e/ou um moralismo que desperta o sentimento de culpa e a hostilidade. Embora ocorram freqüentemente exceções, as maiorias dos que têm problemas com o abuso de drogas são produto de lares instáveis e inadequados.

    (c) Expectativas Culturais. Se um grupo cultural ou sub-cultural possui diretrizes claras a respeito do uso do álcool ou tóxicos, é mais difícil haver abuso, Entre os italianos e judeus, por exemplo, é geralmente permitido que os jovens tomem bebida alcoólica, mas a embriaguez é condenada e a taxa de alcoolismo é baixa. Em contraste, culturas como a nossa toleram mais a embriaguez. O fato de adolescentes e universitários beberem é aceito como um sinal de maturidade e a intoxicação tomam-se tema de anedotas na televisão e nos coquetéis. Desde que “ficar alto” estimula as ações, estabelecem-se condições que levam ao abuso de drogas.

    Essas observações deixam passar o fato das diferenças individuais na cultura. Muitos que procedem de um ambiente com tendência ao alcoolismo jamais ficam viciados; outros tomam-se viciados embora isto não pudesse ser previsto pelo seu passado. A razão para essas diferenças pode estar em grande parte ligada à questão da tensão.

    3. A Pressão Atual. As raízes do vício são geralmente encontradas nos anos da adolescência. Como exemplo, vamos seguir o processo de dependência quando ele se inicia num jovem hipotético, normal, do sexo masculino. Com “normal” queremos dizer que ele gosta de algumas coisas em sua pessoa e não gosta de outras. Em algumas coisas sente-se competente e em outras áreas sente-se inadequado. Como outros de sua idade, experimenta ansiedade, temores, culpa, decepção e insegurança em certas situações. Embora possa vir de uma família boa, haverá momentos de tensão em seu lar.

    Tendo sido criado numa sociedade e época de fartura na história, pode estar acostumado ao conforto e satisfação imediata de suas necessidades e desejos. Em vista desta infância confortável, as pressões da adolescência podem atingi-lo com especial intensidade.
    Suponhamos ainda que este jovem tenha oportunidade de tomar uma droga. Esta pode ser-lhe ministrada como parte de um tratamento médico, mas é mais provável que a tome deliberadamente.

    Podem haver inúmeras razões para isto: pressão dos amigos, desejo de “ver como é”, busca de significado pessoal, identificação com um grupo ou herói que use drogas, crença de que ela (inclusive o álcool) “prove” a maturidade da pessoa, ou uso das drogas e álcool como um meio de “revide” contra os pais. Alguns esperam que o tóxico os ajude a fugir do tédio ou solidão e proporcione aceitação por parte de amigos envolvidos com drogas. Outros bebem ou tomam tóxicos por ser uma forma socialmente aceita dos amigos relaxarem juntos.

    Quando nosso jovem hipotético toma álcool ou outra droga ele tem uma sensação de euforia. Sente-se tranqüilo, menos nervoso, mais adequado e à vontade na companhia de outros. Seus problemas parecem menos graves e o mundo lhe sorri.
    Podem haver ressacas ou remorso periódicos em fases de sobriedade, mas o uso da droga continua porque a mudança de disposição é tão agradável e o perigo parece tão pequeno…
    Quando o jovem chega à casa dos vinte, ele já repetiu a experiência com os tóxicos muitas vezes. Aos trinta, o uso do álcool ou outras drogas tomou-se parte integrante de sua vida. Encontra-se agora psicologicamente viciado e a adição física virá logo a seguir. Com o correr dos anos o uso de tóxicos aumentou porque são necessárias quantidades cada vez maiores para criar nova euforia e aliviar a ansiedade. Se a droga é retirada, o resultado é a doença. Assim sendo, no início da meia-idade, a aquisição e ingestão de drogas tornou-se de tal forma importante que sua vida familiar, pessoal, social e profissional fica prejudicada. A pessoa que começou a beber ou a tomar tóxicos para descontrair-se, tornou-se agora um viciado.

    Exemplos desse tipo levaram muitos escritores a concluir que a pressão é uma das principais influências no vício. A fim de escapar temporariamente às pressões e gozar de um sentimento de tranqüilidade ou euforia, a pessoa começa com quantidade limitadas de drogas e as toma apenas ocasionalmente. Desde que a nicotina e cafeína não produzem grandes sensações, ela se volta para coisas mais fortes. Em nossa sociedade, a droga preferida é o álcool em vista da facilidade de acesso e aceitação social.

