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NOÉ, UM HOMEM JUSTO E INCORRUPTÍVEL

Dr. Caramuru Afonso Francisco

Fonte: www.escoladominical.com.br

A vida de Noé é um exemplo para os cristãos da nossa geração que, tal como ele, têm o desafio de servir a Deus em meio a dias de extrema corrupção e violência.

 

Colaboração/gráfico: Enomir Santos

INTRODUÇÃO

- A personagem bíblica que estudaremos nesta lição, a fim de aprimorarmos nosso caráter cristão, é Noé, o homem que, por sua retidão e santidade, foi poupado por Deus, com sua família, do dilúvio.

- Noé é um exemplo a ser seguido, por indicação até de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que, ao nos falar sobre os últimos dias desta dispensação, afirmou que viveríamos em dias como os “dias de Noé” (Mt.24:37; Lc.17:26) e, assim, como Noé achou graça aos olhos de Deus (Gn.6:8), nós também devemos causar em Deus a mesma reação, a fim de sermos poupados do novo juízo que há de vir sobre a face da Terra.

I – A BIOGRAFIA DE NOÉ (I) – UM HOMEM QUE ACHOU GRAÇA AOS OLHOS DO SENHOR NO MEIO DE UMA GERAÇÃO PERVERSA

- Na seqüência do estudo de vidas de homens e mulheres de Deus a fim de melhorarmos nossos caminhos diante de Deus, que é a proposta deste trimestre, vamos estudar desta vez a vida do patriarca Noé (em hebraico, “Nôah”), uma das mais conhecidas personagens bíblicas, por ter sido poupado por Deus no dilúvio, evento que, de várias formas e maneiras, está presente em todas as culturas humanas (inclusive entre os índios brasileiros havia uma história a respeito do dilúvio, a comprovar que se trata de um fato que ficou indelevelmente marcado na humanidade, apesar da insistência dos inimigos da Palavra de Deus em querer desmenti-lo a todo custo).

- Noé, cujo nome em hebraico significa “descanso”, “alívio”, “repouso” e “consolo”, surge, pela vez primeira, nas Escrituras Sagradas, em Gn.5:29, quando é noticiado o seu nascimento e explicado o porquê deste nome, que lhe foi dado por seu pai Lameque. Como bem sabemos, o nome, na Antigüidade, era dado em virtude de algum episódio ou de alguma circunstância que envolvia o nascimento da criança. O fato de Lameque ter dado o nome a seu filho de “Noé”, porque ele “ os consolaria acerca de nossas obras e do trabalho de nossas mãos, por causa da terra que o Senhor amaldiçoou”, mostra-nos que, quando do nascimento de Noé, havia uma convicção de que a terra se encontrava amaldiçoada e que, através de Noé, haveria de ser dado um “alívio” a este estado de coisas.

- Noé era o décimo descendente em linha reta de Adão, na linhagem de Sete, conforme nos mostra o capítulo 5 do livro de Gênesis. Deus havia levantado Enoque, bisavô de Noé, como um profeta (Jd.14), o primeiro que se tem notícia, que, por sua intimidade com Deus, havia apresentado à humanidade daquele tempo a mensagem do Senhor. Apesar da omissão da Bíblia a respeito das profecias de Enoque, com exceção da mencionada em Jd.14, podemos inferir que, dentre elas, estava, sem dúvida, o desagrado de Deus com o aumento do pecado entre os homens e a possibilidade de punição em virtude deste mau comportamento. O fato de Lameque, neto de Enoque, referir-se ao fato de que a terra fora amaldiçoada por Deus (o que é confirmado em Gn.6:2,3,6,7), dá-nos a entender que havia esta notícia nos seus dias, notícia esta que, quase certamente, havia sido dada por Enoque aos homens.

- Além desta referência de Lameque, temos, também, uma outra circunstância a nos permitir inferir que havia notícia de que Deus haveria de castigar a terra por causa do seu pecado, a saber, o nome do filho primogênito de Enoque, a saber, “Metuselá” (em hebraico, “Metushélah”) ou “Matusalém”, ou, ainda, “Mathusala” ou “Mathusale”, cujo significado é o “homem do dardo” ou o “homem de Deus”., ou, ainda, “aquele que maneja a lança”. Este nome mostra que Enoque, ao ter este filho, apontou para ele como sendo o homem cuja vida orientaria o uso do “dardo”, ou seja, da justiça, o homem que indicaria o juízo divino sobre a Terra. Efetivamente, Matusalém, o homem que mais tempo viveu sobre a face da Terra (969 anos – Gn.5:27), morreu precisamente no ano do dilúvio.

- Noé nasceu, então, como esperança para um novo tempo para a humanidade que, nos seus dias, vivia uma situação de grande calamidade. Depois de um distanciamento inicial, a descendência de Caim havia se misturado com a descendência de Sete (Gn.6:1,2). Os “filhos dos homens”, ou seja, os descendentes de Caim, voltados para as coisas desta vida e envolvidos totalmente com o pecado e a maldade, sem uma dimensão espiritual (cf. Gn.4:16-24), aparentaram-se com os descendentes de Sete, que era, até então, uma linhagem piedosa, que invocava o nome do Senhor (Gn.4:26).

- O resultado desta mistura entre ambas as linhagens foi a corrupção geral do gênero humano. A motivação para a união não tinha sido o propósito de invocação a Deus, o que teria sido uma bênção para a humanidade, mas, bem ao contrário, a satisfação carnal, o prazer sexual e tudo quanto gira em volta disto, como bem descreveu o apóstolo Paulo no capítulo 1 de sua epístola aos romanos. Tem-se até como elucidativo que Metusalá tenha dado ao seu filho o nome de “Lameque” (em hebraico, “Lemeh”), que era o nome de um dos principais descendentes de Caim, conhecido por sua “valentia”.

- Noé surge, então, no caótico cenário da humanidade, como uma esperança, uma promessa de dias melhores e, dentro desta perspectiva, foi criado por seus pais, ademonstrar, uma vez mais, como temos visto ao longo deste trimestre, que a educação familiar é fundamental, indispensável para a construção de um caráter piedoso no ser humano (Pv.22:6).

- A Bíblia nos trará nova informação sobre Noé em Gn.6:8, quando afirma que Noé havia achado graça aos olhos do Senhor, apesar de todo o desgosto que a humanidade havia causado em Deus por causa de seu mau comportamento. “Achar graça aos olhos do Senhor”, ou, como diz a Nova Versão Internacional, “o Senhor mostrou benevolência a Noé”. Mas, por que Noé suscitou em Deus este comportamento? Noé era diferente dos demais homens do seu tempo. Eis a razão pela qual o Senhor mostrou benevolência a Noé ou por que Noé achou graça aos olhos do Senhor. Mas, como eram os homens dos dias de Noé?

- A Bíblia dá-nos uma sucinta mas bem precisa descrição dos chamados “dias de Noé” e que nos permite ver o que fez com que Noé fosse digno da benevolência divina, dias que devem ser bem analisados por nós, servos do Senhor, já que o próprio Jesus disse que os dias imediatamente anteriores à Sua volta para buscar a Sua Igreja seriam semelhantes aos “dias de Noé”.

- A primeira característica dos “dias de Noé” foi, como já dissemos, a mistura entre a descendência piedosa de Sete e a descendência pecaminosa de Caim (Gn.6:1,2). Não se trata aqui de defesa da segregação racial, nem tampouco de qualquer discriminação com base na origem das famílias, mas, sim, de uma demonstração clara de que não pode haver comunhão entre a luz e as trevas (II Co.6:14).

- A descendência de Sete caracterizou-se pela invocação ao nome do Senhor, enquanto que a descendência de Caim pela prioridade às coisas desta vida, tanto que alcançaram um progresso tecnológico (Gn.4:17,20-22) que só encontrava comparação com a multiplicação do pecado (Gn.4:19,23). Este progresso tecnológico e vida pecaminosa contaminaram a descendência de Sete, de modo que toda a humanidade passou a sofrer da multiplicação da maldade, sendo a imaginação dos pensamentos do coração do homem só má continuamente (Gn.6:5).

- Não são diferentes os nossos dias. Também vivemos um período de grande progresso tecnológico, dias de multiplicação intensa da ciência, em que, em períodos inferiores a cinco anos, todo o conhecimento do homem se duplica. Mas, ao mesmo tempo em que temos este grau acelerado de desenvolvimento, o pecado e a maldade crescem ainda mais intensamente. A imaginação dos pensamentos do coração do homem prossegue sendo só má continuamente e o que é já é espantoso e inacreditável consegue ser ainda pior.

- A segunda característica dos “dias de Noé” era a prioridade às coisas desta vida, uma dimensão espiritual nula por parte da humanidade, que se esquecera completamente de Deus. Os homens dos “dias de Noé” eram movidos pela concupiscência, ou seja, pelo desejo incontrolado nascido em suas naturezas pecaminosas. Guiavam-se pelos seus desejos e paixões, que os escravizavam. Em Gn.6:2, é dito que “os filhos de Deus tomaram para si mulheres de todas as que escolheram”. Jesus, ao descrever estes dias, disse que “os homens comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento”(Mt.24:38), também realça esta característica.

- “Nos dias de Noé”, não havia lugar nem tempo para Deus. Os homens buscavam tão somente satisfazer as suas necessidades e seus desejos incontrolados, eram atraídos pela sua própria concupiscência e, portanto, procuravam apenas viver em função da comida, da bebida e do prazer sexual. Não se importavam em invocar a Deus, em ter um relacionamento com o Senhor, viviam como se Deus não existisse. Este foi o grande mal daqueles dias e é uma característica marcante nos dias em que estamos a viver.

