Ev. Isaías de Jesus
Texto Básico:- João 17: 11 – 18
Texto Áureo:- Romanos 12: 2
INTRODUÇÃO
Não vos escrevi porque não soubésseis a verdade, mas porque a sabeis, e porque nenhuma mentira vem da verdade,.. Portanto, o que desde o princípio ouviste, permaneça em vós. Se em vós permanecer o que desde o princípio ou vistes, também permanecereis no Filho e no Pai = (1 Jo 2.21,24,25).
Muitos são os fiéis, em Cristo Jesus, que vêm sentindo a necessidade de um retorno aos padrões doutrinários, Ministros e crentes de todos os segmentos evangélicos ressentem-se dos efeitos que o afastamento da Palavra de Deus vem produzindo. Sente- se o gemer constante das almas piedosas que são obrigadas a conviver com os que já não acreditam na pureza, na santidade, no poder regenerador do sangue de Jesus, nas obras efetuadas pelo Espírito Santo etc.
1 – Defendendo os Princípios
Quando falamos de princípios bíblicos, reportamo-nos, sem dúvida, ao padrão doutrinário expresso na Palavra de Deus, e esposado pela Igreja de Cristo. Somos por Deus, convocados à observância e defesa de todos OS postulados bíblicos.
Mas carece a Bíblia de alguém que a defenda? Não é ela a maior autoridade sobre a terra? E claro que a defesa aqui referida não é a do ponto de vista tutelar, protecionista ou socorrista. Neste sentido, a Palavra de Deus independe de nosso concurso; ela mesma garante a sua integridade.
A defesa que se faz dos princípios bíblicos é explicada na manifestação do nosso desejo de guardar e observar todo o ensinamento bíblico, tendo-o como regra de fé e prática (Rm 15.14). E, nesta certeza, não permitiremos que tendências mundanas e malignas arrastem-nos às trevas do pecado.
Defendemos os princípios que norteiam o viver da Igreja desde o seu início, porque eles são, antes de tudo, bíblicos.
Em Atos 2.42, lemos que a Igreja “permanecia na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações”. Os princípios que desde o início de nossa fé abraçamos são bíblicos; e, como tais, têm de ser cridos, acatados, obedecidos e jamais questionados ou vilipendiados.
Eles são bíblicos porque oferecem as bases para a nossa comunhão com Deus, e realçam o atributo maior do Pai Celeste a santidade. Afinal, como disse o apóstolo Pedro, “a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” =(2 Pe 1.20,2 1).
Entendemos que só o Espírito Santo tem autoridade para dar a legítima interpretação ao conteúdo bíblico, Acreditamos também que o ensinamento que conduz a Igreja, ou uma pessoa em particular, a viver de modo mais agradável a Deus, está realmente em harmonia com os padrões bíblicos. Cabe, aqui, esclarecer que a própria Bíblia cuida de reprovar toda a extravagância e abuso que vêm sendo ensinados pelos falsos mestres.
Tais ensinamentos nada têm a ver com os princípios aqui defendidos.
Se aqui trouxéssemos o testemunho dos heróis da fé, mencionados em Hebreus 11, todos eles diriam, com muito entusiasmo, que valeu a pena viver e conservar os princípios ensinados pelos profetas e apóstolos.
O princípio da humildade (Mt 11.29). O princípio da obediência (FI 2. 8). O princípio do respeito, reverência e autoridade (Mt 21.13,18,19). Enfim, todos esses princípios e muitos outros que a Bíblia nos apresenta.
A observância dos princípios gera benefícios incalculáveis à Igreja e ao crente em particular; sua inobservância produz conseqüências também incalculáveis. Não há meios termos: ou estamos com o Senhor Jesus para dEle recebermos todo o bem, ou estaremos totalmente desligados dEle para uma vida totalmente infrutífera. Foi Jesus quem disse: “Sem mim nada podeis fazer” =(Jo 15.5).