    Mais tarde, esta ou outra droga torna-se um apoio indispensável pelo qual os indivíduos negam a tensão e aliviam os sofrimentos da vida. O que teve início num cenário social para relaxamento e confraternização, transforma-se num meio de fugir à pressão, ansiedade e sentimentos de desajuste. A medida que o vício cresce, a necessidade da droga aumenta, diminui o autocontrole, o trabalho sofre, assim como a saúde e relacionamento familiares e sociais.

    4. Perpetuação das Influências. Para compreender o vício é importante considerar o que toma algumas pessoas vulneráveis (inclusive a personalidade, cultura e ambiente), o que motiva o indivíduo a começar a tomai a droga (principalmente pressões e tensões grupais), e o que mantém o vício.
    Em algum ponto do processo ocorrem mudanças endócrinas e bioquímicas que tornam difícil a interrupção do mesmo. Mais poderosas ainda são as modificações psicológicas formadas através dos anos. A droga tornou-se o núcleo ao redor do qual a vida se organiza. Pode ser a causa dos problemas, mas passou também a ser vista como a solução uma resposta mágica, mas trágica, às tensões da vida.

    Os membros da Associação dos Alcoólatras Anônimos acreditam que não pode haver cura para o vício até que a pessoa “chegue ao fundo”, admitindo que ele ou ela “não tem poder sobre o álcool” e sinta-se incapaz de dirigir sua vida sem a ajuda de “um Poder maior do que nós mesmos”.

    Lamentavelmente, esta determinação de mudar é com freqüência adiada pelas pessoas que mais querem que a mudança ocorra a família do viciado. O alcoolismo e, num nível inferior, as drogas, foram descritos como doenças familiares. A maioria dos alcoólatras neste país está vivendo em casa com suas famílias. Quando o alcoolismo ou outro tipo de vício piora, cada membro da família é afetado. Com freqüência, cada um procura negar a realidade da situação, tanto para proteger e criticar o viciado como para manter unida a família com a mínima tensão possível.

    A princípio, é feita a tentativa de controlar ou interromper o uso da droga. A seguir vem a tentativa de compreender o fato e eliminar as causas. No geral é feito um esforço para ocultá-lo da comunidade enquanto em casa o viciado é incentivado a abandonar o vício.
    Algumas vezes os membros da família adotam “papéis de sobrevivência” que são esforços sinceros e por vezes inconscientes de manter a família unida e impedir que ela desmorone debaixo da pressão. O “substituto”, por exemplo, é o papel desempenhado pela pessoa, geralmente o cônjuge, que procura aceitar a responsabilidade de satisfazer as necessidades da família. O “herói” tenta facilitar as coisas para a família e fomentar a auto-estima nos membros, O “bode expiatório” cria problemas ou se afasta de modo a prover distração para a família. Em contraste, o “mascote” tenta injetar humor na situação penosa, enquanto o “filho perdido” encobre os seus sentimentos e tenta ser a única pessoa com quem a família não precisa preocupar-se. Tudo isto reflete a dor e a tragédia que se infiltra e caracteriza a família do viciado.
    Papéis como esses ajudam a família a continuar vivendo, mas, por sua vez, podem apoiar o viciado em sua dependência. Enquanto a família vai bem, existe menos motivação para mudar. A família, portanto, fica presa numa armadilha em que vencer é impossível. Ajustar-se ao viciado pode perpetuar o seu problema e o sofrimento continua. Se não se ajustarem, os membros da família também ficam feridos e o sofrimento também prossegue.

    Num livro de impacto intitulado The Booze Battle: A Common Sense Approach That Works (A Batalha dos Tóxicos: Uma Abordagem de Bom Senso que Funciona) certo conselheiro argumenta persuasivamente que os viciados devem enfrentar a realidade da situação antes que possa haver melhora. O tratamento será adiado se as famílias ou empregadores perpetuarem o problema negando a sua realidade, escondendo-o de outros e protegendo o viciado, impedindo-o de enfrentar as conseqüências de seu comportamento irresponsável e egoísta.

    Pode-se acrescentar a isto o fato da sociedade perpetuar o problema do vício quando despreza a sua seriedade, ri da intoxicação, tolera o indivíduo que dirige embriagado, perdoa os crimes cometidos sob a influência de drogas e descreve os produtos químicos como a solução final, mais rápida e mais agradável de nossos problemas, pressões e temores de isolamento social.

