Isaías de Jesus
TEXTO ÁUREO = “Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus”. I Pe 4.10
VERDADE APLICADA = Os que receberam um determinado oficio para atuarem na obra de Deus devem ser fiéis na execução dos seus deveres.
LEITURA BIBLICA = I Co 4.1-5
INTRODUÇÃO
PAULO, MINISTRO E DESPENSEIRO DE DEUS
A reputação de Paulo foi injustamente criticada em Corinto. Ele usou muitos argumentos para ampliar a compreensão que a igreja tinha de seu ministério apostólico. Como despenseiro dos mistérios de Deus, ele sabe que, para que uma igreja funcione bem, seus lideres e membros devem estar em harmonia uns com os outros. Os capítulos 4 e 9 de 1 Coríntios tratam diretamente do papel de Paulo como apóstolo e nos mostram ser possível promover a compreensão entre obreiros e crentes em geral em todas as congregações.
1 – O APOSTOLADO É UM DOM MINISTERIAL PARA A IGREJA
Antes de apresentarmos Paulo como um despenseiro dos mistérios de Deus, traçaremos seu perfil apostólico, pois ele é um enviado de Deus ao mundo gentílico (At 9.15). Quanto ao termo apóstolo, Paulo o aplica informalmente, aos mensageiros das igrejas em missões (2 Co 8.23; Fp 2.25) e, mais formalmente, ao dom espiritual, concebido por Cristo aos que proclamam o evangelho (I Co 1.1).
a) Conhecendo a função de um apóstolo — Com respeito à identidade dos apóstolos e do período de seu ministério, entendemos que eles faziam parte de um grupo especial de pessoas consistindo nos doze. Tal termo foi concebido ao próprio Cristo (Hb 3.1), aos doze que participaram do ministério terrestre de Cristo (Mt 10.2) e a Paulo (Rm 1.1; 2Co 1.1). Eram homens de reconhecida e destacada liderança espiritual, ungidos com poder para defrontar-se com os poderes das trevas e confirmar o evangelho com milagres.
Os apóstolos precisavam ser testemunhas oculares (At 1.21,22; 10v 9.1). Eram dotados de poderes especiais, como credenciais de seu oficio (At 5.15,1 6). Eram também agentes especiais do reino, em sua autoridade e administração (Mt 10.5,6).
Eles recebiam um serviço e uma missão definidos para os dias de Jesus. Sendo assim, fora da era apostólica não há ninguém que possa ser qualificado como apóstolo, no sentido primário.
Os apóstolos foram enviados por Cristo, e o acompanharam em sua segunda viagem pela Galiléia. Cumpria-lhes duplicar o tipo de ministério que Jesus tivera em sua primeira viagem por aquele território. Esse ministério envolvia autoridade sobre os demônios, cura de enfermidades e a pregação da mensagem espiritual, sobretudo como preparação da chegada do reino de Deus (Mt 10.1). Mais tarde, receberam autoridade relativa à igreja (Mt 16.17; J0 20.21-23).
b) O apostolado no Novo Testamento — O vocábulo “apóstolo” também é usado no Novo Testamento em sentido especial, em referência àqueles que viram Jesus após a sua ressurreição e que foram pessoalmente comissionados por Ele a pregar o evangelho e estabelecer a igreja. Tinham autoridade ímpar na igreja, no tocante à revelação divina e à mensagem original do evangelho, como ninguém mais tem hoje (l Co 15.8). Os apóstolos originais do Novo Testamento não têm sucessores.
c) Os apóstolos foram úteis para o propósito de Deus — Apóstolos, como dons concedidos à igreja hoje, continuam sendo essenciais para o propósito de Deus. Se as igrejas cessarem de enviar pessoas assim, cheias do Espírito Santo, a proclamação do evangelho em todo o mundo ficará estagnada. Por outro lado, enquanto a igreja enviar tais pessoas cumprirá a sua tarefa missionária e permanecerá fiel à grande comissão do Senhor (Mt 28.18-20).