- A terceira característica dos “dias de Noé” era o descaso com a família e a imoralidade sexual daí decorrente. “Tomaram para si mulheres de todas as que escolheram”, “casavam e davam-se em casamento”. Os “dias de Noé” eram dias de total descaso para com a instituição familiar e para com o casamento, que era a forma instituída por Deus para a constituição de uma família. Como o que importava era a satisfação dos desejos incontrolados, da sua própria concupiscência, não havia o menor pudor entre os homens, que aviltaram a família e o matrimônio. Se casavam, não cumpriam com os deveres conjugais, desfazendo-se o casamento, que era o compromisso assumido de vida em comum até a morte, como se nada tivesse acontecido antes. Muitos nem sequer se casavam mais, “davam-se em casamento”, ou seja, como dizem hoje, “juntavam os trapos para ver como é que fica” e, assim, sem qualquer compromisso, apenas buscavam satisfazer a natureza pecaminosa, num ambiente de total imoralidade.

- Aliás, é oportuno lembrar que a poligamia foi instituída por Lameque, não o pai de Noé, mas o sétimo depois de Adão pela linhagem de Caim, um verdadeiro contrário de Enoque, o bisavô de Noé. Enquanto Enoque andou com Deus e Deus para Si o tomou (Gn.5:24), Lameque instituiu a poligamia e o predomínio da força bruta sobre os homens, vangloriando-se de ter matado pessoas, sendo, pois, um homem temido e que se impôs pela sua maldade.

- A quarta característica dos “dias de Noé” era a corrupção da terra diante da face de Deus (Gn.6:11a). A terra estava amaldiçoada por Deus, como dissera Lameque, o pai de Noé, ao dar nome ao seu filho. A maldade do coração do homem repercutiu não só diante de Deus, a ponto de o Senhor ter resolvido destruir a criação (Gn.6:5-7), como também causou danos irreparáveis à natureza, ao próprio planeta, na medida em que toda a terra se corrompeu. A maldade do homem não fica no seu coração, mas é externada em atitudes e ações que só trazem destruição e mal-estar em a natureza.

OBS: “…A Torá, no entanto, fala sobre o homem, seus pecados e pensamentos, os quais eram ‘exclusivamente maus todo o dia’, pois ‘tinha corrompido toda criatura seu caminho sobre a terra’ (Gênesis 6:5,12), e vê nele, no ser humano, a causa direta e imediata da mudança geológica que causou o holocausto de toda a humanidade. Deste modo, a Tora realça novamente aquilo que sabemos desde a história do pecado de Adão: a relação intrínseca que existe entre os atos dos homens e sua capacidade de sobrevivência no Universo. O homem, através de seu comportamento moral, dita não apenas o destino da sociedade humana, mas também o que ocorrerá nos sistemas físicos do mundo. Esta é uma dependência espiritual, uma lei claramente ecológica.…” (Moshe Grylak. Reflexões sobre a Torá. Trad. Marcelo Firer, pp.11-2).

- Nos dias em que vivemos, não é diferente. O mundo acabou de ter conhecimento de um relatório das Nações Unidas em que se tem a perspectiva da total destruição da vida no planeta, antes mesmo do final deste século, se mantida a atual degradação ambiental, o que forçou, inclusive, os países mais desenvolvidos do mundo (o chamado G-8), a pôr a questão ambiental como prioritária na reunião de cúpula realizada entre os chefes de governo destes países. A maldade dos homens, sua imoralidade e sua preocupação única e exclusiva com as coisas desta vida produziram a perspectiva da destruição, da própria eliminação da vida, pois o homem sem Deus só sabe fazer aquilo que é ordenado pela sua natureza pecaminosa e o salário do pecado é a morte (Rm.6:23), não só a morte espiritual, mas também a física, visto que o trabalho do inimigo, que cega o entendimento dos incrédulos, é matar, roubar e destruir (Jo.10:10).

- A quinta característica dos “dias de Noé” era a violência. “Encheu-se a terra de violência” (Gn.6:11 “in fine”). A criminalidade atingia níveis altíssimos naqueles dias. Lameque, o descendente de Caim, também havia instituído a violência como meio de solução de conflitos. Vivíamos os dias dos “valentões”, daqueles que eram famosos pelo uso da violência e pelas proezas, “os gigantes da terra” (Gn.6:4). Era o tempo da “lei do mais forte”, do “salve-se quem puder”. Não havia o mínimo respeito pelo próximo nem pela dignidade da pessoa humana. ‘Quem pode mais, chora menos” era o lema daquele tempo. A propósito, a existência, até os nossos dias, de vários ditos populares que enaltecem o uso da força como solução de conflitos mostra como isto está impregnado no mundo sem Deus e sem salvação.

- Nossos dias não são diferentes. A escalada da criminalidade e da violência supera todas as expectativas. As estatísticas mostram que a violência do crime mata mais do que as guerras e se vive uma sensação de contínua insegurança e descontrole, os “rumores de guerra” mencionados por Jesus no Seu sermão escatológico. Não sossego em canto algum e o aumento do pecado e da busca pela satisfação imediata dos desejos incontrolados alimenta cada vez mais a violência. A violência banalizou-se a tal ponto que a vida humana não tem qualquer valor. Recentemente, muitos ficaram chocados com o fato de várias pessoas terem se aglomerado para ver pedaços de corpos que haviam sido mutilados por bandidos no Rio de Janeiro. Pior do que a insensibilidade dos criminosos, que mutilaram suas vítimas, era a insensibilidade dos “homens de bem” que, ao em vez de se horrorizarem com esta cena dantesca, paravam, riam e contavam piadas tendo como tema aqueles órgãos jogados dentro de carros e nas ruas. Estamos nos “dias de Noé”!

- Em meio a dias tão difíceis, porém, a Bíblia nos fala que Noé achou graça aos olhos do Senhor. Em dias de mistura entre o santo e o profano, entre o piedoso e o pecaminoso, mistura esta que levou à eliminação da santidade e da piedade, Noé se mantinha separado do pecado. Noé tinha uma família bem definida, tanto que foi com ela para dentro da arca (Gn.7:1,13). O fato de ter uma família bem definida era a prova de que Noé não havia se misturado com a descendência de Caim, nem “tomado para si mulheres de todas as que escolheram”. Bem ao contrário, era monógamo (Gn.7:13), prova de que mantinha fiel ao princípio estabelecido por Deus (Gn.2:24; Mt.19:8).

- Em meio a um mundo que só dava prioridade às coisas desta vida, à satisfação das necessidades físicas, Noé era um homem que tinha um relacionamento com Deus e que se submetia à Sua vontade. Depois de Enoque, não vemos ninguém que tivesse tido um relacionamento com Deus até Noé. Deus andou com Enoque e o tomou para Si, mas tanto Metusalá quanto Lameque, pelo que se infere das Escrituras, viviam daquilo que Enoque lhes transmitira, sem ter um contacto direto com o Senhor. Já Noé falava com Deus e Deus falava com ele, havia um diálogo entre eles, havia comunicação. Ora, isto bem se compreende porque Noé se decidira separar-se do pecado, separar-se da mistura com o mundo. O pecado impede a comunicação entre Deus e o homem e, enquanto permanecermos em pecado, não seremos ouvidos pelo Senhor (Is.59:1-15). Será que não é este o motivo de não sermos ouvidos atualmente? Examinemo-nos, irmãos, e, se necessário, façamos a oração do salmista: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno.” (Sl.139:23,24).

- Este relacionamento com Deus, decorrente da santidade (que é a separação do pecado, o evitar a mistura com o mundo), é o que caracteriza a “incorrupção” de Noé. “Incorrupção” é, conforme o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, “qualidade, virtude ou estado do que é ou está incorrupto; ausência de corrupção”. Noé, efetivamente, não se contaminou com o pecado dos homens de seu tempo e, por causa disto, foi poupado por Deus quando do dilúvio. Noé foi, sem dúvida, um homem “incorrupto”.

- O Setor de Educação Cristã chamou, porém, Noé de homem “incorruptível”, atribuindo a ele a qualidade da “incorruptibilidade”, que é a qualidade de “que não se deteriora; imputrescível, inalterável, inatacável” ou, ainda, “incapaz de deixar-se corromper, seduzir, subornar; reto, honesto”. Alguns entenderam que não seria esta uma qualidade que se devesse dar a Noé, pois não haveria homem algum perfeito e, deste modo, incorreto dizer-se que Noé fosse “incorruptível”, até porque, na seqüência da narrativa de sua vida, registrou a Bíblia erros por ele cometidos.

- À primeira vista, sem uma reflexão mais profunda, concordamos com os amados que haviam discordado do título da lição. Noé não seria “incorruptível”, porque estão registrados erros por ele cometidos, ainda que posteriores ao dilúvio. Mas, ao vermos o texto áureo da lição e ao analisarmos a própria biografia de Noé, acabamos por concordar com o título. O apóstolo Paulo mostra-nos que devemos ser, enquanto cristãos, “filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa” (Fp.2:15), o que nos traz à mente, de imediato, a afirmação de Pedro no sermão do dia de Pentecostes, para que os seus ouvintes se salvassem daquela geração perversa (At.2:40 “in fine”).

