
Fonte: http://rxisaias.blogspot.com/
VERDADE APLICADA = Quando duas pessoas se amam, não se subestimam nem se dominam; apenas se completam.
LEITURA BIBLICA = I Co 7. 1-7
INTRODUÇÃO
O apóstolo não tinha esposa na época em que escreveu aos coríntios, embora tivesse sido casado anteriormente. Sabemos que fora casado porque pertencera ao Sinédrio judaico, e este exigia que os seus membros fossem casados (At 26.10). Em I Coríntios 7, ele traz várias instruções, algumas delas relacionadas à maneira como a esposa e o marido devem se comportar um em relação ao outro.
I – A FAMILIA É FUNDAMENTO DA CIVILIZAÇÃO HUMANA
As palavras “quanto às coisas que me escrevestes” ( I Co 7.1) falam de uma carta que Paulo recebeu dos coríntios, contendo várias perguntas referentes ao casamento, celibato, virgindade, viuvez e divórcio. Nesta lição, focalizemos os princípios que ele defendeu, bem como seu conselho específico.
a) O casamento é uma instituição divina — Paulo não era contrário ao casamento ( I Co 7.lb). Entretanto, os coríntios mais conservadores reagiam com tanta rigidez contra a licenciosidade sexual da cidade, que chegaram a proibir o casamento, o qual foi criado por Deus (Gn 2.18). Paulo diz que o casamento é dom e plano de Deus. Rejeitá-lo como se fosse algo ruim é fugir da vontade de Deus, tanto quanto se envolver num relacionamento fora do casamento.
O casamento é um dom grandioso de Deus. Ele nos faz adentrar o espantoso mistério de “uma só carne” em toda a sua plenitude. E um presente a ser recebido reverentemente e a ser nutrido com ternura. Sem dúvida, não devemos elevar o dom do casamento acima do dom da vida de solteiro, mas tampouco devemos subestimar sua importância. Martinho Lutero declarou: ‘Ah!
Querido Senhor, o casamento é um dom de Deus. É a mais doce e mais cara, sim, a mais pura das vidas”. Na narrativa do Gênesis, lemos que o elo do matrimônio é mais forte do que o elo que liga os filhos aos pais:
“Por isso deixa o homem pai e mãe, e se une à sua mulher, se tornando os dois uma só carne” (Gn 2.24). Jesus refere-se a essa passagem do livro de Gênesis, e acrescenta: “De modo que já não são mais dois, porém uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” (Mt 19.6). E o apóstolo Paulo eleva o casamento a um lugar de alta espiritualidade ao declarar que ele é o reflexo de Cristo e sua igreja (Ef 5.21 -32).
b) A relação conjugal não é pecaminosa — O relacionamento íntimo do casal condiz plenamente com a vontade de Deus e nada tem de pecaminoso. Deus instituiu a família e ordena a procriação para garantir a continuidade da raça humana (Gn 1.27,28; Hb 13.4). A criação de filhos para servir a Deus é parte integral do plano Dele (Gn 18.19). O casamento é uma relação ou “sociedade” mútua, em que cada participante deve zelar pelos direitos e bem- estar do parceiro.
c) O casamento e o celibato são dons de Deus — Nem todos têm o dom do celibato, ou seja, a vocação para se manter solteiro (I Co 7.7-9). Paulo ensina que seria “bom” que todo homem se abstivesse de mulher, contanto fosse capaz de fazê-lo (v.1). O celibato é preferível ao estado do matrimônio quando se recebe de Deus tal vocação. Assim, a pessoa estará livre para cuidar somente das coisas do Senhor (I Co 7.32-34). O celibato é uma exceção, não uma regra, pois Paulo conhecia o impulso natural do homem de ter um cônjuge (Gn 2.18). Sabia, também, que o propósito de Deus é que o homem escolha uma companheira, case com ela e viva com a mesma o resto da vida.
II – O CASAMENTO ENVOLVE DIREITOS E OBRIGAÇÕES
Em muitas culturas, os homens tratam suas esposas como objetos ou propriedade material. Mas o Cristianismo proporciona liberdade, respeito mútuo, amor e consideração ao casamento. O marido é a cabeça da família, tendo a obrigação de tratar a esposa com amor e consideraçã6 (Ef 5.15-33).
a) Paulo fala da mutualidade dos direitos conjugais — Paulo insiste que marido e mulher dêem um ao outro o que lhes é devido (l Co 7.1b), pois o marido não tem direito sobre o seu próprio corpo, nem a esposa sobre o dela. Por meio dos votos matrimoniais cada um renuncia aos direitos exclusivos sobre seu próprio corpo, e os entrega ao cônjuge. Marido e mulher se pertencem um ao outro. Jamais deveria a esposa recusar a união íntima com seu marido a fim de castigá-lo por algo que ele tenha feito e que a desagradou ( I Co 7.5).
b) Os direitos das esposas sãos os mesmos dos maridos — Paulo concede à esposa exatamente os mesmos direitos que concedeu aos homens ( I Co 7.4).
