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LIVROS:  Escola Dominical  –  Educação Cristã  –  Teologia  –  Cristianismo

 

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MOISÉS, UM LÍDER EFICAZ

Dr. Caramuru Afonso

Fonte: www.escoladominical.com.br

A vida de Moisés é um exemplo de liderança plasmada pelo Senhor ao Seu povo.

INTRODUÇÃO

- Moisés, até hoje, é o grande exemplo seguido pelo povo de Israel. O Senhor formou este homem para libertar Seu povo da escravidão do Egito, bem como para fornecer a lei a Israel, o aio que conduzirá os israelitas a Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

- A Igreja tem muito a aprender com Moisés, pois também há a necessidade de a liderança ser plasmada pelo Espírito Santo até que o Senhor nos venha buscar.

I – A BIOGRAFIA DE MOISÉS (I) – MOISÉS, O HEBREU QUE FOI PRÍNCIPE NO EGITO E PASTOR DE OVELHAS EM MIDIÃ

- Na seqüência do estudo de personagens bíblicas para o aprimoramento de nosso caráter cristão, estudaremos Moisés, o grande líder do povo de Israel, escolhido pelo Senhor não só para libertar o Seu povo da escravidão no Egito mas para construir a nação israelita nos moldes desejados por Deus, por meio da lei. Não é à toa que Moisés é, até hoje, tido e havido pelos israelitas como o mais importante integrante da nação de todos os tempos.

- A história de Moisés começa a ser narrada na Bíblia Sagrada no capítulo 2 de Êxodo, quando se conta o casamento entre um varão da casa de Levi (Anrão) com uma filha de Levi (Joquebede), no tempo em que Israel vivia escravizado no Egito, casal este que teve um filho que foi escondido por eles por três meses, visto que era formoso e havia uma ordem de Faraó para que todos os meninos que nascessem dos hebreus fossem mortos.

- Neste início despretensioso da narrativa bíblica, já percebemos algumas coisas que seriam importantíssimas na vida deste grande homem de Deus. A família de Moisés era uma família que surgiu do casamento, que é a forma instituída por Deus para que se formem famílias, como já tivemos oportunidade de estudar neste trimestre. Houve um casamento e um casamento dentro da tribo de Levi, ou seja, um casamento feito dentro de pessoas que tinham os mesmos valores, costumes e objetivos. Não há como termos uma família bem constituída, que goze das bênçãos do Senhor, se não for seguido o modelo bíblico do casamento, do compromisso firme e socialmente reconhecido entre um homem e uma mulher.

- Mas, além de se ter uma família legitimamente constituída, vemos que o casal temia a Deus. Havia uma ordem de Faraó para que todas as crianças hebréias do sexo masculino fossem mortas, mas, ao verem aquele menino formoso, o casal fez o que esteve a seu alcance para que a vida desta criança fosse preservada. Valorizar a vida humana é sinal de que se teme a Deus. Em dias em que muitos, inclusive que se dizem “crentes”, rebelam-se contra Deus, o único Senhor da vida, defendendo absurdos como o aborto, a eutanásia e a pesquisa com células-tronco embrionárias, vemos um grande exemplo nos pais de Moisés que, mesmo diante de uma ordem contrária de Faraó, deu o devido valor à vida, cujo dono é tão somente o Senhor Deus (I Sm.2:6).

- Além de temer a Deus, o casal percebeu que a formosura daquela criança era um sinal divino de que havia um plano de Deus naquela vida. O texto bíblico é sucinto, mas vemos que o casal, ao perceber que a criança era formosa, escondeu a criança enquanto pôde e, sendo isto impossível, preparou uma arca de juncos e a betumou com betume e pez, pondo a criança no rio Nilo, entregando-a nas mãos do Senhor, instante em que a irmã do menino se postou de longe para ver o que iria acontecer com a criança (Ex.2:3,4).

- Deus dirigiu aquela “embarcação” até onde estava a filha de Faraó, que, mesmo sabendo que se tratava de uma criança hebréia, resolveu adotá-la e, prontamente, a irmã do menino ofereceu sua própria mãe como ama da criança. À criança se deu o nome de “Moisés” (em hebraico “Moshé”), cujo significado é “alguém que é retirado” e, para alguns estudiosos, “criança que é retirada”, uma vez que foi retirada das águas do Nilo.

- Vemos, assim, que Deus fez com que Moisés fosse criado, na sua primeira infância, pela sua própria mãe, Joquebede (Ex.6:20; Nm.26:59), às expensas de Faraó, a fim de que, no período de formação do seu caráter, Moisés recebesse a educação hebréia, ou seja, aprendesse a respeito das promessas de Deus a Abraão, Isaque e Jacó. Este ensino primeiro foi fundamental para que Moisés fosse o líder do seu povo no futuro.

- Muitos não se dão conta da importância e do valor da educação doutrinário-bíblica em casa, na primeira infância. É ela fundamental para a formação do caráter das pessoas e este é um dos principais motivos por que o inimigo de nossas almas tem lutado tanto para eliminar a adoração a Deus nos lares das famílias dos servos de Deus, substituindo a educação doutrinário-bíblica pela doutrinação da “babá eletrônica” com seus “demônios animados” e “videodemonio games”, que tanto têm conquistado mentes de crianças e adolescentes, filhos de autênticos e genuínos servos de Deus. Moisés precisou ser educado por Joquebede, era uma necessidade, pois, diante de toda a ciência do Egito que viria a conhecer, não poderia permanecer identificando-se com o povo de Deus, não poderia ter escolhido o vitupério de Cristo (cfr. Hb.11:26), se assim não tivesse sido educado. Não nos esqueçamos do proverbista: “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele” (Pv.22:6).

- Vencida esta etapa inicial de educação, Moisés foi levado para o palácio, onde teve a educação de um verdadeiro príncipe, pois era filho da filha de Faraó. Segundo as Escrituras Sagradas, que são confirmadas pelo que se sabe da história do Egito, nesta ocasião, Moisés foi instruído em toda a ciência e sabedoria egípcias, então das mais evoluídas, senão a mais evoluída e desenvolvida daquela época (At.7:22). Moisés demonstrou toda a sua capacidade, pois a Bíblia nos diz que era poderoso em obras e palavras. Diz a tradição judaica que foi um grande líder militar, que teria se notabilizado na corte de Faraó. Assim como vimos na vida de Paulo, encontramos Deus usando todo o conhecimento e sabedoria humanos à disposição naquele tempo para que servisse de esterco para o ministério de Moisés (Fp.3:8).

- Entretanto, toda esta ciência, todo este conhecimento, toda esta posição social, todo este poder político foram incapazes de retirar do coração de Moisés a sua identificação com o povo hebreu, o povo escravizado do Egito. A educação que recebera de sua mãe era mais forte do que tudo aquilo e, por isso, “já grande”, Moisés não conseguiu se desvincular das cargas que seus compatriotas carregavam (Ex.2:11). Ao ver que um varão egípcio feria um varão hebreu, bem como que ninguém o notava, resolveu matar o egípcio, escondendo-o na areia. Achou, certamente, que sua posição social, seu poderio, seu conhecimento seriam suficientes para dar um basta àquela situação.

- No dia seguinte, animado com a perspectiva de dar uma solução às cargas de seu povo por meio de suas habilidades naturais e de sua posição social, Moisés buscou ser árbitro na contenda entre dois hebreus e aí foi desmascarado, pois não havia escondido bem o cadáver, tinha-o deixado na areia, sendo facilmente achado o corpo e identificado o autor do delito. O fato chegou até Faraó que procurou matar Moisés e, então, Moisés, desmascarado, sem o apoio do povo escravizado, que apoio algum lhe poderia dar, perseguido por Faraó como traidor do Egito, perde tudo quanto tem e é obrigado a fugir, indo para Midiã, região desértica, onde se assentou junto a um poço (Ex.2:15) e, também com base na violência, livra as filhas de Jetro de pastores malignos que a haviam atacado (Ex.2:17,18).

- Moisés tinha quarenta anos de idade (At.7:23) e, então, começa a segunda fase de sua vida. Em vez da fama, do poder e da mordomia do palácio de Faraó, Moisés agora teria a aridez do deserto, a falta absoluta e completa de bens materiais, passando a ser tão somente o pastor das ovelhas do rebanho de Jetro (também chamado de Hobabe – Nm.10:29; Jz.4:11 e de Reuel – Ex.2:11), de quem se tornou genro, ao se casar com Zípora (Ex.2:21), com que teve um filho, a quem deu o nome de Gérson (em hebraico, “Guershom”), cujo significado é “estrangeiro”, “peregrino”, vez que Moisés se sentia, em Midiã, um “peregrino em terra estranha” (Ex.2:22).

- Estes fatos mostram como Moisés havia mudado o seu comportamento. Deixara de dar valor aos tesouros do Egito, entendera que era hebreu e que deveria ter o mesmo destino de seu povo. Compreendera que havia sido escolhido para o cumprimento das promessas feitas a Abraão, Isaque e Jacó, mas ainda não estava preparado para levar avante esta tarefa. Confiava, ainda, na sua posição, na sua força física, no seu conhecimento, nas suas habilidades naturais. Era um grande líder militar, um grande cientista, algo necessário mas insuficiente para se liderar o povo de Deus. Além da chamada, um líder no meio do povo de Deus precisa ter o devido preparo intelectual e o destemor, mas, além destes preparo e destemor, é mister que tenha humildade, que saiba depender única e exclusivamente de Deus.

- Moisés já era um grande general, um dedicado conhecedor de toda a ciência do Egito, tinha consciência de que pertencia ao povo de Deus e que lhe estava destinado um papel importante na história deste povo, mas não tinha tido ainda uma experiência no trato com as ovelhas, não tinha aprendido a mansidão, não sabia o que era ser dependente de outrem. Precisava passar pelo “curso do deserto” e seriam quarenta anos de lições, que o tornassem apto a libertar o povo (At.7:30).