- Ora, quando saímos da geração perversa e nos agregamos ao rebanho do Senhor (At.2:41), passamos a não mais pertencer ao mundo, somos da Igreja, “os reunidos para fora” e, desta maneira, somos postos sobre a rocha (Sl.40:2), com uma nova vida e um novo proceder (Sl.40:3; II Co.5:17; Gl.6:15). Estamos na mão do Senhor Jesus e do Pai, de onde ninguém nos pode arrebatar (Jo.10:28,29). Deste modo, enquanto permanecermos debaixo da mão do Senhor, somos, verdadeiramente, “inculpáveis”, “incorruptíveis”, embora não sejamos “impecáveis”, pois não há homem que não peque (I Rs.8:46; II Cr.6:36; Ec.7:20), pecado que é gerado quando atraídos pela própria concupiscência(Tg.1:14,15), ou seja, quando, por livre e espontânea vontade, deixamos de estar debaixo da mão do Senhor.

- Foi o que ocorreu com Noé antes do dilúvio. Em momento algum deixou de manter um relacionamento com Deus, de atender-Lhe, de Lhe ser obediente. Por isso, não se contaminou como os demais homens e, enquanto estes comiam, bebiam, casavam e se davam em casamento, Noé obedecia a Deus e construía a arca, na qual entrou e foi salvo, juntamente com sua família. Foi “incorruptível”, isto é, incapaz de se deixar seduzir pelas ofertas dos homens de seu tempo, não se deteriorou, não se contaminou e, por isso, alcançou a salvação do juízo divino.

- O relacionamento com Deus importa em obediência. Jesus mesmo disse que provaremos ser amigos do Senhor se fizermos o que Ele nos manda (Jo.15:14). Deus mandou que Noé construísse uma arca, um navio de grandes proporções, para salvar-se do dilúvio que viria sobre a Terra. Quando Noé realizou tal projeto, nem sequer sabia o que era chuva. A Bíblia conta-nos que, até o dilúvio, não havia chuva sobre a Terra (Gn.2:6), tanto que somente depois do dilúvio é que teremos as estações do ano (Gn.8:22). Assim, o gesto de Noé de ficar cem anos construindo a arca (Gn.5:32; 7:6) é uma cabal demonstração de obediência a Deus. A propósito, a Bíblia enfatiza que “Noé fez conforme tudo o que Deus lhes mandou, assim o fez”(Gn.6:22), ou seja, foi sempre uma pessoa extremamente obediente às ordens do Senhor. Deus não requer de nós senão a obediência (Dt.10:12,13).

- O relacionamento com Deus importa em fé, pois foi pela fé que Noé construiu a arca. Sendo “divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu e, para salvação da sua família, preparou a arca” (Hb.11:7). Como nunca havia chovido antes, somente pela fé poderia Noé atender ao pedido de Deus, atendimento este que, certamente, gerou o escárnio de toda a geração dos seus dias, visto que se tratava de uma embarcação grande e que gerou espanto entre todos os moradores das redondezas.

- Este relacionamento com Deus é, também, demonstrado pelos nomes que Noé deu a dois de seus três filhos. “Jafé” significa “espalhado”, “Deus engrandecerá”, demonstração de que Noé cria na bênção de Deus e na importância de se manter um relacionamento com Ele. “Sem”, por sua vez, significa “nome”, algo que o professor Orlando Rubem Ritter entende ter o significado do desejo de Noé de preservar o “nome” da família juntamente com o “nome” de Deus. Já o terceiro filho, “Cam” ou “Cão”, cujo significado é “quente”, “queimado”, “moreno”, tem seu nome relacionado, provavelmente, a sua cor.

OBS: Reproduzimos, aqui, a explicação do professor Orlando Rubem Ritter: “As características dos filhos de Noé sugerem alguma coisa ao pesquisador?Noé tinha 480 anos quando Deus lhe ordenou construir a arca. Com 500 anos nasceu-lhe o primeiro filho: Jafé. Os dois seguintes, nasceram com dois anos de diferença cada: Sem e Cão. Creio que as características diferenciadas entre eles seja uma possibilidade de explicação para a variação étnica verificada entre os humanos. Jafé possivelmente tenha nascido com uma pele diferente da dos pais e um pouco mais clara, considerando-se as etnias que se originaram dele, ou seja, os caucasianos. Curiosamente, o significado do nome Sem é “nome”. Isso mesmo. Nunca vi alguém chamado “Nome”, mas o plano de Deus era que esse filho de Noé preservasse justamente o nome da família e o nome de Deus. Sem originou os povos semitas que, de fato, contribuíram para manter viva a religião monoteísta.Cão significa “quente”. Possivelmente sua bagagem genética tenha sido remodelada por Deus para enfrentar as regiões mais quentes que haveria no mundo, após o Dilúvio. Mas é claro que também devemos levar em conta o fato da adaptação biológica natural e o fator isolamento geográfico. Gênesis 9:19 diz que desses três homens – Sem, Cão e Jafé – se povoou a Terra, originando-se as etnias e as línguas. O mundo passou por grande fragmentação geográfica e mudanças climáticas e topográficas, o que favoreceu a variabilidade em diversos aspectos.…” ( Sistema Adventista de Notícias: União Central Brasileira. A origem das línguas e etnias. Entrevista concedida pelo Professor Orlando Rubem Ritter. Disponível em: http://www.san.org.br/NPViewArticle.asp?cmd=view&articleid=37 Acesso em: 21 jun. 2007).

- Em dias de descaso com a família e de imoralidade sexual, Noé era um homem completamente diferente. Possuía uma única mulher e cuidava de sua família a ponto de esta se distinguir das demais. Havia uma família e Noé cuidava dela. O escritor aos hebreus diz que Noé preparou a arca buscando a salvação da sua família, prova de que, depois de Deus, o que mais prezava era a sua família. Também vemos que seus filhos tinham, cada um, uma mulher(Gn.7:13), prova de que Noé também os havia instruído a se manter no princípio divino da família monogâmica e da veneração ao matrimônio e ao leito sem mácula (Hb.13:4).

- Em dias de corrupção da terra diante da face de Deus, Noé sempre se mostrou cuidadoso para com a natureza. Cumpriu rigorosamente as instruções divinas para a construção da arca e, antes de dela sair, após o término do dilúvio, mostrou toda a sua “consciência ecológica”, ao mandar um corvo, primeiramente, para saber do estado das águas e, depois, uma pomba, tudo a indicar uma preocupação para que não se saísse da arca sem que houvesse condições de sobrevivência para toda a criação que ali estava. A divisão dos animais dentro da arca, também, foi tal que permitiu a preservação das espécies até o término do juízo divino.

-Em dias de violência e imaginação continuamente má, Noé foi um “pregoeiro da justiça” (II Pe.2:5). Esta expressão que nos traz o apóstolo Pedro fazia parte da tradição judaica a respeito de Noé. Flávio Josefo, por exemplo, em seu livro “Antiguidades Judaicas”, afirmou que “…Noé, entristecido pela dor de vê-los[os homens de seu tempo, observação nossa] imersos nos crimes, exortava-os a mudar de vida. Mas quando viu que, em vez de seguir seus conselhos, eles se tornavam cada vez mais piores, o temor que ele sentiu de que o fizessem morrer com toda sua família, levou-o a sair de sua pátria…” (I,3,11. In: História dos hebreus, v.1, p.26).

OBS: Este ensino de Pedro foi, posteriormente, repetido por Clemente de Roma, que chegou a dirigir a igreja romana, pessoa mencionada em Fp.4:3, em sua conhecida “primeira epístola”, que ora reproduzimos: “Noé pregou o arrependimento e todos os que se acolheram nele foram salvos” (4:7) (Joseph Carter. Os evangelhos apócrifos. Trad. Vani Inge Burg, p.186).

- A pregação da justiça, ou seja, a pregação do arrependimento dos pecados e de uma mudança de vida era uma característica de Noé. Durante cem anos, pelo menos, desde que recebeu a incumbência de construir a arca e Deus lhe revelou Seu propósito de destruição, Noé não cessou de pregar aos homens de seu tempo, mas, com exceção de sua família, ninguém creu na sua mensagem. Isto, porém, não o desanimou, pois, como era um homem que tinha íntimo relacionamento com Deus, também tinha amor pelos pecadores, o que o levou a pregar até o último instante. Este amor era tão conhecido de Deus que o Senhor, a fim de não permitir que Noé permitisse a entrada de um algum arrependido posterior, fechou a arca pelo lado de fora (Gn.7:16).

- Pregar a justiça para Noé não era fácil. Como convencer um povo com desenvolvimento tecnológico (que o digam as obras inexplicáveis e antiqüíssimas que têm sido descobertas pela arqueologia, como as estátuas da ilha de Páscoa…), que o mundo seria destruído por chuva, algo até então inexistente? Como convencer os homens a mudar de vida se estavam num estado de libertinagem que, aparentemente, não lhes causava dano algum, pelo menos para os mais fortes e mais hábeis? Tudo isto não foi importante para Noé, que teve o desejo incontrolável de divulgar os segredos que Deus o havia revelado, a fim de que os homens pudessem ter a oportunidade de se salvar. Temos esta mesma disposição em nossos dias?

- Não podemos nos esquecer que, enquanto Noé pregava e construía a arca, estava tentando a salvação dos homens, mas o fato é que, ao construir a arca e divulgar a mensagem do arrependimento, por estas ações estava, também, condenando o mundo (Hb.11:7). Quando pregamos o Evangelho, apresentamos a salvação para o homem, mas, se este homem rejeita o convite, traz para si mesmo condenação, pois é a Palavra que o condenará no último dia: “E, se alguém ouvir as Minhas palavras e não crer, Eu não o julgo, porque Eu vim não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo.Quem me rejeitar a Mim e não receber as Minhas palavras já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último dia”(Jo.12:47,48). Temos ouvido sempre a Palavra do Senhor? Temo-la atendido, ou somos ouvintes esquecidos, que não cumprem a Palavra (Tg.1:22) ? Cuidado! Isto é um assunto muito sério!