Não é suficiente crer nos princípios; é necessário viver neles. Sentimos grande tristeza e até dores de parto, como diria Paulo, quando vemos irmãos queridos e até mesmo obreiros da Seara de Cristo, totalmente divorciados do modelo bíblico. Pois esta foi a causa de toda prosperidade de que tem gozado a obra de Deus. O que estará acontecendo quando alguém declara que já não é usado por Deus como no princípio? Será que Deus se arrependeu de havê-lo usado? Será que o braço de Deus se encolheu?
Tenho para mim que tal pessoa acha-se mui longe dos princípios que lhe deram tantas vitórias no Senhor. O mesmo ocorre com muitas igrejas. O escritor Emílio Conde classifica-as de “igreja sem brilho”. O vigor espiritual já não existe. Milagres? É coisa do passado. Alegria? Só da carne. Esperança? Só no dinheiro e nas coisas terrenas.
Se o resultado final de tudo o que acontece com você no plano espiritual é negativo, volte sem mais tardar às origens da fé em Deus. Considere que o voltar aos princípios neotestamentários não é um mero ato de religiosidade e tradição; é uma questão de vida para quem quer viver, ou de morte para quem despreza o conselho do Senhor: “Se me amardes guardareis os meus mandamentos” = (Jo 14.15).
Seja um ardoroso defensor dos princípios bíblicos; viva-os com toda humildade.
2 – O resgate Dos Padrões bíblicos Para a igreja que devemos ter e manter são.
2.1 – O Princípio da Oração
A oração constitui, para o crente, fator preponderante de vitória sobre os poderes do mal; é o meio pelo qual o cristão entra em comunhão com Deus.
Alguém considerou a oração o respirar da alma. A Bíblia nos ensina o princípio da oração, e oferece-nos Jesus como o principal modelo de súplica e intercessão. Muitos ainda não descobriram o segredo da vitória espiritual, porque simplesmente desconhecem o segredo da oração.
O número dos que oram é tão pequeno que chega a nos assustar, pois as forças do mal estão sempre ativas. E, sem oração não há possibilidade de triunfo. A Bíblia nos admoesta: “Orai sem cessar” (1 Ts 5.17). Isto significa que, ao orarmos sem cessar, obtemos permanentes vitórias sobre o pecado, e conservamos a nossa comunhão com Deus. E, conseqüentemente, fruímos paz, alegria e a presença do Espírito Santo. Glória a Deus!
E do interesse do Pai celestial manter permanente contato com seus filhos. E esta é a nossa grande necessidade! E impossível alguém desfrutar da comunhão com Deus se não levar uma vida de oração. Disse um sábio, certa vez, que só nos comunicaremos bem com os homens se nos comunicarmos bem com Deus.
2.2 – O Princípio da Fé
Ora a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem; ora sem fé é impossível agradar a Deus = (Hb 11.1,6).
O exercício da verdadeira fé precisa hoje ser ativado em todas as esferas das atividades do povo de Deus, tanto no que respeita às igrejas quanto na vida em particular de cada crente. A fé é matéria muito discutida não só nos meios religiosos, mas também nos sociológicos, psicológicos e noutros campos do saber humano. Tem-se dado à fé uma acepção equivocada, classificando-a apenas como religião ou, como alguns entendem, crendice.
Muitos usam o termo fé para atender a propósitos puramente naturais como a criação de organizações que visam apenas a satisfação carnal e a solução de problemas meramente temporais. Contudo, o nosso texto acima diz clara e enfaticamente que a fé é o fundamento das coisas que se esperam, e tem a finalidade de agradar a Deus, pois sem fé é impossível agradar-lhe.
Necessitamos da fé para termos paz com Deus, já que sem fé não podemos agradar-lhe. A Bíblia diz que somos justificados pela fé, e passamos a ter paz com Deus através de nosso Senhor Jesus Cristo = (Rm 5.1).
2.3 – O Princípio da Obediência
De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus… E achado na forma de homem humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz = (Fp 2.5,8).
