Conforme pôde ser observado no primeiro post sobre o tema “ambição”, o termo passou a ter um sentido positivo, na medida que tal sentimento é controlado e focado para bons objetivos:
“Ambição pressupõe motivação, pró-atividade e vontade de crescer – atitudes que as empresas procuram e valorizam. [...] No mundo profissional de hoje a ambição é mais do que um simples diferencial – é uma vantagem competitiva essencial.” (Você S.A)
“Ambição tem a mesma raiz da palavra ambiente não por acaso. As duas vem de ‘ambire’, que significa ‘mover-se livremente’. Traduzido literalmente e, principalmente, se usada corretamente, a palavra ambição significa criar seu próprio caminho na vida. É simplesmente você saber o que quer para sua vida, e tentar chegar lá.” (Guia RH)
“Ambição é uma coisa boa. Ela nos desperta desejos, promove o comprometimento, estimula a perseverança. Torna-nos mais fortes e nos faz buscar a superação.” (Catho)
Nestes casos, ambição é sinônimo de persistência, determinação e força de vontade.
É exatamente em seu sentido oposto que o tema “ambição” será aqui abordado.
1- O QUE É “AMBIÇÃO”
A ambição em seu sentido negativo, pode ser conseqüência de uma neurose obsessiva, ganância exagerada ou desejo de subir na vida pisando nos outros. É sinônimo de arrogância, ganância.
Neste caso, nenhum padrão ético é respeitado. O princípio “maquiavélico” de que os fins justificam os meios, acabam fundamentando o pensamento e as atitudes dos ambiciosos.
Aqui cabe também a idéia de que, ser ambicioso é querer ir além do que se pode ou se deve ir. Neste sentido a Bíblia adverte:
“[...] não ambicioneis coisas altas, mas acomodai-vos às humildes;” (Rm 12.16, ARC)
“Não sejam orgulhosos, mas aceitem serviços humildes,[...]” (Rm 12.16, NTLH)
2. A AMBIÇÃO NA IGREJA
O poder, o dinheiro e o sexo, encabeçam a lista dos elementos e objetos de desejo dos ambiciosos.
Como diz Richard J.Foster “Desde as primeiras civilizações, estes três fatores estiveram envolvidos em quase todos os movimentos sociais, políticos e econômicos. Eles motivaram o início, a ascensão, o auge, o declínio e a derrocada de homens e mulheres, famílias e etnias, povoados e nações, iniciativas simples ou ideologias inteira. É impossível pensar em um período histórico que não tenha sido motivado ou, pelo menos, influenciado por um dos elementos dessa tríade. Ou por todos eles. Isto não significa, porém, que o dinheiro, o sexo e o poder sejam maléficos por natureza. O que detemina seus efeitos são os princípios e o caráter de quem deles dispõe.“
É exatamente em razão da relativização de princípios bíblicos e a deformação no caráter, associados a falta de vigilância, que muitas igrejas, líderes e liderado, pastores e ovelhas, têm caído movidos pela ambição. Observemos de que maneira a ambição por poder, dinheiro e sexo operam na igreja.
“Poder (do latim potere) é, literalmente, o direito de deliberar, agir e mandar e também, dependendo do contexto, a faculdade de exercer a autoridade, a soberania, ou o império de dada circunstância ou a posse do domínio, da influência ou da força.” (Wikipédia)
Mais definições sobre poder você encontra em;
- Wiktionary
- UFSC
O fato, é que a ambição pelo poder é hoje a razão de muitas distorções, lutas e divisões dentro das igrejas. O comentarista da lição bíblica, pastor Wagner Gaby, cita;
a) A busca ambiciosa de projeção pessoal de “certos” pregadores e conferencistaS. Já escrevi sobre esta questão, e gostaria de lhe indicar os posts abaixo:
- COMO SE TORNAR UM PREGADOR FAMOSO
- O FENÔMENO
- TELEVANGELISTAS OU TELEOPORTUNISTAS
- UMA IGREJA DOENTE (1)
b) As abomináveis disputas por cargos eclesiásticos. Neste caso, está incluído tanto os cargos numa igreja local, quanto os cargos numa convenção estadual, regional ou nacional. Infelizmente, estas disputas incorporaram elementos mundanos, tais quais: compra de votos, sabotagens, traições, boicotes de lições bíblicas, falta de transparência nos processos eleitorais simonia, nepotismo e outras mazelas. Leia também:
- CORRUPÇÃO GENERALIZADA
- POR UMA ELEIÇÃO CONVENCIONAL ESPIRITUAL
Um coisa profundamente interessante, para não dizer triste, é que no jogo de poder, a ambição pelo dinheiro, ou por outros lucros advindos, estão diretamente envolvidos. A questão não é apenas mandar, mas também, manipular pessoas e situações, jogar com a influência para tirar vantagens materiais.