 

II – A BIOGRAFIA DE NOÉ (II): O GUARDIÃO DA CRIAÇÃO DURANTE O DILÚVIO

- Noé, porém, não conseguiu convencer qualquer dos moradores da terra nos seus dias. Durante um século, pregou a justiça, anunciou que Deus iria destruir a humanidade por causa de seus pecados e de sua maldade, mas, com exceção de sua família, ninguém se sensibilizou com a mensagem do patriarca. Como disse Jesus, até que viesse o dilúvio, continuaram a comer, beber, casar-se e dar-se em casamento, num total descaso à mensagem da salvação, em total descaso à construção da arca, apesar de suas proporções.

- O fato é que, terminada a obra, Deus mandou que Noé entrasse com a sua família na arca, depois que os animais vieram, em casais, para a arca (Gn.7:8,9). É interessante observar como estavam cegos os homens dos “dias de Noé”. De forma miraculosa, animais, de dois em dois, vinham para a arca, em um movimento muito grande, mas que não chamou a atenção da geração perversa. Eles estavam muito ocupados com suas comidas, bebidas, casamentos e “doações em casamento” para observar um milagre divino. É exatamente esta a situação da geração perversa dos nossos dias: não conseguem prestar atenção na obra de Deus, na construção da arca e nos sinais e maravilhas de Deus. Serão, como os homens dos dias de Noé, tragados pelo juízo divino num só momento, que o apóstolo Paulo diz ser “um abrir e fechar de olhos” (I Co.15:52).

- Após ter entrado toda a criação que seria poupada na arca, Noé entrou com sua família e o Senhor fechou a arca por fora. E, então começou a chover? Não, durante sete dias nada aconteceu. Noé estava dentro da arca com sua família e todos aqueles animais, mas ainda demorou uma semana para começar a chover. Que teste de fé, que teste de paciência para Noé. Que poderia ter pensado Noé e sua família durante estes sete dias, em que parecia que nada iria acontecer? Noé creu na palavra do Senhor e, pacientemente, aguardou o cumprimento da promessa de Deus. Temos tido paciência para esperar os “sete dias”? Ou será que, por não obedecermos, temos o mesmo triste destino de Saul, que não soube aguardar uma semana (I Sm.13:8-13).

- A paciência foi a primeira arma que Noé teve de utilizar no seu novo papel de guardião da criação terrena durante o dilúvio. Aguardar o início da chuva e manter todos aqueles animais sob seu controle, assim como sua família, passou a ser a grande responsabilidade de Noé. Noé era o responsável pelo interior da arca, deveria bem cuidar da criação e de sua família, enquanto que a direção da arca estava a cargo do Senhor. Noé era o mordomo de Deus, o “imediato” do “capitão”, que era o próprio Deus. Temos deixado Deus dirigir a nossa embarcação no mar da vida, ou insistimos em negar-Lhe o comando? Temos tornado, em nossas vidas, uma realidade as palavras do profeta Jeremias: “Eu sei, ó SENHOR, que não é do homem o seu caminho, nem do homem que caminha, o dirigir os seus passos” (Jr.10:23) ? Não nos esqueçamos: “O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito” (Jo.3:8).

- Depois de construir uma arca durante cem anos e de Deus ter mandado entrar, ainda demorou mais uma semana para chover! Será que alguém veio ridicularizar Noé durante esta semana? Será que Noé e sua família, ante a indiferença do povo, começaram a sentir a solidão que caracterizaria a situação com o dilúvio? Não sabemos, nem temos como conjecturar, mas o que temos consciência é que, depois de cem anos de trabalho e pregação, ainda era preciso esperar uma semana. Tudo tem o seu tempo determinado para cada propósito debaixo do céu (Ec.3:1). Creia nisto!

- No ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do mês, naquele mesmo dia, romperam-se as fontes do grande abismo e as janelas do céu se abriram e houve chuva sobre a Terra quarenta dias e quarenta noites (Gn.7:11,12). No tempo certo, no tempo aprazado por Deus, cumpriu-se o que Ele havia revelado cem anos antes a Noé. Nosso Deus continua o mesmo. Ele é fiel e cumprirá tudo o que tem falado e prometido. Não nos preocupemos com as circunstâncias nem tampouco com a falta de condições possíveis para que ocorra o que Deus disse que aconteceria. Ele é Deus e tudo se fará conforme a Sua Palavra.

- O dilúvio foi terrível. As águas elevaram-se acima de todos os montes para que não houvesse qualquer fôlego de espírito de vida em seus narizes. Tudo o que havia no seco morreu (Gn.7:17-23). O texto bíblico, portanto, é claro que o dilúvio foi universal, atingiu a toda a Terra, não tendo cabimento explicações deste ou daquele no sentido de que o dilúvio foi tão somente “parcial”. Não podemos descrer nas Escrituras e, no caso, o texto e o contexto não permitem discutir senão a universalidade do dilúvio. Além do mais, como Deus prometeu não mais mandar dilúvios sobre a Terra, como dizer que o dilúvio foi parcial? Se assim fosse, Deus não teria cumprido a Sua Palavra dada a Noé, o que é um rotundo absurdo. Episódios como a terrível tsunâmi de dezembro de 2004 são provas cabais de que o dilúvio dos dias de Noé foi universal.

- Enquanto toda a substância era desfeita sobre a face da Terra, Noé cuidava de sua família e dos animais que estavam sob sua responsabilidade na arca. Noé administrava tudo que lhe havia sido entregue, enquanto Deus dava a direção da arca, pois ela se elevara sobre a terra (Gn.7:17) e andava sobre as águas (Gn.7:18).Noé tudo fazia aguardando a orientação divina. Preparara-se por cem anos para estes dias e, durante cento e cinqüenta dias, as águas prevaleceram sobre a Terra.

- Deus, então, “lembra-Se de Noé” (Gn.8:1). Esta expressão é uma das muitas expressões que os estudiosos da Bíblia chamam de “antropopáticas”, ou seja, expressões que atribuem a Deus atitudes meramente humanas, apenas para que compreendamos o que o Senhor está a fazer, ante a limitação da nossa mente. “Lembrar-Se de Noé” não significa que Noé tivesse sido esquecido, que Deus o deixara ao desamparo e que, num certo instante, tivesse resolvido ajudá-lo, mas tem o sentido de ter chegado o momento de tratar com Noé e com a criação sob sua responsabilidade, de iniciar a fase construtiva do juízo, o restabelecimento da natureza, depois que findara a fase destrutiva, a fase de condenação à morte de toda a criação sobre a face da Terra por causa dos pecados da geração antediluviana.

- Ao “Se lembrar de Noé”, Deus mandou um vento sobre a Terra para aquietar as águas. Deus começa o seu tratamento com Noé através da quietude, da tranqüilidade. Deus é um Deus de paz, um Deus cuja voz é mansa e delicada (I Rs.19:12), não o Deus da tempestade, do vento e do terremoto, não um Deus da agitação, jamais um Deus espalhafatoso e dos sons tão altos que deixam a todos surdos que estão à Sua volta. Não, não e não! Deus atua na quietude, na tranqüilidade, na paz, na simplicidade. Fujamos, pois, dos “agitos”, pois ali, quase sempre, temos um alarido que não agrada ao Senhor (Ex.32:17,18).

- A arca repousou, no sétimo mês, no dia dezessete do mês, sobre os montes de Arará, ou seja, cinco meses depois do início do dilúvio (Gn.8:4). O fato de arca ter parado de andar não foi suficiente para que Noé se apressasse. Quem estava na direção da arca era Deus e, quando ela repousou, ela apenas sinal de que as águas já estavam abaixo dos montes, mas ele teria de entregar a criação de volta à Terra quando chegasse a secura, o que ainda não tinha ocorrido.

- Noé ainda aguardou três meses, ou quase isto, pois no dia primeiro do décimo mês, os cumes dos montes apareceram(Gn.8:5). O fato de Noé ter visto os cumes dos montes não foi suficiente para que tomasse qualquer providência. Noé tinha aprendido a esperar com paciência e só depois de quarenta dias que avistara os cumes, foi que Noé abriu a janela da arca (Gn.8:6).

- Será que temos esperado o suficiente para abrir a janela? A janela estava no controle de Noé, ele poderia tê-la aberto quando quisesse, mas esperou pacientemente a arca repousar, os cumes dos montes aparecerem e ainda se passarem quarenta dias para o fazer. Era a prova de que se tratava de um homem prudente, paciente, que sabia que Deus, no instante certo, tudo faria para cumprir a Sua Palavra.

- Noé soltou um corvo, ao abrir a janela(Gn.8:7). A escolha de Noé não foi casual. O corvo alimenta-se de carniça e o intuito de Noé era saber se já as carniças estavam à mostra. Se o tivessem, o animal não voltaria para a arca. Mas a Bíblia nos conta que o corvo voltou para a arca, prova de que as águas ainda não haviam secado. E assim fez Noé algumas vezes e sempre o corvo ia e voltava. Diante desta circunstância, Noé resolveu soltar uma pomba, animal que não se alimentava de carniça, a fim de verificar se as águas haviam se secado (Gn.8:9).

- Da vez primeira, a pomba não encontrou repouso para a planta de seu pé evoltou a ele para a arca (Gn.8:9). Noé estendeu a sua mão, tomou-a e a meteu consigo na arca. Esperou mais sete dias e tornou a enviar a pomba para fora da arca. Ela voltou a ele sobre a tarde e com uma folha de oliveira no seu bico. Esta folha de oliveira era a prova de que as águas haviam minguado. Mesmo assim, como aprendera no início de sua estada na arca, Noé ainda esperou outros sete dias e tornou a soltar a pomba, que não mais voltou (Gn.8:12).