Ele não salienta o dever de um em detrimento do outro, mas o coloca no mesmo nível, O imperativo presente “conceda” (v.3) indica o dever habitual. Há cônjuges que apresentam muitas razões ,para negar o que é devido ao outro: cansaço, ressentimento, desinteresse, tédio, estresse etc. Estas coisas são prejudiciais ao relacionamento matrimonial.
c) O casamento é uma salvaguarda contra a imoralidade — A imoralidade sexual estava em alta na cidade de Corinto; alguns crentes mais vulneráveis, percebendo a força destruidora representada pela promiscuidade sexual, defendiam o celibato (Mt 19.10-12), mas nem todos haviam recebido de Deus essa e acabavam se envolvendo com alguma forma de imoralidade. Paulo, então, defende o casamento como uma salvaguarda contra a imoralidade
Contrapondo-se à imoralidade e, provavelmente, também à prática da poligamia, Paulo faz uma proibição clara e indireta: “Cada um tenha a sua própria esposa e cada uma o seu próprio marido” (I Co 7.2). Quando diz: “por causa da impureza”, ele se refere aos inúmeros atos pecaminosos e às variadas tentações que abundavam em Corinto.
Esta superabundância de tentações sexuais produzia inevitavelmente uma oposição generalizada ao casamento como “uma reação contra os modos licenciosos que reinavam naquela cidade”. Também é possível que as pessoas convertidas, que vinham de um estilo de vida imoral, considerada nada realista a insistência de Paulo na monogamia.
Portanto, sob aspectos, Paulo se expunha a um fogo cruzado ao fazer esta firme asseveração sobre o propósito divino para o casamento. Cabe aqui, um alerta: num mundo onde se usa a sensualidade até para incrementar vendas, os cristãos necessitam de palavras claras a respeito da sexualidade.
Precisamos de que o Espírito traga o poder da Palavra de Deus sobre nossa vida, a fim de nos capacitar a preferir a pureza, e nos ajude a tomar decisões baseadas no elevado chamado da Palavra de Deus, e não nos baixos padrões sexuais deste mundo.
III – É NECESSÁRIO MÚTUO CONSENTIMENTO NO MATRIMÔNIO
A ordem de Paulo: “Não priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à oração…” visa desacelerar as correrias da vida e te- mar medidas excepcionais para as- segurar um tranqüilo e sereno intercâmbio com Deus.
a) A abstinência deve visar a intimidade com Deus — As Escrituras consideram o casamento como uma oportunidade singular de oração a dois; e de acordo com Jesus, este tipo de oração vem acompanhado de poder e promessas especiais (Mt 18.19).
O apóstolo Pedro conclui seus profundos ensinamentos aos casais cristãos, orientando a viverem a vida comum do lar, com discernimento. O marido deve tratar com considera- e dignidade a esposa como parte frágil, sendo em igualdade herda mesma graça devida, pois desta forma as orações não seriam
(I Pe 3.1-7).
b) A abstinência prolongada é desaconselhável - A abstinência sexual prolongada não é aconselhável. E permitida apenas mediante concordância mútua, e para se usar tempo para reflexão espiritual. O período de abstenção não deve ser prolongado demais, mas por algum tempo, conforme l Coríntios 7.5. Uma longa abstinência no casamento, mesmo que seja movida pela espiritualidade, pode induzir à tentação.
A verdadeira religião nunca teve como objetivo ser usada como uma arma adequada para a negação da vida conjugal. Paulo pede pureza moral e sexual, e não, abstinência. O relacionamento conjugal é uma bênção dada por Deus, se for usado da forma como o Senhor planejou e dirigiu. Para Paulo, o padrão usual para os cristãos deveria ser casar- se. Ele é realista concernente aos impulsos sexuais humanos e preocupa-se de que uma longa abstinência sexual no casamento pudesse trazer danos ao relacionamento conjugal. Embora deseje que todos os solteiros permaneçam como ele mesmo, reconhece que Deus arranjou as coisas de modo diferente (I Co 7.7).
Paulo bem sabia que o celibato, tal como praticava tinha suas vantagens, mas apesar disso, não ensina contra o casamento. Veja suas magníficas palavras acerca do matrimônio em Efésios 5.15-33, como exemplo da relação de Cristo com sua Igreja. Paulo escreve aos coríntios para corrigir uma idéia errada acerca do corpo. A filosofia gnóstica exaltava o conhecimento e considerava o corpo como algo vil; só importava o espírito. O resultado dessa filosofia era levar muitas pessoas a conclusões equivocadas.
c) Paulo expõe a atividade de Satanás — O apóstolo Paulo diz que está certo se privar da relação íntima, por algum tempo. Mas ele diz que não deveriam permanecer separados por longo tempo, “para que Satanás não vos tente por causa da incontinência” (I Co 7.5). Paulo está dizendo que a esposa ou o esposo põe tentação no caminho do seu conjugue quando se recusa ao dever conjugal com o qual se casou. Este é o motivo que alguns casamentos redundam em fracassos.