- Muitos, na atualidade, pensam que podem liderar o povo de Deus única e exclusivamente com o “conhecimento do Egito”, com a força física ou o respeito adquirido ao longo de alguns poucos anos na igreja. Esquecem-se de que é necessário o “curso do deserto”, a provação, a experiência pessoal com Deus, o aprendizado da humildade e da completa dependência de Deus, o lidar com ovelhas, a fim de que adquira mansidão, sensibilidade e amor aos liderados. Muitos, a exemplo de Saul, têm sido guindados diretamente do trato de jumentas para o de ovelhas e o resultado continua sendo o mesmo do de Saul: um retumbante fracasso. Quem tem chamada para a liderança do povo de Deus, deixe de lado o preparo intelectual e o destemor, que são, sim, necessários, mas, uma vez obtidos, entre, conduzido pelo Espírito, no deserto, para ser provado e aprovado. Certamente, depois desta aprovação, poderá exercer o seu ministério com primor e excelência.

II – A BIOGRAFIA DE MOISÉS (II) – MOISÉS, O LIBERTADOR

- Foram quarenta anos. Quarenta anos não são quarenta dias. Moisés até mesmo desaprendeu a língua egípcia, assim como a própria língua hebraica, vez que vivia entre os midianitas. Cuidava das ovelhas de seu sogro, que era um sacerdote, e já não tinha mais a menor perspectiva de que viria a libertar o seu povo. Não passava de um “peregrino em terra estranha”, mas, quando chegou o tempo, Deus Se apresentou a Moisés no monte Horebe, “o monte de Deus”.

- Estava Moisés a apascentar as ovelhas de seu sogro, quando teve a sua atenção voltada para uma chama de fogo no meio duma sarça, sarça esta que ardia mas não era consumida pelo fogo (Ex.3:2). Moisés, então, tomou a decisão de se virar para lá e ver aquela grande visão. Esta “virada” de Moisés foi o início da terceira e última fase de sua vida. Com 80 anos de idade, Moisés estava pronto para se tornar o grande libertador de seu povo.

- De pronto, vemos que é necessário que o homem se vire para Deus para que possa iniciar uma vida de comunhão com Ele. “Agora me virarei para lá” foi a decisão de Moisés e deve ser a decisão de todo ser humano que quer servir a Deus. Não há como se tornar um líder no meio do povo de Deus sem que se vire para ver o que o Senhor está a mostrar. Necessário é que nos voltemos a Deus, que nos cheguemos a Ele, para que Ele possa Se chegar até nós (Tg.4:8).

- Muitos querem liderar, na atualidade, porque entendem ter capacidade ou porque são escravos do poder, do desejo de mando. Estes, por se acharem superiores, jamais serão líderes abençoados por Deus, porque não têm a humildade de se virarem para Deus, de se voltarem para Ele. Outros, embora tenham sido chamados pelo Senhor, infelizmente, ao longo de seu ministério, também se deixam envaidecer e não se voltam mais para o Senhor. Aprendamos esta lição com Moisés: a liderança começa quando nos viramos para onde está o Senhor.

- Mas, além desta importante lição, Moisés também nos mostra que um líder deve, antes de mais nada, ser um grande observador, estar sempre vigilante e, mais do que isto, perceber nas pequenas coisas as grandezas de Deus (Zc.4:10). Depois de quarenta anos no “curso do deserto”, Moisés pôde ter a sensibilidade para perceber uma sarça arder no monte Horebe e verificar que esta sarça ardia mas não se consumia.

- Num deserto, ver uma planta tão insignificante como a sarça pegar fogo era uma visão corriqueira, sem qualquer importância, à primeira vista. Com efeito, a sarça é uma planta espinhosa da família das febáceas, do gênero acácia, aparentada com a roseira, de pequena estatura. No entanto, Moisés pôde perceber que o fogo fazia a sarça arder mas não a consumia e que isto, apesar da insignificância da planta, era uma “grande visão”. O líder deve ser alguém, portanto, que saiba ver, nas pequenas coisas, a grandeza da presença de Deus. Sem esta sensibilidade espiritual, não se pode liderar o povo de Deus!

- Quando Moisés se dirigiu para ver a “grande visão”, o Senhor Se dirigiu a Moisés pelo seu nome e Moisés respondeu a este chamado. Imediatamente, Deus mandou que Moisés tirasse os seus sapatos porque o lugar onde estava era terra santa (Ex.3:4,5). Nesta simples passagem, vemos algumas lições importantíssimas a respeito da liderança no povo de Deus: o líder deve ser chamado por Deus. Na obra de Deus não há lugar para oferecidos, mas somente para aqueles a quem Deus chama. Deus chamou a Moisés e pelo seu nome.

- A segunda lição que aprendemos nesta passagem é que Deus chama, mas deixa ao homem a liberdade de atender, ou não, ao seu chamado. Moisés teve de responder “Eis-me aqui” ao Senhor, para que o Senhor continuasse a dialogar com Ele. Deus fez o homem livre (Gn.2:16) e respeita esta liberdade de o homem atender, ou não, ao Seu chamado.

- A terceira importante lição que aprendemos nesta passagem é que não é possível a comunhão com Deus e o serviço sem a santidade. Moisés precisou tirar os seus sapatos dos pés porque o lugar onde estava era terra santa. A santidade do lugar não era inerente ao monte Horebe, mas, sim, resultado da presença de Deus naquele local. Onde Deus está, há santidade e para nós nos aproximarmos de Deus faz-se necessário que nos santifiquemos, que nos tornemos santos, o que somente é possível se tivermos nossos pecados perdoados, o que ocorre quando aceitamos a Jesus como nosso único e suficiente Salvador.

- Muitos têm se esquecido que a santificação é uma necessidade para que venhamos a ter comunhão com Deus e para que possamos ser utilizados na Sua obra. Não nos iludamos: sem a santificação, ninguém verá o Senhor (Hb.12:14). A recomendação bíblica é que os santos se santifiquem ainda (Ap.22:11). Lamentavelmente, muitos são os que, na atualidade, têm se descuidado deste requisito indispensável para a salvação e têm participado da “abominação da desolação no lugar santo” (cfr. Mt.24:15), uma das características do nosso tempo.

- Deus, então, Se identifica para Moisés, dizendo ser o Deus das promessas feitas a Abraão, Isaque, Jacó e que tinham sido compartilhadas a Moisés, na sua tenra infância, pelos seus pais. Vemos a importância da educação doutrinário-bíblica no lar, pois foi através dela que Deus Se começou a manifestar a Moisés. Deus, então, mostra-Se como sendo o Deus que ouve o clamor do Seu povo, não um Deus ausente, que não se importa com a sua criação, como pintam os deístas, tão abundantes na atualidade, mas um Deus presente, que Se compadece do homem e quer ajudá-lo e salvá-lo. Deus, então, fala a Moisés que ele fora escolhido para livrar o povo de Israel do Egito.

- A objetividade divina revela-se aqui de forma bem clarevidente. Deus foi direto ao assunto, sem rodeios. Moisés havia sido escolhido para livrar os filhos de Israel do Egito. Era esta a missão de Moisés: livrar o povo do Egito e levá-lo para uma terra que manava leite e mel, terra então ocupada pelo cananeu, heteu, amorreu, perizeu, heveu e jebuseu (Ex.3:8). Deus continua o mesmo, não muda e, por isso, ao chamar alguém, diz-lhe exatamente o que deseja que ele faça no meio do Seu povo. Nosso Deus não é Deus de confusão! Por isso, não podemos admitir os “chamados” que não sabem o que querem nem o que devem fazer na igreja.

- Ao receber esta incumbência, Moisés sentiu-se impotente. Deu início a uma série de obstáculos para a tarefa. Muitos vêem nestes argumentos de Moisés uma tentativa de escape, uma recusa ao chamado divino. Embora respeitemos este entendimento, dele não compartilhamos. Parece-nos que, antes de uma recusa ou de uma tentativa de esquivar-se, Moisés denuncia um novo sentimento, resultado do seu “curso do deserto”. Em vez do homem violento, cheio de si, prepotente de quarenta anos atrás, que achava que suas habilidades e posição eram suficientes para libertar o seu povo, vemos um homem que se sente impotente, fraco e sem quaisquer condições de empreender esta tarefa. Moisés estava, definitivamente, no ponto de ser usado por Deus: considerava-se ninguém, um fraco e é este tipo de pessoa que está em condições de se tornar integralmente dependente do Senhor e, em virtude disto, poder se tornar um forte nas mãos de Deus (II Co.12:10).

- Moisés reconhece diante do Senhor a sua nulidade: “Quem sou eu que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel? “(Ex.3:11). Moisés dá um passo importante para se tornar líder: elimina o seu “eu”. Ah, se muitos líderes no meio do povo de Deus tomassem esta decisão de anular o seu “eu” e compreender que sem Jesus nada pode ser feito (Jo.15:5 “in fine”). Se dissessem “quem sou eu”, teriam boa parte dos problemas que hoje enfrentam resolvidos. Foi por ter achado que era ninguém que Moisés, antes de criar um obstáculo, credenciou-se para ser o libertador do povo de Israel.

- Deus, então, prometeu que estaria com Moisés e que a prova disto é que o povo serviria a Deus no monte Horebe, também chamado Sinai (nome que vem “seneh”, que, em hebraico, significa “sarça”). Como podemos verificar, portanto, a maior prova de que Deus está com um líder é o fato de o povo servir a Deus. No Sinai, Israel fez um pacto com Deus, aceitou receber a lei (Ex.19:3-8) e esta foi a confirmação de que Moisés era um líder chamado por Deus e que havia libertado o povo do Egito. Um líder é eficaz, ou seja, “que tem a virtude ou o poder de produzir, em condições normais e sem carecer de outro auxílio, determinado efeito”, “que executa, obra, que leva a cabo, poderoso”, na obra de Deus, quando o povo serve a Deus, quando aceita receber o seu senhorio.

- Infelizmente, na atualidade, muitos têm se preocupado em se mostrar como líderes através de números, da quantidade de pessoas que freqüentam as reuniões no templo ou nas casas, de pessoas batizadas nas águas, de contribuintes e outros índices, esquecendo-se, porém, que o sinal da liderança está no serviço do povo, ou seja, na adoração do povo a Deus, na vida de santidade que tenham os liderados. Foi este o sinal que Deus, que não muda (Ml.3:6), deu a Moisés como prova do seu chamado.