- Era o sinal que faltava. Como a pomba, animal dotado de senso de direção, não mais voltou, estava na hora de se desincumbir da missão que Deus lhe confiara e Noé, então, tirou a cobertura da arca e olhou, e eis que a face da Terra estava enxuta. Noé, então, soltou os animais da arca? Não. Noé viu que tudo estava enxuto, mas, como bom mordomo, aguardou a ordem de Deus. Deus, então, mandou que saísse da arca, com sua família e permitisse a saída de todos os animais (Gn.8:15-19), um ano depois de lá ter ingressado.

- Noé entrou na arca quando Deus mandou. Noé saiu da arca quando Deus mandou. Na entrada e na saída, Noé agiu como mordomo, como o guardião da criação durante o dilúvio. Que exemplo de obediência. Que exemplo de dedicação a Deus. Temos pedido a orientação divina? Temos aguardado a ordem divina, mesmo quando a terra está enxuta e vemos com os nossos próprios olhos? Ou achamos que a ordem de Deus, a voz do Senhor é um mero detalhe que pode ser dispensado? Afinal de contas, já está tudo enxuto, abri a cobertura da arca…Obedecer continua sendo melhor que sacrificar (I Sm.15:22).

- Dizem os rabinos judeus que o ano em que Noé passou na arca, ele e sua família aprenderam “a lição da convivência”: “…Por força das circunstâncias, eles readquiriram conceitos e valores que se desgastaram na sociedade e cultura em que viviam. Através da experimentação contínua no cotidiano, ensinou-lhes que a vida em comum com outras pessoas só é possível a partir de concessões mútuas e do reconhecimento da existência e das necessidades do próximo. Assim, Deus pôs à prova a bondade de Noé. Aprovado no teste, ele adquiriu a condição de tornar-se o fundador da segunda humanidade.” (Meir Metzliah Melamed. Torá: a lei de Moisés, nota dos editores a Gn.8:1).

- Ao sair da arca, Noé não foi fazer uma festa, nem comemorar com sua família a salvação. A primeira coisa que Noé fez, mostrando que era diferente dos homens de sua geração, agora já completamente destruída, foi edificar um altar ao Senhor e oferecer ali holocaustos dos animais e aves limpos que com ele estiveram na arca. Noé buscava, em primeiro lugar, o relacionamento com Deus, pensava nas coisas que são de cima, no reino de Deus e na sua justiça. Por isso, não havia se contaminado com o pecado, por isso não havia se misturado com a iniqüidade nem com os iníquos. Noé andava com Deus (Gn.6:9 “in fine”) e, por isso, a sua prioridade era agradecer ao Senhor, adorá-lO pela Sua benevolência.

- O gesto de Noé não foi em vão. Ele não apenas salvara a si e a sua família, mas com seu ato de adoração, salvava, agora, toda a humanidade, de todos os tempos posteriores a ele, de uma nova destruição por água. Por cheirar o suave cheiro do sacrifício de Noé, o Senhor decidiu nunca mais destruir o mundo com um dilúvio, estabelecendo, então, um pacto com Noé.

III – A BIOGRAFIA DE NOÉ(III) – O REPRESENTANTE DA HUMANIDADE EM UM PACTO COM DEUS

- Deus Se agradou tanto da justiça e da retidão de Noé que com ele firmou um pacto, uma aliança, que os estudiosos da Bíblia denominam de “pacto noaico” e os judeus, “os sete preceitos dos descendentes de Noé – “Shéva Mitsvót Benê Nôach”. Por primeiro, Deus abençoou a Noé e a sua família, prometendo-lhe fecundidade, para que novamente enchessem a Terra e todas as nações que hoje existem sobre o planeta são resultado desta bênção de multiplicação (Gn.9:1).

- De igual maneira, Deus renovou com Noé o que hoje se costuma denominar de “princípio da dignidade humana”, ou seja, a supremacia do homem sobre todos os demais seres que existem sobre a face da Terra (Gn.9:2). O homem, apesar de ter desobedecido a Deus e de ter causado a sua total destruição, foi mantido na posição de mordomo da Terra, de ser superior e dominador frente aos demais.

- Em terceiro lugar, Deus passou a permitir a alimentação de carne. Até então, pelo que se deduz de Gn.1:30, o propósito divino era de que somente a erva verde servisse como mantimento, ainda que, desde Abel, houvesse atividade de criação de animais. Agora, Deus permite explicitamente que a carne seja utilizada como alimento, com exceção do sangue, cujo consumo foi proibido(Gn.9:4). Eis um motivo pelo qual, já na época da dispensação da graça, se manteve a proibição do consumo de sangue entre os gentios que se convertessem ao Evangelho (At.15:29). Esta proibição não decorreu da lei de Moisés, mas, sim, é resultado do pacto de Deus com Noé, uma aliança que deve ser seguida por todos os homens, pois se tratou de um compromisso firmado entre Deus e Noé, que ali representava toda a humanidade.

- O quarto elemento do pacto noaico é o da responsabilidade do homem diante da vida. Deus determinou que ninguém tirasse a vida de outrem, pois isto seria requerido pelo próprio Deus. Diante de uma perversidade que fora a violência dos dias anteriores ao dilúvio, Deus ratifica a Sua soberania sobre a vida humana. Ele é o único dono da vida e quem tirar a vida de outrem terá de prestar contas diretamente a Deus, pois é Ele quem a requererá do homicida (Gn.9:5,6). Quem tira a vida de alguém terá de acertar contas com Deus, que não Se deixa escarnecer e o que for semeado, será colhido (Gl.6:7).

- Eis o motivo pelo qual deve a Igreja, enquanto corpo de Cristo na Terra, voltar-se contra toda e qualquer campanha ou movimento que pretenda cometer a abominação de pôr nas mãos dos homens o poder sobre a vida do próximo. Pena de morte, aborto, eutanásia, pesquisa com células-tronco embrionárias, suicídio, temas que têm aparecido freqüentemente na mídia e que cuja legalização tem sido pretendida por muitos, inclusive enganadores que se dizem “evangélicos”, mas que são verdadeiros falsos mestres, são tentativas satânicas para desvirtuar o que foi estabelecido no “pacto noaico” e que continua plenamente em vigor, pois Deus não muda e nEle não há sombra de variação (Tg.1:17).

- Noé quisera salvar as pessoas do juízo divino e, durante cem anos, pregou para que isto ocorresse, mas, infelizmente, ninguém, com exceção de sua família, creu na mensagem. Entretanto, Deus, que conhece os corações, fez com Noé um pacto em que garantia a responsabilidade humana pela vida do próximo. Ninguém mais poderia matar impunemente. Deus, mesmo, requererá o sangue derramado daquele que o derramou. Não se preocupem, irmãos, com as injustiças cada vez mais freqüentes em os nossos dias, quando a violência e a criminalidade chegam aos níveis dos “dias de Noé”. Noé, o homem justo e incorrupto, obteve de Deus o compromisso de que a justiça se fará.

- O quinto elemento diz respeito à frutificação e multiplicação. Aqui temos a repetição da ordem divina ao primeiro casal, ordem esta que deve ser entendida não apenas no sentido da reprodução biológica, mas do relacionamento com Deus, da frutificação espiritual. O homem deveria adorar a Deus, render-Lhe o devido culto, reconhecendo a Sua soberania, sendo submisso ao Senhor e fazendo a Sua vontade. Não é por outro motivo que os rabinos judeus entendem que um dos “sete preceitos” é o da proibição da idolatria e da adoração a Deus. O apóstolo Paulo reafirma que a injustiça humana, a impiedade advém do instante em que o homem se nega a adorar a Deus.

-A perpetuação da espécie é outro dos deveres impostos aos seres humanos. Noé e sua família deveriam povoar abundantemente a terra e multiplicá-los nela (Gn.9:6). Ao interpretar esta passagem, Rashi, um dos grandes intérpretes judeus da lei, concluiu que “…todo aquele que não se dedica a construir uma família é equiparado ao homem que provoca derramamento de sangue…” (apud Melamed, op.cit., p.22). Noé havia cuidado bem de sua família, não só posto filhos no mundo, mas, em meio a uma geração perversa, conseguido criá-los na doutrina e admoestação do Senhor. Ante este exemplo, o Senhor estabelece um compromisso para que todos formassem família com este propósito. Temos tido este zelo?

OBS: Um dos efeitos mais nocivos da campanha satânica em torno das “uniões homossexuais” é, sem dúvida, o de eliminar a humanidade. Se todos adotassem esta forma deformada de família, como poderia haver a perpetuação da espécie humana?

- O sexto elemento do pacto diz respeito ao compromisso divino de não mais destruir o mundo com água. É a parte mais conhecida do “pacto noaico”, pois tem como testemunha o arco-íris (Gn.9:13-16). Deus jamais destruirá a terra novamente com água, e este é um dos principais argumentos para afastar a “tese do dilúvio parcial”, pois, caso o dilúvio tivesse sido parcial, as enchentes e catástrofes ocorridas ao longo dos séculos seriam uma demonstração de uma impossível infidelidade divina. Este mundo passará e não será mais, mas não será pela água, pois Deus, em atenção ao ato de adoração de Noé, prometeu nunca mais destruir o mundo com um dilúvio.