E onde entra a questão do sexo. A relativização de princípios para o alcance das loucas e desenfreadas ambições de fama e poder, deixa o indivíduo vulnerável e flagilizado para cair em pecado sexual. Há também aqueles que acabam sendo seduzidos e tentados apenas quando chegam “lá” (2 Sm 11.1-5).
Quer a prova disto? Faça uma análise dos grandes escândalos sexuais, envolvendo líderes evangélicos de influência nacional. Primeiro eles alcançaram fama e muito poder, para depois fracassarem moralmente. O poder pode levar o seu detentor a ser agente ou objeto de assédio sexual.
3. COMO VENCER A AMBIÇÃO
Algumas orientações bíblicas proporcionarão a vitória sobre as más ambições, e o controle sobre as chamadas boas ambições:
- A necessidade do domínio próprio
“Como cidade derribada, que não tem muros, assim é o homem que não tem domínio próprio.” (Pv 25.28)
Observamos neste texto de Provérbios, que os muros (domínio próprio) tanto estabelecem limites, quanto servem de proteção.
“mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.” (Gl 5.23)
Contrapondo-se às obras da carne, o domínio próprio é uma qualidade do fruto do Espírito.
“com o conhecimento, o domínio próprio; com o domínio próprio, a perseverança; com a perseverança, a piedade;” (2 Pe 1.6)
A piedade não comunga com a ambição. O domínio próprio, está diretamente relacionado com a diligência, a fé, a virtude, o conhecimento, a perseverança, a fraternidade e o amor. Tais elementos nos torna participantes da natureza divina, ao mesmo tempo em que nos livra da corrupção das paixões que há no mundo, entre elas, a ambição.(2 Pe 1.3-11)
A recomendação bíblica, em especial para os pastores, não é o dominar sobre os outros (1 Pe 5.1-4), mas sobre si mesmo.
- A necessidade de contentamento
“não me dês nem a pobreza nem a riqueza; dá-me o pão que me for necessário; [...] para não suceder que, estando eu farto, te negue e diga: Quem é o SENHOR? Ou que, empobrecido, venha a furtar e profane o nome de Deus.” (Pv 30.8b-9)”
“Digo isto, não por causa da pobreza, porque aprendi a viver contente em toda e qualquer situação.” (Fl 4.11)
“Tendo sustento e com que nos vestir, estejamos contentes.” (1 Tm 6.8)
Nunca é demais lembrar que o contentamento não serve de pretexto para a acomodação pessoal, antes, é essencial para desejarmos além das nossas possibilidades e reais necessidades.
- A necessidade de vigilância
“vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.” (Mt 26.41, Mc 14. 38)
Ninguém está livre da atração, da sedução do envolvimento ilícito com o poder, o dinheiro e o sexo. Não existem superapóstolos, superbispos, superpastores, superevangelistas, superpresbíteros, superdiáconos, superlíderes, superprofessores, nem supercrentes.
Qualquer um de nós, à medida em que não tiver cuidado, deixando de observar as orientações da Palavra de Deus naquilo que aqui foi colocado, estará sujeito a cair nos mesmos erros que outros já caíram, e também, de sofrer como outros já sofreram e ainda sofrem.
Ambição é PECADO? Controvérsias à parte, torna-e pecado quando entra a cobiça que está atrelada à ambição.
Poderia ter ambição sem estar maquinando cobiça em minha mente, principalmente quando envolve o desejo IRREFREADO no qual buscarei atingir meus intentos, custe o que custar?