- Mas, além de se considerar ninguém, Moisés quis saber quem era Deus. Como se apresentar diante do povo sem, ao menos, dizer quem o estava enviando? Moisés, ao querer saber o nome de Deus, demonstrou querer ter maior intimidade com o Senhor, conhecer-Lhe o caráter. O Senhor identificou-Se para Moisés, dizendo ser “Yahweh” – EU SOU O QUE SOU. Para ser líder, Moisés percebeu que não só era necessário reconhecer que nada era, mas também era necessário saber quem Deus era. O conhecimento do nome de Deus, saber quem Deus era, constituía-se no primeiro passo para que pudesse ser um instrumento nas mãos do Senhor.

- Deus prontamente deu a conhecer a Moisés o Seu nome, numa prova de que tinha Moisés razão. Muitos, porém, na atualidade, querem liderar o povo de Deus, querem servir ao Senhor sem conhecê-lO, sem sequer saber quem Ele é. Necessitamos conhecer e prosseguir em conhecer ao Senhor (Os.6:3). Conhecer a Deus não é apenas ter domínio intelectual de Sua Palavra, mas, sobretudo, ter com Ele intimidade, deixar-se dominar pelo Senhor, estar envolvido como a erva é envolvida pela chuva abundante. Muitos, porém, ouvirão aquela dura palavra do Senhor no dia do juízo, quando, apesar de tantas “atividades”, serão tratados como pessoas que jamais foram conhecidas por Deus (Mt.7:23). Para servir a Deus, é preciso conhecer ao Senhor e ser dEle conhecido (Jo.10:14).

- Mas, após ter Se identificado, Deus mandou que Moisés fosse até o povo de Israel e se apresentasse a eles, bem como divulgasse a mesma mensagem que acabara de receber (Ex.3:15-22). O líder não é alguém que deva guardar para si a mensagem divina e a reter, divulgando-a conforme as suas conveniências. Mesmo na época de Moisés, em que ainda Deus não Se revelara completamente na pessoa de Jesus Cristo e quando ainda não estava derramado o Espírito Santo no povo, Deus não permitiu que o líder fosse um guardador de segredos. Deus queria ser conhecido de todo o povo e, embora Moisés tivesse sido escolhido para liderar o povo e houvesse os anciãos, também dotados de alguma parcela de autoridade, todo o povo deveria saber quem era Deus e qual o Seu propósito.

- Nos dias difíceis em que vivemos, muitos se dizem “líderes” no meio do povo de Deus e “portadores de segredos”, que só são revelados em reuniões fechadas, apenas a alguns, como se Deus não desejasse ser conhecido de todo o Seu povo. Tais “encontros”, “pré-encontros” e tantas invencionices são completamente sem qualquer respaldo bíblico e estão totalmente fora do propósito de Deus, que é o de que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade (I Tm.2:4). Moisés nada deveria omitir aos anciãos e ao povo do que lhe estava sendo revelado, e isto no tempo antigo. Como, pois, admitir “portadores de segredo” e “reuniões secretas” em plena dispensação da graça? Fujamos destas heresias!

- A primeira tarefa do líder é o de divulgar a Palavra de Deus. Foi a primeira coisa que o Senhor mandou que Moisés fizesse. Sem o ministério da palavra, não há possibilidade de se exercer qualquer ministério no meio do povo de Deus. O líder comprometido com o Senhor, chamado por Deus e que se dispõe a obedecer-Lhe é, antes de mais nada, alguém que dá prioridade à Palavra do Senhor. Disto, aliás, nos dão exemplo os apóstolos logo no limiar da história da Igreja (At.6:2,4). Uma das formas de discernimos quem são os verdadeiros homens enviados por Deus (“enviado” em grego é “apóstolos”) e os que são oferecidos na igreja, qualidade que o Senhor espera que tenhamos (Ap.2:2), é o comportamento que têm em relação à Palavra. Se dão prioridade à pregação e ao ensino da Palavra, são homens enviados por Deus. Se, porém, fogem da Palavra, escondem-se atrás de técnicas de pregação, de emocionalismos, de louvorzões, tenhamos a certeza de que estamos diante de charlatães, de falsos ministros, de lobos cruéis que não perdoam o rebanho (At.20:29). Afastemo-nos deles!

- Mas, imediatamente após lhe ter sido ordenado que pregasse a Palavra, Moisés apresentou uma dificuldade ao Senhor: a incredulidade do povo. Sem dúvida, tinha razão Moisés ao levantar este problema, pois aquela geração, realmente, não entrou na Terra Prometida por causa da sua incredulidade (Hb.3:19). A pregação não resulta automaticamente em fé. Uma coisa é pregar; outra, crer. Devemos pregar a Palavra, mas devemos saber que muitos não darão ouvidos ao que for pregado. A fé depende do livre-arbítrio de cada um e não será o pregador, mesmo enviado de Deus, que promoverá a salvação ou o nascimento da fé na vida de cada ouvinte. Por isso, façamos a nossa parte, pregando a Palavra, deixando o convencimento com o Espírito Santo de Deus.

- Mas, diante desta dificuldade apresentada, o Senhor diz a Moisés que ele faria sinais e maravilhas, a fim de que o povo pudesse ter motivos adicionais para crer. Os sinais serviriam, assim, de confirmação da Palavra de Deus, o que continua a ocorrer na atual dispensação (Mc.16:20). Não podemos inverter a ordem estabelecida por Deus: Palavra e, depois, sinais que confirmam a Palavra. Se corrermos atrás de sinais, correremos sério risco de ser enganados pelo adversário de nossas almas (Mt.24:24,25).

- Deus mandou que Moisés jogasse a vara que tinha em suas mãos e ela se tornou em cobra. Depois, mandou que Moisés pusesse a sua mão no peito e ela se tornou leprosa. Estes dois sinais seriam suficientes para superar a incredulidade do povo e, se mesmo assim, os israelitas não cressem, o Senhor prometera a Moisés que tornaria as águas do rio Nilo em sangue (Ex.4:1-9).

- É interessante observar que Deus prometeu fazer sinais com aquilo que Moisés tinha à sua disposição, ou seja, a vara que estava em suas mãos (e, por quarenta anos, aquela vara tinha estado à disposição de Moisés…) e as próprias mãos de Moisés. Deus faz coisas extraordinárias mas quer que nos utilizemos daquilo que já temos, que Ele nos concedeu para que as maravilhas se realizem. Deus não precisa mas faz questão de nossa participação e de nosso esforço na demonstração do Seu poder.

- Moisés, então, pôs uma nova dificuldade: a comunicação. Fazia quarenta anos que estava no deserto, já não sabia se expressar corretamente seja na língua egípcia, seja na língua hebraica. Era este o sentido da expressão de que não era eloqüente, “pesado de boca” e “pesado de língua” ou, na tradução da Bíblia Hebraica, “fala lenta” e “língua trêmula”. Temos aqui mais uma importante lição dada por Moisés: o líder tem de ter a preocupação de se comunicar bem com o povo. É indispensável que haja uma sintonia entre o líder e os liderados. Sem comunicação, não pode haver comunhão e sem comunhão, não há como se construir uma união onde o Senhor possa Se manifestar e realizar a Sua obra (Sl.133).

- Se o papel do líder é, principalmente, o de falar a Palavra de Deus, divulgá-la e ensiná-la, como fazer isto sem que se tenha uma mesma língua que os liderados? Como realizar o ministério da Palavra sem uma comunicação eficaz? Muitos têm fracassado ou, pelo menos, prejudicado seu ministério porque não se importam em ser compreendidos pelos liderados, porque não têm qualquer preocupação em estabelecer um canal de comunicação.

- Deus, diante desta nova dificuldade apresentada por Moisés, em primeiro lugar, mostrou que Ele é suficiente. Disse que Ele fez a boca do homem, como também o mudo e o surdo. A obra é de Deus e o Senhor não precisa de técnicas humanas para poder fazer valer a Sua vontade e o Seu senhorio. Deus havia resolvido livrar o Seu povo n Egito e isto seria realizado. Esta observação do Senhor para Moisés é muito atual: quantos não têm tentado substituir o Espírito Santo na obra de Deus por “planos”, “visões”, “estratégias” e “técnicas”? Entretanto, nada disso pode substituir o próprio Deus, pois Ele, e Ele só, é o Senhor!

- Ao mesmo tempo em que o Senhor mostra a Moisés que as técnicas humanas nada significam, nada representam ante o poder de Deus, não considerou que a preocupação de Moisés fosse de todo vã. Moisés não poderia confiar nas habilidades humanas, mas tanto era pertinente a sua preocupação que Deus disse que iria atendê-lo, fazendo com que Arão, irmão de Moisés, se tornasse o seu porta-voz, o seu canal de comunicação com o povo de Israel. No entanto, o Senhor deixou bem claro, o vaso que Ele havia escolhido para a libertação era Moisés e não algum outro.

- Moisés, então, diante de todas as soluções dadas por Deus às dificuldades por ele apresentadas, rendeu-se ao chamado divino e se apartou de seu sogro, voltando para o Egito, com a sua família (Ex.4:20). No meio do caminho, porém, houve uma ocorrência que quase resultou em tragédia, ocasião em que os filhos de Moisés foram circuncidados (Ex.4:24,25). Moisés, havia se rendido ao Senhor, assumido a sua identidade hebraica, mas não tinha, ainda, circuncidado seu filho. Não poderia, sem atentar para o pacto que Deus selara com Abraão, iniciar a libertação de seu povo. Primeiro, precisamos governar bem a nossa casa, pô-la de acordo com a vontade do Senhor, se temos um chamado para liderar o povo de Deus (I Tm.3:4,5). Quantos têm sido guindados ao ministério, na atualidade, de modo precipitado, visto que ainda não puseram as suas casas debaixo do senhorio de Cristo.