- O sétimo e último elemento do pacto é o que os rabinos denominam de proibição da blasfêmia do nome de Deus. Em verdade, a blasfêmia contra o nome de Deus deve ser entendida como a ofensa ao próprio pacto. Deus é soberano e os homens deveriam se submeter a este senhorio. Se quebrassem este pacto, estariam ofendendo a Deus e lançando sobre si mesmos as conseqüências por esta rejeição. É, aliás, o que Paulo explicita no capítulo 1 de Romanos, ao dizer que Deus abandonou os rebeldes à sua própria sorte (Rm.1:26).

- Noé, que pelo seu gesto de fé em Deus, havia condenado o mundo, agora, pelo seu ato de adoração, conseguia a garantia da preservação do mundo de nova destruição por um dilúvio, ainda que houvesse pecado. Conseguia, assim, dentro de seu amor para com o homem, vindo da parte de Deus, um ato de misericórdia do Senhor para com os homens. Por adorar a Deus e servir-Lhe, conseguia bênçãos para todos os homens, tornava-se uma bênção. Temos sido nós uma bênção neste mundo que vive a mesma situação lamentável da época do dilúvio?

- Mas, como representante da humanidade neste pacto, Noé viria, também, a falhar. Após o dilúvio, Noé dedicou-se à agricultura e plantou uma vinha (Gn.9:20). Tendo trabalhado na vinha, tinha direito a desfrutar do fruto do seu trabalho e, portanto, a beber vinho (Ec.5:19; 8:15), mas sem exageros, sem esquecer o seu compromisso com Deus. Talvez até pelo desconhecimento das novas leis naturais, resultantes do estabelecimento das estações do ano (modificações que, porém, haviam sido objeto de aviso da parte de Deus – Gn.8:22), Noé não percebeu que, agora, havia a fermentação do vinho e que ele poderia embriagar. Embriagou-se e, embriagado, despiu-se no meio de sua tenda (Gn.9:21).

- Vemos aqui como a embriaguez, mais precisamente o uso do álcool, que tem na alcoolatria a sua circunstância mais grave, é um mal imenso que tem perturbado a sociedade humana. Desde os tempos de Noé, vemos como o uso do álcool tem destruído famílias e a dignidade humana. Noé, um homem escolhido por Deus para ser o reiniciador da humanidade, alguém que tinha alcançado a condição de participante de uma aliança com Deus em nome de todo o gênero humano, perdia a compostura, sua dignidade, sua autoridade moral por causa da embriaguez.

- Em vez de adorar a Deus pela colheita, Noé resolveu “bebemorar” e o resultado foi muito triste. Embriagou-se, perdeu a dignidade e a autoridade moral e, como resultado disto, acabou sendo desrespeitado por seu filho Cão, que viu a nudez de seu pai e contou a seus irmãos o acontecido, difamando seu pai e causando um grande escândalo. A perda da autoridade moral por parte de Noé levou ao desrespeito de Cão e à desonra.

- Jafé e Sem, mais cautelosos e prudentes, não viram a nudez de seu pai, continuaram a respeitá-lo e o cobriram, de modo a não aumentar ainda mais a situação vexatória. Jafé e Sem ensinam-nos que, diante de um escândalo, de um erro ocorrido em nossa casa (e casa aqui significa não só família, mas a igreja local, que é a família de Deus), o importante não é espalhar o ocorrido, indignar-se, revoltar-se e, com isso, praticar o próprio pecado, mas tentar minimizar os efeitos do pecado cometido, sem encobri-lo, sem consentir com ele, mas visando minimizar os prejuízos causados. Jafé e Sem, ao assim fazerem, não se tornaram culpados do pecado do seu pai (pois quem consente com o pecado alheio torna-se co-participante do pecado – Rm.1:32), mas também não desonraram seu pai, praticando um pecado próprio, como fez Cão.

- O resultado da embriaguez de Noé, entretanto, não cessou nesta situação vexatória. Quando Noé tornou a si e soube o que ocorreu, amaldiçoou seu neto Canaã, um dos filhos de Cão (Gn.9:25), impingindo-lhe a servidão, bem como aos demais descendentes de Cão, abençoando apenas a Jafé e a Sem. O homem que fora a bênção de toda a humanidade, agora era instrumento de maldição para os seus, para a sua própria família. Este é o resultado da bebedeira, este é o mal que traz o álcool para o seio de uma família: maldição, intrigas e desrespeito.

- Noé atingiu uma pessoa que nada tinha que ver com o assunto. Canaã foi amaldiçoado, por causa do erro de seu pai Cão. A história de Noé termina com esta maldição, um final melancólico para quem tanto bem fez para a humanidade. Noé foi um homem justo até a sua morte (Ez.14:14,20), mas trouxe problemas para o seio de sua família em virtude da embriaguez, deste descuido. Assim como trouxe salvação para toda a sua casa pelo seu porte, Noé também ocasionou dificuldades no seio de seu lar, por causa de sua conduta. Que venhamos a ser cuidadosos em o nosso lar, pois o que fazemos no governo de nossas casas tem imediata repercussão na nossa vida como um todo, inclusive na igreja local (I Tm.3:4,5).

IV – O QUE APRENDEMOS A FAZER COM NOÉ

- Dentro do que temos feito ao longo desta série de estudos, resta-nos agora, tendo estudado a vida de Noé, vermos quais as suas características que devem ser por nós imitadas, para que venhamos a ter um caráter cristão cada vez melhor enquanto Jesus não nos vem buscar.

Colaboração/gráfico: Jair César

- A primeira qualidade que vemos em Noé é a da santidade. Noé não se misturou com a geração perversa dos seus dias. Embora Flávio Josefo tenha dito que Noé se retirou até mesmo da convivência com os homens de seu tempo, ante o silêncio bíblico, preferimos entender que a separação foi tão somente espiritual, até porque o apóstolo Pedro nos fala que Noé foi pregoeiro da justiça e tal pregação pressupõe que tenha havido convivência. Noé estava no mundo, mas não era do mundo, assim como a Igreja.

- O segredo para alcançarmos a salvação no meio desta geração perversa, como afirmou Pedro na pregação inaugural da colheita de almas da Igreja, no dia de Pentecostes, é deixar o pecado, é viver separado do pecado. “Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para perdão dos pecados e recebereis o dom do Espírito Santo” (At.2:38). A mensagem que Jesus iniciou a pregar depois da prisão de João Batista: “O tempo está cumprido e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc.1:15).

- Para servirmos a Deus é indispensável que abandonemos, nos separemos do pecado. Muitos serão surpreendidos naquele dia porque serão condenados, embora tenham falado em o nome de Cristo e até feito maravilhas e sinais em nome de Jesus, simplesmente porque nunca abandonaram o pecado (Mt.7:22,23). Jesus chama de insensato aquele que ouve Suas palavras mas não as cumpre (Mt.7:26). Quem peca não é de Deus (I Jo.3:9) e quem é nascido de Deus, conserva-se, isto é, santifica-se, vive separado do pecado (I Jo.5:8). Por isso, aconselha o escritor sagrado: quem é santo, santifique-se ainda (Ap.22:11).

- Vivemos os “dias de Noé”, onde a mensagem de santificação tem desaparecido dos púlpitos e das pregações. Muitos não querem ouvir falar em santidade, consideram algo “ultrapassado”, “antiquado” e preferem amontoar para si doutores conforme as suas próprias concupiscências (II Tm.4:3). Não nos iludamos, porém. Noé somente escapou do juízo divino porque era santo. “Mas, como é santo Aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque Eu sou santo” (I Pe.1:15,16).

- A segunda qualidade de Noé que temos de tomar para nós nesta nossa lida por um melhor caráter cristão é a prioridade para as coisas espirituais. Noé era um homem que, em primeiro lugar, estava preocupado com o seu relacionamento com Deus. Vemo-lo, pelos nomes que deu a dois de seus filhos (os mais velhos) que, ao contrário da geração do seu tempo, estava interessado em agradar a Deus em primeiro lugar. Tinha um relacionamento com o Senhor, mantinha com Ele uma comunicação, a ponto de Deus lhe ter revelado o plano para a destruição pelo dilúvio. Era um homem de intimidade com Deus, tanto que a primeira coisa que fez, após sair da arca, foi oferecer sacrifícios de gratidão ao Senhor.

- Como servos de Deus, temos de buscar primeiro o reino de Deus e a sua justiça, sabendo que o mais nos será acrescentado (Mt.6;33). Devemos pensar nas coisas que são de cima, não nas que são da terra (Cl.3:1,2). Nosso tesouro deve estar no céu, não neste mundo (Mt.6:19,20). Nos “dias de Noé”, o que importa é o “aqui e agora”, a satisfação imediata dos desejos incontrolados da carne, da natureza pecaminosa. Busca-se o prazer físico, mental e social, sem qualquer importância para a dimensão espiritual. Por isso, de modo realista, o Senhor parece indicar que, quando voltar, não encontrará fé na Terra (Lc.18:8 ”in fine”).

- Nos dias em que vivemos, prevalece a “filosofia do prazer”, a filosofia hedonista, assim como ocorria nos “dias de Noé”. Muitos, hoje em dia, só querem saber de Jesus exatamente para saciar as suas necessidades terrenas e, por isso, são os mais miseráveis de todos os homens (I Co.15:19). Como disse, recentemente, o professor Aristóteles Torres de Alencar Filho, muitos já aderiram à filosofia do “curtir para depois subir”, ou seja, aproveitar o que o mundo oferece para só, então, depois pensar em servir a Deus e se santificar para ir para o céu. Mas será possível voltar-se para Deus? O que ocorrerá com estes já foi vaticinado pelo Senhor: “E como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem.” (Mt.24:38,39). Tenhamos cuidado e façamos como Noé: demos prioridade a Deus e a tudo que Lhe diga respeito.