Ternos fortes motivos para sermos obedientes à vontade de Deus. A Bíblia diz que, agora, somos filhos de Deus; e, com efeito, o somos, pois o Espírito Santo testifica com o nosso espírito que SOMOS filhos de Deus (1 Jo 3.2; = Rm 8.16). Nesta condição, a nossa obediência deve ser natural, espontânea, constante e inquestionável. Basta tão-somente a condição de filhos para que sejamos imbuídos do sentimento de obediência. Mas tal nem sempre ocorre.
2.4 – O Princípio do Amor
Agora, pois, permanecem a [é, a esperança e a caridade, estas três; mas a maior destas é a caridade = (1 Co 13.13).
Tenho, porém, contra ti que deixaste a tua primeira caridade = (Ap 2.4).
O amor é o distintivo do cristão. Jesus disse: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13.35). É impossível sustentar a condição de discípulos de Cristo sem a evidência do verdadeiro amor. Muitos poetas e pensadores têm feito grandes esforços para exprimirem o significado do amor. Infelizmente, o talento humano não pode atingir a sublimidade do amor, porque o amor não é produto da imaginação ou resultado de um aprendizado ou exercício acadêmico.
O amor é mais que um sentimento; é a manifestação do próprio Deus movido no ser humano sob a influência do Espírito Santo.
Quando o apóstolo João afirmou que Deus é amor, tinha toda razão, pois ele mesmo havia experimentado o sabor deste tão elevado sentimento. O amor não consiste em palavras, mas em demonstrações palpitáveis e efeitos permanentes. O texto de ouro da Bíblia (Jo 3.16) afirma que “Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho…” Vemos, pois, que o amor foi demostrado pela ação de dar, Deus se revelando a si mesmo ao mundo, na pessoa de seu amado filho, é a personificação e verdadeira do amor.
2.5 – O Princípio da Santificação
Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor (Hb 12,14).
Sede santos, porque eu sou santo = (1 Pe 1.16).
Este tema constitui, para o verdadeiro cristão, fator de grande alegria, porque, quando tratado à luz da Palavra de Deus, traz edificação espiritual. Mas para os que estão vivendo em desalinho, tal assunto provoca comichão nos ouvidos. A santificação recomendada pela Bíblia nada tem a ver com os preceitos meramente humanos (Cl 2.22,23). A santificação verdadeiramente bíblica leva-nos a conformar o nosso caráter com o caráter de Deus.
O processo de santificação não pode ser completado neste corpo de imperfeições. Todavia, é neste corpo de imperfeições que devemos glorificar a Deus através de uma vida santa e irrepreensível. A perfeição, por conseguinte, somente é alcançada quando o crente parte desta vida para estar com o Senhor. Quem já se encontra nas mansões celestiais acha-se consolado de todas as lágrimas, incertezas e tropeços. Já está seguro na gloriosa presença do Deus eterno. Ou seja: já alcançou o grau máximo de santidade que o homem pode alcançar = (Fp 3.7-14).
2.6 – O Principio do Trabalho Espiritual
Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também = (Jo 5.17).
Filho, vai trabalhar hoje na minha vinha = (Mt 21.28).
A vida do Senhor Jesus foi marcada pelo trabalho (Is 53.3). Ele é o Servo de Jeová. Ele mesmo o disse: “O filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e para dar a sua vida em resgate de muitos” (Mt 20.28). O apóstolo Paulo, por sua vez, fala de sua experiência, e recomenda-nos a que não sejamos vagarosos, servindo sempre ao Senhor (Rm 12.11). isso quer dizer que não devemos fazer o trabalho de Deus relaxadamente. Devemos trabalhar com ânimo pronto.
Quando Deus quer usar alguém, chama quem já está ocupado em algum mister. Os vocacionados a formar o quadro de discípulos eram homens que estavam ocupados em seus vários labores. Isso prova que Deus não se utiliza de quem não gosta de trabalhar. O valoroso Gideão, que tinha entre outras qualidades a de ser um homem trabalhador (Jz 6.11), foi encontrado pelo anjo do Senhor malhando trigo no lagar. Eliseu, como bom agricultor, também estava ocupado quando foi chamado a ser profeta do Senhor (1 Rs 19.19-21).