    5. Influências Espirituais. Um escritor cristão enfatizou o seguinte: A causa mais importante para o abuso de drogas… é a existência de um vazio espiritual religioso e existencial. Parece que os jovens de hoje, por lhes faltarem sistemas de valores básicos conferidos por unidades familiares estáveis, acham-se constantemente à procura de modelos significativos de identificação em outros lugares da sociedade. Quando não os encontram, são dominados por uma sensação crescente de frustração, falta de propósito e significado.

    À medida que o materialismo tornou-se um deus, houve uma humanização simultânea de Deus… Essa produção humana de Deus, porém, jamais conseguirá encher a sensação de vazio e infundir qualquer idéia de valor, esperança ou significado à existência do jovem. Desse modo, os adolescentes tornam-se mais uma vez os prováveis candidatos às experiências psicodélicas, fascinação pelo ocultismo, possuindo todos os pré-requisitos para o desenvolvimento de atividades delinqüentes contra as leis estabelecidas.

    Em termos concisos, os seres humanos têm uma necessidade interior de um relacionamento real e crescente com Deus. Quando este anseio é negado, não-reconhecido e não-satisfeito, existe uma busca de outra coisa que possa encher o vácuo. Em lugar algum isto é mais claramente declarado do que na Bíblia: “Não bebam muito vinho, porque muitos males se encontram nesse caminho; em vez disso sejam cheios do Espírito Santo e governados por Ele”. Numa única sentença temos uma advertência, uma causa implícita e uma resposta para o problema do vício.

    IV – OS EFEITOS DA DEPENDÊNCIA

    A dependência pode imobilizar o viciado, arruinar a sua família e criar imensos problemas sociais. Embora os efeitos do vício no possam ser descritos adequadamente em alguns parágrafos, é possível resumi-los sob quatro títulos.

    1. Efeitos Físicos. Sempre que uma substância química entra no corpo há uma reação fisiológica. A natureza desta reação depende das condições físicas da pessoa, do tipo de droga tomada, da quantidade e da freqüência com que é usada.
    No álcool, por exemplo, é uma toxina (veneno) que afeta a maioria das células do corpo. Se for tomado rapidamente, o conteúdo alcoólico do corpo aumenta, o funcionamento do cérebro fica temporariamente prejudicado e o equilíbrio do indivíduo, as habilidades motoras, os pensamentos e as reações emocionais são influenciadas.

    Se o álcool for tomado constantemente e em grandes quantidades, podem resultar várias modificações físicas. Estas incluem a destruição das células cerebrais com mudança subseqüente do funcionamento mental, disfunções do fígado e/ou pâncreas, amortecimento dos membros e diversas moléstias gastrintestinais.
    O abuso de produtos químicos pode causar finalmente a morte e nas mulheres grávidas pode afetar a saúde dos bebês em gestação. Devido a esses aspectos físicos da dependência, a intervenção médica é parte essencial do tratamento.

    2. Efeitos Psico-Sociais. Desde que o abuso de drogas, especialmente o alcoolismo, é tão comum, muitos já estão familiarizados com os efeitos mais óbvios: mente embotada, comportamento inconveniente e reações emocionais injustificadas, negligência nos cuidados pessoais, afastamento, e perda das inibições sociais.

    A medida que a condição se agrava, as defesas psicológicas começam a aumentar no geral racionalizações (justificativas para o ato de beber e o comportamento resultante), repressão (esquecimento espontâneo das lembranças vergonhosas ou penosas) e projeção (culpar outros pelos próprios problemas e pensamentos, sentimentos ou atos inaceitáveis). Mais tarde, a vida se concentra em obter a droga em quantidade suficiente; tudo o mais passa a ter caráter secundário.

    Embora isto afete o viciado, influencia também a sociedade. Sabe-se perfeitamente que muitos crimes são cometidos por toxicômanos e por pessoas sob a influencia do álcool. A cada semana, os que dirigem bêbados provocam mortes, ferimentos e a destruição de milhões de cruzeiros em propriedades. A seguir vêm os grandes problemas familiares, a perda da produção ou eficiência de empregados e o declínio na atenção por parte dos militares que abusam de tóxicos. Tudo isto representa o abuso de drogas ao máximo, mas é surpreendentes que produtos químicos com tal potencial destrutivo sejam abertamente tolerados, usados livremente e anunciados entusiasticamente em nossos meios de comunicação em massa.