II – DEUS REPARTIU DONS À IGREJA
Paulo escreveu com autoridade apostólica: “Que os homens nos considerem como ministros de Cristo, e despenseiros dos mistérios de Deus” (2 Co 4.1). Ele é um servo a quem foi confiada à administração dos dons do Mestre. Uma posição tão importante é acompanhada de uma grande responsabilidade, não perante uma autoridade terrestre, mas perante o próprio Deus.
a) Paulo foi um despenseiro de Deus — O despenseiro é o empregado de confiança que zela pela correta utilização dos bens de outra pessoa. Assim, Paulo foi um despenseiro dos mistérios de Deus, ou seja, da auto- revelação que o Senhor confiou aos homens e é preservada nas Escrituras.
O conceito de despenseiro ou mordomo doméstico era mais familiar no mundo antigo, quando todo homem bem-sucedido tinha um mordomo que controlava seus negócios, plantações, dinheiro e escravos (Gn 43.16-25; 44.1-13; Mt 20.8). Espiritualmente falando, todos devem ser bons administradores dos dons que nos foram concedidos por Deus.
A idéia de despenseiro surge somente no Novo Testamento, quando o original grego utiliza o termo “oikonómos” que figura “o gerente da casa” (Lc 12.42; 16. 1,3,8; Gl 4.2; l Pe 4.10). Outra palavra grega para despenseiro é “epítropos” cujo sentido é encarregado (Mt 20.8; Lc 8.3; Gl 4: 2). No hebraico existem três expressões diversas, que se aproximam da idéia, a saber:
a) “Bem mesheq” que significa filho de aquisição, termo que Abraão usou para referir-se a Eliezer (Gn 15.2).
b) “Háishasher al”, equivalente a “homem que está acima”, usada em Gênesis 43.19, e que a nossa versão traduz por “mordomo”.
c) “Asher ai bayit”, “quem está sobre a casa”, que é usada em Génesis 44.4, e que a nossa tradução portuguesa também traduz por “mordomo”, Mais adiante desse sentido é o termo hebraico “Sar”, que aparece em l Crônicas 28.1 e que a nossa versão portuguesa traduz por “administrador”.
Sendo assim, Eliezer foi o administrador da casa de Abraão, o qual tomava conta da propriedade ou negócio de seu senhor. No Egito, José também se tornou um administrador (Gn 43.18,- 44.1,4), uma posição importante. Os reis, naturalmente, tinham os seus administradores (l Rs 16.9; Lc 8.3).
O cargo envolvia confiança e responsabilidade, porquanto um homem sempre se mostra cuidadoso acerca de suas possessões; e, quando tem muito para guardar, quer que homens de plena confiança o façam. Um auxiliar assim alivia muito o trabalho de um proprietário, quando faz seu trabalho bem feito, de modo apropriado.
b) Os cristãos são também despenseiros de Deus — Todos os cristãos são igualmente despenseiros do Senhor, que administram seus “bens”, não para proveito pessoal, mas em beneficio da família cristã, que é a igreja. As parábolas dos talentos e a das minas ilustram a responsabilidade de aperfeiçoar-se no uso dos dons e oportunidades que Cristo concedeu (Mt 25.14-30; Lc 19.19-28).
c) Os despenseiros devem cuidar dos seus bens – O despenseiro não deve esconder, nem desperdiçar os bens que seu Mestre lhe confiou. Antes deve administrar sua distribuição aos membros da família (l Tm 5.8). Nós, os cristãos, somos todos “despenseiros da multiforme graça de Deus” (I Pe 1.10).
Cada cristão deve usar seus dons para servir uns aos outros. Embora Paulo tenha sido encarregado da dispensação de um “mistério” revelado pessoalmente a ele (Ef 3.1-9), a designação “despenseiro” serve para todos nós.
III – DEUS REQUER FIDELIDADE DE SEUS DESPENSEIROS
Encarregado de providenciar o alimento e todas as coisas necessárias a uma grande propriedade, o despenseiro tinha que prestar contas, não aos seus colegas, mais a seu senhor. Não tinha de tomar suas próprias iniciativas, e muito menos exercer sua própria autoridade pessoal. Simplesmente tinha de cumprir as ordens do seu senhor e cuidar fielmente do serviço.
a) Devemos nos considerar responsável perante Deus — O apóstolo Paulo se considerava responsável, não perante os coríntios ou qualquer tribunal humano (l Co 4.3), mas somente perante Deus ( I Co 4.4).