- Após seu encontro com Arão, Moisés foi e se apresentou ao povo e cumpriu aquilo que Deus lhe havia determinado, anunciando a Palavra de Deus e confirmando a Palavra com sinais. O povo, então, creu e adorou a Deus (Ex.4:30,31). Surgira um novo líder em Israel.

- Depois de ter legitimado sua liderança diante do povo, Moisés, então, inicia a sua missão, indo ao encontro de Faraó, a fim de obter o livramento do povo. O encontro não foi nada amistoso. Faraó desprezou a Moisés e a sua proposta para que deixasse o povo sacrificar a Deus e, como conseqüência deste pedido, afligiu ainda mais o povo, não mais fornecendo palha aos israelitas e ordenando que eles mantivessem a mesma produção de palha (Ex.5:1-19).

- Pela vez primeira, então, Moisés tem a sua liderança questionada. Como o povo só recebera aflição em virtude da atitude de Moisés de querer a libertação do povo, os israelitas começaram a culpá-lo pela situação, pedindo a Deus que julgasse o que estava a acontecer, pois Israel se fizera de “cheiro repelente a Faraó” (Ex.5:20,21).

- A liderança de um servo de Deus fará, sempre, o povo de “cheiro repelente” ao inimigo de nossas almas. O líder genuíno da parte de Deus não tem qualquer comunhão com o pecado e com o mal e, por isso, certamente os seus liderados sofrerão maiores aflições, visto que o inimigo será perturbado, ficará furioso com a atuação segundo a vontade de Deus. Quando nos sujeitamos a Deus, passamos a lutar contra o mal, o inimigo fica incomodado e a sua reação não tarda. Muitos, porém, na atualidade, não querem enfrentar o adversário, permitem que o pecado e a impureza dominem entre os seus liderados e nesta “trégua” com o inimigo, acham que levam alguma vantagem. Infelizmente, não é isto que nos ensina a Bíblia e o que se verá é que estes “pacificadores” estarão sendo envolvidos pela iniqüidade e farão eterna companhia ao adversário no lago de fogo e enxofre.

- Moisés, ante a aflição vivida pelo povo e a rejeição de que foi vítima, foi aos pés do Senhor. Moisés fez a melhor coisa que poderia ter feito: ido ao encontro do Senhor. No momento da angústia, da dor, da solidão, da oposição, quando as coisas parecem estar todas indo numa direção oposta ao que foi prometido por Deus, o servo do Senhor deve correr aos pés do Senhor. “Então tornou Moisés ao Senhor” (Ex.5:22). Que bom quando, nestes momentos difíceis, recorremos a Deus e Lhe pedimos a devida orientação. De onde nos virá o socorro? O socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra (Sl.121:1,2).

- Moisés, no momento desta dificuldade tão grande, demonstrou, também, ter compaixão dos seus liderados. O que lhe doeu não foi a rejeição do povo, a incompreensão, mas a aflição que o povo teve de passar: “por que fizeste mal a este povo?” (Ex.5:22). Um verdadeiro líder é aquele que sente compaixão pelos seus liderados, ou seja, é capaz de sentir aquilo que eles estão sentindo, não demonstrando qualquer interesse próprio ou pensamento em si, mas o bem-estar daqueles que estão sob sua responsabilidade. Moisés, nos quarenta anos do “curso do deserto”, havia aprendido a buscar o bem-estar das ovelhas, a viver em função delas e a sentir o que elas sentiam.

- A compaixão de Moisés era tanta que questiona a sua chamada, não porque duvidasse dela, mas porque ela só havia produzido dor ao povo de Israel. Por causa da chamada de Moisés, o povo estava sendo maltratado e não ocorrera qualquer livramento. Moisés, já no início de seu ministério, mostra que o líder deve amar os seus liderados, não buscar o seu próprio proveito e, se necessário for, anular-se em prol do grupo.

- Deus, então, em resposta à oração de Moisés, mostra-lhe que o livramento viria somente depois que o povo de Israel pudesse conhecer a Deus. Não bastava que Moisés tivesse dito quem era Deus. Deus queria ser conhecido de Seu povo e, para tanto, era necessário que o Seu poder fosse mostrado antes do livramento. Deus queria que Israel se tornasse o Seu povo, que se firmasse um pacto entre Deus e Israel, mas, para tanto, necessário era que Deus Se revelasse a Israel como o único e verdadeiro Deus, como o Senhor de toda a terra. Para tanto, seriam necessários sinais que demonstrassem que Deus era maior do que todos os deuses egípcios, que deuses, aliás, não eram. Foi este, aliás, o sentido das dez pragas, cada uma delas mostrando que o Senhor era o único e verdadeiro Deus e que os deuses egípcios deuses não eram.

- À medida que as pragas ocorriam e os deuses egípcios eram cada vez mais demonstrados falsos, a liderança de Moisés se fortalecia. A prova disto é que, antes da última praga, a dos primogênitos, Deus mandou que Moisés determinasse ao povo que celebrasse, pela vez primeira, a páscoa e todo o povo o atendeu, crendo unanimemente na palavra anunciada por Moisés, confiança que aumentou quando da morte dos primogênitos, a ponto de o próprio Faraó concordar com a saída de Israel do Egito.

- Quando Israel saiu do Egito, Moisés, embora tivesse sua liderança confirmada pelos fatos, não deixou de reconhecer que o senhorio era de Deus. Saindo do Egito, não tomou o caminho que lhe pareceria mais fácil, mas seguiu a direção de Deus. Moisés estava à frente do povo, mas a orientação, a direção era de Deus (Ex.13:17). Que exemplo a ser seguido!

- Quarenta anos antes, certamente não tinha sido este o caminho escolhido por Moisés para fugir de Faraó. Mas, agora, o Moisés que estava à frente do povo de Israel não era, em absoluto, aquele Moisés que escapara das mãos de Faraó. Estava-se diante de um servo de Deus, que sabia que quem deveria dirigir o povo era o Senhor. Temos seguido a direção de Deus ou confiado em nossas habilidades?

- A passagem do mar Vermelho foi um grande teste na vida de Moisés. Embora na direção de Deus, de uma hora para outra, Moisés se viu em uma situação sem saída. Atrás, vinha Faraó e seu exército e, à frente, estava o mar. Moisés, uma vez mais, clamou a Deus, mas o Senhor simplesmente mandou que Moisés dissesse ao povo que marchasse (Ex.14:15). Há instantes na vida do líder em que é preciso que haja uma iniciativa do líder. O Senhor já havia dito a Moisés o que iria fazer (Ex.14:1-14) e, por isso, nada mais cabia a Deus fazer senão esperar a iniciativa do líder e do povo de Israel.

- Um líder deve ter iniciativa, mas uma iniciativa de acordo com a vontade do Senhor. Uma vez Deus tendo dito o que fará, cabe ao líder, que sabe se comunicar com os seus liderados e que se apresenta legitimado por estar na direção de Deus, dar o primeiro passo para que tenha a vitória sobre o inimigo. Moisés levantou a vara, estendeu a mão e um vento fez com que se abrisse um caminho seco no mar. O povo passou e foi seguido pelo inimigo que, porém, foi destruído no mar. Tudo aconteceu para que o povo pudesse ver a grande mão poderosa do Senhor e cressem em Deus e em Moisés, Seu servo (Ex.14:31).

- Em gratidão a Deus, Moisés fez um cântico e cantou com o povo. Cantava a Deus porque o Senhor havia Se exaltado e derrotado os inimigos do povo. Moisés louvava a Deus e, publicamente, engrandecia o nome do Senhor. Não se vangloriara pela posição que estava a ocupar, nem tentou tirar vantagem desta grande vitória para o seu ministério, mas se limitou a engrandecer o nome do Senhor, a mostrar que Deus era o Deus de seu pai, que deveria ser exaltado, que Ele era varão de guerra, que Seu nome era “Eu Sou o que Sou”. Que exemplo de humildade de espírito, que espírito de adoração!

- Moisés ensina-nos, neste cântico, que foi Deus quem despedaçou o inimigo, que Deus é santo, que Deus é o único Deus, que Deus é poderoso, que Deus é beneficente, que Deus é salvador, que Deus é o guia do Seu povo, que Deus é rei e que iria conduzir o Seu povo para a Terra Prometida. Deus é tudo e só Ele deve ser adorado e louvado. Era este o ensino de Moisés, o cântico que ensinou Israel a cantar. Tem sido esta a nossa mensagem aos nossos liderados? Ou será que há muitos “aparecidos de Jesus” atrapalhando a adoração a Deus em nossas igrejas locais?

- Em seu louvor, Moisés exalta única e exclusivamente a Deus e também leva o povo a fazê-lo. Este é o verdadeiro louvor: aquele cujo objetivo e propósito é glorificar o nome do Senhor. Quão diferente deste cântico de Moisés são os “cânticos” da atualidade, que enaltecem o crente, que se voltam única e exclusivamente para o ser humano, deixando de ter como alvo e objetivo a Deus. Não permitamos que este louvor ao homem venha a ocupar espaço em nossas vidas devocionais e em nossas reuniões.

III – A BIOGRAFIA DE MOISÉS(III) – MOISÉS, O CONDUTOR DO POVO NO DESERTO

- O cântico de Moisés põe fim à missão que Deus confiou a Moisés quanto à libertação política de Israel. A partir de então, Moisés inicia a segunda fase de sua tarefa: a de levar o povo até a Terra Prometida, o que representava, como ensinam até hoje os rabinos judeus, a tarefa da libertação do povo de Israel do pecado, uma tarefa mais árdua e difícil.

- Este ensino dos rabinos judeus é bem elucidativo. Assim como Moisés, os líderes do povo de Deus devem se dedicar a esta dupla tarefa: libertar o povo da natureza do pecado, o que se alcança pela salvação na pessoa de Jesus Cristo, quando passamos da morte para a vida (Jo.5:24), quando nascemos de novo, ocasião em que vemos o reino de Deus (Jo.3:3). Neste instante, somos libertos da natureza pecaminosa, que antes nos dominava e escravizava (Gn.4:7; Jo.8:34). Como, portanto, admitir que “líderes”, na atualidade, tolerem o pecado, não o denunciem nem o combatam?