    3. Efeitos na Família. Os efeitos do abuso de drogas sobre a família já foram mencionados. As famílias, em primeiro lugar, tentam proteger, controlar e culpar o viciado, seja em álcool ou drogas. A seguir, os membros tomam para si as responsabilidades dele, vivendo todo o tempo debaixo de tensão, medo e insegurança. Quase sempre existe embaraço, que faz com que os membros da família se retraiam e, como resultado, experimente solidão e isolamento social.

    4. Efeitos Espirituais. É impossível crescer espiritualmente quando a pessoa depende ou
    é dominada por uma droga. Muitos viciados sabem disto, mas parecem impotentes para mudar; acabando por afastar-se ainda mais de Deus. A droga torna-se um ídolo a ser adorado a coisa que mais importa. Isto pode ter influências espirituais adversas tanto sobre a família como sobre o viciado.

    V – O ACONSELHAMENTO E O VÍCIO

    1. Levar o Viciado a Uma Fonte de Ajuda. Isto é difícil porque muitos viciados, especialmente os alcoólatras, negam que existe um problema. Seus processos de raciocínio acham-se embotados e a realidade de sua condição fica muitas vezes oculta através dos atos de membros da família bem-intencionados que “arranjam as coisas” quando o viciado age irresponsavelmente.

    Como ele pode então “receber a mensagem” de que está precisando de ajuda? De maneira firme, fatual e não-acusadora, ressalte a natureza de seus atos. Apresente exemplos específicos (e.g., “Na noite passada, às 23 horas você derrubou e quebrou a lâmpada do abajur”).

    Certo escritor sugeriu que a mensagem é melhor transmitida não – verbalmente. Se o viciado perde os sentidos no chão da sala, por exemplo, deixe-o ali em lugar de ajudá-lo a chegar até a cama, ocultando assim o fato do desmaio ter ocorrido.
    Lembre-se de que a maioria dos viciados sofre de grande ansiedade e tem baixa auto- estima. Portanto, é preciso ter cuidado para não criticar ou condenar de modo a despertar a ansiedade.

    Transmita aceitação da pessoa, mas não do seu comportamento. Ouça o viciado, mas não o reassegure. Reconheça que os viciados são dependentes, no geral infantis, gostam de manipular e sua especialidade é despertar simpatia. O conselheiro deve resistir à tendência de dar conselhos, pregar ou agir como um pai. Em lugar disso, tenha uma atitude sem condescendência, firme e sensível que deixe implícito que a responsabilidade pela recuperação pertence ao paciente. Em tudo isto, lembre-se de que os melhores conselheiros são amáveis, porém firmes em sua abordagem.

    2. Afastar o Viciado da Droga. Este é um problema que deve ser acompanhado por um médico, embora estes profissionais, algumas vezes, trabalhem em conjunto com os psicólogos que empregam uma técnica avançada de “reaprendizado”, conhecida como terapia behaviorista.

    Apesar da “desintoxicação” ser no geral realizada com segurança e rapidamente, este é apenas o início do tratamento. Um problema maior é manter o viciado longe das drogas.

    Isto envolve aconselhamento, o qual tem pelo menos quatro alvos:
    (1) reparar o dano físico resultante do vício,
    (2) ajudar o aconselhado a aprender como enfrentar a tensão,
    (3) ajudá-lo a encontrar um substituto eficaz para a droga, que não seja químico,
    (4) construir ou restaurar a auto-estima e tratar do sentimento de culpa.

    O primeiro desses alvos envolve tratamento médico. Os demais podem ser alcançados através de conselheiros leigos, preferivelmente trabalhando com a família, grupos de apoio e outros especialistas.

    3. Forneça Apoio. Os que abusam de drogas são pessoas solitárias, imaturas, a quem é pedido que desistam de uma substância que consideram valiosas e a mudar um estilo de vida que já se tornou bem estabelecidas. Isto não poderá ser realizado em uma ou duas horas de aconselhamento individual por semana.

    Muitos viciados são melhor ajudados em hospitais ou centros de reabilitação onde existe ajuda disponível 24 horas por dia. Outros podem ser assistidos através do aconselhamento em grupo, onde viciados que já se recuperaram podem ajudar os outros a enfrentarem as tensões da vida, a interagirem com as pessoas e a viverem sem depender dos produtos químicos.