Ele possuía uma consciência firme de que prestar contas de sua mordomia, e essa sensibilidade o tomava ainda mais responsável para as necessidades dos irmãos coríntios. Ele não vai privá-los do que Deus providenciou para eles. Como bom despenseiro, vai garantir que o alimento certo chegue na hora certa,
Infelizmente, assistimos hoje em muitos lugares, obreiros fazendo a obra de Deus relaxadamente (Jr 48.10).
A tragédia na vida de Geazi foi a ganância pelas riquezas (2 Rs 5.20-25) e a irresponsabilidade para com a determinação do homem de Deus (2 Rs4.38-44).
Hofini e Finias desprezaram a oferta ao Senhor (l Sm 2.17). A falta de zelo e amor para com a obra de Deus trará sério juízo para aqueles que receberam dons e ministérios de Deus. Ter senso de responsabilidade, espírito voluntário, desejo profundo de estar na perfeita vontade de Deus, fome e sede pela justiça, dentre outras coisas, fará a carreira e o ministério do obreiro frutífero, com resultados perenes e eternos.
b) Devemos ter uma consciência limpa perante o Senhor — O apóstolo Paulo nada tinha a oferecer aos coríntios, exceto o que ele havia recebido do seu Senhor. A sua motivação suprema consistia em “um dia ter de prestar contas a Deus”. Por considerar a si mesmo e aos outros como “despenseiros”, Paulo exorta os coríntios a que não se desviem para algum tipo de julgamento, não condenando, nem louvando. Deixem isso com o Senhor, pois ele fará o julgamento ( I Co 4.5).
Paulo está livre de qualquer sentimento de culpa acerca de como se desincumbiu de sua mordomia (1 Co 4.4). Mas uma consciência limpa não é por si mesma uma aquisição completa, pois somente Deus, o justo juiz, pode dar tal pronunciamento. Assim, Paulo fica mais que satisfeito em deixar seu caso nas mãos de Deus.
Vemos em Romanos 2. 14-16 como ele entende o papel da consciência. O próprio Paulo disse a Félix, governador romano da Judéia:
“Por isso também me ofereço por ter sempre consciência pura diante de Deus e dos homens” (At 24.16).
Mesmo que essa consciência o acusasse, havia dois segredos para a purificação e o fortalecimento, resumidos nestas duas passagens: “Muito mais o sangue de Cristo… purificará a nossa consciência de obras mortas para servirmos ao Deus vivo” (Hb 9.14).
c) Devemos esperar a recompensa somente do Senhor — Se o cristão merece ser elogiado por seu bom trabalho, certamente o Senhor há de honrá-lo, diz Paulo. Ele acrescenta:
“Nada julgueis antes do tempo”; em outras palavras, antes que todas as evidências sejam descobertas, e isso vai acontecer apenas quando o Senhor vier, trazendo à plena luz as coisas ocultas das trevas, e manifestando os desígnios dos corações ( I Co 4.5). Paulo sabia que o critério do Senhor, que finalmente esquadrinhará o seu ministério, não é o sucesso ou a popularidade, mas a fidelidade (l Co 4.2).
IV – O DESPENSEIRO SÁBIO FORNECE O ALIMENTO SAUDÁVEL
Em Lucas 12.42, Jesus diz: “Quem é, pois o despenseiro fiel e prudente a quem o senhor confiará os seus conservos, para dar-lhes o sustento a seu tempo?”. A sabedoria e fidelidade do despenseiro é medida pela sua habilidade em fornecer uma dieta nutritiva e variada a seus conservos.
a) A responsabilidade do obreiro como despenseiro — Todo pastor, obreiro ou professor da Escola Bíblica Dominical tem a incumbência de alimentar a família cristã com o que está na Bíblia Sagrada. Devem alimentar com as doutrinas bíblicas, tendo a unção do Espírito Santo, a fim de convencê-los.
Devem também fazer de tudo para que a refeição seja apetitosa, equilibrada e sem mistura de heresia. Devem ser criativos para fazer alimentos nutrientes (Jr 3.15). O despenseiro é um proclamador das verdades de Deus. E um arauto que recebe ordens quanto a que mensagem deve proclamar. Ele está participando da construção de um edifício, do qual tanto os fundamentos quanto o material necessário já foram providenciados (I Co 3.10-1 5).