Davi estava no campo cuidando do rebanho, quando foi chamado à presença de Samuel a fim de ser ungido rei sobre Israel = (1 Sm 16.11-13).
A relação dos que foram chamados e usados por Deus para trabalhar, estando já trabalhando, tornar-se-ia muito grande se continuássemos a mencionar os nomes dos que se deram ao serviço do Rei.
Desejamos focalizar aqui a urgente necessidade que há de se realizar o trabalho mais importante que existe. Este trabalho foi conferido aos homens e mulheres que tiveram experiências com Jesus, e que sabem que Deus aguarda que cada um de nós cumpra a parte que lhe toca na seara do Mestre. E lamentável vermos tantas pessoas buscando os próprios interesses, enquanto o trabalho de Deus é relegado a segundo plano. A alegação de que não se tem tempo para dedicar ao serviço do Mestre têm sido a tônica em nossos dias. O que sobra é o que muitos têm “consagrado” a Deus.
2. 7 – O Princípio da Evangelização
Ide por todo mundo, pregai o evangelho a toda criatura = (Mc16: 15)
No capítulo anterior, vimos que precisamos retornar urgentemente ao princípio bíblico do trabalho espiritual. O mesmo assunto é tratado, aqui, de forma específica, pois a evangelização constitui o trabalho primacial da Igreja do Senhor Jesus.
Trabalho, aqui, é antes de mais nada evangelização.
Não há tarefa mais importante destinada à Igreja do Senhor
Jesus que anunciar a salvação através de Cristo.
A proclamação das Boas Novas foi a principal ocupação da Igreja Primitiva. Essa gloriosa atividade foi de tal modo desenvolvida pelos fiéis naqueles primórdios que, em aproximadamente dois anos, a Ásia Menor já havia sido alcançada. Pois o Espírito Santo mobilizou a Igreja a executar a maior e mais nobre de todas as atividades, Uma igreja cheia do Espírito Santo não ficará indiferente a esse clamor. O mesmo se pode dizer de cada crente em particular.
2.8 – O Princípio da Temperança
Temperança, para alguns, é o resultado de um caráter equilibrado, rijo e capaz de se sobrepor a diferentes situações.
Para outros, é o estado quase mórbido verificado em certas pessoas que vivem indiferentes a tudo e a todos, mesmo quando o momento requeira diligência e energia, Outros ainda pensam que temperança é a faculdade psíquica de se impor racional e consensualmente.
À luz da Palavra de Deus, temperança não se limita às idéias e aos conceitos acima referidos. Basta irmos a Gálatas 5.22 e a Tito 2.2. Em ambas as passagens, a temperança, também chamada domínio próprio, é a capacitação espiritual que todo cristão deve possuir a fim de poder andar em espírito e não cumprir as concupiscências carnais (Gl 15.16; = Rm 8.1). É uma capacitação espiritual, porque se trata de um componente do fruto do Espírito (Gl 5,22), Sendo um elemento espiritual, carece de uma ação vigorosa do Espírito Santo.
Quando o crente verifica que a sua vida já se afastou do glorioso princípio da temperança, que já não é capaz de se sobrepor às ciladas do diabo e já não encontra firmeza para impedir que o ego domine todo o seu ser, é hora de retornar ao princípio da temperança. Temos de, humildemente, confessar ao Senhor que somos incapazes de alcançar o triunfo sem o auxilio do Espírito Santo.
2.9 – O Princípio da Adoração
Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade (Jo 4.23,24).
Adoração é o ato de prestar culto a Deus como reconhecimento da sua majestade, soberania, poder e glória como Senhor de todas as coisas.
A adoração deve ser praticada com profundidade espiritual.
Não pode ser um mero procedimento religioso, um ritual mecânico, costumeiro e sem sabor (Mt 4.10; Ap 22.9), Uma adoração que apenas satisfaça a quem a apresenta não passa de exteriorização de sentimentos puramente humanos sem qualquer conotação ao culto divino. Mesmo sendo a adoração fator de muita alegria, ela não tem a finalidade principal de levar o ser humano a sentir-se prazeroso, pois o seu intento maior é agradar a Deus, alvo da nossa adoração.
