Pensar e discutir a forma como a ED é percebida e utilizada, sabendo sobre quais pressupostos filosóficos, ideológicos e práticos é construida, é fator fundamental para o seu sucesso ou fracasso como agência de educação cristã a serviço do Reino de Deus. Apresento aqui, de forma concisa, duas visões antagônicas sobre o assunto.
ESCOLA DOMINICAL: ESPAÇO DE ATIVIDADE MECANICISTA E REPRODUTORA
Há muito tempo, em muitos lugares e por várias razões, a ED tornou-se um espaço de simples reprodução de idéias, conceitos e doutrinas. Um modelo de ensino-aprendizagem tradicional, mecanicista e tecnicista se instaurou, promovendo um tipo de ensino pobre, mediocre, formal e engessado, longe dos ideais bíblicos e do modelo de Jesus como educador. Esta forma de ensino-aprendizagem pode ser claramente percebida da seguinte maneira:
- Na formação de um currículo que por vezes não considera as realidades locais, pois exclui a participação e opinião daqueles (pastores, superintendentes, professores, alunos, etc) que vivenciam a realidade (cultura, linguagem, percepções, tradições, usos e costumes etc.). O currículo torna-se então um produto acabado, produzido por técnicos, pronto para ser importado e consumido.
- Nos conteúdos sacralizados e intocáveis dos compêndios de teologia e na tradição, que se perpetuam por séculos, tomando a primazia da própria Bíblia como fonte primária de leitura, iluminação e compreensão da verdade de Deus. Tais compêndios têm o seu devido valor, pois entendemos que foram elaborados por homens piedosos, debaixo de constante oração, mas, passíveis de conterem erros e equívocos em suas interpretações. Quando a verdade é verdade de Deus, não há o que se temer diante de qualquer questionamento sobre tal verdade. O questionamento só irá fortalecê-la como tal.
- Na atitute autoritária, arrogante e prepotente de professores que se percebem donos de todo o saber, senhores proprietários exclusivistas do conhecimento de Deus, portadores da revelação-iluminação divina, acadêmicos frios e vaidosos, mestres destituídos da humildade do Mestre.
- No pensamento de que o aluno não pensa e, se pensa e quando pensa, pensa menos, pensa errado. Na idéia behaviorista de que aluno é uma folha em branco, na qual o professor vai depositando o conhecimento. Na concepção de que o aluno não traz nada para a sala de aula que possa contribuir para a construção do saber/fazer teológico.
- No uso/abuso do método expositivo de ensino, sem criatividade, sem graciosidade, sem dialogicidade, sem afetividade, sem interação, sem participação, sem alegria, sem vida, sem amor, sem graça, sem Deus.
- Na ação castradora, inquisitora e opressora de professores, diante de alunos pensantes e contestadores, interessados nas entrelinhas do texto, na aplicação prática da palavra, na aprendizagem inteligente da lição.
RECONHECIMENTO, INCENTIVO E PRÁTICA DA ATIVIDADE CRÍTICA/REFLEXIVA NA ESCOLA DOMINICAL
Transformar a ED num espaço onde o pensamento e a prática pedagógica crítica-reflexiva seja vivenciada, não é apenas possível, é urgente. Fomos ensinados a reproduzir doutrinas ao invés de pensar doutrinas, a ouvir passivamente ao invés de perguntar.
Os questionamentos e as discordâncias dos alunos na ED, sempre foram vistos com maus olhos, como atitude rebelde e insubmissa. A falta de preparo pedagógico e teológico do professor, que compromete o seu saber-fazer docente, associado a um pseudo e equivocado zelo doutrinário, temperado pelo medo de se enveredar pelas trilhas das heresias, faz com que o modelo crítico-reflexivo seja evitado.
Uma atitude, e um fazer docente crítico-reflexivo na ED, só pode partir de professores libertos e libertários (não confunda com libertinos), promotores e abolicionistas do livre pensar e expressar, tendo como referencial máximo a Bíblia sagrada, lida e estudada debaixo de profundo temor, tremor e dependência de Deus. De professores-leitores críticos de compêndios teológicos e de lições bíblicas.
Por fim, trago como proposta para uma aula crítica-reflexiva o seguinte modelo:
- Apresentação e discussão do conteúdo da lição bíblica, através de métodos diversificados (juri simulado, discussão em grupo, perguntas e respostas, debate orientado, apresentação de pesquisa etc) que priorizem a interatividade entre professores e alunos;
- Observação de outras formas de se entender, de outras definições e possibilidades em relação ao conteúdo da liçaõ bíblica;
- Confrontação das idéias a luz da Bíblia e de outras fontes de consulta;
- Consolidação dos conteúdos ou síntese das idéias.
O processo de ensino-aprendizagem, fundamentado no pensamento e na ação crítica-reflexiva, baseado no modelo de Jesus, contribuirá para a formação espiritual de alunos mais maduros, conscientes, firmes e constantes na obra do Senhor.
Pense nisto.
Altair Germano (pastor, teólogo, pedagogo, pós-graduado em educação cristã, mestrando em teologia)







Eu sempre falo para os meus irmãos-alunos, ensinar ñ é só falar e aprender ñ é só ouvir.
Fazendo coro com este artigo quero ao site que procure, se puder, disponibilizar mais atividades extra-expositivas, pois, eu sinto muito carência deste tipo de atividade pedagógica.
Graça e Paz