Assim, é mordomo dos bens que lhes são confiados pelo dono da casa. Esta é uma das formas de fidelidade que se requer do despenseiro, a saber: fidelidade aos bens que ele administra. Ele precisa proteger e distribuí- los de forma diligente aos membros da família. O apóstolo, escrevendo para Timóteo, dá grande ênfase à sua responsabilidade de “guardar o depósito”. A preciosidade do evangelho foi confiada ao seu cuidado (I Tm 1. 11; 6. 20; 2 Tm 1. 12-14).
Paulo reconhecia que sua missão de despenseiro consistia em fazer a Palavra de Deus plenamente conhecida, isto é, pregá-la de maneira integral e completa. Ele pôde, realmente, dizer na presença dos anciãos da igreja de Éfeso: “Jamais deixei de vos anunciar todo o desígnio de Deus” (At 20. 27).
b) O despenseiro fiel não falsifica a Palavra de Deus — O despenseiro deve se esforçar para apresentar à igreja urna palavra de despertamento, que seja simples, ungida e profunda. Entretanto, não pode falsificar a Palavra de Deus para atingir este objetivo (2 Co 4.2).
Paulo exorta a Timóteo a ser um obreiro “que não tem deque se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2Tm 2.15). O termo “maneja bem” tem seu equivalente grego “orthotomeo” que se traduz por “cortar certo”, dando a idéia da atividade dos lavradores que “aram em linha reta”. Um bom despenseiro sabe como usar seu talento para a execução de uni eficiente trabalho (2 Tm 2.26).
c) O despenseiro deve pregar de modo simples e direto — O verbo grego “orthotomounta”, cujo sentido literal é “fazer um corte certo” era empregado para descrever a construção de estradas e aparece em Provérbios 3.6: “Ele endireitará as tuas veredas”. Nossa pregação e ensino devem ser tão simples e diretos, tão fáceis de entender, que sejam semelhantes a uma rodovia em linha reta. E fácil segui-la. Mas para isso, é preciso muito estudo, oração e dedicação.
V – ADMINISTRAÇÃO DOS DESPENSEIROS DE DEUS
Os servos do Senhor são cognominados de várias maneiras pelas Sagradas Escrituras. Neste estudo, enfocaremos a figura do “despenseiro”. Veremos, ainda, suas responsabilidades e incumbências, Estas podem ser divididas em quatro categorias de deveres.
1º) O despenseiro deve pregar a Palavra de Deus, pois é um administrador dos divinos mistérios, 1 Co 2.2. Esta obrigação tem que ser cumprida de boa mente. 1 Co 9.16-17, 1 Pe 4.10.
2º) O despenseiro deve cuidar da casa do Senhor, para prover adequadamente o seu sustento, Mt 24.45. E, isto significa apascentar o rebanho e ter cuidado dele. 1 Pe 5.2,3, At 20.28.
3º) O despenseiro deve entregar-se em defesa do Evangelho. Fp 1.16. Pois a Igreja é a coluna e firmeza da verdade, 1 Tm 3.15.
4) E, finalmente, o despenseiro deve administrar os bens materiais da casa de Deus. Rm 15.31. Foi por isso que Paulo pediu orações à igreja. Rm 15.30,31.
Neste estudo, porém, meditaremos sobre o último item, ou seja: a administração dos bens materiais da igreja.
VI – A ADMINISTRAÇÃO DOS BENS MATERIAIS NO MINISTÉRIO DO VELHO TESTAMENTO.
1- A Bíblia ensina que Deus é o dono de tudo. Sl 24.1, 1 Cr 29.11. Tudo que possuímos, de Suas mãos temos recebido. 1 Co 4.7 e 1 Cr 29.14. E, portanto, Deus nos ordena que lhe entreguemos os dízimos de tudo o que dEle recebemos. Ml 3.10. O patriarca Abraão fez isso, ao se encontrar com Melquizedeque, Hb 7.6 e Gn 14.20.
2. Mais tarde, Deus ordenou que o dízimo fosse incluído na lei, Lv 27.30.
Os dízimos eram entregues ao Senhor (Nm 18.20), no lugar determinado por Deus, isto é, à “casa do tesouro” (Dt 12.5,6 e Ml 3.10), onde eram administrados pelos levitas, que para isto foram indicados pelos sacerdotes, 1 Cr 26.20-22.