Algumas pessoas têm-se entregado à prática de falsos cultos e louvores que só servem para o deleite da carne, e jamais para a exaltação do Senhor Deus. Causa tristeza verificar que o verdadeiro princípio da adoração foi deixado para trás na vida de muitos filhos de Deus e igrejas. A volta a este princípio constitui inadiável necessidade, pois a adoração a Deus não é uma opção; é parte do nosso viver em Deus. Ela tem de estar presente em todos os momentos de nossa vida, mesmo nas circunstâncias mais adversas.
A adoração a Deus não é algo para ser lembrado e praticado somente quando nos encontramos saudáveis, alegres e prósperos. Ela deve ser evidenciada em meio às agruras da vida. E quando isso acontece, Deus toma prazer em nós, debelando todos os nossos males. A adoração representa uma grande força em nossas vidas pelo simples fato de que, através dela, podemos estar em permanente contato com o nosso Deus. E, Deus, satisfeito conosco, dispensa-nos todos os seus favores.
Temos na Bíblia maravilhosos exemplos de vidas que se dedicaram à adoração. Os salmistas foram enfáticos em convocar o povo de Deus para a adoração =(Sl 95.6; 96.9). Como já dissemos, o ato de adorar a Deus tem perdido o seu real sentido em muitas vidas. Não raras vezes, aquilo que alguns pretendem ser adoração não passa de um disfarçado carnaval musical, produto de uma emoção sem qualquer significação espiritual. Não passa de pura exibição.
A adoração deve compor-se de todos os nossos bons procedimentos em relação a Deus. Quando cantamos, devemos fazê-lo em louvor sincero. Mas quando é que o louvor é adoração? A Bíblia nos responde: “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais; cantando ao Senhor com graça em vosso coração” (Cl 3.16).
O louvor é adoração quando cantamos com graça em nossos corações. Hoje existem muitos cânticos em nossos púlpitos e auditórios, porém o louvor acha-se ausente em muitas dessas ocasiões. Pois o cântico não é executado com o tempero da graça; deixa por isto de ser adoração para ser apenas apresentação. Não passa de uma exibição carnal com fins lucrativos.
Não somos contra os que, para levarem a cabo os seus projetos na obra de Deus, vendem suas produções musicais.
Façam-no, porém, como adoração a Deus (Mt 6.33). E tempo de pedirmos ao Senhor um despertamento que gere verdadeiros adoradores, sejam eles solistas, conjuntos ou corais. Que todos tenham como meta principal adorar ao Rei dos reis.
Muitas pessoas têm sido tocadas quando da execução de um hino, evidenciando, assim, que houve a genuína adoração a Deus.
A adoração também é ingrediente indispensável à oração. Muita gente ainda não descobriu o segredo de adorar a Deus em suas orações. Ocupam-se tão-somente em pedir e, não raramente, apresentar queixas e palavras sem qualquer sentido, E claro que devemos rogar ao Senhor que nos supra as necessidades. E bíblico fazê-lo. Mas a oração não se compõe apenas de pedidos. Quando um dos discípulos pediu a Jesus que lhes ensinasse a orar(Lc 11.1-4), o Senhor apresentou-lhes um lindo esboço, onde o primeiro elemento foi a adoração: “Pai, santificado seja o teu nome”.
Em nossas orações, a adoração testifica da presença do Senhor. Orar sem sentir a presença do Senhor não passa de tarefa enfadonha e sem fruto.
E se queremos, de fato, que a presença de Deus seja real quando oramos, devemos adorá-lo em espírito e em verdade. A Bíblia diz que Deus habita entre os louvores do seu povo (SI 2 1.3).
A adoração torna eficaz o ato de orar. E a força vital proveniente da alegria pela presença de Deus: na presença do Senhor, há abundância de alegria (Sl 16.11).
Veja como um ato depende do outro. Nesta harmonia sublime, vamos cumprindo o nosso culto a Deus, e o poder do Altíssimo vai se manifestando em nós. E tempo de retornarmos ao princípio da sábia adoração através de nossas orações e súplicas. Se você ainda não desfruta da presença do Senhor, comece hoje mesmo a reservar lugar para a adoração nos seus momentos de oração a Deus.