- Mas não basta haver a libertação da natureza do pecado. Necessário se faz que haja, também, a libertação do poder do pecado, ou seja, a manutenção da velha natureza sob crucifixão (Gl.2:20), a manutenção diária de uma vida de santidade, isto é, separação do pecado, mediante o cumprimento da lei de Cristo (I Co.9:21; Gl.6:2), que é a lei do amor e da obediência à Palavra de Deus. Faz-se necessário que se nasça da água e do Espírito, para que se entre no reino de Deus (Jo.3:5). O líder tem a incumbência de conduzir o povo pelo caminho da santidade, de ensinar-lhe a lei de Cristo, fazendo com que o povo possa fazer a travessia do deserto até alcançar a Terra Prometida. Como, portanto, admitir que “líderes”, na atualidade, não falem sobre santificação nem sobre santidade?

- Esta sempre será a grande preocupação de Moisés durante toda a jornada no deerto: fazer com que o povo cumprisse a vontade do Senhor, seguisse os mandamentos e, assim, se habilitasse a ingressar na Terra Prometida. Desde o cântico elaborado após a passagem do mar Vermelho até o seu último cântico, antes de subir o monte Nebo para morrer, Moisés teve esta preocupação, preocupação tão grande que o lugar de ensino da lei, ainda nos tempos de Jesus, milhares de anos depois, era denominado de “cadeira de Moisés” (Mt.23:2).

- Moisés tanto se preocupou com a observância da lei por parte de Israel que repetiu as leis por diversas vezes, como se vê nos livros do Pentateuco, e, como se não bastasse isto, deixou escrita a lei (Dt.31:9), para que ela fosse conhecida, ensinada, aprendida e praticada pelo povo. Verdade que o fez sob inspiração do Espírito Santo, mas isto não exclui o fato de que tinha o sincero desejo de que o povo obedecesse à lei e servisse ao Senhor. O quinto livro do Pentateuco, o Deuteronômio, nada mais é que quatro sermões de Moisés, que o grande líder proferiu antes de morrer para todo o povo, recapitulando toda a lei, demonstrando toda a profundidade do significado da lei, como última lição a ser ministrada para os seus liderados.

- Do começo ao fim da jornada do deserto, portanto, vemos que Moisés dava imensa prioridade à Palavra de Deus, o que deve ser um exemplo a ser seguido por todo servo do Senhor, máxime quando estamos a viver os últimos dias antes do arrebatamento da Igreja. Agir como agiu Moisés é repetir o próprio gesto divino, que pôs a Sua Palavra acima até mesmo de Seu nome (Sl.138:2). Temos feito isto?

- Realizada a libertação política, parecia que o trabalho de Moisés estava cumprido. Entretanto, o trabalho de Moisés estava apenas a começar: ainda haveria quarenta anos de jornada no deserto, de condução do povo até o Sinai, quando houve o pacto com o Senhor e, depois, o início da jornada até a Terra Prometida que, prevista para durar dois anos, acabou tendo a duração de quarenta anos em virtude da incredulidade de Israel.

- Nesta jornada do deserto, não vamos encontrar elogios e aplausos por parte do povo a Moisés. Muito pelo contrário, temos uma sucessão de atritos e de murmurações do povo contra o líder enviado por Deus para conduzi-los. Estes fatos mostram-nos que não deve o líder esperar do povo de Deus recompensas, reconhecimentos e elogios. Todo líder que viver em função desta perspectiva está fadado a um dilema: ou viverá decepcionado, porque não é isto que encontrará ou, na busca pela “popularidade”, desviar-se-á do propósito divino. Não é por outro motivo, aliás, que Paulo dizia aos gálatas que não exercia seu ministério para agradar os homens (Gl.1:10). Por isso que a busca da popularidade e da simpatia é sempre uma marca registrada dos falsos ministros (II Pe.2:2,13).

- A começar da murmuração em Mara (Ex.16:23) até o episódio da mistura com as moabitas (Nm.25), há uma sucessão de atritos entre o povo e Moisés, numa demonstração que o papel do líder não é o de agradar o povo, mas sempre o de seguir a vontade de Deus, pois é o Senhor quem sabe o que é melhor para o povo. Em todos estes fatos, sempre observamos Moisés buscando a orientação divina para a solução dos problemas. É em Deus que o líder deve buscar a direção e orientação para a tomada de decisões. Moisés deixa-nos, portanto, o exemplo da direção do Senhor como a única forma para bem se liderar o povo de Deus.

- No episódio da murmuração em Mara, por exemplo, diante da murmuração do povo, Moisés clamou ao Senhor (Ex.15:25), tendo obtido a solução do problema ao seguir a orientação divina. Nesta mesma oportunidade, Moisés ensinou ao povo que o caminho da obediência era necessário para que se tivesse a bênção de Deus (Ex.15:26). O verdadeiro líder do povo de Deus ensina o povo a obedecer à Palavra do Senhor.

- Na seqüência da jornada no deserto, vemos outra qualidade da vida de Moisés no seu encontro com o seu sogro Jetro. Por motivos que a Bíblia não explica, o fato é que Zípora, a mulher de Moisés e seus filhos, haviam voltado para a companhia de Jetro e este os leva de volta a Moisés, quando o povo já se encontrava no deserto. Este gesto do sogro de Moisés mostra-nos claramente que a família deve participar do ministério daquele que é chamado por Deus, ao menos enquanto os filhos são menores e dependentes dos pais.

- Moisés recebe seu sogro com todo o respeito e consideração, numa prova de que o fato de estar à frente do povo de Israel não o fizera rejeitar o seu passado e a sua condição anterior de pastor das ovelhas de Jetro. A recepção que deu a Jetro mostra que Moisés era grato e que considerava aqueles que o haviam ajudado no passado. Como seria bom que todos os líderes considerassem aqueles que os lideraram no passado, que fossem gratos, pois sem esta qualidade, ninguém poderá ter um futuro feliz e próspero: não nos esqueçamos que aquilo que semeamos, colheremos, pois Deus não Se deixa escarnecer (Gl.6:7).

- Mas, além de grato, Moisés também demonstra que é humilde, pois aceitou receber um conselho da parte de seu sogro. Ao ver que Moisés decidia sozinho todas as causas do povo, que se aglomerava numa verdadeira “fila do INSS” todos os dias para ser atendido por ele, Jetro, dentro de sua experiência, sugeriu a Moisés que efetuasse a descentralização do poder, resolvendo apenas as causas mais graves, criando maiorais de mil, de cem, cinqüenta e de dez para resolver as “pequenas causas”, trazendo agilidade e paz para o povo de Israel.

- Moisés prontamente atendeu ao conselho de Jetro (Ex.18:24), demonstrando ser uma pessoa humilde e receptiva a críticas. Que grande qualidade de um líder: o de ouvir conselhos. Muitos, na atualidade, são arrogantes e soberbos, “sabichões”, que não aceitam os conselhos de pessoas mais experientes e que muito podem ajudar na eficácia da liderança. Se é certo que o líder deve seguir a orientação divina, também é certo que Deus, como escolheu um povo, põe à disposição dos líderes pessoas que têm capacidades e habilidades para dar bons conselhos e auxiliar no sucesso e êxito da obra do Senhor.

- Salomão, o homem mais sábio de toda a terra, não abriu mão dos conselheiros e, inspirado pelo Espírito de Deus, disse o seguinte: “Onde não há conselho os projetos saem vãos, mas, com a multidão de conselheiros, se confirmarão” (Pv.15:22). O apóstolo Paulo ensinou-nos que a igreja é como um corpo, ou seja, tem vários membros que dependem uns dos outros. Assim sendo, não há como uma pessoa sozinha ter o encargo de todo o povo. Necessário se faz que haja um corpo organizado de auxiliares, de pessoas capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza e que possam ter poder decisório sobre todo negócio pequeno, aliviando, assim, a carga do líder, pois, na igreja, devemos levar as cargas uns dos outros, pois esta é a única maneira de cumprirmos a lei de Cristo (Gl.6:2).

- Na atualidade, muitos líderes não querem ouvir conselhos, nem aceitam que surjam conselheiros e, muito menos, auxiliares. Querem ter súditos, pessoas que somente saibam dizer “amém”, mas que não têm qualquer poder decisório. O resultado é a ineficiência, o esgotamento do líder e um acúmulo cada vez maior de problemas sem solução, causando um prejuízo muito grande à obra de Deus. Como ensinou Jetro, a descentralização, o aproveitamento de homens e mulheres que o Senhor põe à disposição do Seu povo é fundamental para que o líder subsista e o povo de Deus venha em paz ao seu lugar (Ex.18:23), que é o céu.

- É, realmente, lamentável o que se tem observado em muitas igrejas locais na atualidade. A arrogância e a ganância pelo poder fazem com que muitos líderes não escolham homens capazes e tementes a Deus para estarem a seu lado, mas escolhem “capachos”, que não têm qualquer capacidade, mas servem para bajular e dizer “amém”. O resultado é o esgotamento físico e mental da liderança, liderança esta que não subsiste, bem assim a falta de paz no meio do povo de Deus. Livremo-nos destas pretensões enganosas, destes temores totalmente sem respaldo bíblico e aproveitemos aqueles que o Senhor tem levantado no meio da igreja para ajudar o povo de Deus a chegar ao céu.

- Moisés tanto aprendeu a lição da descentralização e da necessidade de ajuda que, mais tarde, pediu a Deus que houvesse ainda mais uma repartição de suas funções, desejo este tão de acordo com a vontade do Senhor que foi atendido, tendo, então, o Senhor dado do Espírito a setenta anciãos, que com ele compartilhassem a direção espiritual do povo (Nm.11:11-30).

- A lição da descentralização faz-nos, também, entender que o líder não deve fazer tudo, mas delegar tarefas a outros. Faz parte da liderança saber delegar funções, atribuir tarefas e missões a quem o Senhor preparou para exercê-las. Moisés, por exemplo, embora tivesse sido um grande general no passado, não vacilou em nomear Josué para comandar o exército na guerra contra os amalequitas (Ex.17:9), enquanto ele, Arão e Hur oravam durante a batalha. Faz-se necessário que o líder saiba delegar tarefas, tudo fazendo segundo a orientação divina, mas jamais se esquecendo que o fato de ter sido chamado à liderança não significa que tenha de fazer tudo sozinho.

