Os perigos da ambição (2) – Pr. Altair Germano

Pr. Altair Germano

Conforme pôde ser observado no primeiro post sobre o tema “ambição”, o termo passou a ter um sentido positivo, na medida que tal sentimento é controlado e focado para bons objetivos:

“Ambição pressupõe motivação, pró-atividade e vontade de crescer – atitudes que as empresas procuram e valorizam. [...] No mundo profissional de hoje a ambição é mais do que um simples diferencial – é uma vantagem competitiva essencial.” (Você S.A)

“Ambição tem a mesma raiz da palavra ambiente não por acaso. As duas vem de ‘ambire’, que significa ‘mover-se livremente’. Traduzido literalmente e, principalmente, se usada corretamente, a palavra ambição significa criar seu próprio caminho na vida. É simplesmente você saber o que quer para sua vida, e tentar chegar lá.” (Guia RH)

Ambição é uma coisa boa. Ela nos desperta desejos, promove o comprometimento, estimula a perseverança. Torna-nos mais fortes e nos faz buscar a superação.” (Catho)

Nestes casos, ambição é sinônimo de persistência, determinação e força de vontade.

É exatamente em seu sentido oposto que o tema “ambição” será aqui abordado.

1- O QUE É “AMBIÇÃO”

A ambição em seu sentido negativo, pode ser conseqüência de uma neurose obsessiva, ganância exagerada ou desejo de subir na vida pisando nos outros. É sinônimo de arrogância, ganância.

Neste caso, nenhum padrão ético é respeitado. O princípio “maquiavélico” de que os fins justificam os meios, acabam fundamentando o pensamento e as atitudes dos ambiciosos.

Aqui cabe também a idéia de que, ser ambicioso é querer ir além do que se pode ou se deve ir. Neste sentido a Bíblia adverte:

“[...] não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes;” (Rm 12.16, ARC)

“Não sejam orgulhosos, mas aceitem serviços humildes,[...]” (Rm 12.16, NTLH)

2. A AMBIÇÃO NA IGREJA

O poder, o dinheiro e o sexo, encabeçam a lista dos elementos e objetos de desejo dos ambiciosos.

Como diz Richard J.Foster “Desde as primeiras civilizações, estes três fatores estiveram envolvidos em quase todos os movimentos sociais, políticos e econômicos. Eles motivaram o início, a ascensão, o auge, o declínio e a derrocada de homens e mulheres, famílias e etnias, povoados e nações, iniciativas simples ou ideologias inteira. É impossível pensar em um período histórico que não tenha sido motivado ou, pelo menos, influenciado por um dos elementos dessa tríade. Ou por todos eles. Isto não significa, porém, que o dinheiro, o sexo e o poder sejam maléficos por natureza. O que detemina seus efeitos são os princípios e o caráter de quem deles dispõe.

É exatamente em razão da relativização de princípios bíblicos e a deformação no caráter, associados a falta de vigilância, que muitas igrejas, líderes e liderado, pastores e ovelhas, têm caído movidos pela ambição. Observemos de que maneira a ambição por poder, dinheiro e sexo operam na igreja.

Poder (do latim potere) é, literalmente, o direito de deliberar, agir e mandar e também, dependendo do contexto, a faculdade de exercer a autoridade, a soberania, ou o império de dada circunstância ou a posse do domínio, da influência ou da força.” (Wikipédia)

Mais definições sobre poder você encontra em;

- Wiktionary
- UFSC

O fato, é que a ambição pelo poder é hoje a razão de muitas distorções, lutas e divisões dentro das igrejas. O comentarista da lição bíblica, pastor Wagner Gaby, cita;

a) A busca ambiciosa de projeção pessoal de “certos” pregadores e conferencistaS. Já escrevi sobre esta questão, e gostaria de lhe indicar os posts abaixo:

- COMO SE TORNAR UM PREGADOR FAMOSO
- O FENÔMENO
- TELEVANGELISTAS OU TELEOPORTUNISTAS
- UMA IGREJA DOENTE (1)

b) As abomináveis disputas por cargos eclesiásticos. Neste caso, está incluído tanto os cargos numa igreja local, quanto os cargos numa convenção estadual, regional ou nacional. Infelizmente, estas disputas incorporaram elementos mundanos, tais quais: compra de votos, sabotagens, traições, boicotes de lições bíblicas, falta de transparência nos processos eleitorais simonia, nepotismo e outras mazelas. Leia também:

- CORRUPÇÃO GENERALIZADA
- POR UMA ELEIÇÃO CONVENCIONAL ESPIRITUAL

Um coisa profundamente interessante, para não dizer triste, é que no jogo de poder, a ambição pelo dinheiro, ou por outros lucros advindos, estão diretamente envolvidos. A questão não é apenas mandar, mas também, manipular pessoas e situações, jogar com a influência para tirar vantagens materiais.

E onde entra a questão do sexo. A relativização de princípios para o alcance das loucas e desenfreadas ambições de fama e poder, deixa o indivíduo vulnerável e flagilizado para cair em pecado sexual. Há também aqueles que acabam sendo seduzidos e tentados apenas quando chegam “lá” (2 Sm 11.1-5).

Quer a prova disto? Faça uma análise dos grandes escândalos sexuais, envolvendo líderes evangélicos de influência nacional. Primeiro eles alcançaram fama e muito poder, para depois fracassarem moralmente. O poder pode levar o seu detentor a ser agente ou objeto de assédio sexual.

3. COMO VENCER A AMBIÇÃO

Algumas orientações bíblicas proporcionarão a vitória sobre as más ambições, e o controle sobre as chamadas boas ambições:

- A necessidade do domínio próprio

“Como cidade derribada, que não tem muros, assim é o homem que não tem domínio próprio.” (Pv 25.28)

Observamos neste texto de Provérbios, que os muros (domínio próprio) tanto estabelecem limites, quanto servem de proteção.

“mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.” (Gl 5.23)

Contrapondo-se às obras da carne, o domínio próprio é uma qualidade do fruto do Espírito.

“com o conhecimento, o domínio próprio; com o domínio próprio, a perseverança; com a perseverança, a piedade;” (2 Pe 1.6)

A piedade não comunga com a ambição. O domínio próprio, está diretamente relacionado com a diligência, a fé, a virtude, o conhecimento, a perseverança, a fraternidade e o amor. Tais elementos nos torna participantes da natureza divina, ao mesmo tempo em que nos livra da corrupção das paixões que há no mundo, entre elas, a ambição.(2 Pe 1.3-11)

A recomendação bíblica, em especial para os pastores, não é o dominar sobre os outros (1 Pe 5.1-4), mas sobre si mesmo.

- A necessidade de contentamento

“não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário; [...] para não suceder que, estando eu farto, te negue e diga: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecido, venha a furtar e profane o nome de Deus.” (Pv 30.8b-9)”

“Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação.” (Fl 4.11)

“Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes.” (1 Tm 6.8)

Nunca é demais lembrar que o contentamento não serve de pretexto para a acomodação pessoal, antes, é essencial para desejarmos além das nossas possibilidades e reais necessidades.

- A necessidade de vigilância

vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.” (Mt 26.41, Mc 14. 38)

Ninguém está livre da atração, da sedução do envolvimento ilícito com o poder, o dinheiro e o sexo. Não existem superapóstolos, superbispos, superpastores, superevangelistas, superpresbíteros, superdiáconos, superlíderes, superprofessores, nem supercrentes.

Qualquer um de nós, à medida em que não tiver cuidado, deixando de observar as orientações da Palavra de Deus naquilo que aqui foi colocado, estará sujeito a cair nos mesmos erros que outros já caíram, e também, de sofrer como outros já sofreram e ainda sofrem.

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