A adoração nos cultos precisa e deve ser melhor cultivada. Muitas pregações não têm o selo da adoração a Deus, pois os oradores se preocupam mais em oferecer uma oratória que impressione os seus ouvintes do que glorificar a Deus. O Senhor deve e merece ser adorado durante todo o culto. Não há lugar para exaltação de quem quer que seja. Somente o Senhor deve ser adorado. Culto sem adoração é reunião que deixa a todos frustrados e sem os devidos frutos espirituais.
2.10 – O Princípio da Contribuição Fiel
O mais completo e sadio critério para a contribuição financeira para o Reino de Deus encontra-se na Bíblia Sagrada. Certamente, este princípio nada tem a ver com os métodos usados pelos exploradores da boa fé dos crentes. E por todos sabido que grande número de aventureiros e mercenários têm surgido nestes últimos dias, Tais elementos acham-se totalmente desprovidos do temor de Deus. Aliás, eles não têm Deus, pois o seu deus é o ventre (Fp 3.19).
Eles se ocupam da comercialização das coisas sagradas, num flagrante desrespeito, não só à pessoa humana, mas principalmente aos princípios bíblicos que, prudente e sadiamente, foram observados pela Igreja Primitiva.
Contribuir para o trabalho de Deus não pode ser encarado como um mero costume ou tradição. Não é também uma mera filantropia ou um ato de caridade; é um elevado privilégio: leva- nos a participar do qie há de mais importante sob os céus a obra de Deus.
Contribuir fielmente é também a recomendação da Palavra de Deus: “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós uma bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança. E, por causa de vós, repreenderei o devorador, para que não vos consuma o fruto da terra; e a vide no campo não vos será estéril, diz o Senhor do Exércitos” (Ml 3.10,11).
Como se vê, a maior autoridade sobre a contribuição financeira para o Reino de Deus é a própria Palavra de Deus. Logo, o assunto tem padrões bem definidos, não cabendo a ninguém estabelecer o seu próprio critério ou procedimento.
Este sagrado princípio diz textualmente que cada contribuinte deve trazer fielmente (todos) os dízimos à casa do Senhor. Não há lugar, pois, para que alguém decida administrar, por conta própria, o dízimo do Senhor.
Quem assim o faz, labora em grave erro; primeiro, por não lhe competir tal administração; e, em segundo lugar, porque faz julgamento temerário e descabido da direção da igreja, único órgão que está credenciado bíblica, eclesiástica e legalmente para administrar as finanças da comunidade dos santos.
O crente que alega que não entrega o dízimo ao tesouro da igreja porque esta faz mal uso das contribuições acha-se em grave erro. E um procedimento incorreto, sem qualquer respaldo bíblico. Esta ação gera graves prejuízos à vida de quem a pratica, transferindo resultados negativos à própria obra de Deus.
A vantagem da contribuição fiel é de tal proporção que, nestas breves linhas, não poderemos expressar-lhe toda a grandeza. Vejamos o que o próprio Deus fala quanto ao contribuinte fiel, Ele nos autoriza a fazer prova dEle. Não é isso o que nos produz a maior segurança? Deus quer que tenhamos a mais absoluta confiança nas suas promessas, pois nos coloca à disposição saídas amplas e gloriosas para que nos mantenhamos firmes nos caminhos de suas infalíveis promessas. Aleluia!
2.11 – O Princípio da Gratidão
Bendize, á minha alma, ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome. Bendize, á minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios = (Sl 103.1,2).
E sede agradecidos = (Cl 3.15).
Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome
de nosso Senhor Jesus Cristo = (Ef 5.20).
Como já vimos, é a gratidão um dos elementos indispensáveis da oração. E a qualidade que, embora abandonada por muitos em nossos dias, deve caracterizar todo o bom servo de Deus. E um princípio bíblico indispensável. Mas já nos dias de Cristo, este santo sentimento estava ameaçado de extinção.