- Moisés mostrou, também, toda a sua humildade de espírito. Sempre clamava a Deus para que tivesse a solução dos problemas, jamais se impondo com autoritarismo ou com soberba. Mesmo nos momentos mais difíceis de seu ministério, Moisés nunca quis se sobrepor sobre o povo, demonstrando autoridade consoante a ordem de Deus que, mais de uma vez, interveio diretamente para mostrar que Moisés era o homem chamado por Ele para liderar o povo, como no episódio da sedição de Miriã e Arão (Nm.12:1-10). Quando precisou usar de sua autoridade, fê-lo debaixo da chamada e do senhorio divinos na sua vida, como no episódio da rebelião de Data, Abirão e Coré (Nm.16).

- Ainda falando nos atritos entre Moisés e o povo, vemos que a liderança frente ao povo de Deus não exclui a ocorrência de rebeliões. A rebelião, a revolta não atitudes próprias dos seres humanos e, infelizmente, estarão presentes na história do povo de Deus até o final da história, somente vindo a cessar no juízo do trono branco, que ocorrerá depois da última rebelião (cfr. Ap.20:7-10).

- Assim, antes de tentar evitar criar expedientes que impeçam a rebelião (o que é uma grande ilusão), o líder deve ter convicção de sua chamada e, ante tal convicção, buscar junto a Deus sabedoria para mostrar isto publicamente quando for necessário. Moisés sempre o fez e Deus o honrou em todas as oportunidades em que precisou mostrar que estava na posição determinada pelo Senhor. Quem está no lugar determinado por Deus não tem o que temer, deve tão somente pedir a orientação divina para que tal chamado se evidencie no instante em que isto for necessário.

- Outra lição que Moisés nos deixa, em termos de liderança, é que tinha profunda intimidade com Deus. A partir do episódio da sarça, vemos Moisés, cada vez mais, aprofundando a sua intimidade com o Senhor, tanto que o próprio Senhor testifica que Moisés foi o profeta que mais intimidade teve conSigo, um profeta com quem Deus falava “boca a boca” (Nm.12:8), conhecido de Deus “face a face”(Dt.34:10). Moisés sempre desejou ter íntima comunhão com o Senhor, a ponto de ter pedido para ver a própria glória de Deus (Ex.33:18-23). Um líder do povo de Deus precisa ter contínua e cada vez maior intimidade com Deus. Não é possível liderar com sucesso sem que se tenha tal intimidade, pois para se ter a direção de Deus é absolutamente necessário que haja um perfeito entrosamento entre a nossa vontade e a vontade do Senhor.

- A intimidade com Deus traz, e Moisés nos mostra isto, a inexistência de vontade própria por parte do líder, que tão somente executa a vontade de Deus. Não vemos, durante o ministério de Moisés, qualquer determinação ou imposição que tenha vindo direta e exclusivamente de Moisés. Mesmo o divórcio, que foi posto na lei de Moisés à revelia da vontade divina, como nos revela o Senhor Jesus (Mt.19:8), não foi fruto de uma opção de Moisés, mas, sim, da dureza dos corações dos israelitas. Moisés sempre se contentava em saber qual era a vontade de Deus e fazia tudo conforme o modelo determinado pelo Senhor (Ex.39:43; 40:29). Que bom seria que, na atualidade, os líderes se dispusessem a fazer tudo conforme o modelo divino, que é a Bíblia Sagrada, e não se tornassem, como muitos têm se tornado, inventores de males (Rm.1:30) e de falsas doutrinas (Mt.15:9; Mc.7:7; Cl.2:22; I Tm.4:1; Hb.13:9).

- Uma outra demonstração da intimidade de Moisés com Deus está no episódio em que o roto de Moisés resplandeceu a glória divina (Ex.34:29-35), onde vemos que a intimidade com Deus faz com que cada vez mais o líder não apareça, mas faça Deus aparecer para os seus liderados. Quanto mais o líder se aproxima de Deus, mais o Senhor aparece. As palavras e atitudes do verdadeiro líder devem sempre repetir a fala de João Batista: “é necessário que Ele cresça e que eu diminua” (Jo.3:30).

- Se isto já era necessário no tempo de Moisés, no tempo da lei, nos dias da dispensação da graça, temos ainda maior necessidade de tal intimidade, visto que, ao contrário do que ocorria nos dias de Moisés, em que o Espírito Santo era dado sob medida, todo o povo de Deus agora tem o Espírito Santo. Moisés desejava, nos seus dias, que todo o povo fosse profeta (Nm.11:29), mas hoje o Espírito Santo habita em cada crente e todos nós somos anunciadores da Palavra de Deus (Jo.14:17; Mc.16:15; Rm.8:9). Assim, a liderança deve ter ainda mais intimidade com o Senhor, cuja revelação não foi apenas por figura, como se fez com Moisés, mas mediante a expressa imagem da Sua Pessoa, o Senhor Jesus, um profeta que seria maior do que Moisés (Dt.18:18; Hb.3:3).

- A intimidade de Moisés com Deus era tanta que Moisés não aceitou que Deus mandasse um anjo para ir com o povo, fazendo questão que o Senhor Se fizesse presente na jornada no deserto (Ex.33:2,15). A intimidade com Deus faz-nos sentir a necessidade da Sua presença, da Sua companhia durante todo o tempo, presença e companhia que são insubstituíveis. Quantos líderes, na atualidade, abrem mão da companhia de Deus e preferem ser conhecidos por serem “companheiros de anjos”, “entrevistadores de demônios”, “portadores de fórmulas de fé” e tantas outras invencionices. O verdadeiro líder chamado por Deus, porém, é ainda aquele que faz questão da presença e da companhia do Senhor e que não se atreve a dar nem um só passo sem o amparo do Senhor.

- A intimidade de Moisés com Deus também é demonstrada no fato de que Moisés foi a única personagem bíblica que foi proibida pelo Senhor de orar por um determinado assunto. Moisés foi proibido de orar para que Deus lhe permitisse entrar na Terra Prometida (Dt.3:26). Era tanta a liberdade de Moisés para com Deus e de Deus para com Moisés, que o Senhor não permitiu que Moisés voltasse a orar pedindo para entrar na Palestina. Que grande intimidade!

- Os atritos do povo com Moisés e a intimidade de Moisés com Deus fazem surgir uma outra característica que se apresenta continuadamente na vida ministerial de Moisés: a intercessão. Mais de uma vez, encontramos Moisés intercedendo pelo povo, pedindo a Deus que perdoasse o povo, que não o destruísse, apesar de todo o mal que o povo fazia, seja contra Deus, seja contra o próprio Moisés. No episódio do bezerro de ouro, por exemplo, Moisés chegou, mesmo, a pedir que o Senhor tirasse o seu nome do livro da vida caso não decidisse perdoar o povo (Ex.32:32).

- O líder deve interceder pelos liderados diante de Deus. Embora seja uma autoridade e tenha de aplicar a disciplina, o líder jamais deve querer o mal dos seus liderados, mesmo dos rebeldes e dos que pecaram. Muito pelo contrário, seu papel é interceder por eles diante de Deus, para que obtenham o perdão divino e possam retomar a sua caminhada para o céu. Este papel do líder está bem evidenciado no ministério de Moisés, que sempre foi um ministério de intercessão em prol daqueles que pecavam. Intercessão é oração sincera e contrita a Deus em prol dos pecadores, é pedido a Deus de perdão pelos pecados cometidos, o que não se confunde, em absoluto, com tolerância com o pecado e negligência na aplicação das devidas penalidades. O mesmo Moisés que mandou matar os idólatras (Ex.32:37), foi o líder que arriscou a sua própria eternidade em prol do povo.

- Moisés, durante os quarenta anos do “curso do deserto”, também aprendeu a ser manso (Nm.12:3), um requisito indispensável para quem lidera o povo de Deus, mormente quando sabemos que o Senhor Jesus mandou que aprendêssemos dEle a mansidão(Mt.11:29). A mansidão de Moisés é mais um resultado de sua intimidade cada vez maior com o Senhor. Moisés, antes tão agressivo e violento, sempre se portou com mansidão, mesmo nas horas mais difíceis em que se teve de enfrentar o povo rebelado. Moisés clamava a Deus, não se envolvendo nas atividades revoltosas, mantendo uma certa distância de tudo aquilo que não correspondia à vontade divina, sem deixar de advertir o povo a respeito dos seus erros. Foi, assim, por exemplo, no episódio da guerra empreendida pelos israelitas depois da morte dos espias. Moisés, sem deixar de avisar o povo de que a guerra seria em vão, não impediu o povo de ir guerrear, embora não o tenha acompanhado. Após a derrota militar, sua postura foi decisiva para que o povo se recompusesse e se submetesse aos 38 anos de jornada em círculo até a morte daquela geração incrédula (Nm.14).

- Por fim, Moisés dá-nos uma lição em sua liderança a respeito de sua sucessão. Em momento algum, Moisés procurou criar mecanismos para a sua substituição. Não buscou pôr seus filhos ou mesmo a sua tribo em posição de vantagem, não se preocupou em colocar sucessores. Sua preocupação era com a continuidade do povo de Deus, algo que somente ocorreria se houvesse obediência à Palavra de Deus.

- Ao ficar caracterizado que não entraria na Terra Prometida, dentro de sua responsabilidade como líder, Moisés, então, pediu a Deus que pusesse alguém em seu lugar que levasse a efeito a conquista da Terra(Nm.27:16,17). A liderança era indispensável e Moisés, sabendo que o povo é de Deus e não dele, pediu ao Senhor que indicasse o seu sucessor. Que grande exemplo para os nossos dias, em que muitos se esquecem de que é Deus quem dá líderes para a igreja e não a igreja e, muito menos, os líderes atuais que escolhem as lideranças para o povo de Deus. O Senhor ouviu a oração de Moisés e designou Josué como seu sucessor (Nm.27:18-23).