Os dízimos eram usados para cobrir as despesas do culto e serviam, também, para a manutenção da tribo de Levi, que estava no ministério da tenda da congregação, Nm 18.23. Os levitas não receberam parte na distribuição da terra de Canaã entre as doze tribos, mas eram separados para o serviço do culto de Deus. Por isto, o Senhor os sustentava com os dízimos dos filhos de Israel, Nm 18.20,21 e 24.
Os israelitas eram fiéis dizimistas. E, assim, o culto hebraico não sofria interrupção por falta de recursos materiais. No entanto, em tempos de declínio espiritual do “povo eleito” os dízimos começavam a rarear e os levitas eram obrigados a abandonar o serviço divino e procurar outros meios de sobrevivência. Nm 13.10. Porém, quando Israel se conscientizava sobre o seu dever, as atividades no Templo se reiniciavam, Nm 13.11-13.
E, quando havia necessidades extras, como por exemplo, reformas no Templo, eram realizadas coletas especiais e os bens arrecadados entregues aos superintendentes da casa de Deus,
2 Cr 34.9-12.
VII – O LADO MATERIAL DO MINISTÉRIO DE JESUS
Jesus era o líder absoluto do grupo de homens que o acompanhavam pelas terras da Palestina. Sem dúvida alguma, esse grupo era o embrião da Igreja que ganharia formas definitivas no Pentecoste. O divino Mestre, também, se preocupava com os pobres. Tanto é verdade que Ele mantinha uma caixa para assistir aos necessitados, e colocou Judas Iscariotes como tesoureiro, Jo 12.29. Este, contudo, não foi fiel, pois roubava o dinheiro destinado a socorrer os pobres,
Jo 12.6. E, Judas muito sofreu por causa de sua infidelidade.
Jesus falou mais de oitenta vezes sobre o dinheiro. Mas, fez severas advertências contra a avareza, Lc 12.15. Ele recomendou, ainda, aos seus discípulos que pagassem os dízimos,
Mt 23.23. E, finalmente, citou como exemplo, Abraão, que pagou o dízimo, Jo 8.39.
VIII – A ADMINISTRAÇÃO ECLESIÁSTICA DO NOVO TESTAMENTO.
1. Nesta dispensação, Deus escolheu a sua Igreja para a consecução de sua obra; ela é o corpo de Cristo, Ef 1.19-21. Deus é o verdadeiro dono da Igreja (1 Tm 3.15, 1 Pd 5.2) e, por isto, tem todo o direito de direcioná-la administrativamente. Este assunto, como se vê, é muito interessante, e a Bíblia, sobre ele, nos dá uma vasta orientação.
2. O assunto sobre a Administração pode ser dividido em duas partes:
a) De que maneira foram arrecadados os dízimos e ofertas na Igreja Primitiva?
b) Como foi feita a administração dos bens arrecadados naquele tempo?
Vamos, pois, estudar a primeira parte neste artigo e, no próximo, meditaremos sobre a segunda.
IX – A ARRECADAÇÃO DE MEIOS FINANCEIROS NA IGREJA PRIMITIVA
1. A Bíblia mostra que o Espírito Santo encarregou os apóstolos e anciãos da administração financeira da nascente Igreja. Esta é a primeira vez que se menciona algo sobre dinheiro no Livro de Atos: “… e o depositou aos pés dos apóstolos”, At 4.37. E, mais adiante, vemos que os recursos arrecadados em Antioquia foram enviados aos anciãos, At 11.30. Os apóstolos, em suas epístolas, de- talham ainda mais a doutrina que rege as finanças da Igreja.
A arrecadação de ofertas, de igual modo, foi uma iniciativa do colégio apostólico. Haja vista que Paulo e Barnabé supervisionaram a coleta de recursos em Antioquia para os irmãos necessitados da Judéia, At 11.30.
2) De que forma as igrejas foram orientadas pelos apóstolos com respeito à contribuição?
a) A contribuição era voluntária, 2 Co 8.3 e 9.7. No período do Antigo Testamento o dízimo pertencia à dura lei: Porém, esta durou até João Batista, Lc 16.16. E, agora, vivemos sob a lei da liberdade, Tg 2.18.
Isto não significa, entretanto, que devemos dar lugar à carne, Gl 5.13. E a avareza, que é idolatria, é um dos mais nocivos tipos de carnalidade, Cl 3.5, Gl 5.20 e Ef 5.3.