IV – CONSELHOS PRÁTICOS PARA OS SOLTEIROS E VIÚVOS
Paulo continua os seus conselhos apostólicos, nos versos 8 a 16 de I Coríntios, voltando a atenção para OS solteiros e viúvos. Ele inclui, neste texto, tanto homens como mulheres, inclusive pessoas separadas.
a) Um chamado especial para permanecer sozinho — Já vimos que algumas pessoas recebem um chamado especial de Deus para viverem solteiras (l Co 7.7). Paulo as aconselha que fiquem como ele, ou seja, que os que não são casados ou viúvos permaneçam sozinhos (l Co 7.8). As pessoas que não possuem o dom do celibato, contudo, devem se casar e constituir família. É muito melhor estar casado e satisfazer o desejo sexual do que permanecer sem casar e abrasar-se, sendo dominado pelo desejo da carne (I Co 7.9).
b) O cuidado para se evitar casamentos mistos — Os viúvos estão livres para se casarem novamente ou permanecerem solteiros. Se eles se casarem, deve ser com uma pessoa cristã, e não incrédula; porquanto isso traria problemas para o casamento (l Co 7.39). Os casamentos mistos (crente e incrédulo) devem ser evitados (I Co 7.12-16) e Paulo aconselha as viúvas mais “jovens” a se casarem de novo, porquanto, para elas, essa era uma medida mais prática, visto que sendo cheias de vigor, seriam tentadas à imoralidade, a menos que cada qual tivesse o seu próprio marido crente (I Tm 5. 9-13).
Divórcio era uma concessão ao parceiro fiel devido à insensibilidade do outro parceiro a Deus. Isto é definido biblicamente como “Dureza de Coração” (Mateus 19.8). Em Mateus 19.9, é a parte ofendida que está fazendo o divórcio, ou seja, a parte fiel. O Novo Testamento permite o novo casamento quando o divórcio é em bases bíblicas (1 Co 7.15). Em casos onde o divórcio acontecia por razões diferentes das acima expostas, o crente é exortado a procurar a reconciliação ou permanecer descasado (1 Co 7.10-11).
c) Princípios do comportamento cristão — A igreja em Corinto era muito jovem. Alguns dos recém-convertidos tinham cônjuges que não eram cristãos. Esses novos cristãos se indagavam como ficaria a sua situação. Paulo os aconselha a preservar a união.
Porém, se o cônjuge não-cristão quisesse romper o casamento, o parceiro cristão deveria permitir-lhe sair sem conflito (I Co 7.17-24). Paulo não estimula as pessoas que aceitaram a Cristo a romper seu casamento ou mudar de emprego ou buscar posição social diferente. Ao contrário, nos diz que devemos permanecer na mesma situação, mas agora, glorificando a Deus conduta cristã (Sl 1.3).
Os carinhos estavam confusos acerca do dever do cristão com relação ao cônjuge descrente. Alguns ensinavam que deviam separar-se ou se divorciar. Paulo dá a sua resposta:
“Não se divorciem”! Ele se baseia nos ensinamentos de Jesus em Mateus 5.31,32; – 19.3-11. Os problemas relacionados ao divórcio ou separação são difíceis de resolver. Não há nos ensinos de Paulo ou de Jesus Cristo uma única regra abrangente e inflexível.
Está claro que o Novo Testamento não admite divórcio quando se trata de um casamento cristão (I Co 7.10,11). Mas nos versículos 12-16, Paulo trata do casamento misto (crente com descrente). Mesmo nesse caso, os cônjuges não devem se separar, a menos que o descrente resolvesse abandonar a família ou exija a separação.
O escritor Thomas Hoover, diz que em alguns casos, as condições para os cônjuges permanecerem juntos parecem impossíveis. Por exemplo, “um marido bêbado que surra a esposa e ameaça matar os filhos, ou uma esposa infiel que tem relações com um terceiro; um marido criminoso que tenta fazer sua esposa de cúmplice”. Paulo reitera que “Deus chamou-nos para a paz” (l Co 7.15) e, às vezes, a separação pode ser de fato a única solução. Por outro lado, muitas esposas e maridos, pela graça de Deus, têm permanecido fiéis aos cônjuges nessas circunstâncias, e Deus tem feito milagres em seu favor (Ef 5. 15-33)
CONCLUSÃO
Ao aconselhar as diferentes classes de pessoas, Paulo é cuidadoso em distinguir sua opinião da instrução dada por Jesus (l Co 7.10,12,25). Ele fala com autoridade e de modo plenamente consciente (v.40), mas dá prioridade às palavras de Cristo. Embora toda a Bíblia seja a Pala- na de Deus, Jesus é a Palavra Viva, a Palavra encarnada.
Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus (auxiliar)
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS
Lições Bíblicas Betel 2004