- Os líderes do povo de Deus devem se lembrar de que foram dados por Deus à igreja e que, portanto, não cuidam senão de rebanho alheio, não podendo demonstrar domínio sobre algo que não lhes pertence (I Pe.5:1-3). É óbvio que, se Jesus tarda e os anos avançam, devem os líderes ter a responsabilidade de fazer a obra de Deus prosseguir, pois ninguém é insubstituível, mas também se deve ter a devida humildade de pedir a Deus orientação a respeito da sucessão, não tomando decisões precipitadas, muitas vezes motivadas por interesses econômico-financeiros, familiares e políticos, sem qualquer orientação do Senhor. Guardemo-nos disto e aprendamos com Moisés a deixar a nossa sucessão nas mãos do Senhor.

IV – O QUE APRENDEMOS A FAZER COM MOISÉS

- O ministério de Moisés foi bem longo e está pormenorizadamente descrito nas Escrituras Sagradas. Por causa disto, a fim de que não nos alongássemos em demasia neste estudo, preferimos traçar um quadro menos biográfico de Moisés e já mais analítico de suas características, como se pôde perceber supra.

- Diante da perspectiva escolhida nesta lição, seria muito repetitivo analisarmos cada qualidade de Moisés, já que já o fizemos nos itens anteriores, à medida que íamos indicando pontos relevantes da vida de Moisés. Por isso, preferimos fazer apenas um resumo das qualidades apresentadas supra, a título de síntese do que devemos aprender na vida deste grande homem de Deus.

- Em suma, pois, são estas as principais lições que Moisés nos dá ao longo de sua vida:

a) conversão – torna-se necessário nos virarmos para Deus para podermos ser Seus servos. Moisés passou a fazer a vontade de Deus a partir do instante em que não quis mais os tesouros do Egito e quis assumir o vitupério do povo de Deus. Por causa disso, iniciou, ainda que sem entendimento, a busca da libertação do seu povo. Quarenta anos depois, no monte Horebe, reafirmou esta mudança de vida quando se virou para ver o que era a “grande visão” da sarça que ardia mas não se consumia.

b) santificação – torna-se necessário que nos separemos do pecado, que aceitemos o senhorio de Cristo em nossas vidas para que venhamos a ser instrumentos genuínos e autênticos na Sua mão. Moisés, ao tirar os sapatos como Deus lhe mandara, porque estava em lugar santo, deu um passo decisivo para poder servir a Deus e Lhe ser útil para o propósito de libertação do povo.

c) renúncia de si mesmo – Moisés, ante os obstáculos apresentados diante de Deus quando de sua chamada, revelou que havia se esvaziado de si mesmo, que não se considerava mais suficiente para a libertação de Israel no Egito. É um passo indispensável para servirmos a Cristo também negarmos a nós mesmos (Mc.8:34; Lc.9:23).

d) busca de conhecimento de Deus – Moisés, ao ser chamado por Deus, quis saber qual era o Seu nome, quis saber quem era Deus e, durante todo o seu ministério, vemos um esforço ininterrupto de Moisés para ter intimidade com o Senhor (e conhecimento, para o hebreu, significa intimidade). O apóstolo Pedro nos ensina que devemos crescer na graça e no conhecimento de Jesus Cristo (I Pe.3:18). Como é importante que, assim como Moisés, sempre busquemos conhecer a Deus mais e mais. Foi esta característica que parece ter mais agradado a Deus, tanto que foi esta a qualidade exaltada pelo Senhor quando de Sua reação à sedição de Miriã e Arão.

e) prioridade à Palavra de Deus – Moisés, em todo o seu ministério, quis que o povo obedecesse à Palavra de Deus e fez questão de anunciar e ensinar a Palavra ao povo. Desde o primeiro instante, quando se apresentou a Israel após o episódio da sarça, até antes de subir o monte Nebo para morrer, Moisés teve a preocupação de “gotejar a doutrina” ao povo de Deus. Do mesmo modo procederam os apóstolos e nós devemos seguir-lhes o exemplo. A falta de conhecimento do Senhor leva o povo à destruição (Os.4:6).

 

f) a necessidade de sinais e maravilhas para confirmação da Palavra – Embora fosse extremamente cioso com o anúncio e o conhecimento da Palavra, Moisés sempre buscou que o Senhor confirmasse a Sua Palavra com sinais e maravilhas. A vida ministerial de Moisés é uma vida repleta de sinais e maravilhas da parte de Deus, muitos deles com o objetivo de confirmar e legitimar os ensinos e decisões de Moisés. Nesta nossa atual dispensação não é diferente: os sinais devem seguir os que crêem (Mc.16:17).

g) agir sempre segundo a direção de Deus – Moisés é um exemplo no tocante à fonte de nossas decisões. Moisés sempre clamava a Deus e somente fazia aquilo que o Senhor ordenava. Sua submissão à direção divina é uma das suas mais fortes características. Embora tivesse ficado famoso e tivesse sua liderança bem fortalecida, Moisés não ousava decidir, buscava sempre a orientação do Senhor.

h) humildade de espírito – Moisés era humilde, jamais quis tomar o lugar de Deus, tendo sido o principal responsável para que, no povo de Israel, se criasse um sentimento monoteísta tão forte e que perdura até os dias de hoje. Deus teve o primeiro lugar na vida de Moisés e, quanto mais Moisés se aproximou de Deus, mais Deus Se fez aparecer através de Moisés. Em seus cânticos, Moisés dá-nos o exemplo de única e exclusivamente adorarmos ao Senhor, não permitindo que a vaidade e a auto-confiança nos dominem. Além disto, sua humildade lhe permitiu receber e aceitar sábios conselhos da parte de Jetro e de ter sempre auxiliares dispostos a ajudá-lo na sua tão árdua missão.

i) gratidão – Moisés foi grato a seu sogro Jetro, recebendo-o com honras quando já havia libertado o povo de Israel no Egito. Também percebemos que a posição privilegiada que Miriã tinha no meio do povo era resultado da gratidão que Moisés lhe tinha desde a tenra infância. Moisés tinha um coração agradecido, prova de que o Espírito de Deus nele habitava. Devemos ser igualmente agradecidos, como nos recomenda o apóstolo Paulo (Cl.3:15).

j) descentralização – Moisés, embora tivesse sido chamado por Deus para liderar o povo, tinha consciência de que não deveria fazê-lo sozinho. Moisés é um exemplo a ser seguido no tocante à descentralização. Antes mesmo de receber e aplicar o conselho de Jetro, Moisés já determinara a Josué que comandasse o exército na guerra contra Amaleque. Depois da visita do sogro, criou os maiorais de dez, cinqüenta, cem e mil, para ajudá-lo nos julgamentos dos litígios no meio do povo e, por fim, pediu a Deus auxiliares na própria tarefa de direção do povo, quando lhe foram dados setenta anciãos. Moisés mostra-nos que o líder não deve o faz-tudo, mas deve ter juntamente com ele pessoas capazes, tementes a Deus e que aborreçam a avareza para ajudá-lo no ensino e na jornada do povo rumo a Canaã.

l) intercessão – Moisés sempre intercedeu pelo povo de Israel. Mesmo nos momentos mais difíceis, em que era pressionado pelo povo, Moisés nunca deixou de pedir em favor de Israel a Deus. Moisés é, assim, um exemplo de intercessor que devemos seguir, pois é nosso dever, como servos do Senhor, interceder uns pelos outros e por todos os homens (I Tm.2:1).

m) mansidão – A Bíblia nos revela que Moisés se tornou o homem mais manso que havia sobre a Terra (Nm.12:3). Com efeito, ao longo de seu ministério, percebemos que Moisés não se portava com arrogância nem com dureza, mas era manso, buscando a conciliação do povo com Deus e que as decisões drásticas fossem tomadas só em último caso.

n) direção de Deus – Moisés sempre clamava ao Senhor e dEle procurava ter a devida orientação para a tomada de decisões, inclusive no que se refere à sua sucessão. Mostra-nos, portanto, que não pode haver líder eficaz que não siga a direção do Senhor.

V – O QUE APRENDEMOS A NÃO FAZER COM MOISÉS

- Moisés, porém, era um ser humano e, portanto, cometeu erros que devem ser evitados por quem quer servir a Deus, tanto antes quanto depois de sua chamada no monte Horebe.

- O primeiro contra-exemplo de Moisés se tem quando de sua iniciativa para libertar o povo com base em suas próprias habilidades. Embora fosse louvável deixar os tesouros do Egito e assumir o vitupério do povo de Israel, Moisés quis realizar esta tarefa, para a qual fora conscientizado pela sua própria mãe desde a primeira infância, com base na força, na violência, nas habilidades humanas. O resultado foi catastrófico, pois nem Moisés conseguiu livrar o povo, nem o povo se entusiasmou a ter Moisés como líder e, como se isto fosse pouco, este gesto fez com que Moisés perdesse tudo o que havia adquirido no Egito.

- Não podemos querer fazer a obra de Deus ao nosso modo, usando de nossas forças e habilidades, mesmo que tenhamos convicção de que fomos chamados pelo Senhor. Não é por força, nem por violência, mas pelo Espírito de Deus (Zc.4:6). Quantos não têm tido retumbantes fracassos por repetirem este erro de Moisés. Todas as habilidades e posições que venhamos a obter ao longo de nossa vida, certamente, são de grande valor para aquele trabalho que Deus nos chamou, mas não podemos querer levar a efeito este trabalho apenas com estas ferramentas, que são tão somente “esterco”. Precisamos agir pelo Espírito Santo, segundo a Sua direção, pois sem o Senhor, nada poderemos fazer.

- O segundo contra-exemplo que nos deixa Moisés é o da impaciência, da precipitação. Embora tenha se tornado o homem mais manso sobre a Terra, Moisés, quando sob muita pressão, por duas vezes fraquejou, o que significou a perda do direito de entrar na Terra Prometida. Pela primeira vez, ao ver o povo entregue à idolatria no episódio do bezerro de ouro, impacientou-se e quebrou as tábuas da lei (Ex.32:19).

