Revista on line da Escola Dominical | IBSN 14-19-05-2010
Friday September 3rd 2010

Escola Dominical: Espaço para atividade pedagógica crítica-reflexiva


Pr. Altair Germano

Pensar e discutir a forma como a ED é percebida e utilizada, sabendo sobre quais pressupostos filosóficos, ideológicos e práticos é construida, é fator fundamental para o seu sucesso ou fracasso como agência de educação cristã a serviço do Reino de Deus. Apresento aqui, de forma concisa, duas visões antagônicas sobre o assunto.

ESCOLA DOMINICAL: ESPAÇO DE ATIVIDADE MECANICISTA E REPRODUTORA

Há muito tempo, em muitos lugares e por várias razões, a ED tornou-se um espaço de simples reprodução de idéias, conceitos e doutrinas. Um modelo de ensino-aprendizagem tradicional, mecanicista e tecnicista se instaurou, promovendo um tipo de ensino pobre, mediocre, formal e engessado, longe dos ideais bíblicos e do modelo de Jesus como educador. Esta forma de ensino-aprendizagem pode ser claramente percebida da seguinte maneira:
- Na formação de um currículo que por vezes não considera as realidades locais, pois exclui a participação e opinião daqueles (pastores, superintendentes, professores, alunos, etc) que vivenciam a realidade (cultura, linguagem, percepções, tradições, usos e costumes etc.). O currículo torna-se então um produto acabado, produzido por técnicos, pronto para ser importado e consumido.

- Nos conteúdos sacralizados e intocáveis dos compêndios de teologia e na tradição, que se perpetuam por séculos, tomando a primazia da própria Bíblia como fonte primária de leitura, iluminação e compreensão da verdade de Deus. Tais compêndios têm o seu devido valor, pois entendemos que foram elaborados por homens piedosos, debaixo de constante oração, mas, passíveis de conterem erros e equívocos em suas interpretações. Quando a verdade é verdade de Deus, não há o que se temer diante de qualquer questionamento sobre tal verdade. O questionamento só irá fortalecê-la como tal.

- Na atitute autoritária, arrogante e prepotente de professores que se percebem donos de todo o saber, senhores proprietários exclusivistas do conhecimento de Deus, portadores da revelação-iluminação divina, acadêmicos frios e vaidosos, mestres destituídos da humildade do Mestre.

- No pensamento de que o aluno não pensa e, se pensa e quando pensa, pensa menos, pensa errado. Na idéia behaviorista de que aluno é uma folha em branco, na qual o professor vai depositando o conhecimento. Na concepção de que o aluno não traz nada para a sala de aula que possa contribuir para a construção do saber/fazer teológico.

- No uso/abuso do método expositivo de ensino, sem criatividade, sem graciosidade, sem dialogicidade, sem afetividade, sem interação, sem participação, sem alegria, sem vida, sem amor, sem graça, sem Deus.

- Na ação castradora, inquisitora e opressora de professores, diante de alunos pensantes e contestadores, interessados nas entrelinhas do texto, na aplicação prática da palavra, na aprendizagem inteligente da lição.

RECONHECIMENTO, INCENTIVO E PRÁTICA DA ATIVIDADE CRÍTICA/REFLEXIVA NA ESCOLA DOMINICAL

Transformar a ED num espaço onde o pensamento e a prática pedagógica crítica-reflexiva seja vivenciada, não é apenas possível, é urgente. Fomos ensinados a reproduzir doutrinas ao invés de pensar doutrinas, a ouvir passivamente ao invés de perguntar.

Os questionamentos e as discordâncias dos alunos na ED, sempre foram vistos com maus olhos, como atitude rebelde e insubmissa. A falta de preparo pedagógico e teológico do professor, que compromete o seu saber-fazer docente, associado a um pseudo e equivocado zelo doutrinário, temperado pelo medo de se enveredar pelas trilhas das heresias, faz com que o modelo crítico-reflexivo seja evitado.

Uma atitude, e um fazer docente crítico-reflexivo na ED, só pode partir de professores libertos e libertários (não confunda com libertinos), promotores e abolicionistas do livre pensar e expressar, tendo como referencial máximo a Bíblia sagrada, lida e estudada debaixo de profundo temor, tremor e dependência de Deus. De professores-leitores críticos de compêndios teológicos e de lições bíblicas.

Por fim, trago como proposta para uma aula crítica-reflexiva o seguinte modelo:

- Apresentação e discussão do conteúdo da lição bíblica, através de métodos diversificados (juri simulado, discussão em grupo, perguntas e respostas, debate orientado, apresentação de pesquisa etc) que priorizem a interatividade entre professores e alunos;

- Observação de outras formas de se entender, de outras definições e possibilidades em relação ao conteúdo da liçaõ bíblica;

- Confrontação das idéias a luz da Bíblia e de outras fontes de consulta;

- Consolidação dos conteúdos ou síntese das idéias.

O processo de ensino-aprendizagem, fundamentado no pensamento e na ação crítica-reflexiva, baseado no modelo de Jesus, contribuirá para a formação espiritual de alunos mais maduros, conscientes, firmes e constantes na obra do Senhor.

Pense nisto.

Altair Germano (pastor, teólogo, pedagogo, pós-graduado em educação cristã, mestrando em teologia)


Educação a Distância
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3 Responses to “Escola Dominical: Espaço para atividade pedagógica crítica-reflexiva”

  1. Dante says:
    Boas observações,embora aqui eu como líder ED,e não só eu o coordenador também,adotamos o livre e espontâneo entendimento, adequando o assunto pautado na lição pelo dia a dia dos alunos onde fazemos correlações Bíblicas.
  2. Marcos says:
    Muito bom!!!

    Eu sempre falo para os meus irmãos-alunos, ensinar ñ é só falar e aprender ñ é só ouvir.

    Fazendo coro com este artigo quero ao site que procure, se puder, disponibilizar mais atividades extra-expositivas, pois, eu sinto muito carência deste tipo de atividade pedagógica.

    Graça e Paz

  3. vera viso says:
    Foi muito bem colocada sua posição,pois eu sinto na pele todo este contexto de padrões arraigados, muitos até imposttos sem uma ação reflexiva e, com desculpas da famigerada obediência não a Deus mas a ações humanas não abrem mão de certas posições, mas na realidade é justamente o medo de perder o poder de decisões e muitos até mesmo o lugar que ocupam .Não mudam de opinião e são pedra de tropeço para a obra caminhar com a devida liberdade no Espírito.Graça e Paz. aguardo outros artigos mais detalhadas para que juntos possamos quebrar estes grilhões.

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