Mas, graças a Deus, temos os divinos ditames inscritos em nossos corações (Hb 8.10) e estamos prontos para obedecer a Deus. Ê por isso que contribuímos com alegria, 2 Co 8.1-4 e 9.7.
b) A contribuição era feita em proporção à renda de cada um, 1 Co 16.3. Subentende-se pelos ensinos de Jesus e dos apóstolos que o dízimo era a forma ideal de se contribuir. Paulo, por exemplo, mostra claramente que o dízimo do Velho Testamento pode ser aplicado no Novo, como forma de contribuição, 1 Co 9.13 e 14. E desta forma que todos somos colocados, pobres ou ricos, em pé de igualdade quanto à contribuição. Isto porque, para Deus, os dízimos dos pobres têm o mesmo valor que os dos ricos. E, todos, certamente, serão abençoados.
c) A contribuição devia abranger todos os crentes. Frisa o apóstolo Paulo: “Cada um.de vós…”, 1 Co 16.2. Naquele tempo era coisa estranha alguém deixar de contribuir. Isto porque, ajudar financeiramente à Igreja era um direito, um privilégio, do qual ninguém jamais devia abrir mão!
d) A contribuição era organizada e não esporádica. Hoje, muitos cooperam somente quando há premente necessidade. Mas, a esse respeito, a Bíblia é clara, 2 Co 9.7. A orientação apostólica assim determinava: “No primeiro dia da semana, cada um ponha à parte o que puder”, 1 Co 16. Se agirmos dessa maneira, nossa contribuição se tornará um santo e bíblico costume.
2. Quais eram os métodos que os apóstolos usavam para incentivar as igrejas à contribuição? Observemos que eles jamais usavam artimanhas ou ameaças, mas mostravam as bênçãos que acompanham os que dão com liberalidade.
a) O apóstolo Paulo enfatiza que a contribuição é um verdadeiro privilégio. Assim ele considerava a oferta uma “graça” (2 Co 8.7) e, bênção (2 Co 9.5). E por isto que a contribuição deve ser feita com alegria, 2 Co 9.7.
b) Paulo apresenta Jesus como nosso grande exemplo, pois Ele, que era rico, por amor de vós se fez pobre.., 2 Co 8.9.
c) Paulo, também, apresenta o exemplo de outras igrejas que estavam contribuindo, e as bênçãos que por isso recebiam, 2 Co 8.1-5.
d) O apóstolo, ainda, enfatiza que o ato de contribuir traz grandes bênçãos espirituais. E que, aqueles que semeiam em abundância em abundância também ceifarão, 2 Co 9.6.
Além do mais, Deus, que nunca fica devendo nada a ninguém, faz com que todos os que são fiéis contribuintes sejam “…enriquecidos de toda a beneficência”, 2 Co 9.11. E, como se isto não bastasse, o Eterno derrama sobre os fiéis “…uma bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança”, Ml 3.10.
3. As contribuições arrecadadas foram levadas à igreja por homens de confiança, 2 Co 8.18,19. E interessante observar a seriedade como os assuntos de ordem financeira eram tratados na Igreja Primitiva! Sobre este assunto ressalta o apóstolo Paulo: “Pois zelamos do que é honesto, não só diante do Senhor, mas também diante dos homens”, 2 Co 8.21.
Portanto, as contribuições eram cercadas de todo o cuidado possível; enfim, eram bem administradas. E os irmãos daquele tempo assim agiam, para que os de fora não os vituperassem, 2 Co 8.20.
Agora, todos esses detalhes estão sob a responsabilidade do pastor da igreja, ao qual cabe administrar os dízimos e ofertas, para que as necessidades da obra do Senhor sejam convenientemente supridas.
No próximo número deste periódico, meditaremos sobre a administração das contribuições.
X – O VERDADEIRO CARATER DOS MINISTROS DO EVANGELHO
Precauções contra o desprezo para com o apóstolo
O apóstolo reclama a consideração deles como seu pai espiritual em Cristo, e mostra a sua preocupação por eles.