    O apoio mais eficaz é obtido, sem dúvida, através dos Alcoólatras Anônimos (AA) e outros grupos da mesma linha de atuação. Essas organizações reúnem-se em cidades em todas as partes do mundo, são gratuitas, constam da lista telefônica e considerada como sendo talvez a abordagem mais eficaz para ajudar os alcoólatras e suas famílias. Elas se fundamentam em princípios consistentes com o ensino bíblico; aceitação da realidade; fé em Deus; entrega da vida ao cuidado divino; sinceridade para com Deus, para consigo mesmo e outros; desejo e disposição de mudar o estilo de vida; oração; correção de erros e compartilhar com outros.

    O grupo “Narcóticos Anônimos” teve menos sucesso, mas fornece de qualquer modo um grupo de apoio onde existe compreensão e cuidado. Com toda a certeza, qualquer “tratamento que promova a filiação num grupo de apoio em um ambiente livre de drogas é um método bem mais eficaz de tratar o viciado do que os esforços para fornecer uma percepção psicológica ou drogas melhores.”

    Ao ler o parágrafo acima ocorreu a você que a igreja também poderia fornecer apoio? Isto acontecerá se os membros forem compreensivos, estiverem familiarizados com os fatos relativos ao vício, estiverem prontos para ajudar e se sua atitude não for condenatória. Desde que inúmeros não-viciados têm dificuldade para compreender as lutas do viciado, os aconselhados podem ser encorajados e envolver-se com os AA, além da confraternização mais ampla e diversificada de uma igreja local.

    4. Ajuda com o Controle da Tensão. No passado, os viciados enfrentavam a tensão fugindo através do uso de drogas. O aconselhamento deve mostrar que existem melhores meios de vencer as pressões da vida. A fim de demonstrar isto, o aconselhado deve aprender que pode confiar no conselheiro que, por sua vez, deve ser paciente e confiável. A tensão em geral pode ser discutida, mas uma abordagem melhor é estudar cada problema que surge e ajudar o aconselhado a decidir como resolvê-lo. Isto incluirá considerações de relações interpessoais e como conviver com outros em separado do uso de drogas ou álcool.

    5. Encoraje a Auto-compreensão e Mudança de Estilo de Vida. Depois de estabelecer uma relação de confiança, pode ser útil considerar algumas das razões para o abuso de drogas. Essas discussões às vezes levam à percepção, mas esta é praticamente inútil se não for seguida de planos específicos para o comportamento mudado, os quais possam ser levados a efeito.

    Esses planos envolvem algumas vezes o aconselhamento vocacional (veja o capítulo 17, do livro Aconselhamento Cristão de Gary R, Collins), a consideração e estabelecimento de alvos de vida, avaliação da auto-estima (veja capítulo 24, do livro aconselhamento Cristão de Gary R. Collins), e uma discussão dos relacionamentos no casamento (veja capítulo 13).

    6. A seguir vem a questão do estilo de vida. Agora que ele ou ela não está tomando a droga, de que forma sua vicia vai mudar? O estilo de vida da pessoa depende das decisões sobre o que irá ou não ser feito. Essas decisões envolvem tanto o aconselhado como sua família.

    7. Aconselhamento Familiar, O abuso de drogas é um problema familiar e a família inteira precisa receber apoio, compreensão e ajuda. Esta é às vezes aconselhada a não se afastar, mas viver o melhor que puder apesar das circunstâncias. Os membros da família devem ser ajudados a ver como talvez estejam contribuindo para o problema do vício ou corno sua proteção do viciado pode prolongar a situação. É interessante algumas vezes fornecer-lhes fatos para que possam compreender o problema da dependência e, antes do viciado pedir ajuda, os membros da família podem ser encorajados a enfrentá-lo com evidências específicas do seu comportamento induzido por drogas.

    Os membros da família algumas vezes, especialmente os cônjuges, querem salvar o viciado e tomam a responsabilidade de dirigir a família. Quando ele volta à sobriedade, a família deve reajustar-se à mudança e aprender a aceitar o viciado como um membro responsável do lar. Isto talvez seja difícil por causa do medo, baseado nas experiências anteriores, de que a sobriedade não dure ou porque a família aprendeu a viver bem sem o viciado. A mudança para a família toma-se um risco, mas é importante para o aconselhado e melhor efetuado quando o conselheiro ou o grupo externo de apoio oferece encorajamento.

