Revista on line da Escola Dominical | IBSN 14-19-05-2010
Thursday September 9th 2010

Falando sobre desempenho


Falando sobre desempenho

Gilda Lück

Profissão Mestre

Em um mundo tecnológico e visual, como acontecessem nossas aulas?
A diversidade de aparatos tecnológicos vem ampliando as informações e o acesso a elas. Por outro lado, muitas de nossas aulas continuam repetitivas e maçantes, quando deviam ser criativas e originais. Estamos competindo com o divertido, com o lúdico da Internet e dos jogos de computador, sem citar a televisão. Necessitamos, portanto, de um aprendizado mais abrangente em instrumentais de metodologias alternativas.

Nesse contexto, os professores precisam trabalhar com seus educandos técnicas que possibilitem o desenvolvimento de suas habilidades e orientá-los na busca pelo conhecimento. Para aqueles que assim se propuserem, o mar não só será navegável como repleto de tesouros e mistérios inesgotáveis.

Isso precisa acontecer porque, com a facilidade, agilidade e quantidade de informações disponíveis, o professor e até a própria escola perdem espaço no processo de sedução do aluno em prol da educação. Mas esses quesitos devem continuar sendo os pivôs na condução dos estudantes, estabelecendo o significado do coletivo e do individual, priorizando-os como agentes ativos do seu conhecimento e fazendo-os interagir com outros alunos para enriquecer a experiência através das trocas.

O ambiente educacional deve proporcionar ao professor e aos alunos todas as facilidades para que esses objetivos sejam atingidos, oferecendo a possibilidade de trabalhar com metodologias alternativas e, principalmente, centralizando esforços na elaboração e execução de um planejamento estratégico conjunto – para todos os níveis de processos e relações a serem produzidas –, certificando-se da criação de um espaço sadio.

Dentre os modelos de desempenho apresentados atualmente, podemos destacar o do uso sistemático de dinâmicas como um dos mais completos.
Vale a pena abordar esse tema devido ao fato de que o uso da técnica de dinâmicas de grupo, quando exploradas em contextos educacionais, na maioria das vezes é feita sem um foco didático-pedagógico. São simplesmente executadas sem uma finalização, com um conteúdo pedagógico e desvinculadas de um planejamento inicial.
O uso das dinâmicas de grupo propagou-se como uma atividade pedagógica na década de 40 com as pesquisas de Kurt Lewin, psicólogo alemão que fundou o Centro de Pesquisa de Dinâmica de Grupo do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), em 1945. No instituto, fez diversos trabalhos na área de T-groups (grupos de treinamento). O grande foco foi a relevância dada à reflexão sobre a prática pedagógica contextualizada pela dinâmica.

Partindo disso, poderíamos conceituar a prática da dinâmica como uma atividade, na maioria das vezes, curta e objetiva, com características motivadoras e envolventes.

Por possuírem metas distintas e “lincadas” com os objetivos educacionais, podem apresentar como resultados desde um simples aquecimento para processos posteriores, assim como:

reflexão

análise

julgamento

sensibilização

acesso e desenvolvimento de aptidões

construção de habilidades

preparação para mudanças de atitudes e de comportamentos

aprendizagem

O que precisamos é compreender o fato de a dinâmica ser um potencial instrumental, não só dentro do fazer pedagógico, mas, também, como elemento importante da base instrumental do currículo. Devendo, portanto, constar no planejamento pedagógico e no plano de aula.

Baseando-se no relacionamento da turma e na criação e execução de tarefas, esse modelo de desempenho segue um programa sistemático, organizando a seqüência dos conteúdos e atividades. A questão da disponibilidade (em tempo) de informações personalizadas faz com que as curiosidades individuais dos alunos aflorem, com que eles admitam a troca, favorecendo o aprendizado de todos e permitindo que os processos vinculados com o ato de aprender ocorram no horário solicitado, respeitando as características e o coletivo.

Está constatado e provado por pesquisas bem fundamentadas: alunos aprendem mais com seus colegas do que com o próprio professor. Assim, trabalhar com dinâmicas educativas instrumentaliza o educador a disponibilizar com sucesso o processo de inter-relação. Então, poderíamos afirmar que, em se tratando de aprendizagem experimental, a dinâmica dentro do fazer pedagógico considera as necessidades e a identidade do grupo que é aplicada.

Cabe ao professor dar alguns significados relevantes ao desempenho da metodologia aplicada. Por exemplo:

1 – Objetivo claro e transparente (o que e porque se faz, onde se quer chegar);

2 – experimentação ativa;

3 – proposição da reflexão e análise do processo;

4 – conclusão e congregação de novos conhecimentos propostos.

A avaliação, dentro desse sistema poderá ser somativa (processual), baseando-se pelo empenho pessoal, participação e conclusões de cada aluno. Dispensa, portanto, a avaliação formal e estabelece os alunos como seu próprio referencial, quebrando o padrão médio de classe.

Muitos são os educandos que fazem da experiência em dinâmicas um motivo primordial para participar de uma forma proativa em seu próprio processo de aprendizagem. O estímulo e a motivação são conseqüências da aula, e não somente o pré-requisito.

A nova ótica de desempenho, conseqüentemente, traz cada vez mais o aluno como sujeito do processo. Desta forma, torna-se muito mais um processo de aprendizagem do que de ensino, e é dentro dessa nova visão que temos de focalizar o nosso desempenho.

Gilda Lück é assessora pedagógica do grupo Dom Bosco, mestre em Educação pelo Lesley University (EUA) e doutora em Engenharia da Produção. E-mail:egopedagogia@ig.com.br

 

 


Educação a Distância
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