Houve falta de gratidão quando o Senhor operou um milagre coletivo, curando a dez leprosos de uma só vez, O texto bíblico informa-nos que somente um voltou para agradecer (Lc 17.11-18). Os que não se deixaram tocar pela gratidão, espelham os que, hoje, se distanciaram deste princípio inserido em todas as páginas das Escrituras.
2.12 – O Princípio da Misericórdia
Porque eu quero misericórdia e não sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos = (Os 6.6).
Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso = (Lc 6: 36).
Bem-aventurado os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia = (Mt 5.7).
Os atos de misericórdia geram efeitos positivos e notáveis na vida de quem os exerce. Além do mais, devemos ser misericordiosos, pois sem as misericórdias do Senhor seríamos todos consumi- dos = (Lm 3: 22,23).
O assunto reveste-se da maior importância, pois a prática da misericórdia tem assentamento no coração do próprio Deus. Não se trata de efeitos psicológicos, nem de emoções mal administradas. A misericórdia é um princípio espiritual requerido e exemplificado por Deus. Não procede da simples religiosidade. Não é algo inerente à natureza humana, por ser esta pecaminosa. A misericórdia implica em seguir ao Pai que está no Céu. E agir com o próximo como Deus tem agido diuturnamente conosco. As suas misericórdias são novas a cada manhã.
Paulo admoesta-nos: “Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados” (Ef 5.1). Ser misericordioso implica, pois, em imitar a Deus na condição de filhos amados. A misericórdia é fruto do grande amor do Pai, que é o fator gerador de suas muitas e infindáveis misericórdias. O chamado à misericórdia não veio originalmente do púlpito, do gabinete pastoral ou do aconselhamento ocasional. Veio diretamente de Deus: “Porque eu quero misericórdia”
O exercício da misericórdia, como já vimos, é o efeito do amor. Logo, ninguém exercerá misericórdia sem o genuíno amor de Deus. Como o amor não é praticado só para com os bons, pois a legítima prova de amor foi demonstrada para com os maus através de Jesus, a misericórdia é uma ação que transcende nossos círculos mais íntimos. A verdadeira misericórdia é demonstrada quando nossos sentimentos, embora ultrajados, continuam a dispensar, de forma indistinta, o amor que o Senhor derramou em nossos corações através do Espírito Santo.
2.13 – O Princípio do Ministério Bíblico
E a unção que vós recebestes dele fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis(1 Jo 2.27).
O conceito de ministério, na esfera eclesiástica, tem ultrapassado os seus legítimos limites, e vem sendo desprezado no que t ange ao seu pleno cumprimento. Alguns acham que tudo é ministério, mesmo quando se trata de uma atividade comum a qualquer setor do labor humano, já outros subestimam elementos ministeriais do mais elevado teor bíblicos, relegando-os a meras ocupações seculares sem qualquer conotação espiritual.
A luz da Palavra de Deus definamos o que é o ministério cristão. Não é uma administração qualquer; é uma administração essencialmente espiritual. Paulo define alguns tipos de ministérios, O apóstolo fala, por exemplo, de ministérios como o de serviços. Diz ainda que a oração pode constituir-se num ministério quando quem a pratica o faz de modo sistemático, tendo-a como atividade constante e bem direcionada, Ana e Simeão dedicavam-se a esse tipo de ministério, O texto não diz que estava,m ocupados noutros serviços, mas serviam ao Senhor noite e dia com oração e jejum.
No Antigo Testamento, os ofícios ministeriais eram bem especificados.
Uns exerciam o sacerdócio, outros eram chamados para serem profetas, e ainda outros possuíam ministérios coadjuvantes como os filhos de Asafe, que tinham a seu cargo o louvor. Cabe aqui esclarecer que a organização do louvor pelos filhos de Asafe não era uma iniciativa particular, nem uma escolha pessoal. Era um ofício designado pelo próprio Deus dentro do sagrado mister.
Alguns elevam os dons naturais (talentos que Deus nos concede para serem utilizados no serviço do Reino) ao mesmo nível de qualquer outro ministério bíblico. Seus argumentos quase sempre são desprovidos de substância escriturística.