A natureza humana busca crescer, desenvolver, obter, mas principalmente deveria estar preocupada na sua maneira de ”ser”. No meio em que vivemos, sociedade em que se “é” o que se “tem”, a ambição vem nos impulsionar a ser o que não somos e demonstrar o que não temos, para que sejamos percebidos pelos competem conosco.
A ambição poderia ser algo medido como uma força, que ao contrário do que se tem por liberdade de escolha, leve o indivíduo a buscar o cume que não se alcança, e que torna-se um poço sem fundo, onde a cobiça e o desejo desenfreado é o limite imaginário, que quando se atinge, verifica-se que algo ainda falta, lançado-se pois à buscar novas metas e objetivos imaginários, muitas vezes, intangíveis.
A Palavra de Deus diz em Eclesiastes 6.8 e 9 Pois que vantagem tem o sábio sobre o tolo? Ou que tem o pobre que sabe andar perante os vivos? Melhor é o que os olhos vêem do que o vaguear da cobiça: também isto é vaidade e desejo vão.
Como tudo na vida é passageiro, o que leva o homem a buscar algo que torna-se intangível ? Que satisfação pode ter algo que não satisfaz? Qual o aproveitamento na certeza que há de vir a qualquer momento, ceifando tudo o que possa ter adquirido? Simplesmente o contentamento de ter tentado? E isto não é só na área monetária, mas também na cotidiana às vidas de todo cidadão que respira, do mais pobre ao mais rico.
Afinal o que seja ambição? Diz-se que o ambicioso não consegue enxergar o cume do seu sucesso, nem quando o atinge. Entretanto, atribuí-se como ambição, a determinação, a garra, a ousadia, algo que move o indivíduo a buscar atingir algo ou sobressair-se sobre outrem. Mas, ambição, poderia ser algo além do que um simples conceito da conduta humana. É algo impregnado no caráter, na maneira de ser e viver dos indivíduos, sem que possa ser danoso a si próprio ou que venha interferir na maneira de ser dos semelhantes. Certamente, a ambição estaria atrelada ao “faro” e a própria vida que cada cidadão está determinado à viver. A ambição é algo que explode em determinado momento, e vem com característica particular a cada um, podendo ser masculino ou feminino. Nos homens advêm com mais intensidade que às mulheres.
Não que as mulheres sejam desmerecedoras, mas numa sociedade em que a igualdade não é levada muito em conta, aquela que busca sua realização pessoal, é tida como portadora de disfunções mentais e distorções comportamentais, podendo ser taxadas de pessoa mal amada. Ambição, pois, é um impulso humano que leva o indivíduo a buscar atingir seus objetivos e sonhos, com seus próprios esforços. Num grupo de pessoas, sempre haverá aquelas que sobressair-se-ão sobre as outras, que procurarão batalhar por algo melhor a si ou as pessoas que lhe são próximas.
A cobiça já não pode ser concebida com o mesmo conceito de ambição, visto ser um ardente desejo de possuir algo, nem que para isto se passe como um trator sobre o semelhante. Um homem cobiçoso é doente em sua maneira de agir. Torna-se cego em seu desejo. É onde entra a ação do inimigo, que procura obstruir a mente, causando o embaraço pela ação praticada. O ambicioso tem conhecimento de suas fraquezas, sabe quando passa dos seus limites, sabe quando age fora da ética, sabe quando bancou o mau-caráter e sabe principalmente quando banca o ganancioso, que também pode ser outra característica do ambicioso.
Enfim, ter ambição a algo ou alguma coisa, tem um preço a ser pago, e principalmente exige um custo emocional, quantificado pelas ações desenvolvidas. Eis que para se fazer luz, necessário saber dosar quantidade com qualidade, ou seja, prever situações e buscar refrear impulsos, sempre pautados pelo emprego da ética e integridade, respeitando sempre o seu próximo como se ele fosse superior a si mesmo.