    8. Esteja Preparado para uma Recaída. Estas são comuns entre os viciados, inclusive alcoólatras. Os AA há muito afirmam que um só gole pode mandar o alcoólatra rapidamente de volta ao vício. O mesmo se aplica às drogas não-alcoólicas. Se a recaída for acompanhada de sentimento de culpa e condenação, o viciado inclina-se a desistir e adotar uma atitude que diz: “Jamais vencerei, por que então me importar?”
    Não é fácil trabalhar com pessoas viciadas, O conselheiro pode esperar fracassos e
    depois de uma recaída precisa ajudar o aconselhado a “levantar-se” e continuar lutando com o problema.

    9. Reconheça que a Evangelização e o Discipulado São Básicos. Se o aconselhado quiser encontrar novo significado e propósito na vida, ele ou ela precisa sentir que a satisfação verdadeira e duradoura só é possível em Jesus Cristo. O conselheiro deve depender da orientação do Espírito Santo para determinar quando e como apresentar o evangelho.

    Pregações altamente emocionais produzem às vezes decisões falsas que são mais tarde rejeitadas embora haja muitos exemplos de pessoas convertidas a Cristo, libertadas do vício e permanentemente mudadas através da pregação de mensagens evangelísticas.
    Os aconselhados reagem melhor ao evangelho quando reconhecem a sua necessidade e que Cristo pode satisfazer a mesma.

    Uma vez que os viciados são mestres em manipular as outras pessoas, tenha cuidado para não cair no mesmo padrão e tentar manipulá-los para entrarem no reino. Os aconselhados devem aprender os fatos do evangelho a serem instados, mas não coagidos, a tomarem a decisão de entregar sua vida a Cristo.

    Em tudo isto, a oração é de importância central. Mediante a intercessão dos crentes e a disponibilidade de ajudadores humanos interessados, Deus opera a fim de restaurar os que se deixaram dominar pelas substâncias químicas. Ele também ajuda a impedir o abuso de produtos químicos em outros.

    VI – IMPEDINDO O VÍCIO

    A prevenção do abuso de drogas inicia-se no lar. Quando os filhos são respeitados, amados, disciplinados e criados para serem pais sensíveis, preocupados, estáveis, existe maior oportunidade para um amadurecimento mais sadio e menor probabilidade da dependência de drogas. Quando as necessidades emocionais dos filhos são satisfeitas no lar, quando eles são ajudados a enfrentar a tensão, quando aprendem um sistema claro de valores, existe maior senso de segurança e auto-estima, acompanhado de maior capacidade de tratar com os problemas da vida sem a ajuda de drogas.
    Para muitas pessoas, porém, o lar não corresponde a esta descrição. Mesmo que isto ocorra, podem haver influências exteriores que levem ao abuso de drogas. A fim de evitar isto, várias considerações adicionais são importantes.

    1. Instile uma Fé Religiosa Sadia. Uma pesquisa entre 5.648 alunos universitários revelou que os habituais freqüentadores de igreja e os que possuem uma fé religiosa sólida “têm muito menos probabilidade de viciar-se em drogas do que os colegas que mudam de igreja em sua busca da divindade. E… o uso de drogas era mais alto entre os que não se interessavam absolutamente por qualquer busca espiritual.” Não se segue, entretanto, que a fé em Deus previna sempre o abuso de tóxicos, mas os conselheiros cristãos podem ter certeza de que quando a “pessoa está cheia do Espírito” de Deus, há muito menos necessidade de depender de substâncias químicas.

    2. Forneça Informação sobre o Abuso de Drogas. Verdade que os que nunca bebem ou tomam drogas jamais se tomarão viciados. Mas pedidos emocionais para que se abstenham raramente convencem ou influenciam os indivíduos curiosos quanto aos efeitos provocados pelas drogas ou influenciados pelos companheiros. Não adianta também ignorar o assunto do abuso de tóxico na suposição de que discuti-lo iria despertar a curiosidade. Quando tema é discutido numa conversa aberta e franca, isto enfraquece a tentação de envolver- se pelo que é secreto e proibido.