- A terceira qualidade de Noé é a obediência. De nada adiantaria Noé ter uma vida de comunhão com Deus se quando lhe fosse ordenado construir a arca, ele nada fizesse. Era algo inimaginável para Noé, até porque não havia chovido até então, mas, ante a Palavra de Deus, Noé tornou-se um engenheiro naval e construiu, de acordo com o modelo divino, a arca. Foram cem anos de trabalho, de duro trabalho, mas Noé não desanimou e obedeceu à ordem do Senhor. Construída a arca, só nela entrou quando lhe foi ordenado, também só saindo dali quando o Senhor mandou. Que maravilha quando obedecemos a Deus. Paulo lembra-nos de que somos servos daquele a quem obedecemos (Rm.6:16). A quem estamos servindo?

- A quarta qualidade de Noé é a fé. Diz o escritor aos hebreus que Noé construiu a arca pela fé, porque confiou no aviso divino da destruição. Foi a fé de Noé que o fez pregar durante cem anos, sem que ninguém tivesse crido. A fé de Noé deve ser imitada por nós. Noé creu em algo que nunca havia visto, a chuva; construiu algo que nunca imaginara fazer, a arca; durante um ano cuidou de animais que jamais tinha sequer conhecido. Tudo fez por fé e, por isso, foi poupado da destruição, abençoado e se tornado uma bênção para toda a humanidade. De igual modo, todos aqueles que, nos dias anteriores à vinda de Cristo, nEle confiarem, também serão guardados da hora da tentação que há de vir sobre o mundo (Ap.3:10,11).

- A quinta qualidade de Noé é a paciência. Noé trabalhou cem anos na construção da arca, período em que pregou a justiça. Depois, aguardou sete dias, dentro da arca, o início do dilúvio e, durante um ano, ficou dentro da arca. Era alguém que sabia esperar com paciência o tempo de Deus. A expressões “lembrou-Se Deus de Noé”, embora seja uma antropopatia, como vimos supra, não deixa de também nos inferir que, durante algum tempo, Deus não falou com Noé, parece tê-lo esquecido, mas isto não foi suficiente para que Noé esmorecesse ou se desesperasse. Muito pelo contrário, o patriarca soube sempre esperar. Quando a arca repousou, não se apressou. Quando os cumes dos montes apareceram, não se apressou. Quando o corvo foi e voltou, também não se apressou. Quando a pomba não mais voltou, apenas abriu a cobertura da arca e, quando viu tudo seco, também de lá não saiu. Era alguém que sabia esperar em Deus. Temos esta paciência? A paciência é sempre apontada como um sinal da presença de Deus nas nossas vidas (Lc.21:19; Rm.8:25; II Co.6:4; 12:12; Cl.1:11; II Ts.1:4; Hb.6:12; Tg.5:7).

- A sexta qualidade de Noé é o espírito de adoração e gratidão. A primeira coisa que Noé fez ao sair da arca foi adorar a Deus, oferecendo-Lhe sacrifício de gratidão pela sua salvação e de sua família. O servo de Deus deve estar sempre pronto a adorar ao Senhor e não só adorar, mas Lhe ser grato. Quando a paz de Deus domina os nossos corações e pertencemos ao corpo de Cristo, somos agradecidos (Cl.3:15). A gratidão é um reflexo da nossa filiação divina, é conseqüência de nossa inserção no corpo de Cristo. Os ingratos são os homens dos “dias de Noé”, os homens dos tempos trabalhosos em que vivemos (II Tm.3:2). Ser ingrato é ser mau, é pertencer a uma espécie particularmente abominável ao Senhor (Lc.6:35).

- A sétima qualidade de Noé é a justiça. A Bíblia diz que Noé era um homem justo e reto em suas gerações (Gn.6:9; Ez.14:14,20; Hb.11:7; II Pe.2:5). Por ser justo, pôde pregar a justiça e se tornar herdeiro da justiça segundo a fé. Foi tomado pelo Senhor, inclusive, como modelo e padrão de justiça. Ser justo e reto é viver conforme os preceitos divinos, é guardar os mandamentos do Senhor. Noé observava os preceitos de Deus, tanto que, após o dilúvio, o Senhor os renovou, em pacto, com o próprio Noé. A injustiça é pecado, pois todo pecado é iniqüidade (I Jo.5:17). Por isso, uma das principais regras estabelecidas por Deus, após o dilúvio, foi a prática da justiça por parte de cada ser humano (Gn.9:5,6).

- O cristão precisa ser justo (I Jo.2:29; 3:7), porque Jesus é justo (At.3:14; 7:52; Cl.4:11; I Jo.2:1). Como sou justo? Cumprindo a Palavra de Deus, pois ser justo e reto em nossa geração é andar conforme a regra, conforme as Escrituras Sagradas. O próprio Senhor disse que Seu juízo era justo porque Ele fazia a vontade do Pai (Jo.5:30). Justo é aquele que serve a Deus (Ml.3:128). Temos sido justos?

- A oitava qualidade de Noé é o zelo doutrinário com a sua família. A Bíblia diz que Noé foi achado justo diante de Deus (Gn.7:1), mas o Senhor não só o salvou como também a sua família. Além do fato de que Deus deveria preservar a espécie humana, ante o Seu plano de salvação, temos, também, a circunstância de que Noé soube bem educar os seus filhos no caminho do Senhor. Em meio a uma geração perversa,imoral e violenta, seus filhos eram monógamos, prova de que haviam sido ensinados na doutrina do Senhor e a observar os preceitos divinos. Além disso, todos creram na pregação de Noé e entraram na arca, agindo, tanto quanto Noé, por obediência e fé. Por fim, eram unidos, pois todos entraram juntos na arca (Gn.7:3).

- Nos dias em que vivemos, muitos servos do Senhor têm sido extremamente negligentes na educação doutrinária de seus filhos. Entendem que este dever é tão somente dos professores de Escola Bíblica Dominical e da igreja, quando é tarefa que está destinada, em primeiro lugar, aos pais (Dt.6:6-9). Sem uma educação doutrinária, os filhos se perderão, como se perderam aqueles que viviam “nos dias de Noé”. Que ensino doutrinário temos dado aos nossos filhos? Lemos a Bíblia com eles? Oramos com eles? Há culto doméstico em nossos lares?

- A nona qualidade de Noé é o amor aos pecadores. Deus havia avisado que iria destruir a Terra com o dilúvio e Noé insistiu em pregar a justiça aos pecadores, para tentar levá-los ao arrependimento. Noé amou os pecadores, não queria o seu mal, não queria a sua morte. Não guardou para si a mensagem divina, mas procurou trazer a sua geração ao arrependimento. Que exemplo para nós, que fomos explicitamente comissionados por Jesus para pregarmos o Evangelho! Noé não tinha ordem para pregar, mas o fez por amor aos perdidos, tanto que Deus fechou por fora a arca, a fim de impedir que a bondade de Noé permitisse que algum arrependido posterior entrasse na embarcação. Temos amor às almas perdidas? Temos o mesmo sentimento de Noé com relação às multidões que estão perecendo à nossa volta?

 

V – O QUE APRENDEMOS A NÃO FAZER COM NOÉ

- Como todo homem, Noé era imperfeito e também nos deixa algumas lições do que não devemos fazer, os contra-exemplos que temos mostrado a cada lição.

- A primeira falha que vemos em Noé foi ainda dentro da arca. Noé soltou um corvo, que as Escrituras dize que “saiu, indo e voltando, até que as águas se secaram de sobre a terra” (Gn.8:7). O corvo não trouxe qualquer informação para Noé, que, assim, perdeu tempo ao tentar saber algo a respeito da secura da terra por meio desta ave.

- Ao soltar o corvo, uma ave decompositora na cadeia alimentar, que vive de carniça, Noé tentou obter informações sobre o novo começo da vida sobre a Terra através da destruição que havia ocorrido, através do juízo, com base no passado. Com base no passado, na vida velha, no tempo da maldição, jamais poderemos construir uma vida nova, um novo amanhã.

- O ato de Noé soltar o corvo mostra uma tentativa de se construir o amanhã com base no ontem, mas isto não é possível. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (II Co.5:17). “…uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento…”(Fp.3:13b-15a).

- Se quisermos construir uma vida espiritual com base no passado, mesmo o passado posterior à nossa conversão, estaremos perdendo tempo na nossa caminhada rumo ao céu. Enquanto Noé procurou o corvo para obter informações sobre a secura da Terra, nada obteve. O corvo foi indo e voltando, porque não havia lugar para pousar, mas, quando não mais voltou (se é que isto ocorreu, pois o texto é sucinto), isto se deveu porque comeu carniça, sem esclarecer a que nível estava a secura da terra. Só com a pomba, pôde Noé ter convicção do que se passava fora da arca. Lamentavelmente são muitos hoje os “historiadores”, aqueles que vivem apenas do passado, que nada mais obtêm na vida espiritual, porque estão à mercê dos corvos. Que busquem o Espírito Santo (“a pomba”) antes que se percam totalmente!

- A segunda coisa que aprendemos a não fazer com Noé é nos darmos ao vinho. Noé entregou-se ao vinho e se embebedou e as conseqüências disto foram funestas para a sua dignidade, para a sua família e para o seu relacionamento com Deus. O homem dado ao vinho é comparado ao homem soberbo, cuja alma está inchada e que não é reta, o oposto do fiel (Hb.2:5). Um dos requisitos bíblicos para o ministério é, precisamente, o de não ser alguém dado ao vinho (I Tm.3:3; Tt.1:7).