O medo de errar, o medo de ser desprezado pelos seus iguais, tem levado alguns a desejar a todo custo, ser alguém, além do que se imagina demonstrar perante a sociedade ou o meio que vive. A persistência contra o fracasso, a ânsia do reconhecimento, isto em qualquer área humana, pode levar a pessoa natural a ser o que ela não gostaria em ser. Daí podendo advir a decepção por não obter suas metas imaginadas ou os objetivos traçados, tornando-a uma pessoa desagradável e antipática ao meio em que atua, enredando-se nos seus desatinos, ocasionando à ela mesma a sua desgraça. Na Palavra de Deus, teve um moço que enredou por este caminho e obteve a paga pela sua avareza, foi quando Geazi foi atrás de Naamã e procurou receber as benécias do que o Poder de Deus havia propiciado ao siro Naamã. Daquilo que Eliseu recusou, quis para si e buscando obter vantagens, contraiu por maldição a lepra da qual havia sido curado o seu benfeitor Naamã. Conforme consta em 2 Reis 5.22 à 27 (ler).
Dá-nos a entender que Deus não se deixa escarnecer e que aqueles que O temem, devem saber que com Ele não se brinca. Diz a sua Palavra que ORENDA É A COISA CAIR NAS MÃOS DO DEUS VIVO.
Há os que nos dias atuais, tiram proveito da fé alheia, utilizam do púlpito, ou com suas palavras falazes vêem o meio de angariarem para si riquezas, opulências e prestígios. Lobos vorazes, que consomem o rebanho do Senhor. Dimensionam a noite em suas camas, aonde poderão empregar suas maquinações. Sem considerar que tanto o agir com o realizar no meio do povo de Deus é pela Vontade do próprio Deus. Tiradores de proveito da fé e do Poder do EVANGÉLHO de CRISTO. Paulo falava que ele sendo emissário de Cristo não tirava proveito do evangelho que pregava, senão, o que falava era para salvação dos seus ouvintes. Vejamos então o que nos recomenda praticar as Sagradas Palavras, quanto buscar as coisas de Deus não com desejo somente do que d’Ele possamos obter, mas buscar pelo que Ele é:Ezequiel 33. 30 Quanto a ti, ó filho do homem, os filhos do teu povo falam de ti junto aos muros e nas portas das casas; fala um com o outro, cada um a seu irmão, dizendo: Vinde, peço-vos, e ouvi qual é a palavra que procede do SENHOR.Eles vêm a ti, como o povo costuma vir, e se assentam diante de ti como meu povo, e ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra; pois, com a boca, professam muito amor, mas o coração só ambiciona lucro. Eis que tu és para eles como quem canta canções de amor, que tem voz suave e tange bem; porque ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra.
O que temos procurado perante Deus são satisfações pessoais, ou procurado entender da sua Justiça? A que deus nós temos crido? Aquele que pode conceder dádivas ou Aquele que tem poder para condenar a alma de pois de estarmos mortos?
Portanto ter ambição não é propriamente um pecado, mas saber exercitá-la sem que se desrespeite aos outros é aproveitável.
Ter ambição como idolatria, buscar com avareza o domínio de mais posses, leva o homem a ser o seu próprio deus em suas realizações pessoais. O Deus que dá vida, que propicia deixa de ser o Alvo, de ter a atenção. Porque Este, não habita em coração avarento, e os avarentos, não tem participação no seu reino, somente serão encontrados na sua justiça. A paixão pelo poder leva o indivíduo a ser o centro, e atingindo este patamar, nada mais lhe satisfará, inclusive seu apetite ao convívio familiar.
A ânsia do querer cada vez mais, expõe a criatura como objeto, inclusive nos apelos de vendas onde a arte, a plástica, o corpo, é tido como mero instrumento de consumo num apelo sexual e libidinoso que se torna danoso aos conceitos bíblicos e comportamentais. A ambição em si não tem limites se não for exercida com moderação, com aptidão à ética e respeito ao indivíduo como pessoa. Numa sociedade relativista como a que vivemos, o indivíduo torna-se mero objeto de consumo, quando valores são desprezados, e os mandamentos e princípios da Palavra de Deus praticados como meros meios de poder de influencia. Onde a sujeição aos mandamentos deva ser vivida e a resistência ao inimigo exercida. Que Deus nos GUIE sempre em sua JUSTA JUSTIÇA.
Valdir Carvalho – Cascavel –PR – 06.8.2008