Entende-se por ministério bíblico a atividade definida pelas Escrituras que traduz e transmite um bem espiritual oriundo do próprio Deus, gerando frutos nas vidas e crescimento no Reino de Deus, e cujo propósito é sempre glorificar o Senhor.
O ministério bíblico tem parâmetros e segmentos bem diversificados quando tratados de forma genérica. Contudo, nestas notas, pretendemos focalizar o ministério bíblico como o labor espiritual exercido por homens de Deus que foram ardentemente chamados, investidos e credenciados para tarefas no Reino, tornando-se ministros da Palavra.
O cuidado com o ministério a princípio, parece atribuído somente ao corpo ministerial da igreja, contudo a Bíblia nos subsidia com elementos eficazes para afirmarmos que toda a igreja participa do ministério sagrado sem contudo serem todos classificados como ministros. As diferentes funções ministeriais, conforme Efésios 4.11, referem-se a capacitações dadas por Deus a serem desenvolvidas no serviço da igreja. E a igreja tem a obrigação de receber tudo aquilo que Deus lhe envia através do ministério. Logo, cabe a cada membro da igreja examinar sua posição em relação às ações ministeriais praticadas no meio da congregação. Através dessa observância, cada membro se edifica e o seu crescimento espiritual é notado.
Conclusão
Ao concluirmos os temas apresentados, somos conscientes que não foram focalizados todos os princípios bíblicos cuja observância é necessária a todo o povo de Deus. Reconhecemos que todo o conselho de Deus já se acha capitulado no Santo Livro, a Bíblia Sagrada, mas chamamos a atenção do leitor apenas para alguns desses princípios, esquecidos por alguns e desprezados por outros. Mas glória a Deus pelos que os conservam e neles se mantém, sendo capazes de promover o avivamento espiritual que resultará no retorno de todos os que se desviaram da fé e já se encaminham para o tenebroso terreno da apostasia,
O Senhor Jesus, ao ordenar que se escrevesse às igrejas da Ásia, dirigiu-se ao anjo da igreja (pastor), e a cada igreja foi proferida uma mensagem diferente, de acordo com a necessidade de cada uma delas, Algumas daquelas igrejas locais haviam abandonado a prática do primeiro amor, outra afastara-se do princípio da pureza espiritual, associando-se a Jezabel.
Outro motivo de desagrado ao Senhor era a primazia dos falsos judeus (crentes) no seio da congregação.
Finalmente, uma forte mensagem foi dirigida à igreja de Laodicéia, que se havia afastado vertiginosamente de todos os princípios recomendados pelo Senhor. Apesar do seu distanciamento, Laodicéia dizia-se capaz e bem situada nos propósitos de Deus, mas o Senhor a reputou por miserável, cega, pobre e nu = (Ap 3.17).
O desejo de Deus para estes dias é que todos observem toda recomendação bíblica. E, se alguém caiu, veja aonde caiu; se alguém distanciou-se do Senhor, em qualquer aspecto da vida espiritual, volte agora mesmo e tenha um reencontro com Ele, tornando-se um com a igreja de Filadélfia, que não deixou a palavra da paciência (perseverança) nem negou o nome do Senhor, apesar da pouca força; e, em conseqüência, também uma porta de graça e de bênçãos dos Céus foi mantida aberta diante dela.
Se alguém está afastado dos princípios da Palavra de Deus, esta é a hora de retornar. Faça-o com rapidez, enquanto a porta está aberta e a recuperação é viável.
Que o bom Jesus a todos ajude e que, por seu Espírito Santo, todos possamos manter a nossa boa confissão de fé e obediência à Palavra de Deus.
Que assim seja para a glória do Senhor. Amém
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS
Evangelista Isaias Silva de Jesus (auxiliar)
3° Trimestre 2008 – Tema: 12º Lição Resistindo os apelos do mundanismo
Bibliografia:- Retorno aos Princípios de Temóteo Ramos de Oliveira, 2 º edição 2000 – CPAD