- Moisés não pôde conter a sua fúria e, num gesto nítido de precipitação, arremessou as tábuas da lei e as quebrou ao pé do monte (Ex.32:19), atitude totalmente desnecessária e que não trouxe proveito algum, pois o juízo de Deus ao povo se deu da mesma forma, sem que a quebra das tábuas da lei tenha produzido qualquer benefício para o povo. Muito pelo contrário, por causa disto, Moisés teve de subir de novo ao monte e ali ficar mais quarenta dias e noites (Ex.34:2).

- Esta precipitação e impaciência tornariam a ocorrer no episódio da falta de água em Cades (Nm.20:1-13). Pela segunda vez, faltava água e o povo começou a murmurar. Moisés, como sempre, clamou ao Senhor e Deus, então, mandou-lhe que ele ajuntasse a congregação e que Arão falasse à rocha, rocha que verteria água para todo o povo. Moisés e Arão, porém, após ter ajuntado todo o povo, chamaram-nos de rebeldes, indagaram-lhes se porventura tirariam água daquela rocha e, em seguida, Moisés feriu a rocha duas vezes, tendo, então, saído água para o povo. Entretanto, Deus lançou em rosto a incredulidade de Moisés e de Arão, dizendo que, por causa disto, não entrariam eles na Terra Prometida. O episódio ficou conhecido como as águas de Meribá (em hebraico “Merivá”), que significa “disputa”.

- Assim, uma impaciência que não havia resultado em qualquer punição a Moisés, agora foi decisiva para que Moisés não entrasse na Terra Prometida. Mas não seria uma falta tão pequena para causar uma conseqüência tão grave a um homem de Deus tão exemplar como era Moisés?

- O Senhor disse a Moisés e Arão que eles não entrariam na Terra Prometida porque haviam sido incrédulos (Nm.20:12). Deus mostra, neste Seu gesto, que é um Deus justo e imparcial. Assim como os israelitas de mais de vinte anos não entraram em Canaã por causa da incredulidade, os líderes também não entrariam ali pelo mesmo motivo. A penalidade não foi excessivamente rigorosa, mas a mesma que foi aplicada para toda aquela geração. Deus não tem acepção de pessoas (Dt.10:17). Este é um importante alerta para certos “líderes” que se acham em uma posição distinta da de seus liderados diante de Deus. Todo o povo de Deus é formado de sacerdotes, todos são ungidos de Deus, não há outro mediador entre Deus e os homens senão Jesus Cristo homem (I Tm.2:5).

- A incredulidade de Moisés e Arão foi extremamente grave, pois foi demonstrada diante de todo o povo. Moisés e Arão não creram na palavra de Deus e, mais do que isto, se consideraram como os autores do prodígio que iria se realizar. Observemos o texto sagrado e verifiquemos que ambos desafiam o povo, entram em “disputa”, em “contenda” com o povo, o que estava totalmente contra os propósitos de Deus.

- Em todos os outros episódios, vemos que era o povo quem contendia com Moisés. Aqui é Moisés que começa a disputar com o povo, quem o desafia. Isto foi prejudicial para Moisés, pois o povo, pela misericórdia de Deus, saciou a sua sede, enquanto que Moisés e Arão perderam o direito de entrar na Terra Prometida. Moisés deixou-se levar, durante um instante, pela vaidade, pelo orgulho, achou-se capaz de tirar água da rocha, quando, em verdade, quem o faria seria o Senhor.

- É um gravíssimo problema, que pode custar a salvação, o líder começar a contender com o povo, a desafiá-lo, a querer iniciar uma peleja com o povo de Deus. Por primeiro, deve o líder se lembrar que o povo é de Deus e que o povo de Deus é a menina dos Seus olhos (Dt.32:10; Zc.2:8). Assim, nunca é sensato disputar, provocar ou fazer sofrer o povo de Deus.

- Por segundo, quando o líder assim procede, acaba querendo prevalecer sobre todos e isto lhe obriga a tomar uma atitude de estrelismo, de proeminência, que não combina com a necessária humildade e renúncia de si mesmo que são exigíveis de todo e qualquer servo de Deus, máxime de quem está em posição de liderança. Deus desapareceu das palavras de Moisés e Arão, que passaram a dizer que eles tirariam água da rocha para o povo (Nm.20:10). Tal atitude é insana, visto que Deus humilha todo aquele que se exalta (Mt.23:12; Lc.14:11;18:14).

- Não bastasse a incredulidade e a auto-exaltação, que são duramente punidas pelo Senhor, o gesto de Moisés foi uma desobediência. Moisés simplesmente não fez o que o Senhor mandou e, ao ferir a rocha, e por duas vezes, em vez de Arão falar a ela, demonstrou um individualismo que não lhe era comum (quis aparecer em detrimento de seu irmão) e usou de violência que não havia sido autorizada. Uma desobediência deliberada, diante de todo o povo, não poderia ter outra punição senão a que Deus deu: a de separação entre o destino deste povo e o destino dos líderes.

- Se Deus assim tratou com Moisés no tempo da lei, onde tudo era figura do que estava para vir, como tratará aqueles que de novo crucificarem o Filho de Deus, desobedecendo ao Senhor diante de todo o povo de Deus reunido? Muitos líderes não avaliam o risco que correm quando iniciam uma contenda com a igreja, quando deliberadamente passam a ferir a rocha e a deixar de observar os mandamentos do Senhor. Tomemos cuidado, pois, se Moisés não entrou na Terra Prometida mas passou a pertencer à glória divina (tanto que esteve com Elias no monte da Transfiguração), mesma sorte não terão aqueles que já vivem na dispensação da graça, onde Deus Se revelou completamente na pessoa de Jesus Cristo (cfr. Hb.6:4-9).

- Assim, numa oportunidade em que Deus queria Se santificar na presença do povo, ou seja, mostrar a Sua santidade a Israel, Moisés e Arão pecaram deliberadamente, o que resultou na perda de ambos ingressarem na Terra Prometida. Deus mostrou assim a Sua santidade e, uma vez mais, que é um Deus intolerante com o pecado. Por isso, amados irmãos, tomemos cuidado, pois no céu não entra pecado.

- O terceiro contra-exemplo que Moisés nos apresenta é o de ter sido negligente na educação de sua própria família. Se demonstrou ter fé ao deixar os tesouros do Egito e assumir o vitupério de seu povo, também é fato que Moisés não se preocupou em formar a sua família na mesma esperança e promessa que havia aprendido de sua mãe. Quando vai para o Egito, no meio do caminho o Senhor lhe aparece e quase o mata, levando-o ao risco de morte para que houvesse a circuncisão de Gérson. Como se não bastasse isso, vemos, depois, que a família de Moisés retornou ao convívio de Jetro e só iria se reunir a Moisés após a libertação do povo. Por fim, problemas familiares entre a sua mulher e Miriã foram o estopim de uma das maiores sedições contra Moisés, que exigiu a intervenção direta do próprio Deus.

- Moisés, embora tenha sido criado dentro dos parâmetros da Palavra do Senhor, não teve esta mesma preocupação com relação a sua família, o que lhe trouxe sempre estorvos no seu ministério. Não deve o homem chamado por Deus proceder de igual maneira. O descuido de muitos ministros e oficiais com a suas famílias tem sido um dos grandes fatores de fracassos que, não raro, comprometem a própria salvação do obreiro. A família é elemento fundamental para o alicerce do ministério. O mau governo da casa é sinal de fracasso no ministério.

- Outros, no entanto, além de não governarem bem as suas casas, permitem que suas famílias, indevidamente, influam nos seus ministérios. A família é elemento que dá base ao ministério, mas as relações familiares não podem ser um fator preponderante no exercício do ministério. Quando os problemas familiares entre Miriã e sua cunhada extrapolaram as paredes de casa e influíram no comando do povo, houve uma rebelião e um grande prejuízo para o povo de Deus (Nm.12:1). Devemos separar o que é familiar do que é ministerial, não permitindo que favoritismos decorrentes do parentesco venham a influir e contaminar o ministério de cada um.

OBS: A propósito, sem que se queira polemizar, somos do entendimento de que a mulher mencionada em Nm.12:1 é Zípora, ou seja, que Moisés teve apenas uma mulher. O relacionamento de Zípora com Miriã não fora amistoso e pode ter sido esta uma das razões pelas quais Zípora resolveu voltar ao convívio de Jetro, depois de ter partido com Moisés para o Egito.

Colaboração para o Portal EscolaDominical: Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco.

5 thoughts on “Moisés, um líder eficaz – 1

  1. Exlente subsídio, vou informar a outros sobre esse site. Ele é uma BENÇÃO. QUE DEUS CONTINUE INSPIRANDO O IRMÃO.

  2. Verdadeiramente esses subsídios tem enriquecido nosso conhecimento bíblico e contribuído para a ministração das aulas na E.B.D..Que Deus continue abençoando o amado irmão.

  3. MENSAGEM GLORIOSA DA PARTE DE DEUS,
    E UM MATERIAL ENRIQUCEDOR PARA A EBD.

    DEUS ABENÇOE

  4. OLÁ ,AMADO….

    A PAZ DO SENHOR JESUS.

    MARAVILHOSO,ESTE SUBSÍDIO,SOBRE A LIÇÃO 11

    EXCELENTE.
    VCS TEM SIDO ,UMA BENÇÃO NA MINHA VIDA.
    POIS TENHO APRENDIDO MUITO A CDA LIÇÃO.

    QUE DEUS DOS CÉUS ,DERRAME AS MAIS RICAS BENÇÃOS,SOBRE SUA VIDA.
    E QUE VC SEJA A CDA DIA UM INSTRUMENTO NAS MÃOS DO SENHOR ,PARA ABENÇOAR MUITAS VIDAS.
    TENHA UM EXCELENTE DOMINGO,NA PAZ DE
    NOSSO SENHOR JESUS CRISTO.

  5. QUE DEUS POSSA A BENÇOAR RICAMENTE O IRMÃO TODAS ESSAS PALAVRAS ME AJUDARAM DEMAIS E IRÁ AJUDAR MUITAS OUTRAS PESSOAS FIQUE NA PAZ DO SENHOR JESUS

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