Vv. 1-6. Os apóstolos eram somente servos de Cristo, mas não deveriam ser menosprezados. Haviam recebido uma grande missão, e por isto tinham um ofício honroso. Paulo tinha uma justa preocupação por sua reputação, mas sabia que aquele que pretende agradar os homens não será um servo fiel de Cristo. E consolador que os homens não sejam os nossos juízes definitivos. Não é fazer um bom juízo de nós mesmos, nem justificar-nos que nos dará finalmente segurança e felicidade. Nosso próprio juízo sobre a nossa fidelidade não é mais confiável que as nossas próprias obras para a nossa justificação.
Vem o dia em que os pecados secretos dos homens serão trazidos à luz, e os segredos de seus corações serão descobertos. Então, todo crente caluniado será justificado, e todo servo fiel será aprovado e recompensado. A Palavra de Deus é a melhor regra pela qual julgar os homens. Não nos envaideçamos uns contra os outros, pois devemos nos lembrar que somos instrumentos empregados por Deus e dotados por Ele com talentos variados. -
Vir. 7-13. Não temos razão para ser orgulhosos; tudo o que temos, somos ou fazemos que seja bom, deve-se à rica e livre graça de Deus. Um pecador arrebatado da destruição pela graça soberana será muito incoerente e agirá de maneira absurda se ensoberbecer-se das dádivas gratuitas de Deus. Paulo explica as suas próprias circunstâncias (v. 9).
Faz alusão aos cruéis espetáculos das diversões romanas, onde forçava-se os homens a cortarem uns aos outros em pedaços, para divertir o povo; e onde o vencedor não escapava vivo, mesmo que destruísse seu adversário, porque era conservado somente para mais outro combate, e até que fosse morto. Pensar que há muitos olhos postos sobre os crentes quando lutam com dificuldades ou tentações, deve estimular a coragem e a paciência. Somos fracos, mas somos fortes. Todos os cristãos não são expostos por igual. Alguns sofrem tribulações maiores do que outros.
O apóstolo começa a detalhar os seus sofrimentos. E quão gloriosas são a caridade e a devoção que os fazem passar por todas estas aflições!
Sofreram em suas pessoas e caráter como os piores e mais vis dos homens, como a própria imundícia do mundo, que deveria ser varrida; sim, como o resto de todas as coisas, a escória de todas as coisas. Todo aquele que deseja ser fiel a Cristo deve preparar-se para enfrentar situações que procurem levá-lo à pobreza ou ao desprezo. Seja o que for que os discípulos de Cristo sofram da parte dos homens, devem seguir o exemplo e cumprir os preceitos e a vontade de seu Senhor.
Devem estar contentes com Ele e por Ele, por serem submetidos a desprezos e abusos. E muito melhor ser rejeitado, desprezado e suportar abusos, como aconteceu com Paulo, do que ter a boa opinião e o favor do mundo. Ainda que sejamos desprezados pelo mundo como vis, ainda assim, seremos preciosos para Deus, reunidos por suas próprias mãos e colocados em seu trono.
Vv. 14-21. Ao repreender o pecado devemos distinguir entre os pecadores e os seus pecados. As desaprovações que são feitas com bondade e afeto podem transformar. Ainda que o apóstolo falasse com autoridade de pai, preferia rogar-lhes com amor. Como os ministros devem dar o exemplo, os outros devem segui-lo enquanto seguem a Cristo em fé e prática. Os cristãos podem errar e diferir em seus pontos de vista, mas Cristo e a verdade cristã são os mesmos ontem, hoje e para sempre.
Aonde quer que o Evangelho for eficaz, não somente vai com a Palavra, mas também com poder pelo Espírito Santo, fazendo reviver pecadores mortos, livrando as pessoas da escravidão do pecado e de Satanás, renovando-os por dentro e por fora e consolando, fortalecendo e confirmando aos santos, o que não pode ser feito com palavras persuasivas de homens, mas pelo poder de Deus. E é uma condição feliz quando um espírito de amor e mansidão usa a vara, porém, mantendo uma justa autoridade.
CONCLUSÃO
O despenseiro que atua como pregador é um construtor de pontes, buscando vencer a distância entre a Palavra de Deus e a mente humana. Ele precisa dar o melhor de si para interpretar as Escrituras com tanta precisão e simplicidade, e aplicá-la com tanta arte, que a verdade possa atravessar a ponte e adentrar o coração.
Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus (auxiliar)
Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados – MS
Comentário Bíblico Matthew Henry
Lições Bíblicas Betel 2004
Bíblia de Estudo Pentecostal