    VII – O ENSINAMENTO DEVE

    (a) começar cedo, desde que a maior parte dos viciados dá os primeiros passos na estrada em declive durante a adolescência;
    (b) apresentar fatos corretos relativos à natureza e efeitos das drogas, inclusive o álcool;
    (c) evitar os apelos emocionais que envolvem “táticas amedrontadoras”, mas com pouco conteúdo real;
    (d) discutir claramente os ensinos bíblicos sobre o vinho e a embriaguez;
    (e) esclarecer o jovem sobre os motivos pelos quais as pessoas bebem ou tomam drogas, salientando que “o alcoólatra na estrada da recuperação aos 45 anos de idade, sem o álcool, terá de enfrentar os mesmos problemas e sentimentos dos quais procurou escapar na adolescência através da bebida”
    (f) discutir sobre como é possível dizer “não” num ambiente onde os companheiros estejam bebendo ou tomando drogas;
    (g) encorajar o indivíduo a tomar uma decisão beber ou não beber; tomar outras drogas ou abster-se em lugar de incidir no hábito;
    (h) encorajar a abstinência como o melhor e mais eficaz meio de prevenção;
    (i) descrever os sinais de advertência que indicam o desenvolvimento do vício; e
    (j) alertar as pessoas quanto à disponibilidade, local e natureza da ajuda para os que estejam apresentando problemas relacionados com drogas.
    Um escritor resumiu a natureza de um programa de prevenção realmente eficaz:
    Temos a tarefa de ajudar o jovem abstinente a compreender o seu comportamento num ambiente em que a maioria bebe. Devemos fazer o jovem que bebe tomar consciência de que o álcool não é apenas uma outra bebida social, mas um tóxico que em quantidades específicas tem efeitos específicos para um determinado indivíduo.

    Temos igualmente a tarefa de ajudar os jovens a compreenderem o alcoólatra como uma pessoa com um desvio de comportamento que pode e deve ser ajudada… Não precisamos de menos educação sobre o álcool, mas uma educação realisticamente complementada por um amplo interesse em identificar e ajudar o jovem com problemas de desenvolvimento social e pessoal, quer seus problemas sejam ou não o álcool.
    Esta última sentença leva ao aspecto seguinte da prevenção.

    3. Ensinar as Pessoas a Enfrentarem a Vida. Se pudermos supor que o abuso de drogas no geral reflete um fracasso no sentido de enfrentar as dificuldades, a abordagem para a prevenção será então ensinar os indivíduos a encarar abertamente, discutir e tratar com os problemas da vida que provocam tensão. “A chave para a prevenção” conclui um relatório, “é reduzir a exposição à tensão onde possível e ensinar meios sadios de vencer a tensão que não pode ser eliminada.”

    4. Fornecer Exemplos Adultos Realistas. Em seu livro sobre o alcoolismo, Clinebell relata que o exemplo dos pais é o fator mais influente na determinação da probabilidade dos filhos virem ou não a desenvolver dependência de produtos químicos. Quando os pais dependem regularmente de drogas e álcool, os filhos aprendem a fazer o mesmo. Quando os pais proíbem rigidamente e condenam o uso de substâncias químicas, os filhos no geral reagem tomando do “fruto proibido”.

    Mais eficaz é a atitude aberta sobre as drogas e o álcool, o reconhecimento dos seus perigos, encorajamento da moderação ou mesmo abstinência, e um exemplo por parte de pais que gozam a vida sem precisar depender de drogas para enfrentar os problemas ou manter relacionamentos positivos com outros.

    Conclusões sobre a Dependência de Drogas

    O abuso de drogas é uma doença ou um pecado?
    Muitos cristãos concluem que se trata de um pecado que deve ser confrontado, confessado e interrompido. Em contraste, os conselheiros e ex-viciados (inclusive membros dos AA) afirmam que o vício é uma doença que o viciado não tem forças para interromper e deve ser tratada como tal.

    Talvez seja mais correto concluir que o vício é tanto um pecado quanto uma doença.
    O viciado decidiu originalmente submeter seu corpo a um veneno, mas o veneno tomou o controle e a pessoa tornou-se incapaz de interromper a deterioração sem a ajuda de outros.
    Os viciados e suas famílias não são ajudados moralizando os pecados do abuso de drogas; não é também justo considerar este abuso como uma doença, despida de erro e tirando a responsabilidade da pessoa. O viciado deve ser ajudado profissionalmente a vencer a doença e ensinado espiritualmente a viver o resto de sua vida em obediência e submissão a Jesus Cristo. Só então o difícil problema será verdadeira e eficazmente resolvido. Amém

  2. jc.oliva says:
    Parabéns pelo post,muito bem explicado
    com certeza vou enriquecer a aula com
    suas observações.
    Gde abraço e que DEUS o abençoe a cada dia.

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