- A embriaguez, seja com o álcool ou com qualquer outra substância entorpecente, é um terrível mal, algo que é completamente contrário à Palavra do Senhor. Em vez de nos embriagarmos com o vinho, em que há contenda, as Escrituras mandam-nos encher do Espírito (Ef.5:18). A alcoolatria é um dos grandes males da sociedade e um dos principais fatores da violência, da criminalidade, da destruição de famílias e de doenças em todos os países do mundo.

- Se, no passado, as igrejas notabilizaram-se pela luta contra o álcool, seu consumo e sua produção, conseguindo grandes vitórias em países como a Inglaterra e os Estados Unidos, nos famosos “movimentos pela temperança”, que acompanharam os avivamentos espirituais ocorridos naquelas nações, hoje, infelizmente, vivemos os “dias de Noé”, onde muitos comem e bebem imoderadamente. Não são poucos os “crentes” que estão envolvidos pela embriaguez, havendo aqueles que estão a correr atrás das “cervejas sem álcool” ou das “bebidas cool” ou “energéticas”, como que a tentar ludibriar o Senhor por suas tendências alcoolátricas. O resultado disto são escândalos, problemas familiares e morte espiritual.

- Noé deixou-se levar pelo vinho e as conseqüências foram terríveis para a sua vida. Perdeu a sua dignidade de pai de família, perdeu o respeito do seu filho mais novo, Cão, de bênção para todos os homens, passou a ser instrumento de maldição para seu próprio neto. Esta é a degradação trazida pela bebida alcoólica, pelas substâncias entorpecentes em geral. Devemos não só evitar usá-las, como também ter uma participação mais ativa na sociedade para a diminuição de seus efeitos deletérios na comunidade. Infelizmente, o que se constata hoje é que grupos como os Alcoólicos Anônimos e outros similares estão a fazer muito mais por isto do que a Noiva do Cordeiro.

- O terceiro contra-exemplo dado por Noé diz respeito à maldição que lançou sobre Canaã, seu neto, por causa da atitude de Cão em tê-lo desrespeitado. Jamais devemos amaldiçoar quem quer que seja. Noé, ao voltar a si, deveria ter se envergonhado e admitido suas falhas, mas, antes disto, amaldiçoou Canaã, seu neto, filho de Cão, envolvendo, assim, uma terceira pessoa num problema que era entre ele e seu filho. Esta intriga familiar, este entrevero já mostra o potencial que o álcool tem para destruir famílias. Noé, que havia sido uma bênção para todos os homens, tornou-se instrumento de maldição de seu neto.

- Devemos aqui ter cuidado pois muitos costumam se utilizar desta passagem para defender a doutrina da “maldição hereditária” e ainda que “há poder nas palavras”. Canaã não ficou amaldiçoado por causa de uma força mágica contida nas palavras de Noé, por este seria justo e “a oração do justo pode muito em seus efeitos” (idéia que também fez criar a tese absurda da “oração contrária”), ou que tenha havido uma “praga espiritual” lançada por Noé aos descendentes de Canaã.

- O fato é que a maldição lançada por Noé serviu para criar um mal-estar ainda maior na sua família. Jafé e Sem já haviam se desentendido com Cão pela sua atitude, tanto que procuraram terminar com aquele espetáculo grotesco, mantendo o respeito junto a seu pai. Criou-se, decididamente, um clima de beligerância entre os filhos de Noé e a maldição do patriarca sobre o neto revela bem o estado difícil que se encontrava a família. Gerou-se uma desunião que, certamente, não serviu de exemplo nem de lastro para o desenvolvimento de Canaã e dos demais filhos de Cão. Em vez de serem criados na doutrina do Senhor, foram criados no ódio a Noé e aos tios e primos, o que gerou várias seqüelas, inclusive espirituais, visto que não houve o aprendizado da lei do Senhor, dos preceitos dados no pacto noaico. Foi isto que levou ao desvirtuamento espiritual dos descendentes de Canaã, não algum “poder mágico” nas palavras de Noé.

- Como se não bastasse isso, o fato é que, milênios depois das palavras irrefletidas de Noé, a maldição persistiu. Com base nestas palavras de Noé, criou-se a teoria da superioridade racial branca em relação aos negros africanos, apontados como tendo sido os descendentes de Cão. Durante séculos, a escravidão negra, esta grande chaga da história ocidental, foi justificada biblicamente por causa da infeliz expressão de Noé. Não fosse a luta de muitos crentes, notadamente na Inglaterra e Estados Unidos nos séculos XVIII e XIX, a escravidão negra não teria sido abolida.

- Por fim, as mesmas palavras irrefletidas de Noé serviram para justificar o regime do “apartheid”, o abominável sistema de segregação racial que vigorou pela segunda metade do século XX, primeiramente no Zimbabwe e na África do Sul e, depois, só na África do Sul, uma das maiores vergonhas em termos de racismo na história da humanidade. Como é ruim um servo de Deus se tornar instrumento de maldição em vez de bênção. Nunca busquemos amaldiçoar ninguém, para tentar nos esquivar dos nossos próprios erros. Quantas pessoas Noé prejudicou com este gesto. Tomemos cuidado pois temos de ser bênção e abençoadores, para isto servimos a Jesus, para, como Abraão, ser uma bênção Gn.12:2; Zc.8:13).

 

Colaboração para o Portal EscolaDominical: Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco.

19 thoughts on “Noé, um homem justo e incorruptível – 1

  1. maravilhoso a escola dominical so tem a agradeçer aos irmaos e a este saite por tao grande ajuda!!!!

  2. OS TEXTOS SÃO EXCELENTES MAS AINDA SÃO MUITO LONGOS.GOSTARIA DE ENVIAR ESRA PROPOSTA DE TEXTOS + CURTOS E QUE PROPORCIONEM UMA VISÃO INCISIVA AOS FATOS IMPORTANTES DA

  3. fico feliz por estes comentarios e sempre me baseio na duas faces da moeda e fico muito abençoado

  4. Paz e graça!
    Fico muito feliz por termos pessoas capacitadas por Deus para nos ajudar a interpretar melhor a Bíblia.
    Quero deixar aqui meus parabéns ao prof. Caramuru A. Francisco pela a biografia de Noé, e a este Site abençoado.
    Que Deus continue a nos ajudar nestes últimos minutos que antecedem a volta de Jesus Cristo. Amém!

  5. apaz do Sr jesus a todos este irmão abençoado Dr
    Caramuru é uma benção estou mui maravilhado. que o Sr nosso Deus continui te abençoando.

  6. apaz do Sr Jesus sou professor da EBD depois que comecei a ver os estudos deste irmão,vem me ajudou muito a preparar as aulas e glorias ao Sr Jesus meus alunos tem gostando.
    agradeço a Deus por suas vidas.

  7. Essa desfragmentação e detalhamento dos texto da Bíblia que estudamos a cada lição, são como fonte de vitaminas para nossa vida espiritual! Passamos a vêr como águias!
    Parabéns Dr. Caramuru!! nos céus há recompensa para ti!

  8. graça e paz irmão caramuru , continui com o mesmo formato dos comentarios pois servem como visão muito ampla dos temas abordados ,o que devemos buscar nos dias agitados da atualidade é, tempo para estudarmos e cumprir a palavra de DEUS!

  9. A Paz do Senhor Jesus meus amados, muito interessante os comentarios desse irmão, é bem profundo no assunto. Que Deus continue o abençoando grandemente.

  10. A paz meu amado Dr Caramuru! É gratificante poder contar com tão grande sabedoria. Que Deus continue inspirando-o para que atravéz da vossa pessoa, possamos assim também sermos abençoados!!

  11. A paz meu amado Dr Caramuru! É gratificante poder contar com tão grande sabedoria. Que Deus continue abençoando-o para que atravéz da vossa pessoa, possamos assim também sermos abençoados!!

  12. Excelente!
    conteudo muito bom pra quem procura coisa boa na internet.
    que Deus o abençoe Dr. caramuru

  13. A paz do Senhor para todos.
    Procure pesquisar para ser conhecedor
    proure conhecer para ser sábio sempre que
    procurar , procure conhecer ao Senhor.
    Ass: Irmão Emerson wel

  14. Gostaria de saber se os meses e os dias de um ano na época de Noé eram iguais em quantidade como o nosso calendário de hoje. Como poderia uma pessoa viver mais de 200 anos, humanamente impossível. Por favor me explique isso.

  15. Sinto uma alegria imensa em saber que o Espirito Santo continua usando pessoas como o Pastor Caramuru deixando límpido um assunto tão necessario a geração deste milenio. dá-nos a entender que o diabo nunca mudou sua maneira nociva de trabalho a humanidade . JO 6:45 diz que todos seriam ensinados por Deus.Pastor, que o Espirito Santo continue lhe usando com graça e Sabedoria.

    Abraço fraterno em Cristo Jesus.
    Roberio costa

  16. As vezes fico pensando como Noé veria nossos obreiros com tanta caracterisca malévulas. Como seria que ele se sentiria? Neus amados e queridos irmãos; estamos vivendo em nossos dias o chamado ministerio de quintal. Muitos obreiros tem cercado nossas igrejas como se fossem o quintal de sua casa. E dão o grito de posse e de propriedade. Dizendo: aqui é meu eo boi não lambe. Pb. Sena pbsena@yahoo.com.br

  17. paz do senhor e salvador jesus,e muito bom conhecer mais a palavra do nosso deus.efésios 4;7 diz; mas a graça foi dada acada um de nos segundo a medida do dom de cristo.

  18. Paz do Senhor a todos. Maravilhoso estudo! Com certeza abençoado por Deus!!
    Que Deus continue abençoando os autores do texto e o site por exibir tamanho documentário. deus seja louvado por isso.

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